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Frases de Carlos Humberto Pena

73 frases

Sobre a Distância e Outras Coisas todos os dias morrem em mim infinitas estações veladas em um templo transparente e quebradiço
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Sobre a Distância e Outras Coisas todos os dias morrem em mim infinitas estações veladas em um templo transparente e quebradiço de ausência entre os segundos e todas as horas há um certo terror pelos cálices que não te calam e pelos beijos que não te banham os lábios não acredita em distância o pássaro que voa alto e nós também voamos alto, só que pra dentro e igualmente fizemos da leveza libertação mas deixe o pássaro, o passado e esqueça tudo ainda longe posso acender a vela do teu coração e reconhecer teu olhar descalço a intensidade da voz e o calor da alma e dizer bem suavemente em teu ouvido que eu atravessei essa ponte em oração sim, veio a destempo e passo a passo hoje, tudo de ontem ficou sem graça incendiou a casa, me empurrou do penhasco rasgou as palavras pra falar em silêncio sem artifício ou prenúncio agora, percorrem minhas veias espaços sem retas - me moldei em suas curvas - sem dilemas e restos apenas lembranças florescidas em pequenos detalhes um afago adequado, um assanho ousado o próprio despudor, tomado de assalto e o amor, vestido de salto

Daqui de Cima Daqui de cima te vejo com clareza: ansiedade e desenvoltura.
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Daqui de Cima Daqui de cima te vejo com clareza: ansiedade e desenvoltura. Você está linda e sorri como uma criança feliz. Daqui de cima seu olhar parece mais atento, parece buscar a aventura sem perder o momento, como os olhos de um predador. Daqui de cima tudo parece estar em um movimento sincronizado: tudo se encontra e se despede sem receio ou dor. Há uma dose de justiça em cada queda e uma força incansável que faz recomeçar. Daqui de cima vejo o caminho e ouço uma doce canção que enternece meu coração. Daqui de cima até o ataque fatal de um crocodilo é bonito, assim como é tênue a dor da presa. Daqui de cima, sobre a névoa turva que cobria meus ombros e me cegava, a vida encontra seu lugar através de pequenos gestos de amor e caridade, que ecoam como uma prece que se faz em silêncio. Daqui de cima eu te vejo e te cuido e te aguardo serenamente, para beijar sua alma inquieta sem argumento, no seu tempo.

O Rio nasce na minha porta - preenchendo toda aorta -
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O Rio nasce na minha porta - preenchendo toda aorta - um rio de água negra e fervente que corre alheio corta ao meio e quebra a paz e jaz o silêncio enquanto segue selvagem o veio pulsante e febril transborda a margem a forte corrente transpassa a mata e mata de repente deságua em guerra em um mar calmo esse rio - lágrimas da alma - inundando cada palmo invadindo a terra a sala o peito, a mala me afogo dia a dia no rio de minh’alma

Os Amantes Amaram-se como amam dois amantes Da felicidade beberam toda a taça
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Os Amantes Amaram-se como amam dois amantes Da felicidade beberam toda a taça Todo o vinho, todo o cio... de graça Amaram-se como amam dois amantes Somente pele e boca e mamilos e mãos Em cada grito, greta, gole... mãos Amaram-se como amam dois amantes Sem palavras, sem pressa, sem “não” Sujaram-se e fundiram-se no chão Dois amantes não fazem escolhas São como o tempo passando Ou uma brisa espalhando as folhas Nascem e renascem se amando

A Árvore Era só uma árvore no meio de um pasto, mas era tanta beleza
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A Árvore Era só uma árvore no meio de um pasto, mas era tanta beleza que eu não pude ignorar. Parei. E fiquei ali por alguns minutos, observando-a como a um aquário. Era só uma árvore no meio de um pasto, que vi de uma curva da estrada, mas era tanta beleza que não parecia real: talvez uma pintura surrealista ou expressionista. Seus braços abertos saudando o vento e se embebedando de toda a luz. Tão forte e paciente. Era só uma árvore solitária, mas era tanta beleza!

