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Frase de Gerson A. Gastaldi (Garfield)

AS TRÊS LÁGRIMAS Jazia o Rei da Glória em trono excelso, quando Gabriel, o bel arcanjo reluzente, apresentando-se qual pássaro fulgente, ao júbilo de hosanas à Sua face louvou: – Bendito seja, Criador eterno!, cá estou a clamar em prol dos seres do Universo: – na Terra, nato da cepa real e excelente, geraste o varão a imperar por primazia, ficando à mera sorte a fauna e alimária, e sob essa égide ingrata, infame e cruel, mamíferos, peixes, répteis, aves do céu, fadados à morte, tornaram no excedente do cerne sagrado e emanados à vileza? – Eis que no homem não há a percepção da natureza divina estampada à criação; mas a beleza cristalina doada ao animal, revela-lhe na estirpe toda graça celestial, invejável encanto a exibir sua grandeza! – Comparando-os, óh Deus, iremos notar a magnífica placidez da casta soberana, e semelhantes às divindades do Nirvana são eles, mais nobres, dóceis e singelos do que os monarcas ilhados em castelos! – Vede a candura dos inferiores a suplicar? – Pai! Elevaste os seres feros e racionais, dignos à Vossa Imagem e Semelhança, e por sábia razão mudaste tal bonança doada no início aos bichos por ventura, fixados no paraíso como belas criaturas, a serem depois presas de seres bestiais? Deus do magno trono ao arcanjo ajuizou: – Bem aventurado és, ó iluminado Gabriel! – Criei mistérios no avejão da Gaia e céu: saibas que o homem alteia-se e destrói, mas só o amor vive, permeia e constrói; assim ele foi levado à senda que optou. – A ciência do mal escolheu como guarida, arvorando o livre-arbítrio em seu destino, destilou na sua essência o sêmen ferino da serpe, sabor venal e estigma maldito, a cicuta da ambição e pólen do anticristo levou à boca, fruto fatal do néctar suicida. – O homem, resumiu-se no gérmen animal, cobriu-se com a capa infernal de malícia, ódios e guerras para revelar sua infâmia, esteio de pecados, rude cepa e maldade; sob o manto da cobiça e grada crueldade tornou-se ente vil, transcendido e mortal. – Mas aos irracionais foi-lhes dada beleza invejável a florescer na serena inocência, assim foram redimidos em magnificência! – No entanto, o ser humano e sua geração, para que torne à bela e primaz condição deverá mirar-se no ente de real nobreza! – E tu Gabriel, como arauto do céu, levarás à esfera inferior o édito de luz e redenção, pois sem a fé e caridade não há salvação no advento de doação, amor e liberdade! Paz na Terra aos homens de boa vontade!, Essa é a notícia de boas novas que dirás. – Eis que lhes envio o imaculado Cordeiro, símbolo da justiça e templo de humildade, levará fogo e cisão à Terra pela verdade; será sacrificado primeiro na baixa esfera, seu reinado suscitará uma grande guerra, todos hão de se ajoelhar ao meu herdeiro! Saindo diante da excelsa face do Eterno o arcanjo Gabriel veio à esfera humana, ditou o divino édito e na tosca choupana refulgia a magnífica estrela de imane luz, emergia ali o ingente diamante que reluz o trono da nova era: paz e amor superno. Trinta e três anos depois, na atroz colina, com trevas, coriscos, trovões e vendaval, o supremo sacrifício se consumou brutal; naquele árduo momento na sinistra cruz, eis que fluíram dos olhos puros de Jesus três lágrimas tão imaculadas e cristalinas: A primeira, ali rolou solta pelo pelourinho por amor e aflição aos súplices animais; A segunda, ele a verteu com seu sangue por agonia e compaixão aos seus iguais; E a terceira, o vento a carregou mui longe, indo cair na gaiola dum triste passarinho! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 201

Gerson A. Gastaldi (Garfield)

