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Frases de Isabel Morais Ribeiro Fonseca

3.189 frases

"MÃE É SER" Ser mãe é carregar-te Durante 9 meses no meu ventre
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"MÃE É SER" Ser mãe é carregar-te Durante 9 meses no meu ventre É sorrir para a vida no primeiro segundo Que tu estás nos meus braços É ficar com o coração nas mãos no primeiro dia Que vais para o infantário É enxugar as tuas lágrimas e as minhas.

"DESENCONTRO/S" Peito meu, minha dureza Alma branda, fogo acesso
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"DESENCONTRO/S" Peito meu, minha dureza Alma branda, fogo acesso Amo a quem ofendo Suspiro a quem desejo Ausência de sentimento Abranda o coração O cheiro a poejo deitado na panela Erva aromática plantada na terra Ó terra não me renegues sepultura Depois de morto Onde o meu corpo repousará Das saudades pungentes Atinge a alma o coração Porque ferir-me lentamente Desta prece de amarga ilusão Sangra a tortura no peito Quimera doce, vida passada Charco imundo, lamaçal profundo Que passo triste a lamentar a vida Onde não entra luz, só entra a morte.

AMOR MEU Esperei por ti toda a noite Vi as horas passar ao longe
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AMOR MEU Esperei por ti toda a noite Vi as horas passar ao longe ------------- Foram tantas noites em claro Parindo poemas, palavras devagar ----------------- Senti o calor das velas a queimar Cansadas de iluminar a esperança ---------------- Onde acabei num sono profundo Ao sabor do vento feito em ventania ---------------- O amor que por ti sentia, ficou na chuva Desfeitas em lágrimas como missangas

"CAMÉLIAS" Queria colorir as mágoas Não me perguntes quem sou
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"CAMÉLIAS" Queria colorir as mágoas Não me perguntes quem sou Acordei e bebi o meu silêncio Atirei fora as minhas respostas Perdi as memórias nos espelhos As manhãs são de luta e neblina Tropeço na cegueira das emoções Nevoeiro de acácias íntimas e feridas Adormeço no muro das indecisões Abro as mãos às últimas palavras Descontentamento da alma que me dói Benditas camélias que estão a chegar Que tocaram o meu mais profundo coração!

AMO-TE, AMO-TE Amo-te de uma maneira inconfessável Amo-te como....
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AMO-TE, AMO-TE Amo-te de uma maneira inconfessável Amo-te como.... uma folha que cai da árvore pelo vento Como as árvores que choram as folhas Que deixaram de viver Como uma trovoada que assalta a minha alma Como a água que nasce na nascente e sacia a minha sede Meu amor de madrugada quando me perco e te perdes A vida está calada entre os braços que te cerco E os beijos que te dou com sentimento e ternura Permanece o lume, onde acaba o dia e paira no ar a noite No teu calor, deito-me segura. Onde amo-te de uma maneira inexplicável!

"SÚPLICAS" Fado das palavras.... Que dizíamos e já não dizemos
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"SÚPLICAS" Fado das palavras.... Que dizíamos e já não dizemos Palavras ditas, rimadas.... Amadas, odiadas tantas vezes Onde floresce um jardim De camélias que eu tanto amo Jardim que está na nossa vida Tão rica e perfumada Cheia de encantos e desencantos Por culpa nossa ou de outros Alheios aos nossos sonhos Á nossa vida, a tudo que é nosso Fado que o vento varreu As nossas horas que mudam de lugar Poesia fingida dos olhos da alma Onde morremos mesmo sem morrer Chegamos a partir, mesmos sem partirmos Mão noturna que escava o silêncio Entre a singela chuva, que aldraba na lama As brumas de um cavaleiro sem amada Fornalha de pão quente no forno Da imensa fome do impenitente mendigo Entre segredos de amor já refletido Surge o suplico e desprotegido Da imperfeição que os nossos olhos Nunca viram línguas no espelho Queimados do impenitente tempo Tantas vezes perdido por nós esquecido Toupeira que escavava entre o silêncio Dos nossos sentimentos impuros Rasgados nas brumas Do nosso inconsciente feito em súplicas Fado das palavras de uma penumbra Sombra chocalhada, abafada Do nosso sangue que amadurece Como as uvas morangueiro que bebemos Já fermentado o liquido doce dos deuses Branco, rosa, roxo néctar da perdição das almas!

