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Frases de Gerson A. Gastaldi (Garfield)

70 frases

A FLOR DO TEMPO Exultante mocidade! Fluxo de sonhos e emoções, estampa-te no fulgor da vida à jubilada conquista,
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A FLOR DO TEMPO Exultante mocidade! Fluxo de sonhos e emoções, estampa-te no fulgor da vida à jubilada conquista, e na candura da flor aromada, o teu ardor otimista exalta-te ao lesto favônio em estames de paixões. Extática juventude! Pistilo fecundo de aspirações, emerge-te no vigor da seiva à tua audaz jornada, medras e te esparramas nos alfobres da estrada, arroja-te ao mundo risonha, êxtase das estações. Gentil maturidade! Escol de aromas e gradações, aflora-te fascinante ao sol da frenética primavera, vagas a caçar volições como uma indomável fera, cinge-te ao universo em anseios de imaginações. Infausta sazonação! Cálice inerme por ambições, arrima-te enlaçada à corola a desfolhar no vergel, obténs notoriedade no auge da luta, faz teu papel, definha-te ao experimentar toda lufada de ilusões. Inopinada velhice! Sépala fanada por frustrações, resta-se de ti, somente uma estampa desfigurada, sem a magicatura ampla, és crassa e já enrugada, influi-te no fim para ser a nova florada nos jarrões. Estéril senectude! Flor estiolada por recordações, murcha-te pela intempérie dos anos; e desfolhada, feneces para ser a congérie do nada, e substituída, torna-te saudade no canteiro dos nossos corações. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

QUEM ACREDITA CRESCE Quem acredita cresce à nova jornada de conquista, com amor remove a pedra infame que embaraça
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QUEM ACREDITA CRESCE Quem acredita cresce à nova jornada de conquista, com amor remove a pedra infame que embaraça os passos, não para em atalhos, mas rechaça as provas e as visões que ofuscam a vista. Quem acredita avança e não esmorece na dura luta, toda refrega que se trava com a força e coragem é digna de ser vencida com honra na bagagem e a vitória é aclamada no auge da disputa. Quem acredita alcança milagres, anda e não vacila na marcha, não claudica nas pedras do caminho, prossegue sem olhar para trás, e, no torvelinho da vida resiste aos ventos e jamais oscila. Quem acredita remove montanhas sem dificuldade, não retrocede na jornada e jamais deserta infame, e por todo mal que lhe suceda não dá vexame, refaz a escalada e encara a dura realidade. Quem acredita supera todo o obstáculo que encerra; as maiores conquistas não precedem as batalhas, mesmo que se perca um duelo sem medalhas, a pugna só termina quando findar a guerra. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

MARIA APARECIDA M ágica garota dos meus sonhos, A conteceu-me de encontrá-la só;
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MARIA APARECIDA M ágica garota dos meus sonhos, A conteceu-me de encontrá-la só; R eluzente, num dia bem risonho, I rrompeste-me a alma e sem nó, A dorei-te para tê-la mui festonho. A pareceste a mim de inesperado, P or meio do brando sopro divino; A gora sei, esta mágica aparição, R evelou-me tal pássaro dourado; E nsaiando meu anseio num hino, C antaste alegre no meu coração, I nserindo o seu amor imaculado. D evo agradecer ao Pai Cristalino, A este encontro de almas e união! Preâmbulo do Seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

O AMOR CICLONE O amor é a essência da alma num ciclone; corisco sentimental nos olhares; emoções
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O AMOR CICLONE O amor é a essência da alma num ciclone; corisco sentimental nos olhares; emoções levadas por redemoinhos; êxtase no cone dos desejos; abismo de carícias e afeições. O amor é o eflúvio irreprimível num vórtice de prazeres; vagalhão voraz em turbilhões de amplexos; o acalanto indócil num ápice de aventuras; oceano convulso de paixões. O amor é um cataclisma forte e devorador, é o rio caudaloso dentro do coração febril, tsunami inexorável em todo seu esplendor, o imane sentimento do tamanho do Brasil. O amor é o furacão selvagem que balança os corações em devaneios de enamorados; um raio de luz na borrasca do beijo frêmito. O amor é a procela sagrada de esperança, caravela à deriva, um sonho real e infinito, êxtase de volúpias no mar de apaixonados. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

