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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

⁠Este mundo anda sem tempo Anda sem vida, anda sem alma Este mundo anda sem voz
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⁠Este mundo anda sem tempo Anda sem vida, anda sem alma Este mundo anda sem voz Anda sem antes, sem vez, sem após Este mundo anda sem ama, anda sem gosta De olhos e olhares vazios Esperando pelas respostas que virão no vento O tempo passa e venta e só faz frio Este mundo anda bem triste E por demais distante Ao arrepio de tudo que a luz garante Porque o tempo não responde A quem não sabe nem ao menos a pergunta O conceito de perto ou longe Não junta o efeito à causa Quando abrange para aquém do que se pode Por ora, não se pensa em saber Este mundo anda bem rude Anda sem tempo e atenção Nem mesmo para uma pausa, atitude ou reflexão Enquanto isso o mundo passa Este mundo anda sem graça Sem poesia, sem melodia, sem quadra Comprometido Com qualquer ausência de compromisso A beleza que não se vê, não vale Aquele viço que se vai no dia a dia Esse valia É cão que ladra É chão sem chão O formato sem conteúdo Eis o tudo que interessa É pura espera por nada Métrica quadrada É tarde : breve e esquálida Esférica ilusão Colher o que não plantou...bem depressa As respostas soprando no vento Numa tarde linda, cujo vento ainda nem soprou Nos momentos de silêncio Em que as estrelas da noite conversavam Num tempo em que se sabia A maneira mais ou menos certa De tentar fazer perguntas Mas o mundo anda sem jeito pra formulá-las Se esvazia, falando ao meu redor Pior Que tem falado de amor Mas é que tem gritado tanto E cada um, tão ocupado Sentado num canto, pensando em pensar ou não Este mundo anda sem chão Mas voa através do universo Um som que só faz sentido Se ouvido no vácuo Sem harmonia ou melodia Um desenho sem vida Num constante movimento de partida Fraco de luz Sem verdades, sem lume Não chega em lugar nenhum Anda perdido Sob as dobras do tempo No cume da ignorância Que o traz e o carrega Este mundo anda bem assim Mas, enfim, isso não tem mais importância Nem faz a mínima diferença Quem não tem tempo pra pensar Não pensa. Edson Ricardo Paiva.

⁠Baila, tempo. Corre pra longe Morre em outra dimensão
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⁠Baila, tempo. Corre pra longe Morre em outra dimensão Vai lá, nos confins da última madrugada Mostra o nada que são nossas vidas E depois volta pra cá Vem mais depressa que a luz E depois nos entrega A cada qual nossa cruz A cada mal que se oculta Em cada bem que carrega Vem pra perto e se desfia Desfila o nada bem diante dos nossos olhos Nossos duros e imaturos corações Quem sabe, assim que se enxerga O quanto é incauto quem te desafia Cada qual com sua bússola insular Que faz perder, que desnorteia Às vezes um soar de sino Anunciando o sândalo da noite Tu, que és tão forte, que derrete a neve De sorte que cada segundo passa a ser tão breve Leva contigo a marca da idade deste mundo Só tu tens lugar no sem fim Desembarca, tempo Conta pra nós nossas vidas E baila e dança e não descansa e depois volta Vai lá, tempo velho e nos desaponta Desponta lá no longe Afronta esse universo e cada estrela sem porteira Sem eira nem beira e tribeira e tão rico e tão leve Livre, como o sol da primeira manhã Tão forte, que move o moinho que mata a fome Não negue que mata o homem que mata a morte Leva minha vida nas mãos Vai, que eu fico igual a todos Entregue à própria sorte. Edson Ricardo Paiva. Edson Ricardo Paiva

