BORBOLETANDO O tempo é o casulo e a borboleta; ou a borboleta e o casulo.
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BORBOLETANDO O tempo é o casulo e a borboleta; ou a borboleta e o casulo. Joana de Oviedo.
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BORBOLETANDO O tempo é o casulo e a borboleta; ou a borboleta e o casulo.
BORBOLETANDO O tempo é o casulo e a borboleta; ou a borboleta e o casulo. Joana de Oviedo.
O TEMPO O tempo se molda na luz E sob a luz.
O TEMPO O tempo se molda na luz E sob a luz. Não há como verificar o tempo No estado escuro para os olhos, A não ser no dormir ou quando não conscientizamos Da existência das coisas, pois o tempo nada mais é que as coisas Existentes naquele momento E em outros momentos. E as lembranças é algo que olhamos Na repetição do tempo - nas coisas que se repetem Porque nada é único. Um bebê existiu com sua mãe e cresceu e sua mãe envelheceu mas cresceram outras mulheres e nasceram outros bebês... Então aprendemos a fazer o relógio inexorável das coisas já existentes e que se repetem. O tempo é o casulo e a borboleta; ou a borboleta e o casulo. Joana de Oviedo – Direitos reservados
SÍNDROME NARCÍSICA Em um mundo onde ninguém é de ninguém, ela era só dela: vendia seu corpo a muitos, e depois de receber ia embora levando-se a sim mesma, perpetrando o delito de apropriação indébita.
Não sei bem explicar o que me atraia para aquele ser tão insignificante, Talvez nossa insanidade fossem irmãs gêmeas...
COMPLEXO DE INFERIORIDADE Nunca se sentiam suficientes um ao outro. Mas não se abandonavam a si mesmos.
COMPLEXO DE INFERIORIDADE Nunca se sentiam suficientes um ao outro. Mas não se abandonavam a si mesmos. Talvez porque ninguém os desejasse.
TEU SILÊNCIO Amo teu silencio de frutas frescas Assim amo teus lábios roxos das vinhas.
TEU SILÊNCIO Amo teu silencio de frutas frescas Assim amo teus lábios roxos das vinhas. As tuas mãos de luvas bordadas e finas Amo-as tão pequenas, quase de menina! Teu silêncio... Esse de paz sepulcral. Teus lábios, um mel que me alucina Tuas mãos de luvas bordadas e finas Em minha pele tu as faz tão divinal! E então, pobre de mim que sonhei Pela vida a fora desenhei-te Para sempre tê-las agora... Mãos de fadas encantadas, tão pequenas! Suaves, feito luvas finas, bordadas Alvas... Ainda sinto o cheiro das açucenas! Joana de Oviedo
SOBREVOO Sobre voo? Sobrevoo
SOBREVOO Sobre voo? Sobrevoo Sobre tempestades E até sob o ades Mas quem sabe sobre o mar ? E nesse desentoo Eu sei que há o ar E também o fim De qualquer voo E que seja um jardim! Sobrevoo!
A melhor forma de responder ao silêncio é se recolher ao silêncio também.
Ano Novo Eis que tudo se fez perfeito outra vez...
BRISA Seja bem-vinda, oh, brisa das manhãs de primavera,
BRISA Seja bem-vinda, oh, brisa das manhãs de primavera, ao meu recôndito jardim de Heras! A esse jardim sem flores nem amores. Não vá embora! O tempo logo se fará aurora, e um resto de flores colherei na estrada, esquecidas, deixadas. E trarei para cobrir meu muro escuro... E pousarei nos ramos a flor que sonhou minha primavera nos galhos da hera.
VOLTASTE Voltaste do mar, Oh ruidoso vento!
VOLTASTE Voltaste do mar, Oh ruidoso vento! Ouviste a voz da terra em desalento. Sofreu e até chorou Alguns versos tristes Na folha de papel. E assim soprou E tudo se refez, ruidoso vento! Até os cabelos dela, os fez em desalinho... Voltaste! Um brinde! Um vinho!
INSENSATEZ Saudade de Deus! Outrora o meu pastor.