O AMOR É O QUE NOS FAZ... O amor é o que nos faz gigantes na vida; a navegar por mares revoltos de paixões,
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O AMOR É O QUE NOS FAZ... O amor é o que nos faz gigantes na vida; a navegar por mares revoltos de paixões, a desafiar abismos de olhares e afeições profundas nos deleites da terra prometida. O amor é o que nos faz fortes e valentes; guerrilheiros apaixonados por conquistas, a enfrentar obstáculos e sendo otimistas, vencendo discriminações de maldizentes. O amor é o que nos faz seres invencíveis, guardiões sagrados no templo do prazer, a combater ódios e amarguras no tanger das almas algemadas por males horríveis. O amor é o que nos faz rodar num vórtice de desejos, fazendo afundar em turbilhões de amplexos a nossa tristeza e desilusões. O amor é o sentimento elevado num ápice. O amor é o que nos faz rugir igual furacão no meio do oceano. É a onda que balança a nossa alma numa infindável esperança. É o raio de luz que ilumina todo o coração. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

O CICLONE UNIÃO SE OS HOMENS BUSCASSEM A PAZ E COOPERAÇÃO, SE AS TEMPESTADES DA IRA CESSASSEM UM DIA,
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O CICLONE UNIÃO SE OS HOMENS BUSCASSEM A PAZ E COOPERAÇÃO, SE AS TEMPESTADES DA IRA CESSASSEM UM DIA, SE GUERRAS E VIOLÊNCIAS SAÍSSEM DE CENA, E SE TODAS AS VARIEDADES DE AGRESSÃO FOSSEM EXTINTAS, QUIÇÁ, ATÉ PODERIA, NOSSA HUMANIDADE ATINGIR A PLENA VERDADE, A SABEDORIA E A RAZÃO; SE CULTIVASSEM SÓ A HARMONIA EM NOSSA DIMENSÃO TERRENA E ADORNASSEM O CORAÇÃO COM BONDADE E ALEGRIA, POIS SERIA MUI BACANA VER O CICLONE UNIÃO. É SÓ TRISTE IRONIA! EIS AÍ UMA ARENA, EIS AQUI O LEÃO, É UMA POESIA, QUE PENA! OU NÃO? Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

A MÁQUINA DE MOER PALAVRAS Palavras, tiras trituradas por inatos vocábulos, base de estruturas vitais;
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A MÁQUINA DE MOER PALAVRAS Palavras, tiras trituradas por inatos vocábulos, base de estruturas vitais; fonemas, timbres das cordas vocais vertidos pelas turbinas dos palatos. Vozes, frases laceradas na faringe, expressões dinâmicas, tons verbais a esmagar no glote dicções guturais, concepção da linguagem na laringe. Mas, a força vital da palavra escrita, ativa a ordenação do alfabeto pleno, nos vocábulos e semântica explícita, há o diálogo das letras no fenômeno. Nas articulações da boca em lavras, emana a voz que ri e chora fatalista, essa é a máquina de moer palavras, síntese da comunicação humanista. Em prosa e verso elas se digladiam num mundo infinito de comunicação, inscrições e caracteres nos indicam ação e reação grafados na elocução. Tal ciência está anexa à expressão, peripécia dos seres sapiens animais, calígrafos e escritores de ocupação fluem palavras e não se calam mais. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

EU LÁ EM KATMANDU Eu lá em Katmandu contemplava o portentoso tabuleiro do Himalaia
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EU LÁ EM KATMANDU Eu lá em Katmandu contemplava o portentoso tabuleiro do Himalaia e sem qualquer tabu me imaginava galgando o pico de Tupã-açu de tocaia. Foi assim naquela hora de fútil reflexão que virei o expert, chiste do Caipora, e recitei ao Everest em sua dimensão a grande proeza da minha metáfora: “Óh magno píncaro de exuberância, desejo agora volitar igual o pássaro no zênite e oscular a tua opulência sobre as asas de um albatroz bárbaro! A tua grada estatura eu quero escalar, contemplar o vale no trono de alvura, inda que me ouças, em ti quero reinar por uma fátua e maravilhosa aventura!” Ali no pino do suntuoso adro pude ouvi-lo reprochar tal jactância e rir do meu patético plano em conquistá-lo por vanglória e nele me insurgir: “Não sou tão elevado assim como pensas, pois olhe as estrelas do céu e seu sagrado manto na imensidão, belas e suspensas, rutilando para o Eldorado!”. “Oxalá eu fosse comparado aos astros rútilos a cintilar no mundo das constelações, irradiando lastros de luz a dar-nos um júbilo profundo?”. Eu lá em Katmandu mirei o céu azulado, vi refulgir uma luz cristalina sobre o pico nu, e sobre um cavalo alado, excelso e prateado, eis que eclodia o rei Tupã-açu. Lá de cima me sorria com toda afabilidade, e por um átimo eu o via em fogo riscando nuvens com habilidade, cujas frases no éter proferia: “As mais altas e belas montanhas da terra sabem quão distantes situam-se das estrelas do céu, pois são humildes nessa esfera, tais aos lúmens de velas!”. “Perante a magnitude do universo existe a face da perene sabedoria, cuja ordem soberana de luz consiste na beleza do Cosmos e sua harmonia! A lei da submissão é uma virtude, igual um sol que irradia a verdade, jamais um astro teria a sua magnitude se não exibisse sua luminosidade!”. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

