Pular para o conteúdo

Frase de Gerson A. Gastaldi (Garfield)

O CERRADO DE LATAS Um manto de concreto avança selva adentro, devastando rios, lagoas e cachoeiras nativas, animais, pássaros, bosques e florestas vivas já não existem mais; raras plantas no centro das praças resistem ao extermínio das matas, ora convertida em cidades – cerrado de latas. Ao visualizar tais cenas, tristes e deprimentes, um dilúvio de revolta me traspassa o coração, só vejo frotas de veículos e cimento pelo chão, canteiros de obras com guindastes insolentes, máquinas e betoneiras, edifícios e habitações. Deus! Cadê os cerrados, as selvas e ribeirões? Ouvindo-me indagar da sua majestosa criação, o Senhor respondeu-me com magna sabedoria: dos cerrados o homem tira a relva, faz moradia; das selvas derruba as árvores para construção; dos ribeirões dizima os peixes e polui as águas; e de si próprio extirpa a natureza - sem tréguas... O cerrado é agora a selva de latas barulhentas; indústrias, carros e caminhões vertem fumaças ao ambiente; nas selvas não se acha as caças; com tanto dióxido no ar, não chove nem venta mais a aura na planície; esvai-se toda a beleza do Planeta Azul no irracional dano à natureza!... Mas ai dos filhos de agora e gerações futuras; o que semearem não ceifarão por abundância; do desmatamento terão os frutos da ganância; e da maléfica poluição sucumbirão as criaturas inocentes; a fauna e flora outrora exuberantes, serão miragens no cerrado de latas sufocantes! Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019

Gerson A. Gastaldi (Garfield)

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Gerson A. Gastaldi (Garfield)

NÃO DEIXE O CIRCO MORRER Passando pela Fonte dos Desejos lá em Roma, ali, na bela Fontana de Trevi eu fiz um pedido:
Continuar lendo

NÃO DEIXE O CIRCO MORRER Passando pela Fonte dos Desejos lá em Roma, ali, na bela Fontana de Trevi eu fiz um pedido: Óh! Hípio, deus do Circo, não o deixe morrer no abandono da cruel decadência e no axioma da paixão; possa ele reviver no amplo sentido da razão com a beleza, alegria e muito prazer. Que venha o circo sempre nos divertir na vida, que haja muito espetáculos, a magia, o sorriso na face de uma bailarina e um engraçado anão; que se apresentem os malabares e a comitiva; o mágico com cartola, acrobatas de improviso; e um palhaço caricato que nos cative o coração. Que perdure o circo eternamente na memória, possa ele se elevar como um marco de cultura a consagrar artistas na sua máxima expressão; que divirta a toda gente e perpetue na história dos povos a autêntica beleza igual sua pintura: esteja exposto a todos para grande apreciação. Não deixe o circo morrer e tudo ficar perdido à sombra das futuras gerações; que ele floresça para encher de fascinação as nossas crianças; se o circo morrer o mundo ficará sem sentido; não haverá mais emoção à plateia que mereça um espetáculo que traga alegrias e esperanças. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

QUANDO O CIRCO SE VAI... Quando o circo se vai, tudo parece parar no tempo,
Continuar lendo

QUANDO O CIRCO SE VAI... Quando o circo se vai, tudo parece parar no tempo, é como o pano que cai no palco e por um momento encerra tal espetáculo, dissipando sonhos e ilusões: esvazia o receptáculo dos nossos álacres corações. Quando o circo se vai, deixa um rastro de saudade; é o vácuo que não sai da alma e aflige, na verdade, saber que uma mágoa chora no peito bem sentida: é como a gota d’água que não cicatriza uma ferida. Quando o circo se vai, deixa tristeza e tudo fica frio, é a beleza que se esvai dos olhos, tudo parece vazio, a alegria já desaparece como uma correnteza no rio: varre a alma e esvaece o riso ao naufragar do navio. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

UMA HERANÇA INESQUECÍVEL O circo está no sangue de quem herdou dele a beleza e a magia, é como uma herança inesquecível
Continuar lendo

UMA HERANÇA INESQUECÍVEL O circo está no sangue de quem herdou dele a beleza e a magia, é como uma herança inesquecível que ultrapassa sua eterna essência no interior da própria consciência, extravasando a alma no indizível ritual de imensurável paz e alegria. O circo está no âmago de quem batizou com fogo sua vocação de artista, forjou no corpo o ofício de acrobata, mágico e malabarista, fez da corda bamba o equilibrista, domou o tigre e o leão no desafio da arena e fez o palhaço folgazão. O circo está no espírito da criança e na conjunção da felicidade; sem idade, cor ou sexo, só irradia riso, contentamento, descontração; somente o circo transmite emoção, criando no espetáculo sua fantasia, tecendo da quimera sua realidade. O circo está no princípio e fim da vida, gênese da divina criação; arte transmitida dos antepassados aos herdeiros de palcos, tradições milenares de gerações a gerações; o circo é um dos mais consagrados espetáculos que não sai do coração. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018

O CONTORCIONISTA SEM CORAÇÃO Ei-lo, o jovem magro que se curva no tablado, dobra-se todo, contrai suas juntas e cotovelos,
Continuar lendo

O CONTORCIONISTA SEM CORAÇÃO Ei-lo, o jovem magro que se curva no tablado, dobra-se todo, contrai suas juntas e cotovelos, na juntura de seus ossos, o esqueleto arcado, encolhe-se a se retrair dos pés até os cabelos. Ei-lo, a se contorcer, entrar na caixa quadrada, e dentro dela, a sua pessoa se tornar delgada. Seria crível que ali coubesse toda sua arcada constrita numa lata igual sardinha e achatada? Ei-lo, que fui achá-lo assim todo comprimido num ínfimo espaço, apenas um pequeno vão a ser preenchido com algum membro de fora. Ei-lo, que caberia nela ainda para ser contido? Isso eu indaguei ao contorcionista nessa hora: frisou que naquela fresta iria por seu coração. Do seu Livro "Sua Majestade, o Circo Lírico" - 2018