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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

"Sempre será perdida Toda força despendida em vão Pra saber onde se quer chegar
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"Sempre será perdida Toda força despendida em vão Pra saber onde se quer chegar Não é preciso ir até lá Antes, aprenda a medir a distância" Edson Ricardo Paiva

Ainda não inventaram um jeito certo de sorrir nos momentos de tristeza Também não é fácil espantar a vontade
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Ainda não inventaram um jeito certo de sorrir nos momentos de tristeza Também não é fácil espantar a vontade de estar perto, quando a gente gosta Mas que a vida as insiste em pôr distante Um dia a gente entende que o melhor É tentar e tentar e tentar ... tentar até aprender ...a deixar ir Pois aquele que quiser permanecer Ainda que distante , tem saudade no peito E dá um jeito de mandar aviso a pedir pra não ser esquecida Pois não existe um jeito de viver a vida sem sorrir tristeza Mas viver de tristeza é arremedo de vida Pois felicidade é coisa sempre dividida Ser triste em segredo a gente não precisa Apenas viver é preciso. Edson Ricardo Paiva.

Agora eu sei Eu sei que falei demais Mas pensava que devia ter falado mais
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Agora eu sei Eu sei que falei demais Mas pensava que devia ter falado mais Agora eu sei que me calei Quando percebi que ninguém me ouvia E penso que o silêncio vai falar por mim Hoje eu ouço a voz do tempo Presente e distante e que jamais se esquece E entendo o quanto ele ensina E sempre termina as suas falas Que se tanto soubesse Teria me calado muito antes Pois, diante da insanidade A verdade um dia vem no vento Enquanto o tempo que há de trazê-la, impassível...apenas se cala. Edson Ricardo Paiva

Um amor com sentido. Eu quero um amor que me ame Um amor que não me amou
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Um amor com sentido. Eu quero um amor que me ame Um amor que não me amou Pois, a bem da verdade Não existiu, não ensinou-me amar Eu, por não saber o amor Não o sei dizer como é Eu quero que um amor me queira Sem saber que me quer Um amor que ame sem pensar Que chame meu nome De maneira inconsciente Que fique contente ao saber de mim Sem saber nada a meu respeito E que mesmo assim Esse amor me ame do mesmo jeito Que acorde com saudade Que se deite tarde da noite Feliz por saber que existo Triste por eu não estar por perto Um amor que espreite Atrás da grade da janela Esperando eu passar Tentando ser discreta Feliz por me amar E que não desperte suspeita Que ama Mas que ame sem medo E que tenha grata esperança em meu lugar Pois viver sem ser amado e nem querido É coisa que cansa, mas não mata Mas, em virtude dos amores ruins Que eu sei que existem nesse mundo E quando a gente pensa Num amor que sempre quis E sabe possível haver amor assim Meu espírito feliz, consente E é nesse momento Que a vida passa a fazer sentido. Edson Ricardo Paiva

Em seu trajeto pelo espaço O Universo revolve Abstrato e concreto
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Em seu trajeto pelo espaço O Universo revolve Abstrato e concreto Enquanto tudo se move O tempo muda as coisas de lugar Ou modifica as que permanecem Outono, as folhas caem Primavera, outras crescem Os raios de Sol e a água e outro ar Renovando promessas Os pássaros retornam de verões distantes Percebem no primeiro instante O viço da folhagem nova Tudo até parece igual Mas as flores recém-chegadas Se postas à prova e lhes fosse permitido algo dizer descreveriam essa euforia de reencontro Como sendo-lhes algo estranho e sem sentido Pois, a olhar para os mesmos pássaros À elas, não significa nada Simplesmente não os reconhecem. Pois é na sutileza inconteste do jeito que as coisas são Que se esconde a pureza do conhecimento Ter vivido a vida momento a momento No mais, tudo é sofisma É luz enganosa Que se decompõe Sob o prisma do menor confronto Universo em documento Eternamente pronto e aberto Peneirando eternamente Não se dobra a nenhuma vaidade Consolidando a verdade O resto é coisa que voa ao vento Bastaria pra nós O gesto de simples pensamento Mas a mera simplicidade É coisa que há muito tempo Foi relegada à espera, Perdida em meio a tantos outros compromissos Na esfera do esquecimento ela aguarda Enquanto bem poucos aprendem Que precisamos de menos disso Mas ao mesmo tempo Um pouco mais que isso. Edson Ricardo Paiva.

