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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Olhar o mundo Pelos vidros da janela Em vez de ir lá e ver
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Olhar o mundo Pelos vidros da janela Em vez de ir lá e ver E depois, quando a garoa estia Dizer que durante a tempestade Mil relâmpagos havia E os via de dois em dois Ilusão tão ranzinza Num céu pra lá de cinza Sonhar outra vida Refutar à própria estrada Não chegou a nada E perdeu a chance de ser A pessoa que era Chorou, na chegada no outono O riso que fingiu na primavera E nem era preciso Você tira o canto ao pássaro A impor-lhe uma vida de espera Um cântaro vazio Água fria não há Mas tem sempre uma nascente oculta Num lugar qualquer da poesia O poeta a busca Enquanto o pássaro a pranteia Volta e meia se confundem A escuridão revela Claridade ofusca Patéticos detalhes Arquétipos pra lá de tolos Os ares ao redor de Éolo Serão sopros de ideias novas Sempre as velhas mesmas Resultando em nada Estrelas no céu Manto estampado Um oceano em baixo Pode ser que ao lado Fronteiras do mundo Simplesmente areia Ilusão que germina a semente Tão astuta era a promessa Que resulta morta O caminho era torto Perde a luta e teu melhor da vida Criança de braços abertos Tropeça Com pressa de abraçar o mundo Abraça o chão Simplesmente ilusão E chora, até que percebe Que teria sido um tanto bom O tom do sustenido inverso Ter nascido um simples grão de areia Viajar por entre versos E passear por todas as esferas Estrelas, quasares, grupos de Planetas Tão bonito e imenso Céu Atravessar a vida Na garupa de um cometa Entoar, de carona Um murmúrio inaudível E segue a eternidade Cantando a milhões de Universos Edson Ricardo Paiva.

Sobre o Sol que nos encobre Hoje eu queria saber Que será que ele sabia
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Sobre o Sol que nos encobre Hoje eu queria saber Que será que ele sabia Estarmos nós aqui Ou será que ele só alumia Sem sequer imaginar Sobre a poesia que nos inspira A luz derramada Por sobre os nossos dias Os caminhos da vida E os desalinhos das trilhas E, que apesar de tanta luz Não sabia de nada Somos nós, tão pequenos Que apenas nos cabe viver Sem nunca...jamais conhecer O tamanho do alcance das suas vistas É tão estranho Ver o Sol lá no Céu, todo dia E não saber Que será Que ele brilhava tanto A buscar companhia E no entanto Solidão era só o que sentia. Edson Ricardo Paiva.

Mar Nada mais Que deserto
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Mar Nada mais Que deserto Apesar de tudo que a gente pensa A única diferença Entre Mar e deserto é a água e a sua ausência Tudo mais é Sol por cima há vida por sob ambos e dispersos caminhantes Tudo mais Assim como era antes Compara-se a isso A única diferença É estarmos atentos ou não No momento certo A própria vida Ilusão concreta Algo errado Que deu certo ou não Tudo mais é atravessar O Mar Deserto Solidão! Edson Ricardo Paiva.

Eu tenho uma esperança Que eu trouxe de lá Do lugar de onde eu venho
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Eu tenho uma esperança Que eu trouxe de lá Do lugar de onde eu venho Era lá nesse lugar Que todas elas nasciam Bonitas como Luas Refletidas no espelho dos lagos Eu a trago de lá Porque lá elas eram doces Essa é a minha Muita gente as perdeu Mas não eu Que também não troquei por nada Cada qual, conforme a vida Não faz mal Se alguém tiver outra igual Pode ser que parecida Elas podem sempre Ser divididas ou compartilhadas Mas quando são perdidas Sobra pouco tempo Pra que não sobre mais nada Por isso eu escondo essa minha Lá dentro do meu coração Junto da alma Perto da vida Pra que nunca seja confundida Com algo que se deixa ficar Naquela triste escuridão Onde perto não cresce nada Um lugar deserto Chamado ilusão. Edson Ricardo Paiva. .