"FALSA FRAQUEZA" Diferente dos olhos menos se atreve A quem mais louvar quer
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"FALSA FRAQUEZA" Diferente dos olhos menos se atreve A quem mais louvar quer Cega idolatria Pelas coisas banais desta mortal vida Morte voluntária, dura guerra de todos os dias Pensamentos renovados sombra fresca de água fria Doce lima onde me cerca a dor Lembranças que me lastima Tempos passados no mundo já desenganados Logrando-me da tua companhia Oh sepultura minha da morte com bravura Falso caminho onde habita a fraqueza da alma pura Defeitos de um coração aflito Resiste ao sentimento Sem reagir ao consentimento Os claros desenganos Das certezas que sofrem mais de tristezas Colhidas entre as flores De espinhos feridas na carne Do nosso desentendimento Gemidos transparentes, duros sentidos Que penetram as entranhas do descontentamento Desencanto dos passos no caminho Espinhas engasgadas na carne viva das saudades Morte consentida da alma porque O corpo há muito já deixou a vida Com temor nas águas do oceano, lágrimas perdidas Onde o amor se banha tantas vezes De pena e de tamanha dor se consola.

ABRAÇA-ME! Abraça-me forte como se fosse a última vez Com a tua alma, com doçura, ternura
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ABRAÇA-ME! Abraça-me forte como se fosse a última vez Com a tua alma, com doçura, ternura Desejo e muita loucura Envolve-me neste momento de amor com magia Sentir as nossas mãos e corpos entrelaçados O meu coração chama por ti Quero ficar assim abraçada a ti Nesse amor, sem fim Os teus lábios são labirintos O teu beijo o meu afago Suspira os nossos sentidos Que atraem os meus instintos Acordando e dando cor à minha vida "À NOSSA VIDA"

SONHO DESFEITO Às vezes não sei o que escrever Mas, pouco a pouco, no meio do silêncio
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SONHO DESFEITO Às vezes não sei o que escrever Mas, pouco a pouco, no meio do silêncio Ou do imenso barulho cá de casa as palavras saem. Começo por escrever que muitas vezes.... Não adianta correr atrás de um sonho Quando há aberrações que acabam com os nossos sonhos Seja o que for que a vida tenha reservado para mim Vou continuar o meu caminho e a sonhar sempre Mesmo quando as aberrações se cruzam connosco Sem dinheiro não se faz nada infelizmente Onde tudo se compra, tudo se paga A vontade não passa E a ansiedade que nos consome vai mais calma Evaporada paciência Traz ausência de uma estratégia forte De uma intolerante resistência, em momentos de magia Pensamento forte de sonhos escritos em palavras Nunca... nunca deixe o seu sonho morrer Mesmo que não tenha dinheiro para o concretizar Sonhar é viver, viver é simplesmente sonhar!

PARA RENASCER DE NOVO Senti-te e abandonei-te enquanto te tinha Meu amor; por medo de ser queimada...
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PARA RENASCER DE NOVO Senti-te e abandonei-te enquanto te tinha Meu amor; por medo de ser queimada... Pelo ardor da paixão que sentíamos. Amo-te com o sopro do meu coração Queria adormecer em ti, dentro de mim Como se tu e eu fôssemos nós. Amo-te nos momentos de ausência. Mesmo quanto a vida nos foge. Amo-te à procura de respirar. O cheiro da tua alma perdida em mim. Amo-te quando pediste-me para me perder contigo. Amo-te de olhos fechados Quando gritei o teu nome ao vento. Entrei meu amor Sossegada dentro de ti; quietinha, calada. Senti que me amavas, sorris-te, porque também o senti. Deixei-te aconchegar-te no meu ventre, no meu peito. Percorreste com os teus dedos as estradas imaginárias. Encontrei-me, mais uma vez, sossegado dentro de ti. Gritei bem alto o teu nome e morri de amor. Para renascer de novo, renasci. Senti-te e abandonei-te enquanto te tinha Por medo de ser queimada pelo ardor da nossa paixão!