⁠Já estive em quase todos os lugares Onde a vida nos permite estar Sem convite para olhar de perto
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⁠Já estive em quase todos os lugares Onde a vida nos permite estar Sem convite para olhar de perto e nem de longe Onde quer que, porventura, houvesse Hoje estava só, sentado no quintal Vendo o sol na minha cara Claridade ali, parada sobre a roupa Que desbota, estendida Sem sopro, sem prece Nenhum canteiro de rosas, nem de vida Arremedo de verso e nem dedo de prosa Nada digno de nota Um convite pra fazer cara de triste e nem contente Nada a ser notado Nada que me faça diferente As coisas vão ficando e nos deixam de lado Descontente acho que sempre fui, de graça e sem queixa Pois já estive em quase todos os quintais que a vida deixa E jamais achei-os parecidos Creio serem eles todos muito iguais Um silêncio com ou sem ladrilhos Reles, toscos Frios, quais os trilhos sobre onde vaga o tempo À margem de quase tudo Uma imagem sempre assim... Tão desbotada quanto a triste lembrança Esquecida, assim, sumiste Enfim, se apaga Falso encanto de tecido De estampado colorido Que se apaga sob o sol que te ilumina E termina sempre a se esvair Deixe sempre um tanto de sorriso sobre tudo isso Nem que seja só pra que ele seja visto Nem que o vejam sem notar. Edson Ricardo Paiva.

⁠Não me lembro bem que ano era Tem bem mais que muito tempo Era só mais outra primavera
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⁠Não me lembro bem que ano era Tem bem mais que muito tempo Era só mais outra primavera Mas setembro tem o dom dessa saudade Tinha um sapo que cantava à toa Sua voz tinha o som de piano ou de sanfona E tinha a sapa, que valsava E tinha uma canção, que vinha no vento O sapo era tão vagabundo Que esperava a balsa pra ganhar o mundo E tinha a rã, com cheiro doce, de hortelã Porém, a sapa era do mês de agosto A marrafona era mulher sem rosto E eu ainda era criança Mas o tempo passa e sempre tem setembro Trazendo essa saudade, essa lembrança Uma coisa boa, uma verdade que é so minha E não me lembro muito bem que ano que era Nem qual idade que eu tinha. Edson Ricardo Paiva.

⁠Faço um acordo com Deus Mas não tenho nada a dar em troca Além de palavras quaisquer
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⁠Faço um acordo com Deus Mas não tenho nada a dar em troca Além de palavras quaisquer Que, a bem da verdade, são poucas Nada além de um coração que quer Fazer um trato com Deus É pouco, é quase uma promessa Dessas, que a gente olha pro céu E pensa e pensa E percebe que não fez nada na vida Que merecesse a divina atenção Trago mãos vazias Uma cara de triste, dessas que a gente faz Pra falar com Deus Um coração que bate, mas quase em silêncio Uma espécie de paz Dessas que não temos Na verdade não tenho nada Penso; e nem sequer uma promessa Nenhum pedido Nada, nem um amém Creio em Deus Mas Deus...ah, meu Deus! Será que acredita em mim? Edson Ricardo Paiva.

⁠Era uma vez, um dia que amanheceu Simples, puro e singelo E que nos trouxe uma poesia
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⁠Era uma vez, um dia que amanheceu Simples, puro e singelo E que nos trouxe uma poesia Um poema que versava sobre o dia que nasceu Onde o sol brilhou pra mim e pra vocês Como uma folha em branco Um tecido de linho Um pássaro num ovo em casca Uma garrafa ainda cheia de vinho Uma lasca de madeira que queimava Pra acender a fogueira do longo da vida E que logo se espalhava Pelo dia, pela vida toda; inteira Era uma vez uma manhã Que não era como outra qualquer Era a primeira Tão pura, a ponto de desconhecer Que de fato nem sempre a primeira Chega a ser a mais importante Apesar da primazia Com o tempo ele tornou-se Apenas um outro qualquer Só mais um dia Os sinais do mundo Espalhados pelo caminho Assim como o branco do linho, de vinho entornado Um pássaro que alçava voo E o galgou pra distante do ninho O poder sutil do tempo Uma tarde se setembro A flor que se abriu O olhar que se foi Existe uma parte na vida Que se chama nunca mais Tempestade em tempestade fez o rio O leito, a corredeira Que correu do seu jeito a vida inteira E que um dia secava Porque nada é pra sempre Além do nascer dos dias No seu ciclo eternamente interminável Onde a ausência de regras Era a única que se seguia Amanhece pra que pássaros acordem Que se entreguem a formidáveis canções Em poemas que versassem Sobre cada dia que corresse E que fossem ímpares aos pares À espera de nada, nem de olhares. Edson Ricardo Paiva.