INSENSATEZ Saudade de Deus! Outrora o meu pastor. Faltou-me tanto E nada me faltaria Eu andaria com Ele Pelos vales dos ossos secos E levantaria homens fortes, (Um grande exército), Mas não posso nem a mim Mesma reviver. Eu cantaria após lançar A semente e ver os brotos Mas não pisei a terra prometida Fui infiel, fui réu do pecar. Destemida, andei pelas montanhas a sós E por vários sóis vivi ausente, Descrente. Saudade de Deus... Se eu andasse com Ele Os vales estariam vazios de ossos E na terra haveria brotos E eu não apenas olharia de longe. E a canção estaria para sempre Em minha boca. Eu nunca enlouqueceria Na minha insensatez
CAMINHOS Bendito é o caminho por onde tive que passar. maldita a estrada por onde nunca pude os pés colocar.
CAMINHOS Bendito é o caminho por onde tive que passar. maldita a estrada por onde nunca pude os pés colocar. Maldita, porque como em um convés, ressuscitou-me a ira de não poder me trasladar, sentir o ar, o vento batendo... o vento da liberdade de voar ou caminhar nas veredas da vida, arremessar-me enquanto posso, devagar ou a passos lentos, ou voar na velocidade da luz que me conduz ao infinito, a um lugar indefinido! Caminho meu, aqui vou eu. Bendito és porque por ti passei, não me declinei.
Eu já tive muitos sonhos, hoje não tenho pressa.
Aquela criança que espelha nos olhos o sorriso da infância ainda sou eu.
BUSCANDO COM O CÉREBRO Não desejo mais passar maquiagem de celular para mostrar um rosto bonito nas rede sociais. A mim não me basta apenas e não mais um rosto bonito para chamar atenção, esse tempo já passou. Prefiro as rugas que enfeitam meu rosto de uma forma real e que aquel…
BUSCANDO COM O CÉREBRO Não desejo mais passar maquiagem de celular para mostrar um rosto bonito nas rede sociais. A mim não me basta apenas e não mais um rosto bonito para chamar atenção, esse tempo já passou. Prefiro as rugas que enfeitam meu rosto de uma forma real e que aqueles que vierem até mim, não veja apenas a maquiagem que o celular pode fazer. O retrato do celular é um engano e gera um incômodo também, porque realmente você não se parece com uma boneca e seu rosto já mostra a flacidez do tempo. Sim o tempo é flácido, mas já foi duro também. Quando era duro, nos levava por caminhos difíceis e agora que o tempo também se tornou flácido, a vida ficou mais fluida e não tenho mais vergonha de levantar a mão em saudação de miss. Sou o que sou. E assim como escreveu Saint Exupérry – Os olhos são cegos é preciso buscar com o coração... prefiro buscar com o cérebro, porque o coração é apenas um músculo, o cérebro é responsável por muito mais, inclusive acionar esse fazer de bombeamento de sangue pelo coração, portanto, desejo ser buscada por um cérebro saudável. Não me convém querer ser jovem, a mim basta-me meus colares de pedras de água doce para contrastar com as rugas que já se formam em meu rosto.
CONFISSÃO Eu te confesso. na vida não há regresso
CONFISSÃO Eu te confesso. na vida não há regresso Por isso olhe as estrelas, pise firme no teu chão, procure no céu a mais bela constelação Segure a mão de alguém Não se furte de fazer o bem. A vida é doce passagem Mas do outro lado não nos é Mostrado nenhuma imagem. Pegue seu barco! Não vale apena chorar, mas se quiser Vá desaguar, no lago, no rio ou no mar Só não vale perder a calma Até para chorar, é preciso posar. É preciso também pousar Sobre os ombros de alguém Cada um conhece o amigo que tem. Na vida não há regresso... Pise firme no teu chão olhe bem o arrebol, sinta o calor do teu sol, procure bem alto tua constelação. Eu confesso...
Enquanto os sinos ecoam As borboletas voam Em busca do mesmo acaso
Enquanto os sinos ecoam As borboletas voam Em busca do mesmo acaso Do badalar dos sinos, Só que silenciosamente, Um arrulho para si mesmas. Joana de Oviedo
TAÇAS QUEBRADAS Na quimera daquelas taças levantadas aos ventos, firmamos um eterno compromisso de trilhar
TAÇAS QUEBRADAS Na quimera daquelas taças levantadas aos ventos, firmamos um eterno compromisso de trilhar em linha reta a mesma estrada, até o infinito! Amei-te tanto, e viajei às estrelas, até se dar conta e sorver meu próprio pranto! Compreendi que ao amor não se propõe um brinde em taças que se despedaçam ao toque de qualquer vento... E que ainda os ouço ao chegar da noite, os açoites dos falsos juramentos. Nada mais desejo além da brisa no meu rosto, feito remédio a suplantar tanto desgosto! Por que te quebrastes, oh, taças, levantadas ao vento?! Por que morreste, oh, sonhos de meu tormento?
