Frase de Carlos Humberto Pena
A Minha Alma I A minha alma tenta se encaixar, mas não reconhece o seu lugar. A meu ver, não pretende ficar. É que ela se fere ao flertar com a vida em uma conversa despretensiosa ou assistindo a bela mulher que passa ansiosa ou em qualquer despedida. A minha alma não se acalma! Minha alma é assim: ela voa como um abutre em círculos sobre mim, olhos atentos espreitando a morte e desejando a sorte de ser livre, enfim. O meu corpo não tem alma, é minha alma que tem um corpo. E, não fosse por ele, estaria por aí, agora calma, sentada em um galho torto de uma grande árvore, sob um céu dormente. Quem sabe? Talvez tivesse se tornado outra lua ou aberto uma rua entre nós, entre todos. Em um segundo ela teria achado um corpo que lhe cabe, do tamanho do mundo. É que minha alma não se acalma, anseia o combate, quer se lavar na lama de Marte. Minha alma é como um soneto pulsante. Intriga como um lugar incerto e distante. Instiga como o suave gemido da amante.
No pensador.ai desde