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Frases de Gerson A. Gastaldi (Garfield)

70 frases

A BAILARINA NA BOLHA No vitral da minha janela uma sedutora bolha de sabão
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A BAILARINA NA BOLHA No vitral da minha janela uma sedutora bolha de sabão pairava viva e fascinante, semelhante a uma estrela fulgente, revelava nesta visão seu brilho: um diamante. Infiltrei meus olhos nela como viajante da imaginação, divisei em sutil miragem uma cintilante cinderela, exótica pérola e sua irradiação de luzes: linda paisagem. Neste relume de auréola, em belos matizes à percepção, este vulto jazia brilhante como uma leda aquarela, era uma bailarina no coração da bolha: a sorrir silente. Num rompante de desejo eu almejei libertá-la do balão. Soprei-o vivaz e risonho para romper seu lampejo dourado e extraí-la da prisão, mas foi tão-só: um sonho. Eis que a bolha estourou, esvanecendo da minha visão a radiosa figura que mirei; apenas sua imagem ficou a bailar em meu circo ilusão quando: do sonho acordei. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O LEÃO E A BAILARINA Sob luzes vermelhas e holofotes brilhantes uma galharda bailarina riscava seus passos
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O LEÃO E A BAILARINA Sob luzes vermelhas e holofotes brilhantes uma galharda bailarina riscava seus passos no tablado envernizado do Circo Radiante. Malabaristas, mágicos e diversos palhaços exibiam seus números em pleno picadeiro, todos eles, conectados ao show extasiante, não se deram que um leão escapou do laço enquanto o seu domador oscilava o roteiro, ele, ao notar a jaula aberta avisou ofegante, que a fera estava solta e fora do compasso. Foi um espavento para todo lado, à revelia, no palco apenas o leão e a audaz dançarina permaneciam frente a frente, com valentia. Ela, sem vacilar afagou de leve a sua crina e começou a bailar perante sua majestade; o rei das selvas, atônito, sua dança assistia, bem hirto no tablado, exibia sua disciplina de espectador domado e sem agressividade, urrou para ela não parar a dança que exibia; pois até um leão aprecia uma bela bailarina. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

SOB AS LUZES DA RIBALTA Sob as luzes da ribalta, nos afãs dos espetáculos trágicos,
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SOB AS LUZES DA RIBALTA Sob as luzes da ribalta, nos afãs dos espetáculos trágicos, atores e artistas cênicos aguardam para se exibir aos fãs. A orquestra marca o compasso bem atrás dos bastidores, é aflição dos gladiadores que se ataviam com embaraço. Para não perderem a sua forma eles se aquecem, relaxam o plexo braquial e rezam para não caírem da plataforma elevada na gávea dos trapézios; outros retraem os braços; mascaram-se de palhaços para se exibirem de gaudérios. No entanto, as luzes da ribalta que iluminaram o tablado, ao terminar o seu reinado, apagam-se no final e nada falta para encerrar o triste panorama que abruma o palco vazio. Cessa então todo o desafio que perfez o final de um drama. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

MULHERES D’AÇO São elas, belas e possantes, vibrantes, ninfas galáticas, provocantes heroínas,
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MULHERES D’AÇO São elas, belas e possantes, vibrantes, ninfas galáticas, provocantes heroínas, formosas mulheres d’aço de brilhantes têmperas, suntuosas musas femininas. São elas que detêm a força e genética da vida, através das dores e vitupérios voam suas vidas no talento da estética, gentil magia na dinâmica dos trapézios. São elas, as fabulosas mulheres d’aço, maçãs d’amores, volúpia de conquista, que aprisionam os homens no paraíso. São elas que ocupam o nosso espaço com a dança das bailarinas e o sorriso no rosto do palhaço, cenário d'artistas. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O LEÃO, O DOMADOR E A ARENA Na grande jaula em que o encerra, um leão furioso, bem embriagado,
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O LEÃO, O DOMADOR E A ARENA Na grande jaula em que o encerra, um leão furioso, bem embriagado, entre açoites e bramidos de guerra, espera seu algoz para ser domado. O domador se faz senhor da selva, enquanto o animal urra e vocifera, pois sabe que ali não existe a relva a ocultá-lo de ser visto como a fera. Mas numa arena a história se altera, ao carrasco insensível que o espora, o animal livre e pujante se arremete. Devorá-lo ferozmente quem o dera? Porém a fúria do leão não compete contra o látego cortante que devora. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