Ao longo de todo o percurso Há coisas
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Ao longo de todo o percurso Há coisas que se movem Tão devagar Quanto a ferrugem Mas o curso de tudo As cores da luz O ar, o vapor A percepção de que um dia pode voltar A doer A dor que nem mais doía Esteja ela onde estiver No movimento calado A paisagem desbota O lento acinzentar das folhas No voltar atrás O pranto que brota Na incerteza, as escolhas A beleza, o declínio Nem se nota O fascínio que não mais exerce A quase ausência de pressa Nessa fase da existência A tocha nas mãos do Sol A graça do tanto faz Fragmentos de rocha Calçamentos de estrada Um muro, o quintal As roupas secando no escuro O varal Até mesmo o número três Nem sempre se encontra Tampouco se os acha Depois do número dois Pois esse não volta mais Quando o nada é tanta coisa Pelo menos uma vez há de se ver Assombrações na madrugada A graça da vida Tempestuosa, no breu na noite Procura Tudo passa No curso das águas Move pedras profundas Pra que essas um dia Se confundam Com aquelas que o Sol rachou O tempo, que resfria o próprio Sol O encontro da noite com o dia Solidão da madrugada fria Até que se quede o Céu. Mas, tem coisas Que não há de se ver jamais Nem no fim Por que é que será Que tem coisas na vida Que pra sempre serão assim? Edson Ricardo Paiva.

Hoje eu fiz café E desfiz a amizade da saudade que eu sentia
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Hoje eu fiz café E desfiz a amizade da saudade que eu sentia de mim mesmo Parece a semana passada Mas faz muito tempo... Eu sentia um perfume Que até hoje eu não sei ao certo A vida não era Um caminho de estrelas A vida era o nada Onde a trilha era delas Meus pés vão pisando outro chão Onde o brilho são vagalumes Hoje eu fiz café só pra mim Hoje eu vi que tinha Borboletas coloridas Bordadas Na única xícara que não quebrou A vida ilude Mas não faz feliz Acordo outra vez Agora não sou mais Um menino de giz Desenhado num muro Novamente me vi de pé Transbordando o café na pia Acordo de novo Dessa vez No mesmo dia Percebo que nunca mais Quero estar perdido O poema de hoje Ainda nem foi escrito O dia de ontem Escurece no esquecimento Borboleta que pousa na minha mão Minha única xícara Linda... e última vida. Edson Ricardo Paiva.

Há sinais, que sós A se deixar ficar Pelos caminhos vão
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Há sinais, que sós A se deixar ficar Pelos caminhos vão A vida foram promessas Essas Foram quebradas Muitas Antes mesmo de ser prometidas Mas somente a parte Que me foi cabida É igual mirar o Sol Pra não ver sombras O mundo equilibrado Num barbante Que no instante seguinte Não parece forte Difícil saber Que desde o princípio Essa previsível ausência de força e de norte Não podia ser sabida A verdadeira escuridão Que é viva e só no pensamento E cega tanto quanto a luz do Sol Há sinais Que vemos Se estamos sós E sinais que não se lê Sigo sozinho e sei somente Impossível Buscar em nenhum horizonte A fonte de luz Que poderá satisfazer Plenamente O monte de escuridão Dentro nascida Lento é o movimento A palavra Que não quer E nem pode ser ouvida agora Espera e depois ela volta Um dia O silêncio que se fez forçado Há de iluminar mais claro e alto do que todas as palavras juntas ouvidas ao longo da vida Toda escuridão Que nasce dentro É fera Que corrói o tempo e dói a alma de forma Que um dia, lá no futuro A voz que vem do escuro desespera e por isso ela grita. Edson Ricardo Paiva.