Pretenso Me assunto Disfarço
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Pretenso Me assunto Disfarço Faz de conta Que é verso Cismado Penso em por que será Que quando se gosta Não precisa Nem resposta Nem pergunta Quando não Somente se assunta Penso no fato da luz da Lua Bailar na lagoa Será Que a traduzir-se O lado inverso de modo a ser vista Em silêncio que ecoa Mais nada A Lua calada Respondeu Que era Pelo mesmo motivo do verso de maneira a falar consigo mesma Enquanto viva Porque No dia que todo mundo Tiver dentro do peito Um jeito profundo De entender o olhar Esse dia será o dia Em que nunca mais será preciso Escrever poesia. Edson Ricardo Paiva.

Pterodactilia. Era doença sem nome. Uma crença que não tinha um credo.
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Pterodactilia. Era doença sem nome. Uma crença que não tinha um credo. Era Deus a fazer poesia Daquelas que o tempo não leva Tão belas, que leva muito tempo Para lê-las todas Um meio-dia infinito Era um minuto na eternidade Mas o vento Sempre as levaria Pra lugar distante Pois, diante de força tamanha A existência do Universo É breve A verdadeira força do vento Se esconde No ato de soprar de leve E sem pressa Transformando A mais alta montanha Em algo leve Em algo que o vento leve Tão depressa quanto a vida Era a pterodactilia de Deus Doença de fazer Versos Poesias Universos Fazendo-as parecer Um pensamento esdrúxulo E em meio a tudo isso. Durante o correr de Eras Saber que era o mundo inteiro Alguma coisa que coubesse dentro de um cinzeiro E sobraria espaço Era somente questão de espera Outra parada em qualquer estação Escrito e previsto Que o começo e o fim Se encontram num lugar comum Num ângulo de trezentos e sessenta graus Vai e volta e se consome E assim bem e mal se vão Todo lugar é um lugar qualquer E qualquer lugar é lugar nenhum Aquilo que ontem era tudo Desaparece em movimento mudo Em questão de momento O vento leva Até mesmo o sinal de igualdade E tudo acaba Sendo eternamente igual Não se divide o invisível Em partes iguais Ponto final Nada mais. Edson Ricardo Paiva.

O mundo anda invisível Por isso é preciso cuidado Ao pisar no chão
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O mundo anda invisível Por isso é preciso cuidado Ao pisar no chão Não se sabe qual coração está lá A vida ainda é proibida Aos que desistem Antes de tentar Um milhão de vezes Por mais humilhante que seja A verdade é inatingível Quando simplesmente se vive no mundo Enquanto alguém o carrega A vida anda brava Com quem acredita ser a humildade Somente palavra bonita Assim o tempo passa E o vento leva A todo aquele que tanto pergunta Onde está A verdade Que pretensamente Pensa que esconde . Edson Ricardo Paiva.

Meu filho Raul. Não existe receita Ou resposta correta
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Meu filho Raul. Não existe receita Ou resposta correta Se essa precede à pergunta Nesta vida, sem saber-nos sós Ainda existe a voz alerta É como ser sozinho Enquanto no Universo Mas sentir a companhia Do amigo calado Oculto num canto qualquer de uma pequena sala E me fala que vale a pena Apesar de jamais Tê-la sorvido por completo Divido sem pressa contigo Essa bebida Que compõe a vida Sentir como o prazer do tempo Que fermenta o vinho Com alegria de amizade lenta Uma mesa no passeio Não se sabe a hora Nem se quer sabê-la A tarde toda versa Que a melhor conversa É quase sempre aquela Que se joga fora, quase toda A vida toda voa Quando pode Ser vivida à toa E se não pode Talvez eu possa então dizer O quanto a vida é boa E enquanto passar por ela Tenta olhá-la bela Procura só senti-la no descalço caminhar Longe do olhar sem sorriso Distante do veneno que destila Vida em silêncio Uma pequena vila Ninguém jamais Há de se ver sozinho Se amigos se tem E assim haverá todo dia Um tempo a mais de vida Saber-te a companhia atenta Com o prazer do tempo Que fermenta o vinho. Edson Ricardo Paiva.

