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Frase de Gerson A. Gastaldi (Garfield)

EU LÁ EM KATMANDU Eu lá em Katmandu contemplava o portentoso tabuleiro do Himalaia e sem qualquer tabu me imaginava galgando o pico de Tupã-açu de tocaia. Foi assim naquela hora de fútil reflexão que virei o expert, chiste do Caipora, e recitei ao Everest em sua dimensão a grande proeza da minha metáfora: “Óh magno píncaro de exuberância, desejo agora volitar igual o pássaro no zênite e oscular a tua opulência sobre as asas de um albatroz bárbaro! A tua grada estatura eu quero escalar, contemplar o vale no trono de alvura, inda que me ouças, em ti quero reinar por uma fátua e maravilhosa aventura!” Ali no pino do suntuoso adro pude ouvi-lo reprochar tal jactância e rir do meu patético plano em conquistá-lo por vanglória e nele me insurgir: “Não sou tão elevado assim como pensas, pois olhe as estrelas do céu e seu sagrado manto na imensidão, belas e suspensas, rutilando para o Eldorado!”. “Oxalá eu fosse comparado aos astros rútilos a cintilar no mundo das constelações, irradiando lastros de luz a dar-nos um júbilo profundo?”. Eu lá em Katmandu mirei o céu azulado, vi refulgir uma luz cristalina sobre o pico nu, e sobre um cavalo alado, excelso e prateado, eis que eclodia o rei Tupã-açu. Lá de cima me sorria com toda afabilidade, e por um átimo eu o via em fogo riscando nuvens com habilidade, cujas frases no éter proferia: “As mais altas e belas montanhas da terra sabem quão distantes situam-se das estrelas do céu, pois são humildes nessa esfera, tais aos lúmens de velas!”. “Perante a magnitude do universo existe a face da perene sabedoria, cuja ordem soberana de luz consiste na beleza do Cosmos e sua harmonia! A lei da submissão é uma virtude, igual um sol que irradia a verdade, jamais um astro teria a sua magnitude se não exibisse sua luminosidade!”. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

Gerson A. Gastaldi (Garfield)

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Pensador.com

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NÃO DEIXE O CIRCO MORRER Passando pela Fonte dos Desejos lá em Roma, ali, na bela Fontana de Trevi eu fiz um pedido:
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NÃO DEIXE O CIRCO MORRER Passando pela Fonte dos Desejos lá em Roma, ali, na bela Fontana de Trevi eu fiz um pedido: Óh! Hípio, deus do Circo, não o deixe morrer no abandono da cruel decadência e no axioma da paixão; possa ele reviver no amplo sentido da razão com a beleza, alegria e muito prazer. Que venha o circo sempre nos divertir na vida, que haja muito espetáculos, a magia, o sorriso na face de uma bailarina e um engraçado anão; que se apresentem os malabares e a comitiva; o mágico com cartola, acrobatas de improviso; e um palhaço caricato que nos cative o coração. Que perdure o circo eternamente na memória, possa ele se elevar como um marco de cultura a consagrar artistas na sua máxima expressão; que divirta a toda gente e perpetue na história dos povos a autêntica beleza igual sua pintura: esteja exposto a todos para grande apreciação. Não deixe o circo morrer e tudo ficar perdido à sombra das futuras gerações; que ele floresça para encher de fascinação as nossas crianças; se o circo morrer o mundo ficará sem sentido; não haverá mais emoção à plateia que mereça um espetáculo que traga alegrias e esperanças. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

QUANDO O CIRCO SE VAI... Quando o circo se vai, tudo parece parar no tempo,
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QUANDO O CIRCO SE VAI... Quando o circo se vai, tudo parece parar no tempo, é como o pano que cai no palco e por um momento encerra tal espetáculo, dissipando sonhos e ilusões: esvazia o receptáculo dos nossos álacres corações. Quando o circo se vai, deixa um rastro de saudade; é o vácuo que não sai da alma e aflige, na verdade, saber que uma mágoa chora no peito bem sentida: é como a gota d’água que não cicatriza uma ferida. Quando o circo se vai, deixa tristeza e tudo fica frio, é a beleza que se esvai dos olhos, tudo parece vazio, a alegria já desaparece como uma correnteza no rio: varre a alma e esvaece o riso ao naufragar do navio. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

UMA HERANÇA INESQUECÍVEL O circo está no sangue de quem herdou dele a beleza e a magia, é como uma herança inesquecível
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UMA HERANÇA INESQUECÍVEL O circo está no sangue de quem herdou dele a beleza e a magia, é como uma herança inesquecível que ultrapassa sua eterna essência no interior da própria consciência, extravasando a alma no indizível ritual de imensurável paz e alegria. O circo está no âmago de quem batizou com fogo sua vocação de artista, forjou no corpo o ofício de acrobata, mágico e malabarista, fez da corda bamba o equilibrista, domou o tigre e o leão no desafio da arena e fez o palhaço folgazão. O circo está no espírito da criança e na conjunção da felicidade; sem idade, cor ou sexo, só irradia riso, contentamento, descontração; somente o circo transmite emoção, criando no espetáculo sua fantasia, tecendo da quimera sua realidade. O circo está no princípio e fim da vida, gênese da divina criação; arte transmitida dos antepassados aos herdeiros de palcos, tradições milenares de gerações a gerações; o circo é um dos mais consagrados espetáculos que não sai do coração. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O CONTORCIONISTA SEM CORAÇÃO Ei-lo, o jovem magro que se curva no tablado, dobra-se todo, contrai suas juntas e cotovelos,
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O CONTORCIONISTA SEM CORAÇÃO Ei-lo, o jovem magro que se curva no tablado, dobra-se todo, contrai suas juntas e cotovelos, na juntura de seus ossos, o esqueleto arcado, encolhe-se a se retrair dos pés até os cabelos. Ei-lo, a se contorcer, entrar na caixa quadrada, e dentro dela, a sua pessoa se tornar delgada. Seria crível que ali coubesse toda sua arcada constrita numa lata igual sardinha e achatada? Ei-lo, que fui achá-lo assim todo comprimido num ínfimo espaço, apenas um pequeno vão a ser preenchido com algum membro de fora. Ei-lo, que caberia nela ainda para ser contido? Isso eu indaguei ao contorcionista nessa hora: frisou que naquela fresta iria por seu coração. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018