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Frases de Carlos Humberto Pena

73 frases

NOITE DE ESTRELAS Joguei fora o paraquedas e pulei, voei como um míssil por entre as nuvens
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NOITE DE ESTRELAS Joguei fora o paraquedas e pulei, voei como um míssil por entre as nuvens espalhando no céu canções de paz e lembranças de dias passados. Tudo o que se tem é o agora e cada momento será como uma ressurreição. Darei à luz um campo de girassóis e semearei palmeiras na lua, para que não falte beleza e esperança. Minha casa será uma noite de estrelas, onde as crianças crescerão descalças e cavalgarão unicórnios. Com um grito lançado ao vento rebatizarei o homem de errante, pois suas perguntas só terão respostas na ausência do medo de tentar e na consciência de que só se pode ser sincero. A única fome será de amor. A única sede será de vida. Não existirão horas e minutos, nem relógios, o tempo se medirá em sorrisos e abraços e em banhos de cachoeira, sendo proibido não ter tempo. Cada coração será uma janela aberta, de onde se verá uma complacência fraterna do homem para com tudo que o cerca, que é vivo e sente, que acaba e deixa saudade. Nesse mundo de mãos dadas num arco-íris esconderei minha derrota, para que esse desejo egoísta de ficar se mostre belo nos dias de garoa.

A IRRESISTÍVEL PREDADORA Seu sorriso era um convite manifesto, mas despiu-se aos poucos, em singelo gesto.
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A IRRESISTÍVEL PREDADORA Seu sorriso era um convite manifesto, mas despiu-se aos poucos, em singelo gesto. Escondia-se à sombra, acanhada, indefesa, como uma aranha seduzindo a presa. Respirava desejo, ardor, com malícia contida, e desarmado, surpreso, esperei a investida. Eu era um inseto imóvel, deslumbrado, somente esperando ser devorado.

GARIMPAR ESTRELAS Procurando o verso no peito eu sou como um garimpeiro
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GARIMPAR ESTRELAS Procurando o verso no peito eu sou como um garimpeiro cravado no ventre da terra – em suor e solidão – buscando sua salvação. Tal qual esse homem de fé não me falta esperança na lida nem me tem o amor de partida: a palavra é meu tesouro e meu verso, meu ouro. Cada dia é uma despedida e cada queda uma ferida, mas quem vive da busca não morre – em tempo Deus socorre – vai garimpar estrelas.

SONETO DO AMOR EM COLISÃO Criatura de intensa inquietação é amor que se apresenta em colisão:
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SONETO DO AMOR EM COLISÃO Criatura de intensa inquietação é amor que se apresenta em colisão: pintor que na pintura tem prisão, potro que não teme a fúria do peão. Encontro nos teus olhos minh’alma que roubaste com consenso e calma, para ser indômito e imenso caso, enlouquecido e intenso. Secretamente corro teu corpo como quem tange arisco rebanho, sob a planície de um céu tamanho. Aceita-me com pose desfeita – aí está a suplica de socorro – onde nasço e noutro dia morro.

MINHA MELHOR ORAÇÃO Eu rezava para Deus minha melhor oração quando te obrigava a um sorriso ligeiro
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MINHA MELHOR ORAÇÃO Eu rezava para Deus minha melhor oração quando te obrigava a um sorriso ligeiro por qualquer bobagem sem graça. Eu bendizia ao Senhor quando te levava à gargalhada, sua irresistível gargalhada que ecoava por horas no nosso bairro como um desatino da felicidade. Eu corria o meu terço mais puro e sagrado quando caçava teus beijos entre os lençóis e encontrava meu paraíso fincado nos teus olhos de conivência. Eu pedia devotamente ao Redentor – na minha silenciosa súplica – para que a eternidade fosse o quintal dos nossos sonhos ou um simples reflexo das horas em que vivemos um do outro.

DIA A DIA Queria ter uma orquestra de sapos, cigarras e grilos. Queria um céu de vagalumes, borboletas, canarinhos.
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DIA A DIA Queria ter uma orquestra de sapos, cigarras e grilos. Queria um céu de vagalumes, borboletas, canarinhos. Queria criar tigres, sereias e golfinhos. Queria tanto, queria encanto. Mas venha cá, não se assuste, seja amigo. Vou contar-lhe um segredo, não espalhe, guarde consigo: – Eu tenho isso e tenho mais, menos paz. Converso com anjos e sinto demônios, dia a dia. Vejo mundos, ouço cânticos, por mania. Eu tenho um buraco embaixo da cama que dá na rua, dá na lua, em Berlim. E não adianta correr, esconder-me, está em mim. Eu digo sim, abro o peito, abro a porta, pra uma vida curta, pra uma vista torta.