A QUEDA DO EQUILIBRISTA Na corda esticada que sustem o equilibrista é preciso muita perícia e habilidade,
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A QUEDA DO EQUILIBRISTA Na corda esticada que sustem o equilibrista é preciso muita perícia e habilidade, na arte de andar sobre ela, assaz se arrisca o funâmbulo que aprecia a atividade. Mas quem se eleva na causa por aventura, ignora que a desgraça de cair implica em inépcia de manter o equilíbrio na altura, e se despencar, na certa se complica. Na vida isso também faz quem não é artista, sem avaliar o risco que a arte explica, alça-se na corda bamba para andar no alto. Por lhe faltar a experiência em tal conquista, descamba lá de cima e se estrumbica, então saberá que só o gato é bom de salto. Do seu livro: "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

AH! QUEM ME DESSE... Ah! Quem me desse voltar no tempo os anos indeléveis de menino e correr
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AH! QUEM ME DESSE... Ah! Quem me desse voltar no tempo os anos indeléveis de menino e correr para o circo, brincar um passatempo, renascer como a criança feliz e viver no palco com meus famosos artistas, ídolos da arena, campeões de rodeio, funâmbulos, domadores e trapezistas, ginetes de raça a voltear no picadeiro. Ah! Quem me desse comer da pipoca branquinha e algodão doce no palito, chupar picolé, saborear a boa paçoca da vovó, aplaudir e achar tudo bonito, vibrar com a orquestra e o seu orfeão de cantores sobre o palco iluminado. Ah! Quem me desse estar no passado, de volta ao circo alegrando o coração. Ah! Quem me desse retroceder a vida, e olhar o mágico de Oz com a cartola cheia de pombos e coelhos de corrida, além do inigualável palhaço Sapatola. Ah! Quem me desse voltar ao regaço da minha mãe artista, e bem risonho ver meu pai por dentro dum palhaço, seria bem feliz embalado neste sonho. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

A MÁGICA DO MÁGICO Com a sua leal varinha hipnótica, o ilusionista, de fraque e gravata
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A MÁGICA DO MÁGICO Com a sua leal varinha hipnótica, o ilusionista, de fraque e gravata preta exibe a cartola magitrônica polarizando a plateia, estupefata. Faz os truques sem tirar bravata, com lances surreais da dinâmica teatral num só toque o nó desata com sua habilidade, supersônica. E a mais sutil e impossível lógica ocorre: e rápido se desembaraça de seu pescoço, tal gravata preta. Serpeando-a com a vara mágica, ela vai criando asas de borboleta e se transmuta a voar com graça. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

AS CALÇADAS DO DRAMA Grandes astros do cinema, teatro, música, rádio e TV, possuem seus nomes gravados nas calçadas da fama
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AS CALÇADAS DO DRAMA Grandes astros do cinema, teatro, música, rádio e TV, possuem seus nomes gravados nas calçadas da fama de Hollywood. Em estrelas de mármore rosa, à mercê dos olhos no passeio público, são como monogramas pisoteados e idolatrados por admiradores num ateliê: embora os contemplem, não sabem do seu amálgama. As badaladas celebridades artísticas, no seu epigrama crítico são julgadas e avaliadas dentro do seu clichê carismático, mais pela promoção do que pela chama inspiradora do talento, recebem o laurel dum comitê que os propagam ao galardão deste trivial panorama, assim ufanam-se pelo nome na calçada, o seu guichê. Mas os astros do circo estão pelas calçadas do drama, são estrelas anônimas, irreconhecíveis neste Panteão de Glória, coexistem obscuras à memória, sem flama, apagadas ao glamour da história, vagam na escuridão. Porém, no meio dessa constelação que o piso aclama, os astros elevados estão no céu e não fixados ao chão. Desse modo, uma estrela ofusca-se em sua trajetória, e o artista circense vive e subsiste mais pela vocação, não deixa seu nome cravado pelas calçadas da glória, nem se preocupa com o raro brilho visto na escuridão; sabe que é melhor ser uma ínfima estrela na história, do que um grande astro que não cintila na imensidão. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