E POR FALAR EM PAIXÃO... E por falar em paixão, onde anda você, namorado
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E POR FALAR EM PAIXÃO... E por falar em paixão, onde anda você, namorado da lua? Abra já o teu coração ao orrfeu negro e o bem amado, na tonga da milonga do kabuletê desponte pelos caminhos da vida, veja muito fogo na terra prometida, o pato na água de beber e catendê. Ressuscite agora Vinicius! No epitáfio chega de saudade renasça para os nossos delírios e venha com toda versatilidade só para viver um grande amor, na forma e exegese do coração faça novos poemas em devoção ao lamento do teu mergulhador. Poeta! apareça hoje para reviver essa tua aquarela na instância de Ariana, a carioca mulher, e no caminho para a distância faça canções, sonetos e baladas, uma modinha na tarde em Itapoã, com as cinco elegias da manhã e poemas esparsos às amadas. Ressurja em versos trovador! Contemple nossas cores de abril da pátria minha, reveja o amor pela luz dos olhos teus de anil e saiba que a felicidade existe dentro da regra três e como dizia o poeta à garota de Ipanema: sorria, mas veja você que tudo é tão triste. Venha sem medo vate! Sei lá, eis que a vida tem sempre razão, porém, Tatamirô o aguarda por cá para cantar o samba da bênção, banha-te na água da lagoa negra lá no rancho das namoradas, cante a ternura, tristeza e baladas, insensatez na ária da pedra preta. Desperte ao raiar do dia o amor, deixa acontecer o teleco-teco no dia da criação e deposite a flor desse testamento no teu boteco. O nosso relógio aqui não para, é de gente humilde por simpatia, e a morena flor, formosa, seria a tua rosa de Hiroshima rara. Ecloda teus versos poetinha! É preciso dizer adeus e vir no samba do avião, caminha pela estrada branca a reluzir e na balada da flor da terra, eleva-te como a estrela polar no tempo feliz ainda a brilhar ao sol da alegre primavera. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

HOJE RADIANTE ESPEREI ESSA FELICIDADE DENTRO DE MIM Fiquei muito apreensivo de que o amor raiasse assim num redemoinho sem fim HOJE...
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HOJE RADIANTE ESPEREI ESSA FELICIDADE DENTRO DE MIM Fiquei muito apreensivo de que o amor raiasse assim num redemoinho sem fim HOJE... ao abrolhar de um novo dia, despertei com ótimas notícias: me avisaram que o amor surgiria repentino, com acalantos e carícias para ofertar... Fiquei muito RADIANTE... preparei-me para o acolher; com grande capricho e poesia reguei meu jardim com o prazer de sorrir, bailar e cantar de alegria para extasiar... Apreensivo ESPEREI... que esse hóspede batesse à porta do meu ermo coração, exibisse sua ventura e entoasse em minh’alma a sua lírica canção para deleitar... De que ESSA FELICIDADE... viesse desviar-se da estrada e fosse encontrar outra pessoa para brindar e fazer a sua morada, eu então cairia imerso numa mágoa para lamentar... Raiasse assim o amor DENTRO DE MIM... me faria mui ditoso e risonho, seja no palco, na apresentação dum show ou cultivado em sonho, tal realidade não seria imaginação para me lançar Num redemoinho sem fim. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

