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Frases de Isabel Morais Ribeiro Fonseca

3.189 frases

Carta aos meus doces filhos Quando eu já for velhinha Eu não serei uma velhinha comum
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Carta aos meus doces filhos Quando eu já for velhinha Eu não serei uma velhinha comum Vocês já sabem, afinal não gosto muito de ficar quieta ou de fazer tricô Porque nunca tive paciência para tricotar Quando eu já for velhinha Não quero que se preocupem comigo Não se sintam na obrigação de visitar-me aos fins de semana Façam isso quando sentirem realmente vontade de me ver, saudades do meu abraço, do meu carinho, do meu beijo. Ou ainda quando sentirem saudades da minha comidinha. Eu estarei na companhia do vosso querido pai, o amor da minha vida. Vocês sabem que os meus olhos olham para vocês com muito orgulho Quando eu já for velhinha Quero ficar na minha casa mesmo Que seja velha como eu Vocês sabem que eu valorizo E amo a minha liberdade Quero que vocês me olhem e sintam orgulho Mas me deixem viver como eu quero Conforme a minha vontade Não pensem que sou egoísta. Meus filhos, perdoem-me Se alguma vez eu falhei com vocês Eu amei-vos e tentei amar-vos Da melhor maneira que eu soube Quando eu já for velhinha Quero muitos netos para mimá-los muito Não me critiquem se eu exagerar nos carinhos Afinal, vocês tiveram, muitos mimos, carinhos Abraços... como eu vos amo, meus amores Quando eu já for velhinha Não sintam pena de mim quando estiver fraca. Sem forças, não se sintam responsáveis por mim. Eu vivi como eu quis. Meus queridos e amados filhos da minha alma, sangue do meu sangue, do meu coração. Meus amores, vivam as vossas vidas com amor. Respeitem os outros, trilhem os vossos caminhos As vossas estradas, amem, trabalhem Tenham êxito, sejam corajosos Sonhem muito e alto Acreditem sempre em vocês E sejam muito felizes Meus amados filhos, meus grandes amores.

ENCONTREI O SABOR Nos teus olhos encontrei o amor No frango com castanhas
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ENCONTREI O SABOR Nos teus olhos encontrei o amor No frango com castanhas Encontrei o sabor dos teus lábios No lombo com abacaxi Encontrei no teu corpo o calor No borrego no forno Encontrei tudo que nos completou No pão recheado de presunto Encontrei os teus abraços No polvo assado no forno Encontrei o teu sorriso Nas sardinhas à tanoeiro Encontrei-me a viajar na tua mente Nos rolinhos de couve com gengibre Encontrei a suavidade da paixão No entrecosto assado no forno Encontrei a intensidade do teu amor No bacalhau com natas e queijo Encontrei a entrega do teu coração Na perna de peru no tacho com couve-flor Encontrei a lucidez do teu amor Amo-te na sopa à lavrador

O HOMEM O homem vive escravizado e parece que gosta Na origem das capacidades ainda não realizadas
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O HOMEM O homem vive escravizado e parece que gosta Na origem das capacidades ainda não realizadas Representa o início das incertezas nos recursos De ganhos potenciais, de habilidades muito inúteis Na presença de Deus, nas conquistas já alcançadas Seres imperfeitos nas capacidades não significativas O homem não consegue a perfeição, é escravo de si Sabe que vai morrer sem despedidas, sem palavras Será somente uma sombra, um dia, numa curta viagem Seremos novos, velhos empurrados para simples buracos Com desejos, sem desejos, com rancor, sem rancor No fim o vinho do porto ganhou o seu velho sabor Dos gritos em delírio de dor, rasgando os soluços Das mulheres de terço nas mãos em corrente de oração Toda a morte é um tributo na aparência desnecessária.

POEMAS CATIVOS DE ALECRIM E LAVANDA O tempo do tempo é consumido como ar Na rotina do seu amargo arrependimento
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POEMAS CATIVOS DE ALECRIM E LAVANDA O tempo do tempo é consumido como ar Na rotina do seu amargo arrependimento No arrasto do vento, no tempo da luz Pragmática de um beijo, morre sem nada dizer De uma história, sem prosa, sem verso Num único versículo, entre o perfume das rosas Talvez o silêncio esconda, poemas sofridos de amores Sem sentido das palavras que alguém roubou Sem reconhecer o culpado no próprio esquecimento Perderam a fé na abandonada mente, no condenado corpo Telhados de inverno cheios de quimera de um amor proibido Morto no esquecimento de uma alma, esquecida dando dor a tristeza Nas horas, nos minutos, de sussurros cativos da solidão Que existe uma prosa lírica em cada sílaba em cada palavra Liga ao coração como uma oração de esperança De louvor ao amor num aroma fresco de alecrim e lavanda

