Frase de Gerson A. Gastaldi (Garfield)
SELVAS DE LATAS Um manto de concreto avança mata adentro, devastando rios, lagos e cachoeiras nativas; animais, pássaros, bosques e florestas vivas já não existem mais; raras plantas no centro das praças lembram o extermínio das matas, ora convertidas em cidades – selvas de latas! Ao visualizar tais cenas tristes e deprimentes, um dilúvio de revolta me traspassa o coração, só vejo frotas de veículos e cimento pelo chão, canteiros de obras com guindastes insolentes, máquinas e betoneiras, edifícios e habitações. Deus! Cadê as selvas, os bosques e ribeirões? Ouvindo-me indagar da sua majestosa criação, o Senhor replicou-me com a magna sabedoria: Das selvas o homem tira a relva e faz moradia; dos bosques abate as árvores para construção; dos ribeirões, expele os peixes, polui as águas e de si próprio, extirpa a natureza sem tréguas;... As selvas são hoje pilhas de latas barulhentas; indústrias, carros e caminhões, fluem fumaças ao ambiente; nas matas não existe mais caças; com tanto dióxido no ar, já não chove ou venta mais o zéfiro na planície; esvai-se toda beleza do planeta azul no irracional açoite à natureza!... Mas ai dos filhos de agora e gerações futuras! O que semearem não ceifarão em abundância; no desmatamento, obterão frutos da ganância; e na maléfica poluição sucumbirão as criaturas inocentes; a fauna e flora, outrora exuberantes, serão miragens pela selva de latas sufocantes! Indignado com tanta devastação, a Deus roguei: divino Rei da Glória: – Que faremos à salvação do habitat azul e toda sua encantadora criação? A voz Onipotente num lépido favônio eu escutei: com boa consciência a Terra não ficará perdida; no reino dos mares e oceanos ainda existe vida;... Será preciso considerar, preservar os recursos ainda disponíveis no planeta; dispor sacrifícios ao consumo sem dissipar água e desperdícios de alimentos; recuperar todo bioma nos cursos dos rios e mares; refrear a emissão dos gases; e reflorestar a gentil floresta através das bases;... Porém, acorde o ser humano do entorpecimento fatalista; saiba que a Terra é o seu único destino; mire os agravos contra ela, o seu berço genuíno; seja realista e ajude toda a natureza com talento; haja estima ao ecossistema e o torne condizente, pois faz parte dele sendo seu térreo dependente!... Se o homem exterminar toda sua natural riqueza, eis que pouco restará à sua pobre sobrevivência; os desertos predominarão e não haverá a ciência que possa reaver às matas a sua original beleza! Prevaricando a humanidade, todo o pavor advirá ao planeta, assim a fúria da biosfera extravasará!... Rastejará o homo sapiens, igual réptil pela Terra? Sorverá o ar imundo pelas cidades, eternamente? Dizimará todos os espécimens vivos, consciente? Se assim insistir eis que lhe rondará a besta fera do genocídio para tragá-lo à infernal aniquilação; pois a terra dos viventes é única e sem exceção! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019
No pensador.ai desde