⁠Nuvem branca, que passa lá no céu Suave, leve como a vida deveria ser Se tudo fosse como a gente quer
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⁠Nuvem branca, que passa lá no céu Suave, leve como a vida deveria ser Se tudo fosse como a gente quer Arranca do meu rosto este tão breve sorriso Pois é preciso viver e sorrir Nuvem doce, que este claro céu nos trouxe Doce como a tudo que pedimos que essa vida nos trouxesse Suave e leve como a brisa que pedimos ao dia Que um dia levasse de nós a toda qualquer tristeza Assim como a toda mágoa e a má vaidade Que só verdades saíssem de nossos lábios Mas em formato de poesia e palavras boas E que a gente deixasse o que há de bom em nós ao mundo Carregasse com a gente O resto de tristeza que o tempo não pôde apagar Que seja simples e modesto, tudo que deixarmos E, se for possível, carregado de pureza Da melhor pureza e do melhor amor Que, porventura, um dia tenhamos sentido Aquele tipo raro de amor, carregado de leveza e bons olhares ...e de um resto de entardecer, que deixa tudo mais bonito E que não é todo coração deste mundo que está preparado Pra ler o escrito que Deus deixa lá pra gente Lá na linha do horizonte Pois há um tempo de sorrir E um tempo de sentir vontade de sorrir Mas se vem o tempo de nó na garganta Que ele seja só da gente Chorar é preciso também, pois mentir não adianta Mas que Deus nos faça chorar de contentes Leva este meu recado a Deus, clara nuvem do céu Pois eu fico aqui no aguardo Do retorno deste vento que te move Volta em forma de alegria E, nesse dia, vê se chove em mim também. Edson Ricardo Paiva.

⁠Ontem fez uma noite linda Como há meses eu não via Não sei dizer se não atentei
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⁠Ontem fez uma noite linda Como há meses eu não via Não sei dizer se não atentei Ou se foi a lua que não veio Pode ser que eu só tenha olhado pro chão Ou que foi o meu lado sombrio Haja vista se era frio ou calor, nada senti Tem coisas que a vida faz Assim como as dores Com o passar dos dias Nem se reconhece mais nem flores Não sei dizer se era dor Só sei lembrar que doía Chega um tempo em que não faz menos sentido Até que, numa noite qualquer, nem mais Se vê que a lua é linda, ainda Mas que os seus olhos de vê-la Não olham com a mesma lógica Nem mesmo com a mesma óptica Por isso não vê como a via O coração, de forma arredia Pede explicações da vida à ela A vida, cansada de vivê-la, bruxuleia a lua Qual fosse nada mais que luz de vela A esperança traz a estrela da manhã O cansaço trança as pernas, lança um olhar ao tempo Com ar de cumplicidade criminosa Um sorriso sereno, que parece inofensivo Num truncado impiedoso que esse tudo fez da gente Uma corrente de vento, um frio recorrente Saudade cortante de algo que nem viu ainda A face linda da lua escondida Um lado desconhecido da noite e da vida Não sei dizer se era silêncio Ou se era apenas uma ausência de ruido em meus ouvidos Naquela hora sagrada, em que a vida não diz nada Onde um coração, calejado, entende tudo E se lembra de uma frase há muito lida Descobre que a compreendeu, com ar de sabedoria Embora tarde, era sobre outra coisa que ela versava Arde de forma boa, como a noite linda E que tinha sido linda desde sempre Pode ser que tenha sido eu a deixá-la voar à toa Que mirei o olhar ao chão e que ali deixei ficar Por que não há de ser o mundo assim também? Edson Ricardo Paiva.