O ÚLTIMO APITO DA MARIA FUMAÇA Ao prismar do sol nos prados verdejantes, serpeando brilhos, uma Maria-Fumaça reluzente vai aos brados pelos trilhos
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O ÚLTIMO APITO DA MARIA FUMAÇA Ao prismar do sol nos prados verdejantes, serpeando brilhos, uma Maria-Fumaça reluzente vai aos brados pelos trilhos singrando sua sombra no caminho dos meus sonhos; entre múltiplas paisagens com cenários mutantes, translúcidas gravuras de panoramas risonhos relumem como espelhos rútilos, vibrantes... no rosicler do espaço, plasmam na visão traços medonhos desse trem fantasma brilhando em tons sutis, estranhos; se locomovem furtivamente na penumbra da estrada, é a serpente d’aço que passa silvando insolente, e seu vulto rubro devassa a visão estampada na sombria divagação do meu consciente... entrelaçada às vívidas revelações na herança do passado, são hoje rudes espectros, fragmentos do trem dilacerado no tempo, expostos à memória das eternas miragens projetadas no pensamento, afloram em reflexões achadas na ferrovia desfigurada por imagens toscas do triste trem, comboio de paixões... deslumbrantes, a Maria-Fumaça decadente e a sua carcaça, inundam meus olhos de lágrimas! Eis a máquina de raça, do luxo imperial ao gaudio triunfal desta história florida, só restaram alguns destroços da locomotiva bravia, já relegada à morte, ferro-velho e sucata puída, não mais resgata sua glória... tirana ironia! Piuuú! Piuuú! O maquinista desperta do seu êxtase tristonho, e não mais descortina os cenários vibrantes desse sonho; a via deserta esvai-se sob as rodas do fantástico trem, volatiza-se a máquina encantada com seus brilhos, o afresco que desfigura sua louçã efígie retém bem viva a víbora rastejando pelos trilhos... Porém, a lendária Maria-Fumaça existe nesse confinamento da trivial lembrança, ora museu de história e divertimento; na sua transição de infâmia a cicuta da píton perversa esparge ruína e escória, envilecendo de vergonha a banida estrada de ferro, postergada e imersa na ferrugem, refém de tão bestial peçonha... Ela apagou nessa miragem a derradeira estação, irrealidade, a última nuvem de fumaça projeta no ar a minha saudade, no final da viagem desembarco sozinho e quebrantado; na bagagem, trago um grito de pesar em meu peito, ferido pela serpe do infortúnio e desconsolado, ainda ouço o último apito desse trem eleito... Não há mais o sol e nem a vibração da máquina que serpeia na senda sem brilhos. Eis que a Maria-Fumaça já vagueia moribunda pela estrada e até carrega minha comoção ao encontro dos tormentos e devaneios bisonhos, mas o silvo de horror que ressoa meu coração, ainda abisma em meus turvados sonhos. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

O MUNDO NÃO PRECISA DE ARMAS O mundo não precisa de armas, que só causam tristezas e dores
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O MUNDO NÃO PRECISA DE ARMAS O mundo não precisa de armas, que só causam tristezas e dores a nos passar lágrimas e carmas; o mundo precisa sim, é de flores! O mundo não precisa de guerras, que só trazem assolação e pavor com violências e sangue na terra; o mundo precisa sim, é de amor! O mundo não precisa de loucos, que só tramam insanidade brutal para incitar o ódio e a dissolução. O mundo precisa sim, de doutos, que nos reflitam sua luz e razão, para que vivamos a paz mundial! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

PRISIONEIRAS DO EU Infelizes são elas, criaturas egoístas
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PRISIONEIRAS DO EU Infelizes são elas, criaturas egoístas e sem união, órfãs de si mesmas e sozinhas numa ilha, jazem aflitas como desatinadas andorinhas, que sem direção, perdidas no tempo e no espaço, buscam localizar aturdidas seus ninhos no regaço... Tais almas, acorrentadas pelo mal, em carmas, açulam-se por qualquer razão; anilhadas ao ódio fatal, estilam o seu ópio no coração, pois se tornam prisioneiras do eu, iguais pássaros retraídos pelas ribanceiras, gélidos e sem amparos... Essas criaturas, como aves fustigadas em desventuras, enclausuram-se numa penúria sem fim; desarrimadas, não podem encarar a invernia; álgidas ao suão das brumas, querem sobrevoar alto, mas o peso de suas plumas dificultam-nas ao salto... Quase tudo na vida tem explicação, e no escudo do medo, tais aves se retraem sem força, sem reação, e no mesmo espaço persistem sem que consigam se alçar; elas miram a liberdade, mas lhes é inviável arriscar pela imane dificuldade... Parecida é a vida das pessoas apagadas: igual a ave ferida, longe do ninho e da realidade, divisam desorientadas o remoto céu da sua liberdade; imersas em pulos bisonhos elas pretendem revoar, porém, somente em sonhos é que os farão realizar. Do seu Livro "Cascatas de Versos" - 2019