Lindas flores de papel colorido Mas a gente lhes dá
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Lindas flores de papel colorido Mas a gente lhes dá O aroma que melhor nos aprouver E coloca um Céu ao fundo E põe olhos no Céu Olhando pro mundo E depois a gente vive. Quando alguém discordar Me perdoe É que tem horas que não me contenho E hoje é uma dessas horas Portanto, eu não me contive Pois ainda há flores de verdade E dias que passam de dois em dois Tenho lembranças de muitos Como céus refletidos no mar Onde se vê vários Sóis Em um oceano de papel Uma lua apagadinha, ali do lado Ruas pelas quais Nunca mais nós passamos Palavras que não dizemos São pedras que submergiram E os desenhos Que criamos em linhas curvas Enquanto uma cor se turva Outra dor sempre vinha Nada mais do que panos de fundo E fazíamos planos Ganhamos o mundo Desenhando a vida Antes que o fogo do Sol Lhes traga o calor, que as apaga Toda cor haverá de desbotar-se completamente O que fica é a lembrança Que haverá ser lembrada Depois do apagar do Sol E esse dia, na eternidade Terá pra gente A qualidade de ser O todo que existe Mesmo que tristemente Pra gente não tiver mais nada Além de outro dia vivido Onde alguém vai plantar de novo Lindas flores de papel colorido. Edson Ricardo Paiva.

Eu me perdi Faz tempo que eu ando Perdido na vida
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Eu me perdi Faz tempo que eu ando Perdido na vida Não me sinto culpado Este mundo é um grande labirinto Portanto, estamos perdidos Sem saber que o melhor que fizemos Foi o fato de não termos lido O aviso que havia na entrada Dizendo que poucos de nós Vão querer encontrar a saída Mas um dia, a saída nos encontra, isso é fato Contra o qual, ninguém pode fazer nada Mas há sempre a opção De deixar uma boa risada Apagando o ruido da dúvida Que essa vida tem fim Mas que nada foi perdido à toa. Edson Ricardo Paiva.

Eu não sei escrever poesia bonita Como as fazem os poetas
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Eu não sei escrever poesia bonita Como as fazem os poetas Mas a minha é sincera Tão fingida e mais mentirosa Que as deles Do jeito que se espera Quando se lê poesia Um pouco de versos Um dedo de prosa E inverdades Das quais lanço mão No formato de poesia Deixo-as aqui Pra não usá-las no meu dia-a-dia Diferente dessa gente Que traz na ponta da língua comprida E não tem paz na vida Se não conta. Edson Ricardo Paiva.

Se estas palavras ao Céu chegassem E um desejo Deus consentisse Eu pediria que os olhos dela
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Se estas palavras ao Céu chegassem E um desejo Deus consentisse Eu pediria que os olhos dela Meu olhar com seus olhos visse Desejaria que me quisesse Aquela: Linda, única e bela. Se minhas palavras a ela chegarem E seus olhos me procurarem Eu direi pra esta mulher Meus olhos só teus serão Se você quiser Edson Ricardo Paiva.

Lições. Eram coisas que brilhavam Pendiam da luz que vinha do alto
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Lições. Eram coisas que brilhavam Pendiam da luz que vinha do alto Eram brotos, eram sementes Espalhadas pelo chão Eram pedras à beira-mar desde que o mundo era mundo Eram folhas mortas Eram gotas de chuva Eram pássaros nos galhos Havia também estradas Idas e voltas Atalhos Eram ponteiros que giravam A vida tiquetaqueou cada segundo Eram coisas sem brilho também Era avô, era pai, era filho Era amor, era odor, era trem, era trilho À espera do que não vinha Mas que de tanto esperar Também veio Mas não tinha ninguém à porta Era só diversão e passeio Não havia tempo pra aprender A lição das estrelas distante demais para vê-las Tampouco das folhas mortas Que outro dia eram só sementes As pedras caladas e ausentes Os Pássaros cantantes Tamém não diziam nada Os caminhos também já não podem Levar aos lugares que conduziam Era tanta lição para ser aprendida Eram coisas caladas Que estavam ali, somente pra serem vistas Era tanto tempo A ser preenchido à toa Que não dava tempo E a boa lição desta vida Não pode mais Ser aprendida Por aqueles que tudo já sabem E que vão dormir infelizes no final do dia Suplicando aos seus deuses Que as estrelas desabem do Céu E que a todas elas Esmaguem. Edson Ricardo Paiva.