CARROSSEL DE ESTRELAS Em nossos sonhos de infância onde jamais se apagam as chamas
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CARROSSEL DE ESTRELAS Em nossos sonhos de infância onde jamais se apagam as chamas rubras da charmosa inocência, um carrossel de estrelas em flamas girava com a dourada fantasia: cavalinho à galope, alce que brama, zebra pintada e girafa simpatia, coloriam os traços desse panorama. Tudo girava colorido, emoções inesquecíveis e sorrisos galopantes, no mundo de quantas diversões tinha no parque de luzes brilhantes. Ali havia paz e lindas canções, guloseimas, brinquedos cintilantes, incomparáveis às imaginações das crianças em jogos fascinantes. Eram sonhos reais, extasiantes, a explosão de cores vivas, alegrias, lazeres e músicas contagiantes. Mas nesse mundo belo de euforias, ainda não haviam degradantes fantasmas que assombram os dias no carrossel d’estrelas cadentes: agora estão apagadas, tristes e frias. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O HOMEM TOCHA Chamam-no de papa-fogo ou pirofagista, soprando chamas boca a fora sem parar,
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O HOMEM TOCHA Chamam-no de papa-fogo ou pirofagista, soprando chamas boca a fora sem parar, faz proezas incendiárias de se esturricar, na coragem e talento de um performista. As labaredas rubras e lançadas para o ar, são quase iguais às línguas dos dragões, fazendo ameaças com suas combustões, querem bem rápido tudo lamber e tragar. Será que o homem tocha é mesmo fogo? Para ver se ele ardia mesmo de verdade fui experimentar o seu corisco pirofágico. E por desejar ser um intruso nesse jogo, quase me chamusquei com esse trágico zotismo: brincar com fogo, é insanidade! Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O SUBLIME MÁGICO Ao toque dos solenes clarins na alvorada celeste, anjos e arcanjo se exibem num palco do Nirvana.
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O SUBLIME MÁGICO Ao toque dos solenes clarins na alvorada celeste, anjos e arcanjo se exibem num palco do Nirvana. São exímios astros envoltos por luzentes plumas, cingidos ao fantástico trapézio de aura soberana evoluem com asas de diamantes que as reveste, voando no espaço sideral sob nuvens d'espumas. No picadeiro do além, pégasos de suave brancura cavalgam em círculos levando no dorso querubins, fazem acrobacias em rodeio, com tons de músicas, baladas e canções de amor com sonoros cornetins. Esses seres alados e os serafins bailam na doçura do celeste espetáculo a se descortinar em súplicas. Ato contínuo, no fúlgido tablado, um varão mágico exibe uma cartola estrelada à plateia do outro lado, dela surgem auríferos passarinhos e saem voando para o excelso trono ornado de um fogo fantástico; e ao retumbar a trombeta nesse paraíso iluminado, sai da cartola em forma de pomba o Espírito Santo. Perante o magnífico trono cravejado de brilhantes, o sublime mágico se apresenta ao Todo Poderoso, ali resplandece sua glória de ouro com imensa luz; para sua assistência de anjos e seres exuberantes, ele exibe no seu peito a relíquia de artista glorioso: a cartola é seu divino coração e o mágico é Jesus! Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O CONTORCIONISTA SEM CORAÇÃO Ei-lo, o jovem magro que se curva no tablado, dobra-se todo, contrai suas juntas e cotovelos,
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O CONTORCIONISTA SEM CORAÇÃO Ei-lo, o jovem magro que se curva no tablado, dobra-se todo, contrai suas juntas e cotovelos, na juntura de seus ossos, o esqueleto arcado, encolhe-se a se retrair dos pés até os cabelos. Ei-lo, a se contorcer, entrar na caixa quadrada, e dentro dela, a sua pessoa se tornar delgada. Seria crível que ali coubesse toda sua arcada constrita numa lata igual sardinha e achatada? Ei-lo, que fui achá-lo assim todo comprimido num ínfimo espaço, apenas um pequeno vão a ser preenchido com algum membro de fora. Ei-lo, que caberia nela ainda para ser contido? Isso eu indaguei ao contorcionista nessa hora: frisou que naquela fresta iria por seu coração. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