MUTILADOS RUBROS DE VINHO Restos mutilados na velha cor dos rubros vinhos Gramática desarticulada acompanhada de lágrimas
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MUTILADOS RUBROS DE VINHO Restos mutilados na velha cor dos rubros vinhos Gramática desarticulada acompanhada de lágrimas Rasga a mortalha do peito no último arrependimento Nas brumas dos caminhos esta o gemido silencioso De um tonto místico profeta, na sua liturgia angustiante Cicatrizes abertas no trilho da memória do sítio incerto Tecerei uns sonhos irreais como feridos de batalhas perdidas Penetramos no sentido da vida seríamos menos miseráveis Nos anseios os tigres de garras que dilaceram o pior pesadelo Duvida do suor com as lágrimas salgadas pedaços de si mesmo Pobres de palavras para exprimir a mentira na dor do que É escuro, sujo sem o conforto nas horas de sofrimento na verdade Do tempo, de uma alma plantada do mundo que anda perdida Não tem norte, nem vida, sente-se já crucificada dolorida Sem sorte, sem sonho, sem destino, restos mutilados Numa gramática de batalhas, esquecidas, perdidas Escondidas no sentimento de uma alma em luto Sem nunca ser compreendida nos rubros vinhos de cor.

VIDEIRA DA RAIZ Bela charmosa videira com ramos de luz Vem comigo brindar com vinho tinto
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VIDEIRA DA RAIZ Bela charmosa videira com ramos de luz Vem comigo brindar com vinho tinto A ver as águas do rio num azul profundo Para alegrar o corpo, a alma e o sentimento Saboroso paladar que me faz rir e sonhar Desfrutar é amar-te mil vezes, é beijar-te outros mil Beber o vinho tinto especial da muxagata Nos copos de cristal, num olhar, num toque Os nossos sentimentos murmuram encantos Respiram calor num paraíso de olhar ardente Incenso onde afaga na essência plantada de raiz Dá frutos doces em forma de vinho tinto saboroso Um desejo saudável de caricias leves de amor Vem desfrutar da sua leveza, do seu doce aroma Que encantam a viver a vida de uma forma simples Me perdi nos teus olhos, videira de soltos ramos E tu meu amor na cama onde nós sonhamos horas

SOLETRO SEMPRE Soletro esta minha inquietude No nevoeiro da redonda terra
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SOLETRO SEMPRE Soletro esta minha inquietude No nevoeiro da redonda terra Entre a insensatez dos espinhos Rosas que perfuram a carne branda Pálpebras exaltadas no corpo Devastação do fogo nas madrugadas Há uma gestação feita de medo No sangue derramado das palavras Pétalas de mentira nas lágrimas de sangue Delírio dos olhos nas palavras impróprias Cobertas estão as portas na falácia da morte Sepultura feita de ouro no vicio, na voz Nas pétalas das rosas cruas de um quadro Soletro as letras num precipício de palavras Num fôlego abreviado de fartos espinhos.

VERDADEIRO SILÊNCIO Sem fingimentos em ser verdadeiro Começo sempre pelo meu silêncio
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VERDADEIRO SILÊNCIO Sem fingimentos em ser verdadeiro Começo sempre pelo meu silêncio Quando quero construir palavras Letras deixadas na minha mente Ando cansada da sinceridade das pessoas Elas fingem muito bem, bem até demais Confundem a mente de qualquer pessoa Há horas em que tu já não sabes distinguir Se falam verdade ou não Tenho que de deixar - de acreditar nas pessoas assim Eu, não sei é fingir Não posso dizer que sinto, sem sentir Não posso dizer que sim, só para agradar Não quero falar quando - o meu momento pede silêncio Não sei fingir em muitas situações Eu até tento - mas sou um verdadeiro desastre Quem é transparente paga um preço alto Mas meus amigos - é um preço muito bem pago.

ASAS DE PENAS Asas de anjos vestidos de negro Vida feroz de escolhas insanas
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ASAS DE PENAS Asas de anjos vestidos de negro Vida feroz de escolhas insanas Trovoadas de desejo nas trevas Grito sem voz desespero no peito Silencioso eco no precipício rochoso Desespero da espera sem chegada Na chuva que chora a hostil trovoada Perde-se o pecado no paraíso enlameado Despe o nu do teu nu corpo sem esconder No porão no fundo escondido está o grito Perdidas sem luz estão as amarras da dor Sufoquei todas as lembranças do desespero Prendi o meu corpo matei perdoei a mágoa Labirinto de teias, vida esquecida no caminho Suave espelho envelhecido sem brilho no olhar Reflexo dos anos rugas vividas do nosso rosto Asas de penas perdidas de anjos vestidas de negro.

MÁGICO LIVRO Sou um livro mágico Que tu nunca leste, nem iras ler
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MÁGICO LIVRO Sou um livro mágico Que tu nunca leste, nem iras ler Páginas recheadas de amor Sou uma história que não conheceste Disfarcei-me num livro de amor Mas tu nem te deste ao trabalho De olhar, de o abrir de o tentar ler Se ao menos o tivesses lido Terias amado e entendido o meu amor Recebi abraços, sem ser os teus Afinal escolheste outro caminho E morreste sem teres lido Ou vivido esse amor.