Questão de aparência. A maior dificuldade É o segredo que costura
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Questão de aparência. A maior dificuldade É o segredo que costura Pedaço de linho branco Um falso nó Que nenhum de nós desata A palavra esperança escrita A medida do punho Um traço que mal se apagou A maldade que cresce oculta Um rascunho de abraço Questão de aparência A lição de vida Que o tempo arrastou A indevida atenção dispensada Como se fosse O caso de nunca mais pensar em nada Importância O espinho edifica A leveza da flor machuca Pois fere a alma Qual fera louca A palavra dita Se multiplica Uma a uma Desencaminha Um laço de fita Mera ilusão Era venda aos olhos Uma ida ao portão Mais espera Outra carta, o correio A alma que lhe era cara Um dia foi posta à venda Assim se deu A cabeça a quebrar mil vezes Resposta escondida O Universo se expande Um dia uma solução Que finalmente te procura O lugar onde eu tentei chegar Era vazio Imensamente despovoado Denso e muito frio. É questão de aparência Uma venda aos olhos Se chove, melhor me molhar Me molho O resto de vida Pra ser vivido amanhã Pra sempre será perdido. Edson Ricardo Paiva

Não fico triste Por não voar como os pássaros E nem nadar como peixe
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Não fico triste Por não voar como os pássaros E nem nadar como peixe Penso Imagino-me voando Pertinho das estrelas Deixo-me tornar todas elas Em estrelas-do-mar No mais profundo oceano E vou lá Pois os pássaros e os peixes Não querem ser quem eu sou Compreendo Que as pessoas Encontram-se perdidas Pois estão Mas, em segredo Resta a mim Meu medo Pássaros e peixes Não tem noção Do ar e nem do mar Tampouco sua finitude Minha atitude perante a vida É prosseguir vivendo Sendo a mim mesmo sempre Enquanto as pessoas Não aceitaram ainda A condenação Nem mesmo De vez em quando Serem somente a si mesmas. E são pássaros sem penas Peixes sem olhos Gente sem nada Olhando a vida lá do alto Sentadas em brancas estrelas De onde caem toda manhã E dão com a cara no asfalto Assim que amanhece o dia Enquanto isso Eu dormia. Edson Ricardo Paiva.

Hoje Eu gosto de saber O quanto é curta a vida
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Hoje Eu gosto de saber O quanto é curta a vida Longe Encosto meus ouvidos Na parte estreita Escondida nas dobras do tempo Pois o tempo sim, se curva Estronda uma trova Um dobrado Apito de trem Um grito que me vem do outro lado Prova Que apesar de ser Curta a vida A vasta estrada continua Basta saber O túnel Que deve ser atravessado depois da próxima curva Onde existe um rio de águas turvas Ou uma linda alameda Que culmina Em límpida queda d'água e envereda Noutra estrada Esta, bem colorida Onde se vive Pro resto d'outra vida. Edson Ricardo Paiva.