Gosto de Você Gosto da voz e de te ouvir falar E de ser a paisagem em seu olhar
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Gosto de Você Gosto da voz e de te ouvir falar E de ser a paisagem em seu olhar Gosto da energia que você transpira E da sensualidade que me inspira Gosto da poesia que te rodeia E da ingenuidade maliciosa em sua teia Gosto de seu abstrato caminhar E de sua verdade debochada a provocar Gosto do seu cheiro de liberdade E de seu humor sem piedade Gosto de sua roupa desencanada E de sua paixão incontrolável pela estrada Gosto da sua fé invencível E de sua felicidade incorruptível Realmente gosto de você!

Aleppo Havia uma cidade E uma população
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Aleppo Havia uma cidade E uma população Padarias, doces e cores Flores e odores Famílias vendo televisão Havia felicidade Havia uma cidade Havia um país Casas, crianças e cães Mas o ódio fincou raiz Choram todas as mães Pelo que restou da humanidade Já não há cidade Nem casas nem nada Fez-se a destruição e o caos Levando vidas pela metade Já não há amor nem nada Só ganância sem piedade

A Despedida seus olhos cortavam como uma espada da sua boca nascia uma tormenta
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A Despedida seus olhos cortavam como uma espada da sua boca nascia uma tormenta me aquietei como um velho na escuridão era um barulho incompreensível um zumbido de elefante uma voz aturdida talvez demente a despedida dor latente ainda ouço cada gota que pingou de sua boca a descarga do vizinho era noite madrugada em sua vida sou mais nada

Músicas para Amar nada é pior do que sentir tudo e não conseguir oferecer tanto
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Músicas para Amar nada é pior do que sentir tudo e não conseguir oferecer tanto eu realmente amo você queria dizer, mas são só palavras me perdoe pelo atraso me perdoe pela pressa te viver é o que me interessa não sei decifrar sonhos ou signos nem traduzir o que suam seus poros só te mostrarei o meu céu de meteoros fundamos um país para coabitar sem um hino para idolatrar somente músicas para amar e em toda estrofe achamos um lar em toda garrafa inauguramos um bar em toda amizade queremos estar e só para você eu vou sangrar meus versos o vinho, a carne, o alho, as flores o vento curioso nos visitando a grama do quintal se acumulando nos tapetes e nas quinas a luz do sol nas cortinas a mesa que eu tanto queria e minha semana vazia depois de domingo

Coisas Urgentes Hoje, novamente, terei que resolver coisas urgentes. Aliás, ao que parece, é só o que tenho feito ultimamente:
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Coisas Urgentes Hoje, novamente, terei que resolver coisas urgentes. Aliás, ao que parece, é só o que tenho feito ultimamente: resolvido coisas urgentes. E, na pressa, tudo mais ficou indiferente. Ontem, hoje e amanhã... dias tomados de desespero, mal abro os olhos de manhã e já espero meu enterro. Na minha agenda, com tanta coisa importante, esqueci de anotar sobre felicidade e amizade. E, na vida, nada é mais urgente! Sobra tempo pra nada e tudo é saudade. Ficam na boca e no coração um amargor: eu nem me lembro o que é amor. Porém, o que eu posso fazer? Tenho coisas urgentes pra resolver.

A Poesia A poesia caminha pelas ruas em noites silenciosas:
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A Poesia A poesia caminha pelas ruas em noites silenciosas: insone! Bebe da lua e circula as luzes, brincando com as mariposas que não têm nome. Se senta na calçada e observa - como um bêbado – a embriaguês do mundo. Como a dor e o amor, a poesia está em tudo. Basta sentir e olhar para o lado, basta estar apaixonado.

O Poeta Caminho pelas ruas em noites silenciosas:
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O Poeta Caminho pelas ruas em noites silenciosas: insone! Bebo da lua e circulo as luzes para brincar com as mariposas que não têm nome. Me sento na calçada e observo - um bêbado – a embriaguês do mundo. Com toda a dor e amor, vejo poesia em tudo. Abro o peito e me reviro, batizo cada estrela sem cair do telhado: estou sempre apaixonado.

A Morte Estive em um funeral ontem e ouvi repetidas vezes sobre a tristeza da morte, mas como podemos ver a morte com tamanho sofrimento? Tudo tem que ter um fim e esse é o combustível que mantém a engrenagem do mundo ativa. É isso que nos faz acordar e batalhar a vida. Ganhamos…
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A Morte Estive em um funeral ontem e ouvi repetidas vezes sobre a tristeza da morte, mas como podemos ver a morte com tamanho sofrimento? Tudo tem que ter um fim e esse é o combustível que mantém a engrenagem do mundo ativa. É isso que nos faz acordar e batalhar a vida. Ganhamos um grande presente e nada nos foi exigido. Cada um está livre para fazer o que achar melhor e se transformar no que quiser ser. Somos livres. A morte é somente um “até logo” e logo vamos nos reencontrar na próxima festa. A morte é o momento em que as cortinas se fecham e o público fica ali paralisado, pensando sobre a incrível experiência que foi presenciada. É a angústia que se sente antes de se constatar o milagre. Não se deveria sentir dor ao se brindar uma grande existência, uma vida de glória e a glória da vida. Só há dor e decepção nas histórias insignificantes, daqueles que nada fizeram; que não se apaixonaram; que não correram perigo; que não se doaram; que não erraram e tentaram novamente; que não se machucaram e arriscaram outra vez; que acalentaram uma mágoa como um filho bastardo em vez de abraçar o perdão. Ora, o que você espera de uma criança quando lhe dá um brinquedo? Apenas que ela se divirta e seja feliz. É isso, simplesmente!