PÉS DESCALÇOS PASSOS FURTIVOS Pés descalços em passos furtivos A chuva cobre-me na indecisão do tempo
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PÉS DESCALÇOS PASSOS FURTIVOS Pés descalços em passos furtivos A chuva cobre-me na indecisão do tempo Horas reprimidas na sonolenta noite Instantes de esperas que escraviza a força No silencio estremece o caminho da alma Reticências cúmplices nos passos furtivos Beijo faminto de um solitário ceifador Que prega na escuridão da nossa mente Amanhece por caminhos desconhecidos Nas esquinas dos pensamentos sombrios De devaneios surdos em pérolas perdidas Insensatez desejada entre as rimas das palavras Tatuada no contorno da alma dos pés descalços Passos furtivos do lobo refém no corpo adormecido Entre por leves caminhos nas margens do rio que tenho Palavra sussurrada de gestos, de anseios noturnos De estrelas, nas noites e nas manhãs desvanecidas Pés descalços horas reprimidas na sonolenta noite A chuva cobre-me os meus passos furtivos.

SE EU FOSSE TALVEZ UM POETA Se eu fosse talvez um poeta Faria em magia todas as páginas
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SE EU FOSSE TALVEZ UM POETA Se eu fosse talvez um poeta Faria em magia todas as páginas Livres sem lágrimas, sem dor Refeitas de sonhos coloridos Vestidas com tinta da liberdade Pintadas com dignidade e vida Se eu fosse talvez um poeta As letras tornar-se-iam em magia Cobririam as páginas em branco Já vazias, esquecidas, perdidas Que de negro se vestiram Pelas mágoas, dores e sofrimentos Se eu fosse talvez um poeta Escreveria somente poesia Na autenticidade de um verso As letras tornar-se-iam em magia Cobriam as letras de toda felicidade Neste mundo de dor sem amor Se eu fosse talvez um poeta.....

VIAGEM EXÓTICA SABORES EXÓTICOS A boca, o beijo são o paladar dos sentidos Bebamos o café com chocolate e hortelã
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VIAGEM EXÓTICA SABORES EXÓTICOS A boca, o beijo são o paladar dos sentidos Bebamos o café com chocolate e hortelã Tu já sabes que desejo-te na penumbra da noite No entrecosto assado com limão, louro e alho Eu não sei por onde anda o teu perfume de dia De noite sinto-te no bolo de azeite, mel e nozes Sei de ti na espera interminável, num dia de trabalho Nas batatas assadas com bacon, alecrim e míscaros Onde os gestos gritam de prazer na incerteza da dor Do forno das peras assadas com mel e vinho do porto Desejo-te só a ti e percorro cada cantinho da tua doce pele Como se de um bolo de abóbora com laranja tratasse Prometes-me a lua e eu acreditei na tua promessa Entre o salmão assado com açúcar mascavo e cominhos A tua respiração engole os meus doces suspiros No borrego grelhado com o molho de iogurte e hortelã Desejo-te só a ti como nunca desejei alguém Como tu desejas o bife com molho de cerveja e ovo Os teus lábios abrigam a minha boca do frio No pato com laranja ou nos figos com amoras com vinho tinto À noite fizemos o que mais gostávamos de fazer, perdermo-nos Nos olhos um do outro entre a canela, gengibre e pimenta Os olhos são a janela da tentação, o corpo a porta do prazer O passaporte é o amor, ele é fundamental para a viagem pelos sabores exóticos.

TU TALVEZ NUNCA SAIBAS Talvez tu nunca saibas Mas dormes nos meus dedos
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TU TALVEZ NUNCA SAIBAS Talvez tu nunca saibas Mas dormes nos meus dedos Entre o tiramisu de manga Do queijo mascarpone E dos biscoitos com chocolate Talvez tu nunca saibas Onde as andorinhas fazem os ninhos Mas sabes bem o sabor do frango Com mel e gengibre como é maravilhoso Talvez tu nunca saibas Que há segredos entre as árvores do campo No lombo assado com vinho do Porto Talvez tu nunca saibas Como as letras constroem a palavra amor Onde os morangos se juntam ao chocolate quente Com a paprika, gengibre, caril, pimenta Talvez tu nunca saibas Que por ti chamo a toda a hora e digo que amo Nas espetadas de camarão com abacate E batatas em cubos com alecrim Talvez tu nunca saibas Que de noite as minhas asas te cobrem do frio Do nosso filme, o sabor da magia Talvez tu nunca saibas Que o vento espalha os meus recados em ti No arroz basmati com leite de coco e amêndoas E o pudim de anis que é delicioso Talvez tu nunca saibas Que os meus pensamentos são dias perfumados Do bacalhau à lagareiro e do chocolate quente com canela Oh meu amor quem sabe se tu sabes Ou talvez tu nunca saibas que sem ti eu não existo. No cocktail de vinho do Porto rosé com café.