Quando Deus põe a gente no mundo Tem junto
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Quando Deus põe a gente no mundo Tem junto Uma coisa latente Semente de coisa boa, muito Que Deus bota dentro da gente Se ela seca...ou se brota Num primeiro momento Normalmente nem se nota Mas ninguém nunca vai poder Dizer que secou a toa Quando o solo era de areia Não foi nem pra bem, nem pra mal. Com o alforge repleto de almas E algibeira de sementes Deus semeia uma tarde inteira Mas, quando a alma endurece Pelo solo empobrecido Ainda é bom pra plantar a saudade de coisa que veio na vida e por não ser a hora Passou depercebida E agora te desconhece Merecidamente A vida passa Depressa como a chuva Não existe ação prolongada A culpa nunca é de ninguém Nem nada Se foi no passo que veio E no meio desse espaço O tempo as germina Lágrimas secas Não molham sementes Caem somente Assim como secam as folhas Todos colhem Conforme as escolhas. Edson Ricardo Paiva.

Um rosto desconhecido A se olhar no espelho pela manhã Perguntou para a eternidade
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Um rosto desconhecido A se olhar no espelho pela manhã Perguntou para a eternidade Quem foi que conferiu Essa autoridade, tão limitada Pra que o espelho refletisse apenas Algumas formas ainda perfeitas E aquelas imperfeições tão pequenas Coisas que não dizem nada Sobre aquele rosto que fitava a própria imagem Será que o segredo da vida Era saber ornar ou diferir A imagem refletida da persona daquela alma Escondida na calma ou na ausência desta E que se faz a presença mais constante Em cada momento da vida Se um dia, nesta longa eternidade Inventarem espelho que reflita Não a imagem que se acredita, pois esta é bobagem Mas a figura real e sem igual de quem se é Pois seu medo era saber Que se um dia não lhe for mais possível Ocultar ao mundo os seus segredos O que será que lhe resta? Edson Ricardo Paiva.

Chega um dia na vida Que a medida de tudo Muda
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Chega um dia na vida Que a medida de tudo Muda A passagem do tempo E a contagem das horas Dinheiro contado O Relógio emudece Cresce a escuridão Escurece E tudo é medido Pela altura Nessa altura da vida É que se descobre Descobri Que eu não sou quem eu era Eu morri Faleci de esperar O dia que não veio Morri de tanta espera Bem no meio da vida Esperei por ela Parado Bem no meio do passeio Um arranjo de flores Hoje, em meio a essas dores Não sei se era pra mim Ou se pra ela Minha causa mortis Desnuda Fingindo vestida Foi vida De todo despojada Minha vida me matou Enquanto a vivia Triste a morri E a vida seguia Morri de vida Sem rumo Sem prumo e nem norte Eu morri uma morte linda de morte despercebida Enquanto a vivia ainda. Edson Ricardo Paiva.

Perdidos no tempo e no espaço Só reflexos de espelho A água evapora
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Perdidos no tempo e no espaço Só reflexos de espelho A água evapora A nuvem cresce Uma nova notícia na porta de casa Só agora se sabe do prazo Apesar do tempo ter asas Não voa e jamais envelhece O que destoa é viajar com ele E nunca mudar em nada Sempre aquela vibração tão boa da cadência do som Em que soam as cordas do tempo Momento a momento Um dia a gente, que estava à toa Fatalmente acorda E percebe que o tempo envelhece Friamente, a cara do espelho A nuvem de chuva caiu Fim de tarde Horizonte vermelho Abelhas rainhas Foram minhas todas elas O Sol se põe por trás dos montes de notícias Que batiam-me à porta Eu lia o jornal Mas jamais atentei pro resumo MIsturado e torto O compromisso era comigo Meu abrigo, meu rumo Não ligo e não brigo Nem tenho nada com isso Assim me acostumo A olhar Ver cara do tempo A cada vez que eu o olho mais moço E sem nenhum alarde Conforme convém-me devido a ser tão tarde Agora Sabê-lo antigo Molhar-me na chuva Minha única amiga Até que o próprio espelho Que muda, qual cor do cabelo E sem reclamar pra ninguém Finalmente acatar-lhe Assim como eu faço Os conselhos, de vez em quando Tendo, enfim, me encontrado No espaço e no tempo. Edson Ricardo Paiva.