⁠Eu tenho um coração tão livre Que tem horas que sinto Apesar de não saber voar
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⁠Eu tenho um coração tão livre Que tem horas que sinto Apesar de não saber voar Ainda dá tempo de aprender Pois eu tenho a alma solta E vem do tempo que eu sonhava Eu tive um tempo de sonhar Só não consigo te explicar como é se sentir assim Saber que o tempo é breve E eu tenho um coração tão leve Como num circo de domingo à tarde, cujo ingresso é livre Mas que é preciso um par de asas para entrar Porque ele voa ao vento Voa lento e espera uma notícia boa Mas há momentos em que ele se fecha Quem quiser sair, ele deixa Quem não quer entrar, não precisa Pois a vida é tão breve; um sopro...uma brisa Leve como a sensação de liberdade Que não se sabe que tem e deixa ir num medo que sonhou Não guardo o peso de nenhum segredo Nem medo de batalha ou de acordar mais cedo A vida é um folguedo que passa depressa Um fogo que se apaga Eu tenho um coração bem livre e só Isso é tudo que eu tive. Edson Ricardo Paiva.

⁠Hoje é dia de juntar as folhas De fazer o pão, de consertar telhados Ou talvez de só ficar olhando o céu
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⁠Hoje é dia de juntar as folhas De fazer o pão, de consertar telhados Ou talvez de só ficar olhando o céu Sentar-me no chão da calçada Arrancar as ervas que crescem nos vãos Pensar na vida é não pensar em nada Nada além de esperar que ela aconteça Hoje é outro dia E todo dia tem sido assim Dia de olhar a pluma passar flutuando Fazer bolhas de espuma, buscar borboletas De pensar nos medos que foram tolos Em outros que ainda são E deixar que eles cresçam Assim, que nem contar segredo ao beija-flor E mais uma vez fazer um pedido à estrela que cai Hoje é dia de ficar à toa, enquanto come o pão Fazer tocaia pra noite é o que nos resta Olhar entre as frestas dos olhos E esperar que outra estrela caia De pedir ao tempo que ele pare E aguardar que não seja atendido Porque ele não para Tomara, então, que seja bela a tarde Que o vento traga uma boa mensagem E que o coração esteja atento e a guarde Enviar um convite à propria alma Aguardar que ela apareça dasabroche e floresça Como a mais pura e bela verdade Aquela, pela qual se espera uma vida E que jamais se escuta, não pela sua ausência Pedir que permaneça e nunca mais nos deixe Quando o coração se nega a ouvi-la E não a procura A voz da alma se oculta A mão conserta o telhado Não deixa passar luz de lua Mas a verdade insistente Ela cresce entre os vãos da calçada Como um sonho de luz que valsa no céu na noite E prepara outro dia de acalmar o coração Pra tudo que a Deus pertence Deixa o tempo passar com a balsa Como a alma descalça na areia de algum lugar Não existe o mar do impossível Hoje é dia de quebrar telhados De espalhar as folhas Fazer bolhas de sabão pra botar poesia Sentar na calçada e dividir o pão dessa vida Podia ser hoje esse dia. Edson Ricardo Paiva.

⁠Bela era ela Poesia entre acordes Beleza que se beija
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⁠Bela era ela Poesia entre acordes Beleza que se beija Mordida que se deseja Ela morde Espinho que ardia Que ardia atrasado Era dor que era viva Como são vivas as saudades Como eram vivas As árvores em cujas sombras De mãos sujas estávamos Todo dia, na hora do almoço Onde a gente semeava Sementes de sonhos Que permaneciam Aguardando que lágrimas de tempo Viessem regá-las E era vida e morria Mas ficaram chaves escondidas Em meio a frases sem sentido Que nos vem nas falas, nos acertam Nos momentos em que a alma Te parece que deseja desertar Bela era ela Beleza que deseja ter por perto Como belo é o olhar Quando a gente só quer ver Sem medo de perder Nem prender e nem tocar Assim que nos pertence Por ter conquistado Pois o tempo vence a quase tudo No silêncio que se escuta O poder que se oculta Temeroso aliado Que luta em favor do outro lado É assim que nos parece Vida à toa Alegria que dói Dor da boa Amor que faz sentido Bela era ela Poesia que transforma a gente Em ser pensante No momento em que descobre O fruto da vivência O ser vivente Que devia sempre ter sido. Edson Ricardo Paiva.