UMA HERANÇA INESQUECÍVEL O circo está no sangue de quem herdou dele a beleza e a magia, é como uma herança inesquecível
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UMA HERANÇA INESQUECÍVEL O circo está no sangue de quem herdou dele a beleza e a magia, é como uma herança inesquecível que ultrapassa sua eterna essência no interior da própria consciência, extravasando a alma no indizível ritual de imensurável paz e alegria. O circo está no âmago de quem batizou com fogo sua vocação de artista, forjou no corpo o ofício de acrobata, mágico e malabarista, fez da corda bamba o equilibrista, domou o tigre e o leão no desafio da arena e fez o palhaço folgazão. O circo está no espírito da criança e na conjunção da felicidade; sem idade, cor ou sexo, só irradia riso, contentamento, descontração; somente o circo transmite emoção, criando no espetáculo sua fantasia, tecendo da quimera sua realidade. O circo está no princípio e fim da vida, gênese da divina criação; arte transmitida dos antepassados aos herdeiros de palcos, tradições milenares de gerações a gerações; o circo é um dos mais consagrados espetáculos que não sai do coração. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

QUANDO O CIRCO SE VAI... Quando o circo se vai, tudo parece parar no tempo,
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QUANDO O CIRCO SE VAI... Quando o circo se vai, tudo parece parar no tempo, é como o pano que cai no palco e por um momento encerra tal espetáculo, dissipando sonhos e ilusões: esvazia o receptáculo dos nossos álacres corações. Quando o circo se vai, deixa um rastro de saudade; é o vácuo que não sai da alma e aflige, na verdade, saber que uma mágoa chora no peito bem sentida: é como a gota d’água que não cicatriza uma ferida. Quando o circo se vai, deixa tristeza e tudo fica frio, é a beleza que se esvai dos olhos, tudo parece vazio, a alegria já desaparece como uma correnteza no rio: varre a alma e esvaece o riso ao naufragar do navio. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

NÃO DEIXE O CIRCO MORRER Passando pela Fonte dos Desejos lá em Roma, ali, na bela Fontana de Trevi eu fiz um pedido:
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NÃO DEIXE O CIRCO MORRER Passando pela Fonte dos Desejos lá em Roma, ali, na bela Fontana de Trevi eu fiz um pedido: Óh! Hípio, deus do Circo, não o deixe morrer no abandono da cruel decadência e no axioma da paixão; possa ele reviver no amplo sentido da razão com a beleza, alegria e muito prazer. Que venha o circo sempre nos divertir na vida, que haja muito espetáculos, a magia, o sorriso na face de uma bailarina e um engraçado anão; que se apresentem os malabares e a comitiva; o mágico com cartola, acrobatas de improviso; e um palhaço caricato que nos cative o coração. Que perdure o circo eternamente na memória, possa ele se elevar como um marco de cultura a consagrar artistas na sua máxima expressão; que divirta a toda gente e perpetue na história dos povos a autêntica beleza igual sua pintura: esteja exposto a todos para grande apreciação. Não deixe o circo morrer e tudo ficar perdido à sombra das futuras gerações; que ele floresça para encher de fascinação as nossas crianças; se o circo morrer o mundo ficará sem sentido; não haverá mais emoção à plateia que mereça um espetáculo que traga alegrias e esperanças. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O CERRADO DE LATAS Um manto de concreto avança selva adentro, devastando rios, lagoas e cachoeiras nativas,
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O CERRADO DE LATAS Um manto de concreto avança selva adentro, devastando rios, lagoas e cachoeiras nativas, animais, pássaros, bosques e florestas vivas já não existem mais; raras plantas no centro das praças resistem ao extermínio das matas, ora convertida em cidades – cerrado de latas. Ao visualizar tais cenas, tristes e deprimentes, um dilúvio de revolta me traspassa o coração, só vejo frotas de veículos e cimento pelo chão, canteiros de obras com guindastes insolentes, máquinas e betoneiras, edifícios e habitações. Deus! Cadê os cerrados, as selvas e ribeirões? Ouvindo-me indagar da sua majestosa criação, o Senhor respondeu-me com magna sabedoria: dos cerrados o homem tira a relva, faz moradia; das selvas derruba as árvores para construção; dos ribeirões dizima os peixes e polui as águas; e de si próprio extirpa a natureza - sem tréguas... O cerrado é agora a selva de latas barulhentas; indústrias, carros e caminhões vertem fumaças ao ambiente; nas selvas não se acha as caças; com tanto dióxido no ar, não chove nem venta mais a aura na planície; esvai-se toda a beleza do Planeta Azul no irracional dano à natureza!... Mas ai dos filhos de agora e gerações futuras; o que semearem não ceifarão por abundância; do desmatamento terão os frutos da ganância; e da maléfica poluição sucumbirão as criaturas inocentes; a fauna e flora outrora exuberantes, serão miragens no cerrado de latas sufocantes! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