AS TRÊS LÁGRIMAS Jazia o Rei da Glória em trono excelso, quando Gabriel, o bel arcanjo reluzente,
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AS TRÊS LÁGRIMAS Jazia o Rei da Glória em trono excelso, quando Gabriel, o bel arcanjo reluzente, apresentando-se qual pássaro fulgente, ao júbilo de hosanas à Sua face louvou: – Bendito seja, Criador eterno!, cá estou a clamar em prol dos seres do Universo: – na Terra, nato da cepa real e excelente, geraste o varão a imperar por primazia, ficando à mera sorte a fauna e alimária, e sob essa égide ingrata, infame e cruel, mamíferos, peixes, répteis, aves do céu, fadados à morte, tornaram no excedente do cerne sagrado e emanados à vileza? – Eis que no homem não há a percepção da natureza divina estampada à criação; mas a beleza cristalina doada ao animal, revela-lhe na estirpe toda graça celestial, invejável encanto a exibir sua grandeza! – Comparando-os, óh Deus, iremos notar a magnífica placidez da casta soberana, e semelhantes às divindades do Nirvana são eles, mais nobres, dóceis e singelos do que os monarcas ilhados em castelos! – Vede a candura dos inferiores a suplicar? – Pai! Elevaste os seres feros e racionais, dignos à Vossa Imagem e Semelhança, e por sábia razão mudaste tal bonança doada no início aos bichos por ventura, fixados no paraíso como belas criaturas, a serem depois presas de seres bestiais? Deus do magno trono ao arcanjo ajuizou: – Bem aventurado és, ó iluminado Gabriel! – Criei mistérios no avejão da Gaia e céu: saibas que o homem alteia-se e destrói, mas só o amor vive, permeia e constrói; assim ele foi levado à senda que optou. – A ciência do mal escolheu como guarida, arvorando o livre-arbítrio em seu destino, destilou na sua essência o sêmen ferino da serpe, sabor venal e estigma maldito, a cicuta da ambição e pólen do anticristo levou à boca, fruto fatal do néctar suicida. – O homem, resumiu-se no gérmen animal, cobriu-se com a capa infernal de malícia, ódios e guerras para revelar sua infâmia, esteio de pecados, rude cepa e maldade; sob o manto da cobiça e grada crueldade tornou-se ente vil, transcendido e mortal. – Mas aos irracionais foi-lhes dada beleza invejável a florescer na serena inocência, assim foram redimidos em magnificência! – No entanto, o ser humano e sua geração, para que torne à bela e primaz condição deverá mirar-se no ente de real nobreza! – E tu Gabriel, como arauto do céu, levarás à esfera inferior o édito de luz e redenção, pois sem a fé e caridade não há salvação no advento de doação, amor e liberdade! Paz na Terra aos homens de boa vontade!, Essa é a notícia de boas novas que dirás. – Eis que lhes envio o imaculado Cordeiro, símbolo da justiça e templo de humildade, levará fogo e cisão à Terra pela verdade; será sacrificado primeiro na baixa esfera, seu reinado suscitará uma grande guerra, todos hão de se ajoelhar ao meu herdeiro! Saindo diante da excelsa face do Eterno o arcanjo Gabriel veio à esfera humana, ditou o divino édito e na tosca choupana refulgia a magnífica estrela de imane luz, emergia ali o ingente diamante que reluz o trono da nova era: paz e amor superno. Trinta e três anos depois, na atroz colina, com trevas, coriscos, trovões e vendaval, o supremo sacrifício se consumou brutal; naquele árduo momento na sinistra cruz, eis que fluíram dos olhos puros de Jesus três lágrimas tão imaculadas e cristalinas: A primeira, ali rolou solta pelo pelourinho por amor e aflição aos súplices animais; A segunda, ele a verteu com seu sangue por agonia e compaixão aos seus iguais; E a terceira, o vento a carregou mui longe, indo cair na gaiola dum triste passarinho! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 201