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Pensador.com

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NÃO DEIXE O CIRCO MORRER Passando pela Fonte dos Desejos lá em Roma, ali, na bela Fontana de Trevi eu fiz um pedido:
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NÃO DEIXE O CIRCO MORRER Passando pela Fonte dos Desejos lá em Roma, ali, na bela Fontana de Trevi eu fiz um pedido: Óh! Hípio, deus do Circo, não o deixe morrer no abandono da cruel decadência e no axioma da paixão; possa ele reviver no amplo sentido da razão com a beleza, alegria e muito prazer. Que venha o circo sempre nos divertir na vida, que haja muito espetáculos, a magia, o sorriso na face de uma bailarina e um engraçado anão; que se apresentem os malabares e a comitiva; o mágico com cartola, acrobatas de improviso; e um palhaço caricato que nos cative o coração. Que perdure o circo eternamente na memória, possa ele se elevar como um marco de cultura a consagrar artistas na sua máxima expressão; que divirta a toda gente e perpetue na história dos povos a autêntica beleza igual sua pintura: esteja exposto a todos para grande apreciação. Não deixe o circo morrer e tudo ficar perdido à sombra das futuras gerações; que ele floresça para encher de fascinação as nossas crianças; se o circo morrer o mundo ficará sem sentido; não haverá mais emoção à plateia que mereça um espetáculo que traga alegrias e esperanças. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

QUANDO O CIRCO SE VAI... Quando o circo se vai, tudo parece parar no tempo,
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QUANDO O CIRCO SE VAI... Quando o circo se vai, tudo parece parar no tempo, é como o pano que cai no palco e por um momento encerra tal espetáculo, dissipando sonhos e ilusões: esvazia o receptáculo dos nossos álacres corações. Quando o circo se vai, deixa um rastro de saudade; é o vácuo que não sai da alma e aflige, na verdade, saber que uma mágoa chora no peito bem sentida: é como a gota d’água que não cicatriza uma ferida. Quando o circo se vai, deixa tristeza e tudo fica frio, é a beleza que se esvai dos olhos, tudo parece vazio, a alegria já desaparece como uma correnteza no rio: varre a alma e esvaece o riso ao naufragar do navio. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

UMA HERANÇA INESQUECÍVEL O circo está no sangue de quem herdou dele a beleza e a magia, é como uma herança inesquecível
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UMA HERANÇA INESQUECÍVEL O circo está no sangue de quem herdou dele a beleza e a magia, é como uma herança inesquecível que ultrapassa sua eterna essência no interior da própria consciência, extravasando a alma no indizível ritual de imensurável paz e alegria. O circo está no âmago de quem batizou com fogo sua vocação de artista, forjou no corpo o ofício de acrobata, mágico e malabarista, fez da corda bamba o equilibrista, domou o tigre e o leão no desafio da arena e fez o palhaço folgazão. O circo está no espírito da criança e na conjunção da felicidade; sem idade, cor ou sexo, só irradia riso, contentamento, descontração; somente o circo transmite emoção, criando no espetáculo sua fantasia, tecendo da quimera sua realidade. O circo está no princípio e fim da vida, gênese da divina criação; arte transmitida dos antepassados aos herdeiros de palcos, tradições milenares de gerações a gerações; o circo é um dos mais consagrados espetáculos que não sai do coração. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O CONTORCIONISTA SEM CORAÇÃO Ei-lo, o jovem magro que se curva no tablado, dobra-se todo, contrai suas juntas e cotovelos,
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O CONTORCIONISTA SEM CORAÇÃO Ei-lo, o jovem magro que se curva no tablado, dobra-se todo, contrai suas juntas e cotovelos, na juntura de seus ossos, o esqueleto arcado, encolhe-se a se retrair dos pés até os cabelos. Ei-lo, a se contorcer, entrar na caixa quadrada, e dentro dela, a sua pessoa se tornar delgada. Seria crível que ali coubesse toda sua arcada constrita numa lata igual sardinha e achatada? Ei-lo, que fui achá-lo assim todo comprimido num ínfimo espaço, apenas um pequeno vão a ser preenchido com algum membro de fora. Ei-lo, que caberia nela ainda para ser contido? Isso eu indaguei ao contorcionista nessa hora: frisou que naquela fresta iria por seu coração. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018