A BOLHA BAILARINA No vitral da minha janela uma sedutora bolha de sabão
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A BOLHA BAILARINA No vitral da minha janela uma sedutora bolha de sabão pairava viva e fascinante, semelhante uma estrela, revelava na fulgente aparição seu brilho: um diamante. Infiltrei meus olhos nela como viajante da imaginação, divisei na sutil paisagem uma fulgurante donzela, pérola alvadia com irradiação de luzes: plena miragem. Neste relumbre de auréola, de belos matizes à percepção, sua imagem jazia brilhante tal qual uma leda aquarela; era uma bailarina no coração da bolha: a dançar galante. Num rompante do desejo eu almejei libertá-la do balão; soprei-o, vivaz e risonho, para romper seu lampejo dourado e extraí-la da prisão, mas foi tão-só: um sonho. Eis que a bolha estourou esvanecendo da minha visão a radiosa figura que mirei; somente o seu vulto ficou a bailar em minha feliz ilusão quando: do sonho acordei. Compreendi então o real sentido dessa fúlgida alegoria; a bolha foi toda felicidade perdida; a bailarina jovial foi apenas uma breve fantasia, e o sonho: uma saudade. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

PÁSSAROS MASCARADOS Quando os capatazes, aves de maldade, com suas asas velozes, ousarem vencer
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PÁSSAROS MASCARADOS Quando os capatazes, aves de maldade, com suas asas velozes, ousarem vencer os ideais da paz, do amor e da liberdade, os heróis audazes, bravos filhos do bem, irão lhes expor toda a força que provém da infinita justiça para cortar com prazer suas podres cabeças, águias da cidade! Tais sequazes, pássaros ruins, irão saber que existe a lei perante a torpe iniquidade. Suas ações hão de grulhar por clemência e seus contumazes sentidos irão perecer nas vorazes labaredas da sua petulância. Por enquanto, travestem-se de máscaras, horrentes carrancas vedam-lhes as faces; seus bicos hiantes, olhos d’inveja e garras recurvas de ganância, propagam rapinas, extorquem os pobres e pleiteiam propinas iguais vilões, tenazes por ruínas, rapaces gaviões do poder, abutres dados às farras. Mas chegará o dia desses infiéis e voraces perdulários exibirem as suas faces bizarras; cairão nas arapucas e serão todos caçados, não mais farão revoadas e nem algazarras. Corvos cruéis! Rolarão mortos e degolados. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

A CORTE DO AMOR No reino dos sentimentos aristocráticos, os leais súditos do real e soberano amor,
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A CORTE DO AMOR No reino dos sentimentos aristocráticos, os leais súditos do real e soberano amor, fazem reverência à graça dos estáticos, apaixonados pela notável estirpe e valor. Sedutores e incitados, apostam no jogo dos desejos e querem somente ganhar; na arena das paixões, brincar com fogo é arriscar, e para vencer, é preciso lutar. A inveja é capciosa, a cobiça é cortesã, o orgulho mui forte, mas o ódio, vassalo do reino, aspirou derrotar o audaz amor. O ciúme, por ter sido o boçal contendor, ficou sendo o bobo da corte e de malsã consciência, só cantou a vitória de galo. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

AMOR DE CAMPEONATO Oh querida! o nosso amor é um campeonato,
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AMOR DE CAMPEONATO Oh querida! o nosso amor é um campeonato, pela conquista da taça do teu beijo entrei em campo e nesse jogo desejo, erguer o troféu como vencedor, de fato. Na partida vou tocando a bola com categoria, sou craque e jogo com empolgação, eu avanço, driblo com raça e emoção, ouço os brados da galera... que euforia! Dou de bandeja, passo a redonda e faço tabelinha, mas teu peito mata o tiro e rechaça, espalmando essa minha bola na raça para salvar tua meta em cima da linha. No afã da peleja recebo falta, mas vou jogando fero, cobro escanteio, porém a trave evita o gol, e num final de lance o juiz apita o término da primeira etapa: zero a zero. Após o intervalo pego um bom alento e me declaro para voltar a campo com muita garra, chuto de longe, mas teu quíper agarra; vou tocando a bola, me arrojo e não paro. Nesse embalo a partida prossegue e bem renhida, tua zaga afasta meu chute de perigo, cobro uma falta, mas que cruel castigo! As minhas bolas não encaixam, querida! O jogo vai correndo, resvalo com a boca o lançamento fatal e assim cometo pênalti na área; você cobra e a pelota vai por via aérea, e tua mãe protesta que há impedimento. Ao sair pedalando o juiz dá cartão amarelo para mim; noutra jogada já entro numa dividida, lanço o balão a meia-lua e na medida, mas você a desvia com os dedos, enfim. Não recuo e luto, na pequena área sai a jogada feliz, executo bom arremesso pela lateral; de calcanhar enfio a bola, lance genial, É gol! Gol com a mão não vale, diz o juiz. Minuto a minuto a nossa refrega vai pegando fogo e afoito arrisco a jogada da história; mas quando já tento o lance da vitória, que bruto azar!... Teu pai encerra o jogo! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