ECLIPSE No firmamento o astro-rei eflui sorridente e pela aurora cavalga o dorso da galáxia,
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ECLIPSE No firmamento o astro-rei eflui sorridente e pela aurora cavalga o dorso da galáxia, mas no crepúsculo, as trevas da matéria espessa ocultam seus raios furtivamente. Tudo se turva ao breu, corpos em eclipse descrevem órbitas na conjunção de linha para coroar a sedutora lua como a rainha da noite ataviada por um diadema tríplice. Porém, no universo, as estrelas fulguram a todo instante sem remanchar do passo, há na aurora e crepúsculo o doce encanto. Soberano, o sol volta iluminar no espaço, a lua sorri radiante e seus flashes atiçam a Terra, daí os poetas a flertam em cantos. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

SERIA BEM DIFERENTE... Seria bem diferente se o mundo tivesse seres
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SERIA BEM DIFERENTE... Seria bem diferente se o mundo tivesse seres fantásticos, belos e sorridentes, que nos influíssem a excelente paz, e nas adversidades da vida, os títeres do riso nos irradiassem a felicidade veraz. Seria bem diferente se os sonhos dos homens fossem reais e mui excelentes, que nos traduzissem luz e amores; os seres brutais se tornassem jovens afáveis e só brandissem armas de flores. Seria bem diferente se os povos estreitassem os laços de união eternamente, os humanos se sentissem seguros na vida, sem rixas e iras que ferissem o próximo e lançassem almas em apuros. Porém, é tão diferente a orbe e milhões de seres hostis, alienados e divergentes, a perpetrar espetáculos de guerras, chacinas de povos, ambição e poderes, vis opressões, tráfico e invasões de terras. Porém, é tão aberrante a terra de entes horrendos, letíferos, de atos repugnantes, cheios de maldade, armas em riste, a tramar corrupção, crimes tremendos, matando vidas em delitos de cenário triste. Porém, é tão exorbitante olhar as criaturas perecendo de fome e na miséria infamante; tais cenas nos remetem realmente na arena de feras com seus ais vertendo lágrimas na terra de visões tão decadentes. Seria bem diferente, oh que azar! Nesta terra tão sutil e extravagante, uns nascem para rir, outros para chorar, tal é o fadário que os tangem e maltratam, e mesmo com a imane luz divina e cintilante, flui na terra o avejão que os ferem e os matam. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

SELVAS DE LATAS Um manto de concreto avança mata adentro, devastando rios, lagos e cachoeiras nativas;
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SELVAS DE LATAS Um manto de concreto avança mata adentro, devastando rios, lagos e cachoeiras nativas; animais, pássaros, bosques e florestas vivas já não existem mais; raras plantas no centro das praças lembram o extermínio das matas, ora convertidas em cidades – selvas de latas! Ao visualizar tais cenas tristes e deprimentes, um dilúvio de revolta me traspassa o coração, só vejo frotas de veículos e cimento pelo chão, canteiros de obras com guindastes insolentes, máquinas e betoneiras, edifícios e habitações. Deus! Cadê as selvas, os bosques e ribeirões? Ouvindo-me indagar da sua majestosa criação, o Senhor replicou-me com a magna sabedoria: Das selvas o homem tira a relva e faz moradia; dos bosques abate as árvores para construção; dos ribeirões, expele os peixes, polui as águas e de si próprio, extirpa a natureza sem tréguas;... As selvas são hoje pilhas de latas barulhentas; indústrias, carros e caminhões, fluem fumaças ao ambiente; nas matas não existe mais caças; com tanto dióxido no ar, já não chove ou venta mais o zéfiro na planície; esvai-se toda beleza do planeta azul no irracional açoite à natureza!... Mas ai dos filhos de agora e gerações futuras! O que semearem não ceifarão em abundância; no desmatamento, obterão frutos da ganância; e na maléfica poluição sucumbirão as criaturas inocentes; a fauna e flora, outrora exuberantes, serão miragens pela selva de latas sufocantes! Indignado com tanta devastação, a Deus roguei: divino Rei da Glória: – Que faremos à salvação do habitat azul e toda sua encantadora criação? A voz Onipotente num lépido favônio eu escutei: com boa consciência a Terra não ficará perdida; no reino dos mares e oceanos ainda existe vida;... Será preciso considerar, preservar os recursos ainda disponíveis no planeta; dispor sacrifícios ao consumo sem dissipar água e desperdícios de alimentos; recuperar todo bioma nos cursos dos rios e mares; refrear a emissão dos gases; e reflorestar a gentil floresta através das bases;... Porém, acorde o ser humano do entorpecimento fatalista; saiba que a Terra é o seu único destino; mire os agravos contra ela, o seu berço genuíno; seja realista e ajude toda a natureza com talento; haja estima ao ecossistema e o torne condizente, pois faz parte dele sendo seu térreo dependente!... Se o homem exterminar toda sua natural riqueza, eis que pouco restará à sua pobre sobrevivência; os desertos predominarão e não haverá a ciência que possa reaver às matas a sua original beleza! Prevaricando a humanidade, todo o pavor advirá ao planeta, assim a fúria da biosfera extravasará!... Rastejará o homo sapiens, igual réptil pela Terra? Sorverá o ar imundo pelas cidades, eternamente? Dizimará todos os espécimens vivos, consciente? Se assim insistir eis que lhe rondará a besta fera do genocídio para tragá-lo à infernal aniquilação; pois a terra dos viventes é única e sem exceção! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