⁠Se Deus me permitisse hoje Dirigir uma oração Eu a dedicaria a toda porta que se fechou
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⁠Se Deus me permitisse hoje Dirigir uma oração Eu a dedicaria a toda porta que se fechou Diria para a chuva que me molha só No fim da viagem perdida Às janelas onde eu olho e não vejo sorriso Eu diria que não preciso de nada disso Que a porta se feche e me deixe aqui fora Que a viagem se perca, porque ainda há todo um mundo E ele prossegue e segue em frente, muito após aquela cerca E que eu e a chuva estamos sós Mas que nunca estivemos sozinhos Porque ainda temos a nós E temos muitos lugares onde ir Temos os olhos do céu para olhar E tantas estrelas a quem confessar Dizer tudo que queria dizer Mas que jamais foi escrito Dizer que a estrada termina E que o lugar ao final do caminho era bonito Tinha toda uma primavera por lá Mas que eu não preciso de nada disso Eu tenho a chuva ainda Ontem ela veio de madrugada Veio assim, do nada E eu tenho o nada, ele traz coisas que são de verdade Coisas assim, tipo a chuva e a saudade Pois os olhos da noite, quando brilham no sereno São coisas que se encaixam nos meus sonhos Nos meus olhos tristes e sem viço Pois o fim da estrada ainda existe, ele está lá Mas ninguém precisa vir...esquece Não precisamos de nada disso. Edson Ricardo Paiva.

⁠Penso em amigos Aqueles desconhecidos Que nos são às vezes próximos
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⁠Penso em amigos Aqueles desconhecidos Que nos são às vezes próximos E que conhecemos mais que a nós Porque somos como as andorinhas Que não voam sós Mas só nós, que temos corações vazios Como os céus matinais, que são só azuis Azuis de tão vazios, frios, claros, sombrios Caros amigos distantes Que cruzam o céu do pensamento Como andorinhas que cruzam a azul por momentos Eu nem sabia que podiam voar tão alto assim Quem sabe a gente se encontre Lá no fim do caminho profundo Nos fundos desse claro infinito Vazio, infinito e azul crescente Num traço descendente e meridional Onde não existe espaço para o vazio da solidão Vidas tristes, amiúde Olhos rudes, apertados, mirando uma linha Eu não sabia que voassem tão alto Mas sempre atentei para o fato De, amigas ou não Jamais voarem sozinhas Quem sabe elas também não conheçam As amigas de jornada Mais que a si mesmas Sobre quem não sabem nada. Edson Ricardo Paiva.

⁠Pra que eu seja o autor da minha vida E se a vida fosse o meu almoço, que eu preciso preparar Como se eu tivesse uma panela de barro e só
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⁠Pra que eu seja o autor da minha vida E se a vida fosse o meu almoço, que eu preciso preparar Como se eu tivesse uma panela de barro e só Um jarro de água, apenas E muita paciência, em pequenas porções Viver qual se fosse um pássaro, um velho passarinho Asas cansadas Nada além de um breve canto Um leve pranto Nada de longas canções Um fino fio de luz de lua Talvez um tanto mais tênue Luz de estrela, que eu, na minha ingenuidade Nem perceberia a diferença ou quem me deu Pra que seja eu, autor da minha história Preciso lidar com a dor, a saudade e o cansaço, em pequenas porções E em grandes manhãs frientas Friorentas margens de rios Saber ser só, nas solidões que a vida traz E fazer disso sempre o meu melhor Jamais, jamais permitir Que o jarro se quebre Que a luz se apague Que um dia vazio se torne em vida vazia Ou que a dor e o cansaço me entreguem Me vençam, carreguem Sem que tenha sido eu O autor de toda essa balbúrdia. Edson Ricardo Paiva.