Se você chegar lá Vai perceber a diferença Entre ter alguém
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Se você chegar lá Vai perceber a diferença Entre ter alguém Que lhe acompanhe com o olhar Até você sumir na curva, ou não E me contar se você viu O frio, a cara de riso Na tempestade negra que caiu E o momento em que foi preciso Fazer a exceção tornar-se regra São essas coisas assim Que tem o valor do que são Portanto, enquanto ainda houver Cura para os cortes...use! Porque Um laço de fita, um olhar Prende a alma pelo encanto Se você chegar lá, vai entender Que pra quem não sabe o que quer Tudo sempre se encaixa E qualquer coisa serve Mas que nada preenche a vida Pois a vida é breve Então, enquanto existir atalho Ao caminho da morte...recuse Pois, é sim, sempre possível Encontrar o que tanto procura E depois deitar tudo fora Quando você chegar lá Finalmente, vai saber A razão da lição que dizia Que um mais um, são dois E outras coisas que não sabia No dia em que descobrir Que o vazio Ocupa um espaço imenso Penso Que nesse momento Teus pés vão pisar no chão Pois, quando a alma apenas voa É sinal que viveu à toa E, que pena, voou em vão! Pois a visão era turva Se você chegar lá E descobrir Que ainda existe sorte...não abuse Tomara que tenha ao seu lado Alguém que te ame de verdade Te olhando, até sumir na curva Porque, se não existe igualdade Todo dia é do mesmo jeito E tudo é igual, tristemente. Pois é preciso ter amado de verdade Pra ter o direito a deixar saudade. Edson Ricardo Paiva.

Era estrada de caminho incerto Incerteza que andava por perto Andava, que...por ser caminho
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Era estrada de caminho incerto Incerteza que andava por perto Andava, que...por ser caminho Se chamava estrada Ao contrário, que se pressupõe Era sim, um caminho Mas era apenas ida Com pequenas diferenças Havia lances de escada Faces largas e falsos sorrisos de cara cansada Mais nada, além do preciso Havia chovido e ressecado E também de vez em quando Tinha gosto de pão amanhecido Com cor de aquarela Dependia da luz Vez em quando, desbotada E bela no instante seguinte Não falava nada E também não era bem ouvinte Era pressa, era espera Era uma fera Dessas, que parecem mansas Que nem gente velha de tão velha despertou pra vida Cuja experiência Convida a ser criança Parece até que não pensa Mas pensa Bem mais que se pensa E não se arrepende Parecia justiça Parecia que era Só não digo que era Porque era brasileira E não pendia pros lados Portanto, a chamo de estrada Por enquanto é tudo Mais nada. Edson Ricardo Paiva.

Amanheceu Eu já estava levantado Quando amanheceu
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Amanheceu Eu já estava levantado Quando amanheceu Minha vontade que amanhecesse Carregou meu sono O dono do lugar onde se fazem sonhos Andava triste comigo...e eu com ele Então eu fui para a janela E bem antes do amanhecer, amanheci Em pleno fim de madrugada Reparei Que o próprio Planeta Vênus Brilhava um brilho mais ou menos Alguma tristeza qualquer Tinha levado os seus sonhos também Penso que ninguém sabia Mas quando a estrela brilha mais bonito Está sonhando sonhos sem iguais A diferença É que quando amanhece Cá da Terra vemos O lugar onde nascem os dias Mas as estrelas, quando acordam Podem olhar para o infinito Um lugar Infinitamente mais bonito Que esse que a gente vê Mas naquele amanhecer Bem antes de o dia nascer As estrelas faziam questão De me mostrar que também me viam E eu tinha a nítida impressão Que me reconheciam Enquanto cresce essa distância A importância das coisas desimportantes Passa a importar diferente E é só nesse momento que se repara Que o mesmo Deus Que preparava o dia das folhas das correntes de vento das gentes que pensam lento dos algozes e dos pedintes Chegava antes no lugar E preparava o dia dos insones e das estrelas também de modo que, sendo invisível aos olhos de ver Amanhecia, do jeito que amanheceu E tanto as estrelas, quanto eu Debaixo daquele Céu, não via Por falta de olhar mais profundo Não via Mas todo mundo obedecia Pois não há como prender a noite Tampouco impedir o dia. Edson Ricardo Paiva.