SALVE QUERIDA MAMÃE! S em ti, óh querida mamãe, eu não existiria! A gradeço-a por tua doce dedicação e valor,
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SALVE QUERIDA MAMÃE! S em ti, óh querida mamãe, eu não existiria! A gradeço-a por tua doce dedicação e valor, L he dedico toda minha afeição pela ternura V eraz que me deste! Eu jamais lhe pagaria E ssa suntuosa dívida por teu sublime amor! Q uero lhe agradecer, óh mãe, todos os dias; U nica razão de minha vida é você, querida! E ternamente tua face me será enternecida; R etrato jovial do teu vulto é que me irradia I mensa luz na vereda de minha escuridão; D entro de ti jorra uma doce fonte que sacia A sede de amor que sinto por ti no coração! M ãe! Minha joia, meu tesouro mui sagrado! A ceite com o singelo afeto e terna devoção M inhas simples palavras, que a ti consagro; A lcancem elas, teu sorriso, amor e bênção. E s para mim o anjo a quem elevo gratidão! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

SINGRANDO ESTRELAS No cimo do Everest imponente, quedei afoito por mirar estrelas,
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SINGRANDO ESTRELAS No cimo do Everest imponente, quedei afoito por mirar estrelas, majestosas, refulgentes, belas, quando ali engendrei insolente: “Ah se eu fosse a nau brilhante a singrar iguais aos venturosos cometas no céu, mui luminosos, através do universo alucinante?” Nisso, uma nevasca do Oriente veio açoitar a minha presunção, quando escutei a voz do vento: “Saibas que até o mais fulgente astro dos céus na sua irradiação, jamais singrou todo firmamento!”. Do seu Livro "Cascata de Versos - 2019

SANGUE BRASINO O negro macanudo e de brilho aportou na querência colorada,
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SANGUE BRASINO O negro macanudo e de brilho aportou na querência colorada, com um lombilho na invernada mesclou-se no grado estribilho, samba e fandango o seu fraco. Na campanha de Farroupilhas, cavalgou e lutou muitas trilhas com a bravura do sangue afro. Não tremulou dentro da cancha para demonstrar a sua sagácia de vaqueano, peão de audácia na lidas que o pampa arrancha. Impôs o respeito e já amparado agauchou-se aos pagos o taura campeador, fiel pajador e quera de valor às tradições do Estado. O negro campeou forte, valente, verteu suores, risos e lágrimas para nos legar favores, estimas, miscigenou na terra sua gente, teceu a língua do povo berbere, cultura e ritual de um continente, deixou-nos o ritmo mais quente, carnavalesco e de alegria títere. Seu elemento étnico não oscila a força que ostenta nosso povo, imbatível em piques de corcovo, é guapo na febra e nunca vacila nos pealos, cizânias de maulas. O negro, antes de tudo é o forte, raízes da África, na vida e morte seus méritos nos doaram aulas. O pampa sem negro e sem facho não seria hoje o orgulho do país, e dos seus pagos brota uma raiz de sangue brasino: taco gaúcho. São queras e jibarras de intento, à bombacha, cavalo e garnacho, e lá vai ele, é negro, é muchacho, o irmão de cor, de valor e talento! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019