A PEDRA QUE CHORA Pedra de águas, seixo da vida,
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A PEDRA QUE CHORA Pedra de águas, seixo da vida, ainda gravita as suas mágoas e bem erigida nos regorgita risos e lágrimas em terra viva. Géia, diva mater, pangeia in loco na pira holocena, seu dragão pater no imo do orco, verte a ira insana e faz ver o mártir, pó do samouco. Gaia, mãe Terra, a filha do Caos, berço d’enganos, em lúdica guerra amortalhas aos heróis e profanos, e o resto soterra com suas mãos. Pietra de argila, de sons guturais, brama, vocifera, traga e aniquila os seres animais e nesta litosfera de ódios destila em água teus ais. Rocha no lagar, calhaus de ferro, nêutrons e íons, a fissão nuclear, míssil no aterro, eclodem pítons no flash estelar, o aquífero berro. Roca lacrimal esturricada nas penedias; penha abissal estratificada pelas insídias, chuva do mal, deslumbrada. Piatra lúcida, voraz e maldita, bate a sua boca e nos trucida, devora e excita; a sua recíproca efígie suicida, chora, ri e grita. Stone das trevas com isca e anzol, sobre seu manto coberto de relvas fulgura o arrebol de luz e encanto, imensas dádivas, água crista e sol. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

QUANDO ACABAR O TEMPO No jogo da vida contra a morte não há vencedor, é uma batalha grandiosa no tempo da existência;
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QUANDO ACABAR O TEMPO No jogo da vida contra a morte não há vencedor, é uma batalha grandiosa no tempo da existência; nem sempre vencem aqueles que por excelência jogam muito bem e nem sempre há um perdedor. Mas no jogo da grandeza e decadência há o azar, mesmo que alguém possua uma favorável sorte, no tempo poderá perder a vida ou achar a morte, e alguém à beira da morte, a vida poderá ganhar. Se o jogador num lance de sorte abdicar da festa, porá o tempo a ganhar, mas se insistir na partida, num lance de azar, colocará seu tempo a perder. Contudo, quando acabar o tempo nada mais resta na existência para se jogar, e isso ocorre na vida: o jogador não precisará mais apostar e nem viver. Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

HOJE, FELIZ SUSPIREI QUE TAL VENTURA FLORESCESSE NESTE JARDIM Fiquei bem pouco convicto disso, eu até duvidei... Porém, o Amor me sorriu numa FELICIDADE SEM FIM
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HOJE, FELIZ SUSPIREI QUE TAL VENTURA FLORESCESSE NESTE JARDIM Fiquei bem pouco convicto disso, eu até duvidei... Porém, o Amor me sorriu numa FELICIDADE SEM FIM HOJE, ao abrolhar de um novo dia, despertei com magnas notícias: avisaram-me que o amor surgiria repentino, com acalantos e carícias para me ofertar. Fiquei bem FELIZ... preparei-me para o receber; com máximo capricho e poesia enfeitei a casa; tive imenso prazer em sorrir, cantar e dançar de alegria para o abrigar. Pouco convicto disso, eu até SUSPIREI... para que este afeto batesse à porta do meu tétrico casarão, trouxesse sua alegria e cantasse à minha alma uma melódica canção para me extasiar. Duvidei... QUE TAL VENTURA FLORESCESSE..., e de repente, nesta estrada, viesse encontrar outra pessoa para fazer a sua elegida morada; eu então, me afogaria numa mágoa para me expirar. Porém, o amor me sorriu NESTE JARDIM..., fez-me mui ditoso e risonho, por capricho, sorte ou bênção, quis o céu cultivá-lo neste sonho, a florir no canteiro do meu coração para desabrochar... Numa FELICIDADE SEM FIM Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019