Cada coisa em seu lugar Pois, cada qual tem seu tempo Somente a dor não tem par
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Cada coisa em seu lugar Pois, cada qual tem seu tempo Somente a dor não tem par Mas pro erro, há comparação A todo mal, seu lamento Lentamente A folha amarela no outono O plano antigo de viagem A chance de ir lá E ter como certo a miragem O vazio do deserto Anda propenso a estar por perto Penso, que apesar de imenso e frio É um lugar que não me cabe A própria vida que se sabe Uma ilusão Olhares pra além do horizonte Além de horizontes, verão Há, pra cada espera, o momento Cada flecha lançada, aflição Para todas escolhas, colheita A doçura do mel, talvez não Para toda falsa luz Existe a sombra da verdade E, pra toda liberdade, uma prisão O alento é na outra estação Quiça, cada luz tem seu Sol. À boca de meias-verdades Um ouvinte que se foi A batalha que você não vence Era sua e sequer lhe pertence Na página seguinte Todas as imagens belas Mas alheias A cada mar o seu vento E pra toda nau sincera Procela, escuridão, a vela sem direção À goteira, o telhado que não desabou O ás do baralho perdido O curinga que se esconde ao lado A palavra que faltou O desconto no mercado As fases da Lua Para a frase o ponto final. Nuances de uma mesma face A escada que ninguém galgou Estrada pouco iluminada O lugar da partida, o adeus No cume de qualquer montanha Há o início da descida No passado de qualquer memória Vaga lento um vaga-lume Num canto esquecido, uma noite qualquer Mas o tempo vai trazer dezembros Para tantos janeiros quanto houver. Edson Ricardo Paiva.

Não tive medo da vida Pois quando aprendi O sentido da palavra medo
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Não tive medo da vida Pois quando aprendi O sentido da palavra medo Eu estava muito ocupado Vencendo todas as dificuldades Que, por si só Teriam destruído a vida de muitos Não tive tempo de sentir medo Pois o tempo não parou pra isso Nem busquei uma causa, razão e nem motivo e nem sentido A vida passou tão depressa Que só nesta fase da vida É que me ocorre o pensamento Do quanto teria sido inútil Ter tido o medo que quase senti Pois a vida não parou pra ser perfeita Por isso foi sendo refeita todo dia Qual fosse um castelo de areia Quando a gente tenta e tenta E não tem por onde Pois quando não venta forte Vem sempre uma onda De modo que no fim da tarde A gente percebe Que nem tudo está perdido Há uma palavra escondida no vento O tempo, sem pressa ensina Que a beleza das coisas São como promessas, escritas na areia Mas quando a gente tanto insiste Em tentar fazê-las Aprende a fazer desenhos Nas estrelas que o Céu ponteiam Por isso não tenho medo e também não me sinto triste Existem mais delas no firmamento do que todas as areias sem firmeza Que o vento, sem dó Carrega por entre os dedos Talvez, por não ter sentido medo É que descobri O sentido da palavra vida. Edson Ricardo Paiva.

Se Deus te permitir esquecer esqueça-se do sofrimento que te causaram e sempre que perceber que
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Se Deus te permitir esquecer esqueça-se do sofrimento que te causaram e sempre que perceber que lhe foi permitido crescer faça como as plantas e cresça em direção à luz quando te pedirem que fale se não puder falar bem então se cale quando te perceberes que lhe é dado o direito ao silêncio aproveite para refletir raciocine sobre o quão é bom não ter a função de acusar, selecionar, praguejar e maldizer quando te for permitido ler leia de tudo, aproveite o que for bom assim você vai aprender a afastar teus ouvidos daquilo que não vale à pena ouvir e tua boca aprenderá o quanto é bom dizer coisas que resultem coisas boas porque não existem palavras que se pode dizer à toa não se compra sabedoria inteligência é como as flores que se colhe no dia-a-dia pense em quanto é bom poder fazer o mal e não fazê-lo Com a medida que permitires também lhe será permitido. Edson Ricardo Paiva

Mas, por que é que será Que há sempre regras a seguir Desde criança
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Mas, por que é que será Que há sempre regras a seguir Desde criança Eu tinha hora de querer ou não E me mandaram descer da árvore E jamais subir no muro Gostar da dança em que não via graça E tinha hora de dormir No quarto escuro Tela em branco A vertente de estrela Era o fogo do Sol O fato é que Atlas Mais forte que eu Obedecia E sempre havia Uma vela apagada Capela Uma destreza felina No inferno, onde há caça É triste Mas de fato existe Um prazo pra folha cair A nuvem tapa o Sol Mas a luz não se vai Nem antecede a hora marcada E em cada recinto que pisei Alguém queria sempre ser o rei Em cada lugar Tinha veneno Que vinha de bicho ou de folha ...Mas tinha e tanto mal fazia A cada qual Conforme a imprópria natureza Era o mal sentado à mesa Muitas vezes no lugar ao lado Conforme gira o mundo Há uma vaga ideia de que o mundo gira São coisas que a gente ouve Não escuta E pensa que entendeu Mas é esperto o suficiente pra mudar E parar o tempo e fazer melhor Pois podia voar triunfante E ir mais adiante que qualquer condor Não há nada que se achegue perto disso E tinha uma vontade Bem maior que a correnteza Não havia espera e nem tempo A fera no fundo do rio Não pensa E eu pensei Que pensava melhor do que ela Até que numa bela tarde...a folha cai E o veneno destilado, do lugar ao lado Faz a gente olhar a vida de maneira diferente. Edson Ricardo Paiva.