Para que seu Sonho nos Guie Desejo que sua busca obtenha resposta, que sua luta possua um propósito
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Para que seu Sonho nos Guie Desejo que sua busca obtenha resposta, que sua luta possua um propósito e que seu amor alcance a paz. Desejo que sua palavra ache a melodia e que sua fome nunca se sacie, para que seu sonho nos guie. Desejo que você tenha amigos e que a amizade renasça em cada abraço e seja um acalento para o seu coração. Desejo que seu dom ecoe e que não destoe ou se perca na soberba. Desejo que sua vitória não almeje glória ou apenas se sobressair por vaidade. Desejo que sua fé encontre Deus e que Ele te reconheça para que a esperança prevaleça.

Isso é o Mundo Inteiro! nessa lembrança meio dormente onde deixei meu coração descansar
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Isso é o Mundo Inteiro! nessa lembrança meio dormente onde deixei meu coração descansar estranhamente firmou-se a paz talvez seja algo que o vento trouxe ou seu cheiro num sonho que não se desfaz tudo vem tão rápido e tudo passa simplesmente suba em uma árvore e fume um paieiro isso é o mundo inteiro caminhamos por trilhas andamos milhas mas somos ilhas não se distancie ao toque peça, grite, soque mas não se entoque os maiores ausentes estão sempre presentes e compartilham com a gente a poeira da serra pinta o céu e o sol veste um vermelho véu todo entardecer leva algo meu em um horizonte que sempre foi seu

A Minha Alma I A minha alma tenta se encaixar, mas não reconhece o seu lugar.
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A Minha Alma I A minha alma tenta se encaixar, mas não reconhece o seu lugar. A meu ver, não pretende ficar. É que ela se fere ao flertar com a vida em uma conversa despretensiosa ou assistindo a bela mulher que passa ansiosa ou em qualquer despedida. A minha alma não se acalma! Minha alma é assim: ela voa como um abutre em círculos sobre mim, olhos atentos espreitando a morte e desejando a sorte de ser livre, enfim. O meu corpo não tem alma, é minha alma que tem um corpo. E, não fosse por ele, estaria por aí, agora calma, sentada em um galho torto de uma grande árvore, sob um céu dormente. Quem sabe? Talvez tivesse se tornado outra lua ou aberto uma rua entre nós, entre todos. Em um segundo ela teria achado um corpo que lhe cabe, do tamanho do mundo. É que minha alma não se acalma, anseia o combate, quer se lavar na lama de Marte. Minha alma é como um soneto pulsante. Intriga como um lugar incerto e distante. Instiga como o suave gemido da amante.

Novos Conselhos para uma Vida Riquíssima Espalhe gratidão enquanto houver amizade E de ninguém deseje a piedade
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Novos Conselhos para uma Vida Riquíssima Espalhe gratidão enquanto houver amizade E de ninguém deseje a piedade Hasteie sua felicidade como uma grande bandeira E diga a verdade de qualquer maneira Distribua sua gargalhada entre os boçais E tire para dançar os anormais Tenha desprendimento pelo material E leve sua cama para o quintal Seja amor enquanto todos são razão E aos sentimentos saiba dar vazão Mostre o que vai além do espelho E não se torne um jovem velho Da arrogância não vista a fantasia E não fique à sombra de uma relação vazia Abrace seus sonhos com determinação E enxergue com os olhos do coração Seja como a chuva em um chão que agoniza Faça brotar vida que você se eterniza

Nos Teus Olhos Nos teus olhos não há inverno ou outono
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Nos Teus Olhos Nos teus olhos não há inverno ou outono ou tom que não tenha prazer e lágrimas de morrer por um anseio secreto Nos teus olhos é sempre primavera e há sempre uma vela acesa com o desejo à mesa servido antes do café com toda a fé ardente no que não se entende Nos teus olhos existem caminhos sem volta há abismos e precipícios profundos de dois mundos que buscam se encontrar há minha sede de amar e teu vício de estar

Os Santos que Você Invoca Eu levo comigo todos os santos que você invoca na despedida e guardo seu adeus como um retrato em minha retina.
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Os Santos que Você Invoca Eu levo comigo todos os santos que você invoca na despedida e guardo seu adeus como um retrato em minha retina. Com suas lições construí uma catedral de pedra e luz e tento honrar o chão firme em que você caminhou. Da verdade que sempre lecionou fiz um escudo e um colar e me banhei no oceano de um amor invencível. Eu rezo seu terço e canto sua novena. Homenageio seus mortos e saúdo seu passado árduo, de dias vencidos pela mais pura vontade de ser família. Uma mãe é um castelo, uma torre, uma ponte. É um rochedo onde o mar chora sua solidão, cansado dos dias. É a música que o vento toca no entardecer, saudoso. Uma mãe é a nascente límpida de um rio que não tem fim. Tenho-a como um campo sereno na tempestade da vida, sua lembrança é meu lar em qualquer lugar.