⁠A galinha que um dia conheceu a companhia da águia, sentir-se-á uma águia pelo resto da vida, mas a sua natureza sempre a conduzirá à companhia dos frangos e ali ela vai ciscar e cacarejar como galinha, pois foi o que o Divino prescreveu para os da sua laia. Edson Ricardo Paiva…
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⁠A galinha que um dia conheceu a companhia da águia, sentir-se-á uma águia pelo resto da vida, mas a sua natureza sempre a conduzirá à companhia dos frangos e ali ela vai ciscar e cacarejar como galinha, pois foi o que o Divino prescreveu para os da sua laia. Edson Ricardo Paiva.

⁠Eu não sei de nada Queria entender O que existe pra ser eterno
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⁠Eu não sei de nada Queria entender O que existe pra ser eterno Nunca é maior que uma nuvem Que a paisagem na lembrança Não, não entendo esta vida A alegria fingida de dia Da alma que acorda rasgada O olhar que se fecha e divaga Veneno cortante De flecha zunindo Esse ar que se rarefaz Senta, sente assim Cada gargalhada, cada passo O sereno cansaço Só pressa é quem cumpre a promessa Aquilo que destoa É coisa à toa que não vale a pena Resta a alma ensimesmada O chorar só pra si Seu sorriso às avessas A colheita da escolha fria Plena, pequena, perfeita, vazia. Edson Ricardo Paiva.

⁠Liberdade Andar descalço ao entardecer Caminhar no mesmo passo
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⁠Liberdade Andar descalço ao entardecer Caminhar no mesmo passo Içar a vela Perfume de outrora Hoje é pranto de estrelas Saudades são vagalumes E sorrir sem vontade Estrelas que brilham porque a luz mandou Te parecem ser bem mais felizes Navega perdida a verdade de agora Só o tempo é livre Arguto, ele passa sem te olhar Calçar os sapatos, pisar diferente Fui olhar a flor que foi bonita Na leveza do vento Como quem caminha lento agora Gruda na roupa da gente uma luz de garoa Uma gota a mais, transborda Acorda tua eterna vontade Não sabe de quê Qual canoa se afasta a vagar Essa estrada que se vive, ela tem fim Não se pode segurar o tempo, ele não fica Só que isso não significa Ao tempo que ele seja livre. Edson Ricardo Paiva.

⁠Como criança Você lança a pedra pro alto E ri de alegria incomum
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⁠Como criança Você lança a pedra pro alto E ri de alegria incomum Aquela que só tem quem desconhece Taca fogo na floresta imaginária E pula de felicidade e dança Dança como quem dança na chuva Chuva cai como uma pedra Apaga a chama da floresta Lança pro alto a fumaça Qual criança, desconhece a direção Deixa por conta dos ventos que levam palavras Elas vão como a fumaça O destino da pedra era o chão Quem sabe, uma vidraça Não te cabe a direção dos ventos Não se sabe a profundeza da lagoa Onde se lança a pedra a saltitar mil vezes As águas sempre se evaporam E as nuvens choram de comum tristeza. Edson Ricardo Paiva.

⁠A janela, que hoje range, ainda é a mesma Aquele arbusto, a jasmineira A pele, outrora...a pele
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⁠A janela, que hoje range, ainda é a mesma Aquele arbusto, a jasmineira A pele, outrora...a pele O músculo que espasma A hora, o tempo, a vida, o custo, a espera Era tudo um sonho, um som que vem Que nem se fosse um vento, um canto O pranto desses pássaros A pele que era tão...e que era tanto Pensamento vem de algum lugar Hoje parece ser tão longe quanto o é Ontem não era Ontem, uma ilusão Tanto faz se futuro ou passado Quando se aprende a olhar no escuro É triste, não existem corações assim, desertos Tanto faz se perto ou longe A janela ainda é a mesma, hoje ela range O Sol no céu não mudou nada Coração deserto, todo mundo aqui Se olhar de perto, olhar por dentro Por certo quase todo mundo ainda é igual É como olhar a capa, o livro, há muito o li A história ainda é a mesma, amarelada Mas a maneira de entendê-la, não. A janela, hoje pintada Imita outra, finge nova Mas o tempo limita, põe à prova, leva ao longe Tão longe quanto o é, quanto parece ser E a janela, outrora aquela, agora range. Edson Ricardo Paiva.

