Pular para o conteúdo

Frases de Isabel Morais Ribeiro Fonseca

3.189 frases

FALÁCIAS DE AÇAFRÃO A poesia caminha avança sobre o calvário desfeita em nó Maldito este círculo tão apertado perfumado de mortos
Continuar lendo

FALÁCIAS DE AÇAFRÃO A poesia caminha avança sobre o calvário desfeita em nó Maldito este círculo tão apertado perfumado de mortos Oh morte que estiveste só por horas, dias, meses e anos Cama de pés gelados, braços esticados com mil demónios Falácias brotam no sangue, coração de renúncia e inquietação Asas decepadas num sonho para impedir o voo no falatório Excesso de vozes repetidas na alma, na mente, no corpo doente Vagam pelo espaço desfeito no tempo sugam o mel do feitiço Sonhos de fogo coberto de sangue, afrontando os nossos anjos Na calada da noite, no próprio abandono, sente-se as garras de dor O rufar dos tambores clamor de uma poesia feita de esquecimento Oh ânsia que despertas o açafrão acorrentado, geleia do nosso ouro.

HÁ DIAS E DIAS Há dias que a morte é lenta como os mantos de lã Há dias cinzentos que a fome engole o sossego
Continuar lendo

HÁ DIAS E DIAS Há dias que a morte é lenta como os mantos de lã Há dias cinzentos que a fome engole o sossego Há dias que o rosário é negro e dilacera o peito Há dias que a prece é a revolta aguçada dum estalo Há dias que são alinhavados por linhas escuras Há dias que os punhais massacram as veias de sangue Há dias que só Deus sabe os passos que dei, os erros que fiz Há dias que a noite afugenta as sombras com o som do sino Há dias que o poema está escondido, vestido de púrpura Há dias que a mentira cede e é tocada com um dedo no espelho Há dias que o nosso silêncio é simplesmente um dia de festa Há dias que o teu riso, o teu beijo é o melhor do mundo Há dias que o cheiro a canela, alecrim, alho, gengibre, é amor Há dias que o delírio é penitente, nas ondas que cantam embriagadas.

DEUS MEU Que angústia está meu Deus Que me tolda o pensamento
Continuar lendo

DEUS MEU Que angústia está meu Deus Que me tolda o pensamento Que vil aperto que me afoga A mente nas lágrimas que verto Rude dia, tormento este o meu Das tristes lágrimas que não verto Não sei que dor agreste é esta E que demónios eu combato Despenho o vazio que possuo Encerro a dor reverto em alegria Ah meu Deus eu só lamento.

AMO-TE NOS SABORES Amo-te ..... No risoto de farinheira
Continuar lendo

AMO-TE NOS SABORES Amo-te ..... No risoto de farinheira Ou nos peixinhos da horta Olhando para os teus lábios Anseio o seu salgado sabor Amo-te.... No perú com frutos secos Ou lombo de porco assado Assim descubro o gosto do teu amor Sem limites dos teus braços Amo-te..... No arroz de pato Ou no camarão frito com molho de côco Quero os teus lábios junto aos meus Para sentir o doce sabor dos teus Amo-te..... Nas farófias com banana Ou na tarte de creme de amêndoa Quero a suavidade do teu corpo Na intensidade do meu, teu desejo Amo-te....... Nas pescadinhas douradas e amejõas Quero os teus lábios na entrega das noites de velúpia Amo-te....... No pão de ló de Ovar ou pudim de pão com maçã Quero os teus lábios com gotas de amor De muito sabor sedutor Amo-te....... No cabrito assado com cebolinho e alecrim O sabor dos teus lábios deixa a saliva Doce de alegrias maduras Amo-te....... No bolo de canela e erva doce Ou no molotof de limão Quero sentir o teu toque no meu corpo Da tua maneira louca Amo-te......... No risoto com queijo brie cogumelos e legumes Quero viajar nos teus lábios sentir o teu doce sabor Amo-te........ Na torta de Laranja ou no bolo de fécula de batata Quero provar do teu abraço e fazer-te o meu esplendor Amo-te.......... Na açorda de marisco ou nos choquinhos à algarvia O teu corpo incendeia o meu ser, arde no sabor dos teus lábios. Amo-te e depois.......gosto de ti mais nada.

VELHA MORTALHA Mar velho feito em mortalha Que na fria carne rasgada
Continuar lendo

VELHA MORTALHA Mar velho feito em mortalha Que na fria carne rasgada Embalsamas todas as dores Entre os murmúrios tristes Voz escura na calada garganta Nas tramas obscuras da queda Ondas serenas de maremotos Nos carinhos remotos em fúria Lágrimas tuas em gritos roucos Tormentas tolas numa ambrósia Vagos espaços nas lentes perdidas Os arcanjos cantam proclamam amor Pobres vidas perdidas nos enigmas Velha mortalha feita no profundo mar Entre os portões de ferro nos sonhos Transladam o delírio no fim risonho Velho mar que embalsamas a mortalha Dos erros das tristezas em murmúrios Voz calada nas tramas obscuras da vida.

PODRIDÃO IMPOSTA Chovia com força vidros Vermelhos de sangue
Continuar lendo

PODRIDÃO IMPOSTA Chovia com força vidros Vermelhos de sangue Partiam todos os cristais Soltos da velha janela Tentava caminhar Sem ser cortado no vermelho Sangue de tinta Entre as escritas letras pretas Prosa sem medo Sem o dever de suportar a dor O cervo tremia do caçador Predador ansioso da mente Caçador de sonhos, Perdido na vastidão das almas De mãos sujas de barro Lenços de asas que fazem voar No novo cinismo rompendo o ócio Na partida já pronta Desmorona no queixo caído Na barba desfeita do despeito Entre o seio da incredulidade Desespero da fome à noite Lágrimas soltas de sangue No sacrifício dos versos obscuros Sangue no chão, onde o mal Germina envenena e contamina Infiltraram-se assim escravizando As palavras, as letras No vento gelado de intenções maldosas Choviam punhais Que nos feriam rasgando a carne De poemas já livres Da maldade, da podridão Que era imposta nos nossos dias.

PEDAÇOS Flores laços de cetim Queimadas em cinzas
Continuar lendo

PEDAÇOS Flores laços de cetim Queimadas em cinzas Afogo-me nas palavras Enterro-me no trabalho Nas telhas dos sonhos Já não almejo o perdão Sou repleta de erros Mato todas as lágrimas Nas letras que me sugam A vida da minha mente No meu obscuro corpo Já sem sons da saudade Ao ver a tua bela nudez A minha alma se deleita Na nossa louca insensatez O vazio gritou palavras No silêncio sem sentido Gemidos de mim, de nós Afogo-me no teu corpo Enterro-me nos teus braços Sou repleta de imperfeições Amo as flores de cetim Já não almejo o perdão Mato todas as lágrimas Nas palavras feitas de amor.

FOME TENHO Tenho fome - Fome -
Continuar lendo

FOME TENHO Tenho fome - Fome - De tudo.....de todos Do que és.....do que foste Do que tu pensas Dos que ficam Dos que partem Das coisas boas Do silêncio.....do barulho Do fogo....da água De mim.....de ti De te ter comigo Do presente.....do futuro Do deserto.....da serra Do campo.....dos lobos Do amor.....da paixão Da paz .....de viajar Fome de viver, de amar.