De vez em quando Eu ouço o som de uma voz Que, amiúde, diz algo de bom
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De vez em quando Eu ouço o som de uma voz Que, amiúde, diz algo de bom Quis Deus, que essa voz Em algum momento Não viesse de um passarinho Do vento, da prece Nem de um ninho qualquer Que vazio estivesse Uma prece fria, uma ladainha Qualquer resposta imaginada Palavras que de minhas, não tinham nada Estas Pra meu bem, vem de mim Pois Quando aquele que fala É o coração da gente Você pode até pensar em fugir Mas nunca as esquece Assim, eu posso me sentir perdido E sem medo Hoje eu sei que há lugares ruins Com vasos de flores na janela E brisa de ar de alecrim Onde cada sorriso Tem um prazo de validade E o endereço de destino Passa longe da rua que eu moro O segredo, pra ficar distante É que a gente pensa em nem pensar Na tristeza que basta lembrar Pra não querer Descobrir em qual lugar se esconde A boa porção da semente que não germinou Qual se fosse a luz da Lua Refletida, mas no fundo da lagoa Existe um tempo de espera Um bilhete de viagem Estar no mundo e na vida Numa breve estadia Mas que não mera passagem E parado, ali na plataforma A maneira de enxergar a vida Se desmonta e se reforma Assim se renova Uma espécie de medo Se apossa da alma Bem de leve Perceber, que apesar de tudo Sequer por um segundo Ninguém nunca está sozinho E nem perdido Acontece com qualquer criança Em algum lugar escuro Da floresta encantada da vida Brincar de esconder de si mesmo Pra poder se buscar É preciso um olhar mais profundo Que só tem Aqueles corações Que são bem simples Despidos De tanta oração complicada Bonita e bem elaborada, Da ilusão fingida e triste Que a maldade deste mundo ensina E que no fim ... não leva a nada. Edson Ricardo Paiva.

Não Eu não estive em todos os lugares
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Não Eu não estive em todos os lugares E também não gostaria de estar ou de ter estado Não Eu nem posso dizer Que vi todas as cores Há dias que desconheço Quantas existem Não Eu não vivi Nem todas as tristezas E nem todas as alegrias que o mundo tem Há dias que me sinto bem E tem dias que estou bem triste Não Eu não vivi a vida de mais ninguém Além da minha Vivi da maneira que eu pude Dispondo das coisas que eu tinha Nuns dias eu via calor e janelas fechadas Nuns dias a chuva ameaçava E no outro ela vinha Não Eu não tomei todas as chuvas E nem ouvi a todas as negativas Eu tive uma vida e vi flores vivas Eu tive um pião, uma trave de gol, uma lata de linha Eu tive um emprego e amigos e amor Escrevi poesia, aprendi violão Eu tive família; pais, irmãs, irmãos Brinquei de formiguinha na barriga de uma filha Esperei a sorte que vem e ela não vinha No meio do dia A morte que nunca esperei E no fim ela veio Tão singela quanto a vida E na hora da partida um pensamento Este mundo tem muitas vidas E tem gente que as quer viver muitas Não A minha não foi a melhor Mas foi uma só E eu só vivi a minha. Edson Ricardo Paiva.

Hoje Pensei que fosse por acidente
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Hoje Pensei que fosse por acidente Pois encontrei-me comigo Achei que era sorte Pois era aquele lado de mim Que era amigo E que eu nem percebia Que tinha deixado saudade Mas como o acaso inexiste Cheguei a sentir-me um tanto triste Quando percebi Que ele esteve sempre aqui E era eu Que tinha me afastado De mim mesmo Acontece Que isso acontece Muito mais do que se pensa Mas o tempo passa depressa E um dia, de repente A gente deixa de perceber Que existe sim, diferença Entre viver somente E viver E querer estar comigo Gostar de mim Assim, do jeito que eu era Imperfeito, assim como sou ainda Porém um tanto mais vivido Pois, não existe Ninguém neste mundo Mais indicado que eu E esse meu lado que gosta de mim Pra poder me aconselhar Nas horas que pensar em ficar triste E agora Vou estar comigo Até o fim Só não sei por que foi que eu permiti Que a vida toda Não tenha sido assim. Edson Ricardo Paiva.