POR QUE TE AMO Amo tuas mãos. Tem gosto de lençóis
POR QUE TE AMO Amo tuas mãos. Tem gosto de lençóis acetinados da infância... Tuas mãos: Pérolas a tocar-me as faces! Amo tua voz! Tem delírio de música erudita dos palácios reais... Tua voz: Doce canção a beijar-me a alma! Amo teu corpo! Tem calor do manto na estrada onde passou o bom samaritano e o mendigo. Teu corpo! Pois me aquece nas noites frias, quando ninguém mais me oferece nada. Amo-te! Se me podes ser apenas um toque, um calor e um sussurro!
SE É QUE ME ENTENDE Minha cara dei a tapas, desde que nasci... Não porque sou melhor, Mas é porque sou mulher.
SE É QUE ME ENTENDE Minha cara dei a tapas, desde que nasci... Não porque sou melhor, Mas é porque sou mulher. Pensando bem, não foi minha cara que coloquei a tapas, e sim “meu sexo”. Queira você, sim ou não, quando eu passar, vai ter que “abrir alas”. Eu não preciso de horas ou tempo para (re)construir minha história, as minhas horas são as que eu passo lutando na “selva desumana”. Também não preciso escrever um poema, cantar uma música, me fazer de “pequena” para ser acolhida, a própria vida me acolheu, a própria lida diz quem sou eu. Não preciso ser só “Cinderela”. Tenho fogo nos olhos, e na alma um vulcão... que ora adormece, mas não é sempre não. Também não preciso contar historinhas das “Mil e uma noites” para não morrer. A minha história se consagrou no jardim do Éden, quando disseram que eu sou Eva e transgredi, mas também progredi, e não adianta se lamentar. Não estou aqui para questionar, mas Adão foi um “maria-vai-com as outras”. Se é que você me entende! Minha cara a tapas eu dei desde que eu nasci. Não porque sou melhor e sim, porque sou mulher. Mas é preciso explicar: Não foi minha cara que coloquei a tapas, e sim “meu sexo”. Não porque sou melhor, mas porque sou mulher! Se é que você me entende... Mas talvez ninguém nunca entenda!
AUSÊNCIA DE PALAVRAS De tudo para quanto vivi, eras tu do que mais morri.
AUSÊNCIA DE PALAVRAS De tudo para quanto vivi, eras tu do que mais morri. Da ausência de palavras, do canto que não ouvi. Eu sinto porque tu foste, pelo amor e o desgosto... Era uma verdade tão vã, que só durava no afã das palavras ditas com escárnio travestindo-se o riso dos falsos versos de Chamfort. Era sua verdade tão vã! De tudo o quanto vivi, eras tu do que mais morri.
MEU BATUQUE Escuta o meu batuque! Vai até a madrugada. Meu batuque é silêncio que me põe a vida pensá...
MEU BATUQUE Escuta o meu batuque! Vai até a madrugada. Meu batuque é silêncio que me põe a vida pensá... Deixa ele batucá... té que eu dance a ultima música e alguém me põe pra niná. É batuque com repiques dos sinos lá da aldeia e dos sons das ondas do mar, de cheiro de campos floridos, e da areia branca da estrada... Da canção dos violeros! Tem gosto de céu estrelado e dos causos que meu pai contava, à noite, lá no terrero. Das roupas que mamãe lavava e secava no varal da minha infância... De quando levava a gente na cidade pra comprá os tecidos boladinhos para ela costurá, vestidos dos contos de fadas mais lindos daquele lugá. Por isso, deixa meu silencio batucá. A cada vez que ele batuca põe-se minha alma a pensá. Deixa ele batucá... Té que eu dance a ultima música e alguém me põe pra niná.
FOTOGRAFIA NA MOLDURA Um dia, seremos apenas uma fotografia. Alguém há de perguntar quem é.
FOTOGRAFIA NA MOLDURA Um dia, seremos apenas uma fotografia. Alguém há de perguntar quem é. E alguém há de responder quem foi. Dizer: Que foi o amor desse alguém ou, uma boa alma que com o tempo veloz voou. Há de perguntar o que houve? Mas, talvez nada terá havido. Apenas que tenha partido, por que o tempo vai e com ele alguém há de se ter sempre ido. E tornaremos, um dia, apenas uma fotografia.