Nobre formiga Muito cedo eu me acordei E dei de cara com ela
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Nobre formiga Muito cedo eu me acordei E dei de cara com ela Em sua eterna labuta Inutil briga perdida Por vida Que não lhe pertence Não liga pra quem a perde e tampouco também lhe importa Quem vence Só luta Tal modo, tão desprendida Quão desprovida de nada Que quase que me convence a tentar imitá-la Pobre cigarra Se agarra a um sopro de vida No galho da rama amarga Vida afora se lastima Em formato de canção Pequena oração que não rima E às vezes se cala Até secar-lhe o coração Pouco lhe importa Quem colhe...ou quem planta Só canta sua curta existência Pra depois quedar, desarvorada Acercada ao meu quintal Onde a pequena rosa Não tece e nem fia desafia o mundo e a sua lógica Num trágico colorido Que aflora, monocromático E de forma um tanto imprecisa Quando é manhã Meu triste olhar ela alisa Prepara-me as vistas Pr'outro longo dia Sorumbático e sem conquistas Tanto faz se as tive ou não tive No tempo, hoje automático Por pouco que não me contive A tentar procurá-la Num lugar onde não se a encontra Nada se parte, nada se fica Se possível, um tanto assim de arte Não me importa se ela é ruim Fraco sopro de vida que assim corre em mim Um dia ainda há de ser boa Enfim, sei que hoje é outro dia de vida a viver-se à toa. Edson Ricardo Paiva.

Eu gosto mesmo é de ser criança Subir-me num pé de sonhos Me arvorar no galho mais alto
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Eu gosto mesmo é de ser criança Subir-me num pé de sonhos Me arvorar no galho mais alto E imaginar que esses anos passados Foram só devaneios de infância E que vou descer de lá No meio de algum quintal que existe ainda Pode ser naquela linda hora triste Em que a mãe mandava ir tomar banho E banhar-me de toda malícia Dessa astúcia adquirida Nas feridas que a vida trouxe Enquanto a vida não tirou-me ainda da mente essa doce lembrança E de novo encher-me de sonhos Criança nasce de novo, todo dia E no dia que não mais for assim Não é mais infância. Criança deseja, sim Ter aquilo que não tem Mas, se não tiver, nem liga Criança não é mulher e nem homem Criança é criança Come o que todos comem Mas na hora de sonhar Ninguém sonha melhor do que ela Aquela briga boba pela vida Ainda não lhe pertence Tanto faz, quem vence ou quem vence Pensa assim...e assim todos vencem Criança tem paz, sorri para a vida Não faz mal se a vida não sorri de volta São tudo coisas da vida E nada que a vida fizer A convence a desistir de nada Criança volta pra casa Vencedora e satisfeita, todo dia As dores de hoje Não vão mais doer amanhã Criança não tem Cicatrizes na alma Hoje, por maior seja A calma com que eu desça Do galho do pé de sonhos Os velhos pés sentem dor Pior é a dor de não saber Se hoje o meu sonho maior É o sonho de eu Nunca mais subir lá ou de lá Nunca mais eu descer. Edson Ricardo Paiva.

É tarde de mês de novembro É tarde de ventania É dia de chuva
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É tarde de mês de novembro É tarde de ventania É dia de chuva A chuva é de vento Não existe Mar à vista Nenhum continente pra conquistar Não há Mar pra eu andar sobre as águas Não é tarde de conquista Ela é só mais uma tarde de novembro Eu nem me lembro quantas vezes vivi Ou quantos meses eu vi este ano Nesta tarde planejo Molhar-me na chuva Troveja E eu vejo pela janela O vento carregando aquela nuvem Pra distante E antes que chova Novamente o Sol arde no Céu Como há muito esse Céu não ardia Malogrando meus planos Num dia de tarde de mês de novembro Era chuva de vento E lentamente o meu banho de chuva Outra vez se distancia Numa tarde de Sol de outro mês de novembro. Edson Ricardo Paiva.