AMO-TE TANTO Amo-te em cada beijo que te dou Amo-te em cada olhar que perco
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AMO-TE TANTO Amo-te em cada beijo que te dou Amo-te em cada olhar que perco Amo-te em cada verso que faço Amo-te no grito e na dor do meu silêncio Amo-te nas noites escuras sem fim Amo-te em cada lágrima que cai do meu rosto Amo-te nas minhas recordações e lembranças Amo-te nas mágoas e nas tristezas que irei sentir Amo-te como uma louca em cada palavra sentida Amo-te como um grão de areia no deserto da minha alma Amo-te por amar-te tanto, ainda que nunca Tenhas-me pedido para amar-te!

AMORES Os meus filhos... São os meus amores
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AMORES Os meus filhos... São os meus amores Onde quer que eu vá Levo-os sempre comigo. Estão no meu coração, Nos meus pensamentos, Sinto-os em todos os momentos. Em todos os lugares que estou Eles são a razão da minha vida Da minha própria existência Amo-os mais, do que a minha própria vida Os meus filhos são tudo...tudo O meu sangue, a minha carne... A minha alegria, a minha felicidade!

AGASALHO MEU Amor amo-te em silêncio Como a mansidão do rio
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AGASALHO MEU Amor amo-te em silêncio Como a mansidão do rio ........... Que cala negando Na insensatez do vento ...... Deixo-me ir nas águas De um remoinho ............ Sombras de uma luz Que ilumina a minha alma ............ As horas que passam são folhas Secas de um inverno esquecido ....... As tuas lembranças são O agasalho do meu desejo ............ Só a tua essência veste A minha inocência desta noite ....... Abraço os teus sentidos Recolho-me no caminho da saudade!

AMOR DE ALERTA Colhe Em mim o amor
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AMOR DE ALERTA Colhe Em mim o amor ...... O amor Que se avizinha ....... Toma-o Ou ...... Toma-me Nos teus braços ...... Onde no teu ombro Eu repouso ....... O meu corpo O meu cansaço ........ Perdidos e germinados Num único olhar ..... Em ti refaço-me Das dores da alma ...... O meu descanso O meu remanso ........ O amor de alerta Que me penetra nas entranhas ....... Talvez de tantas Tantas artimanhas ........ Colhe em mim o amor O amor que se avizinha!

DESÁGUE, A MINHA ALMA Para onde vai a minha alma Enquanto eu desço a ladeira
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DESÁGUE, A MINHA ALMA Para onde vai a minha alma Enquanto eu desço a ladeira Nas veias ferve o sangue Perdido nos meus pensamentos Alguém que desague em mim E que me faça ver o mar Rios onde as águas se encontram Beijam-se, enrolam-se na areia branca Onde agora só quero e pertenço ao mar Preciso de colo Preciso de alguém que me olhe nos olhos E que os faça brilhar... Como uma lua cheia de esperança Quando cortamos as amarras que nos prendem Sabemos que a vida é um voo livre Muitas vezes há uma lança que nos trespassa o peito... Depois da ferida curada, sarada Descobrimos que a dor Apesar de alucinante não foi nada... Para onde vai a minha alma Enquanto eu desço a ladeira Eu só quero alguém que deságue em mim E que me faça ver o mar!