⁠Eu te prometo nunca mais Te prometer mais nada Vou te buscar detrás das nuvens
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⁠Eu te prometo nunca mais Te prometer mais nada Vou te buscar detrás das nuvens Causar-te pressa de voltar pra casa Motivo pra essa vida Eu te prometo: Nunca mais vou te fazer promessa Serei tua prece atendida Quero ser coisa boa e boba na tua vida Invisível, como a flor colhida Estar em cada pequena alegria Ser o começo e o fim do dia No pôr do sol, no recreio Na lembrança, o tudo que não volta Na saudade, o todo que não veio Porventura houvesse Em tudo eu recomeçaria Ser teu telhado, guarda-chuva, escudo Encabeçar a lista da melhor lembrança O suor que conquista Colocar você no escrito do poema E, se deixar-te Deixar-te algo bonito pra dizer de nós Estar naquele canto que ficou vazio em minha ausência No frio que virá veloz...sem pressa. Edson Ricardo Paiva.

⁠Quando ele voltar, depois da chuva Abra aquele litro de bebida Apele pro teu resto de bom senso
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⁠Quando ele voltar, depois da chuva Abra aquele litro de bebida Apele pro teu resto de bom senso Lá fora o mundo é grande e o frio, imenso Quando ele voltar, depois da vida Abra teu sorriso, porventura houver guardado Aquele desgastado, penso nunca, jamais visto Sequer por teu olhar sem amplitude Guarde teu orgulho costumeiro Esse, que acompanha a tua sombra o dia inteiro Descobre teu olhar de todo argueiro Se acaso sentir medo Feche as mãos, esconda os dedos Quando, então, se revelar detrás do espelho Donde há de voltar, depois de tanto tempo Um resto de lembrança, um traço de esperança Um espaço que estava vazio Outro pedaço de passado Cacos de vida lado a lado no presente Ilusão de tempo dilatado, embora inexistente Bem diante dos teus olhos, logo após o estio. No mesmíssimo lugar que se encontrava Antes da chuva. Edson Ricardo Paiva.

⁠O preço de todas as coisas Junta ao peso que elas tem O endereço concorrido
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⁠O preço de todas as coisas Junta ao peso que elas tem O endereço concorrido O quesito bem avaliado A altura da queda A palavra bela Esquecida, quando houvera de ser dita Era bonita, pena que deixou de lado! Como a espera impiedosa pelo trem Trem do tempo que passou Um pedido, o olhar perdido O fim da estrada que desaparece Nada, esquece, ele não vem É flor que brota e cai pra virar fruto É sombra na calçada Escombros de passado Nada, esquece, ninguém veio...o tempo vem E você, parado ali no meio do caminho Um doce amargo que ficou Deixando o gosto, a dor que não se sente Sentada no lugar vazio Um vago de recordação Hoje você diz palavra Pra depois saber que ela voltou pra responder O vento sopra o fim do mundo e volta Mesmo assim não desanime, não desista As flores vão caindo no caminho Deixam pistas pra saber voltar Voltar pra onde? Há sombras na calçada Cuja escuridão pelo deserto esconde O luar desaparece Resta sempre a estrada O preço, a medida, o peso que elas tem Fecha os olhos pra velar Sonhar teu sono, merecido sonho Esquece, ele não vem. Edson Ricardo Paiva.

⁠Não me alegra Nem me traz alento Chega e penso em me deixar
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⁠Não me alegra Nem me traz alento Chega e penso em me deixar Não que isso seja uma regra É só o preço da vida Me contento Tem dias que o pensamento carrega Tem dias que é o vento Sim, tem dias que venta ainda Não me alegra, nem me alenta Tem dias que arde o sol Noutros caem folhas E que a tarde cinza fica linda. Edson Ricardo Paiva.