Mundo Doente Para Ryan e todos os refugiados mortos pelo descaso Se era noite ou se era dia, você nem se lembra.
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Mundo Doente Para Ryan e todos os refugiados mortos pelo descaso Se era noite ou se era dia, você nem se lembra. Talvez tudo fosse apenas uma brincadeira para uma criança inocente em um mundo doente. Mas você nem se lembra... Seu sono matou um sonho. Não restaram manha nem manhã, nem lágrimas a viajar no mar: o terror se leva no olhar. Carregar toda a culpa é pouco pelo pouco que se faz, já que vida e morte não tem diferença neste mundo doente. Todos devem um bocado pelo trocado que não se dá. Morrem soldados, inocentes, eu, você, todo dia, assim como cada refugiado, que não teve isso planejado. Vivo ou afogado, pouco importa, todo amor foi sepultado.

Insônia O negror é frio e pesado como um cobertor molhado.
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Insônia O negror é frio e pesado como um cobertor molhado. O silêncio está mais calado, como um retrato apagado. E eu aqui acordado... Não passa carro, não canta um pássaro. Os minutos adormeceram e as horas se esqueceram que estou aqui acordado. Uma solidão tenebrosa. Uma paz nervosa. Alguém falou nada, nem uma alma acordada: ninguém me ouve?! O que houve? Quero embarcar na viagem, mas não há mais passagem. Há paredes, teto e ansiedade, mais o terror da saudade, um travesseiro apenas, eu e meus poemas.

O Corredor Uma sombra pede passagem frente uma longa viagem.
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O Corredor Uma sombra pede passagem frente uma longa viagem. É um corredor que passa voando, com o vento se deleitando. Como um cavalo testando os cascos, ele carrega a liberdade nos passos. Não procura uma verdade velada, deseja correr e mais nada. Há um lugar de elevada consciência onde a glória está na vivência. Um corredor não tem a alma cansada, pois sua casa é a estrada. Também não há temor em sua passada, já que não busca a vitória na chegada. Aprendeu sobre a jornada da vida e que o êxito está na partida.

Asas Morre plantado quem veio gente, mas se esqueceu de dar um passo à frente
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Asas Morre plantado quem veio gente, mas se esqueceu de dar um passo à frente (talvez devesse ter nascido árvore). Atravesse suas divisas e se confronte diariamente e lembre-se que só é humano realmente quem é capaz de sonhar e só é feliz verdadeiramente quem está pronto para mudar. E é preciso seguir adiante, sempre. Para tocar o céu com a mão basta ter asas no coração!

O Andarilho Enquanto um carro passa apressado e lhe banha o corpo com uma rajada de vento,
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O Andarilho Enquanto um carro passa apressado e lhe banha o corpo com uma rajada de vento, ele atravessa uma ponte sobre um pequeno riacho e para por um instante, olhando a paisagem. Ele segue seu caminho! Passa por pequenas propriedades rurais e avista um trator arando a terra no alto de uma serra: _ Do que será aquela plantação? Ele caminha... Outro carro passa como uma flecha buscando um alvo com o som no volume mais alto, enquanto ele silencia para ouvir o solo de um canarinho laranja como o entardecer: _ Bom dia, Senhor Laranja! Ele caminha... Uma brisa lhe refresca e lhe dá fôlego, mesmo com o sol ardendo e fazendo o asfalto suar. Está muito quente, mas mesmo assim ele caminha. Ele sente a dor de seus pés dentro da velha bota rasgada, mas mesmo assim ele caminha. Ele caminha... Ele caminha... Crianças jogam futebol num pequeno campo de terra com traves de bambu amarradas com corda, ele para e observa. E depois de alguns minutos, ele segue sua jornada, ouvindo, ao longe, o grito de gol e a farra dos meninos. Ele continua caminhando... Na curva da estrada ele passa por uma casa branca de janelas azuis abertas e um velho cão vira-lata começa a latir, correndo em sua direção. Ele aperta o passo: _ Sai! Vai deitar, Campeão! O cão é distraído por duas motos que passam devagar e ele já foi. O cão o procura com olhos inquietos. Outro carro passa e duas crianças se viram no banco de trás: _ Pai, para onde vai aquele maluco? De onde ele vem? Ele caminha... Ele passa por um pequeno vale e para em frente uma cruz de madeira na beira da estrada. Faz o sinal da cruz e uma prece: _ Descanse em paz, meu filho. Logo estarei com você, mas não agora. Ainda não. Ele segue seu caminho carregando algumas lágrimas no rosto sujo. Ele caminha... Livremente, ele caminha. De lugar nenhum ele veio e para lugar nenhum ele vai. Ele somente caminha. Livremente, ele caminha.