UM CONTO "HOMEM SÓ, JÁ NÃO" Homem deixado entregue ao seu destino roto quase despido, tinha chorado, tinha gemido.
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UM CONTO "HOMEM SÓ, JÁ NÃO" Homem deixado entregue ao seu destino roto quase despido, tinha chorado, tinha gemido. Já tinha fugido das responsabilidades, tantas vezes do tempo Da verde eufórica mocidade, agora já na madura velhice O gosto falso de uma caminhada dada na verde preguiça, Onde quis fortalecer a fraqueza da solitária serra Mora nos bosques repletos de diversidades, nos rochedos nas grutas Com o seu fiel amigo, um lobo abandonado Por um caçador repugnante que tantas vezes batia no lobo indefeso Como nos cães que ele tinha e tem Caçavam juntos o homem sem nome, Ele não gosta nem de lembrar o seu passado Apenas o presente numa terra agreste dura Fugia das pessoas que o olhavam de lado chamando-lhe louco Coitado diziam, mal sabiam Que era mais feliz numa gruta na serra Do que com um bom carro que tinha Um Audi topo de gama, uma casa na zona mais cara de Lisboa. Mas não era feliz, encontrou a felicidade quando o deixaram O roubaram, entregue a si próprio no meio do Monsanto, Roto quase despido e revoltado Quando deu-se por ela era um sem abrigo triste e solitário. Resolveu fugir da cidade para o campo E foi quando começou a viver nas grutas das serras Enfiados nos rochedos, nas fragas Foi quando viu um animal quase morto cheio de feridas Não deixava ninguém aproximar-se dele Estava moribundo mas tinha garra Afinal era um animal selvagem Domesticado por um verdadeiro animal o seu dono Um caçador que o tinha roubado à sua pobre mãe loba, coitada Lentamente começou a aproximar-se, mas o lobo uivava Ele com calma foi ganhando confiança O lobo começou a baixar a guarda, estava tão ferido que metia dó Mas devagarinho conseguiu aproximar-se dele Tinha caçado um coelho selvagem Coitado nunca tinha comido carne crua Era repugnante dizia ele em pensamento, comer a carne crua Mas o amor que ele tinha por aquele animal ferido Era tanto que nunca tinha sentido por ninguém Era uma mistura de sentimentos desconhecidos dele até então Repartiram a carne entre os dois e a confiança estabeleceu-se Ele conseguiu agarrar-se ao lobo que ainda o abocanhou não o mordeu, aceitou o abraço de um homem que não conhecia Afinal o antigo dono nunca o tinha abraçado Só lhe batia como batia nos seus cães o caçador era um homem rude Talvez sem instrução coitado não é desculpa mas enfim O lobo tinha ganho um amigo, o homem tinha ganho Mais uma razão de continuar o seu destino Já não estava sozinho tinha um fiel amigo, o lobo. Andam assim os dois pelas serras, montes Bosques, rochedos, fragas e grutas do nosso amado Portugal!

"AGUAS CLARAS, PÉ DESCALÇO" Pé descalço, coração de pedra magoado Que cega esta nossa
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"AGUAS CLARAS, PÉ DESCALÇO" Pé descalço, coração de pedra magoado Que cega esta nossa Mais que nossa idolatria Voluntária morte Esta mortal vida,mal vivida Onde deixamos reinar a tirania Tão mal servida Que bravas águas Lágrimas no oceano profundo Perdidas e esquecidas Que chorei na mocidade Daquelas que já foram celebradas Noutra idade Relembradas em liberdade Sentidas de bravura Águas claras Mostrai-vos tão nossas conquistadas Da memória antiga Pé descalço e já magoado Quando não poder ser amado O canto das aves Alegraram o meu pensamento E o meu ouvido O perfume das flores Mostraram-me o céu na terra Vivo isento e pobre sem abalar O sentimento da fraca Humanidade que se vive neste mundo Cada vez mais frio De calor humano Pé descalço e magoado dos caminhos Onde o mais escuro é claro O mais leve é pesado O mais brando é duro Como as fragas das serras De giestas, estevas. Que cega esta nossa idolatria Desta nossa voluntária morte Sem viver a mortal vida Reinando a tirania Fechando os olhos De sermos mal servidos Pé descalço, magoado coração de pedra!

"TECER AS PALAVRAS" As sombras das casas senhoriais frias De pedras escuras
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"TECER AS PALAVRAS" As sombras das casas senhoriais frias De pedras escuras Sobreviventes aos séculos em estado de destruição Hoje queria tecer as lágrimas Da chuva que cai lá fora Pérolas que enlaçam o fio da tua Da minha sorte Ser agulha nas malhas de lá do nosso esquecimento Tecer todas as mágoas no linho Dos lençóis ao vento no estendal. Nas horas difíceis Morremos de tédio acendemos a televisão Navegamos na corrente Barco sem remos, velas erguidas ao tempo Atiramos pedras ao rio sem as ver cair Gememos de fúrias esmagadas. Fragmentos de memórias que tombam desamparadas Como folhas soltas Ao sabor do vento, no tempo Gaivotas que levam as letras ilegíveis De palavras irônicas.!