Fugiu algo me ocorreu e depois correu
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Fugiu algo me ocorreu e depois correu lutei busquei realmente procurei mas não encontrei novamente tentei me revirei até que me atinei o pensamento fugiu simplesmente partiu e nunca irá voltar estará por aí a voar não aceitou a caneta não se deixou domar

A Notícia O telejornal começou com a instigante notícia: _ A ciência explica o amor!
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A Notícia O telejornal começou com a instigante notícia: _ A ciência explica o amor! O jornalista ainda disse com pesar em seu discurso: _ Para a tristeza dos poetas, cientistas afirmam que o amor nada mais é do que uma cadeia de reações químicas do cérebro... Podre jornalista. Pobre notícia. Pobres cientistas. Como poderiam os cientistas decifrar o amor se ainda nem conseguiram explicar a existência dos dragões? Ora, o que sabem esses cientistas se nunca cavalgaram em um unicórnio ou discutiram sobre os Guadalupes? Eles nem mesmo puderam descobrir onde moram as fadas e os duendes e nunca escreveram para o Papai Noel. Pobres cientistas! Aliás, eles nunca se pronunciaram sobre as intervenções salvadoras dos anjos da guarda ou sobre os olhos atentos de São Longuinho. Por acaso esses sujeitos já viram extraterrestres ou se assustaram com fantasmas? Então como seriam confiáveis? Podres cientistas que nunca puderam falar com Deus através do amor. Podres cientistas que amam por reações químicas cerebrais. Podres cientistas que nunca puderam amar, simplesmente. Pobres cientistas que se preocupam em explicar o amor. Afinal, quem disse que o amor pede explicação?

A Minha Alma II Minha alma não quer sossegar: vive alheia e sem lugar.
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A Minha Alma II Minha alma não quer sossegar: vive alheia e sem lugar. É como se tivesse acordado em um hotel medonho; é como se tivesse vivido no limbo ou escuro sonho. A minha alma não se acalma! Ela deveria ter baixado em um distante planeta ou em um cometa, mas a este corpo ficou presa. E este corpo virou presa! Minha alma não é um castelo ou um forte, é o oposto: é a bala do canhão que destrói a muralha, a torre e mata. Minha alma sangra em cascata e nenhuma paz cultiva, insensata. Grita como a tempestade que a proa do navio invade e que só não o afunda por piedade. Vagueia a céu aberto como um nômade no deserto fugindo da verdade. Minha alma carrega a dor de uma infantaria. E a mim cabe sufocá-la no ser e ser, com angustiosa calma, o carcereiro de minh’alma.

Domingo Depois do Amor Já semeei as pequenas mudas de arco-íris em nosso céu de nuvens férteis e selvagens
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Domingo Depois do Amor Já semeei as pequenas mudas de arco-íris em nosso céu de nuvens férteis e selvagens Roubei dos vizinhos as roupas dos varais pra reservar mais espaço aos passarinhos Tingi minhas palavras de poeta e sonhador com os odores de um jardim em flor Também bordei girassóis nos lençóis pra clarear nossas noites de insônia Recordei aventuras e inventei estórias pra tentar adormecer sua alma cansada As mãos dadas, os pés selados... o sopro de duas vidas que jamais será tirado Fitamos o abismo e continuamos a brincar: nada apagará a ansiosa paixão no olhar

Uma Réstia de Luz Sou eu nada Além de um pouco de tudo
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Uma Réstia de Luz Sou eu nada Além de um pouco de tudo Do que você me deixou ser: Um deserto de horas intermináveis Somente um pouco de tudo Do que você me deixou ter: Sua respiração esquecida e ritmada No meu peito De algum tempo De algum lugar Eu trouxe uma lasca de tua existência Comigo Uma réstia de luz do teu olhar Um pedaço de tua alma E agora Ver-te já não basta Você se tornou outro sol E outra lua E não há amanhecer Ou entardecer sem a presença tua