Frase de Isabel Morais Ribeiro Fonseca
UM CONTO "HOMEM SÓ, JÁ NÃO" Homem deixado entregue ao seu destino roto quase despido, tinha chorado, tinha gemido. Já tinha fugido das responsabilidades, tantas vezes do tempo Da verde eufórica mocidade, agora já na madura velhice O gosto falso de uma caminhada dada na verde preguiça, Onde quis fortalecer a fraqueza da solitária serra Mora nos bosques repletos de diversidades, nos rochedos nas grutas Com o seu fiel amigo, um lobo abandonado Por um caçador repugnante que tantas vezes batia no lobo indefeso Como nos cães que ele tinha e tem Caçavam juntos o homem sem nome, Ele não gosta nem de lembrar o seu passado Apenas o presente numa terra agreste dura Fugia das pessoas que o olhavam de lado chamando-lhe louco Coitado diziam, mal sabiam Que era mais feliz numa gruta na serra Do que com um bom carro que tinha Um Audi topo de gama, uma casa na zona mais cara de Lisboa. Mas não era feliz, encontrou a felicidade quando o deixaram O roubaram, entregue a si próprio no meio do Monsanto, Roto quase despido e revoltado Quando deu-se por ela era um sem abrigo triste e solitário. Resolveu fugir da cidade para o campo E foi quando começou a viver nas grutas das serras Enfiados nos rochedos, nas fragas Foi quando viu um animal quase morto cheio de feridas Não deixava ninguém aproximar-se dele Estava moribundo mas tinha garra Afinal era um animal selvagem Domesticado por um verdadeiro animal o seu dono Um caçador que o tinha roubado à sua pobre mãe loba, coitada Lentamente começou a aproximar-se, mas o lobo uivava Ele com calma foi ganhando confiança O lobo começou a baixar a guarda, estava tão ferido que metia dó Mas devagarinho conseguiu aproximar-se dele Tinha caçado um coelho selvagem Coitado nunca tinha comido carne crua Era repugnante dizia ele em pensamento, comer a carne crua Mas o amor que ele tinha por aquele animal ferido Era tanto que nunca tinha sentido por ninguém Era uma mistura de sentimentos desconhecidos dele até então Repartiram a carne entre os dois e a confiança estabeleceu-se Ele conseguiu agarrar-se ao lobo que ainda o abocanhou não o mordeu, aceitou o abraço de um homem que não conhecia Afinal o antigo dono nunca o tinha abraçado Só lhe batia como batia nos seus cães o caçador era um homem rude Talvez sem instrução coitado não é desculpa mas enfim O lobo tinha ganho um amigo, o homem tinha ganho Mais uma razão de continuar o seu destino Já não estava sozinho tinha um fiel amigo, o lobo. Andam assim os dois pelas serras, montes Bosques, rochedos, fragas e grutas do nosso amado Portugal!
No pensador.ai desde