"TALVEZ, TALVEZ" Talvez deixe de escrever Afinal a minha escrita é uma bosta
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"TALVEZ, TALVEZ" Talvez deixe de escrever Afinal a minha escrita é uma bosta Poemas tantas vezes feitos de defeitos comuns Desencontrados, desconexos Fortaleza solitária, hábito de peito aflito Pensamentos saudosos Tempestades de granizo consentidas Que tristes os gemidos penetrantes Entranhas frias repartidas Claros desenganos, certezas de extrema tristeza Sofreu bravas aventuras Mágoas minhas, olhos meus, entre os espinhos Passos dados nas duras serras Donde habita a maior fraqueza Alma minha, corpo teu Esperança esquecida, escritos tão meus!

CONTO "A VELHINHA TECIA,TECIA" As suas mãos teciam numa noite De inverno longa e fria
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CONTO "A VELHINHA TECIA,TECIA" As suas mãos teciam numa noite De inverno longa e fria As serras cobriam-se de neve O rio detinha-se congelado Ela tecia o fio de lã Como fios transparentes de seda As folhas mudavam de cor das árvores quase despidas Dentro de casa a lareira acesa Ela continuava a tecer os fios finos de lã. O seu amor era incondicional e divino O que sentia pelos seus amados filhos. Lá longe nas grandes cidades Dizia ela os meus amores. Docemente contemplava com fervor O caminho entre as fragas. Cheias de neve Onde o peito tanto doía de saudades. Aquelas saudades d`alma pura De vários sentimentos que ardem no fogo. Dentro de água que o gelo detinha e o rio não corria. Vida estreita na vivência Que ninguém duvide dos seus longos anos. As suas mãos teciam a manta que lhe cobrira O corpo como uma mortalha. De bravura esta sua humilde vida sofrida Onde rezava e colhia tantas bênçãos. Do Senhor seu Deus Tantos favores que Deus Lhe dava pela sua perseverança Pela fé que tinha mesmo nos dias de dor, de mágoa Ela era sempre muito abençoada. Ela dizia que Deus é o meu caminho Sem ele não resta nada, só pó. Tinha um coração de amor e sabedoria Dizia ela que tinha aprendido com os seus pais. Gente humilde, sábia, honesta E muito respeitada pelo povo onde mora. Está uma noite de inverno fria e longa Ela continuava a tecer com os fios fininhos de lã Da sua mortalha ao pé da lareira Estava contente Sentia-se feliz porque sabe que Deus Ira chamá-la em breve. A qualquer hora , dizia tenho que acabar Estou nesta empreitada à quase 80 anos. Estou muito feliz por que Deus vai estar à minha espera Bendita senhora já tão velhinha Benditos os lírios do campo E todas as flores silvestres. Só Deus cuida delas Como cuidou de mim estes anos todos. Benditos todos os meus filhos que pari Com muitas lágrimas de dor. Com sabor a mel que era amor Tecia tecia os fios de lã, finos fios como seda. Rezava, rezava, tecia e dizia a Deus Senhor está quase pronta a minha mortalha. Que me cobrirá ao encontro marcado Contigo quando chegar a hora.

FLORES ROUCAS Uma voz rouca que mortifica-se Uma alma que pesa de um silêncio que grita.
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FLORES ROUCAS Uma voz rouca que mortifica-se Uma alma que pesa de um silêncio que grita. Nas intrigas dos nossos pensamentos. Silêncio onde guarda-nos o fardo da vida. Rosa branca que murchou com o calor do sol Só restam agora os espinhos de dor. Ventos frios das luzes do palco que iluminam Sobrevive quem tem a sorte de uma vida esmigalhada. Canto triste de um lamento voz rouca que pesa no silêncio. Essência de uma alma das minhas belas camélias floridas. Onde está a fragrância da flor, dos nossos anos perdidos. O silêncio da nossa agonia ou talvez da nossa velhice. A felicidade das nossas lembranças, das nossas memórias São aquelas que não vivemos nem sentimos.!