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Frases de Carlos de Castro

401 frases

⁠Enquanto o cerne da génese do ser humano não for cientificamente modificado, jamais deixará de existir o erro, a devassidão e o crime, à face da Terra.
A BORBOLETA Era branca, Com uma mescla de cinzento
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A BORBOLETA Era branca, Com uma mescla de cinzento E voava Voluptuava, Como um balão ao vento. Poisou ela Numa flor amarela E ali se demorou E extasiou, A beijá-la. A flor, então corou Parecia-me até que tombou, Mas não. Era a flor então Que beijou também A branca borboleta Com uma mescla de cinzento, Mas, eis que surge um senão: Soprou forte o vento, Eu estava a ver, porém A borboleta voou E poisou Numa flor branca E não gostou. E voou, voou... Eu também poiso só Em flores que gosto, Para não sofrer o desgosto De meter dó. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-02-2023)

TARDES DA NOITE DA MANHÃ A tarde, caía Quase semifria,
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TARDES DA NOITE DA MANHÃ A tarde, caía Quase semifria, Com cor morna À maneira da minha sorna, E sempre que ela vinha assim, Eu ficava sem forma Ou jeito Sem preceito, Nem respondia por mim. Previ coisa ruim, Porque em meu peito, Em frenesim, Coisa molesta subia E sentia então que crescia Uma tristeza tíbia Como se fosse coisa anfíbia Que vive lá E cá mora por despeito. E quando as lágrimas Ázimas A brotar Destes olhos quase a fechar, Enchiam o globo a rebentar Como prenhe mulher Pela última vez a dar Ao mundo, sem prazer, O último filho por fazer, Eu acordei E olhei O relógio Quase meu necrológio E vi as primeiras horas da manhã, E no já, Imaginei que a tarde Já era então na manhã da noite Sem ser preciso O hoje ou o amanhã. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-02-2023)

⁠Se gosta verdadeiramente de poesia e antes de consumi-la, deve primeiro agitá-la, sentir-lhe o cheiro a pureza natura e só depois tragá-la, bebê-la, em dose própria, de preferência, sem outra adição de fármacos. Contraindicações: Pode, por vezes, causar mal-estar, náuseas, tont…
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⁠Se gosta verdadeiramente de poesia e antes de consumi-la, deve primeiro agitá-la, sentir-lhe o cheiro a pureza natura e só depois tragá-la, bebê-la, em dose própria, de preferência, sem outra adição de fármacos. Contraindicações: Pode, por vezes, causar mal-estar, náuseas, tonturas, diarreia, a chamada caganeira à moda antiga, vómitos que podem trazer sapos engolidos há muito tempo e, pior ainda: síndromas de inveja mesquinha que pode causar "Onicofagia" é o termo médico e técnico para nomear o hábito de roer as unhas, podendo ser das mãos ou até mesmo dos pés. Às vezes, esse hábito passa a não ser de apenas roer as unhas, mas também roer a ponta dos dedos (e sei lá mais de quê...digo eu!) Última prescrição: Deve ser só administrada em SOS, quando o paciente está mesmo em ânsias extremas de injeção da dose habitual...

MARIA DA FEIRA SANTA ⁠Meu longe à beira, paraíso, Minha Feira amada,
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MARIA DA FEIRA SANTA ⁠Meu longe à beira, paraíso, Minha Feira amada, Pelo rio Cáster banhada, Que revives em pleno juízo Os tempos antes de nós. És mais velha que as árvores Que te dão cor e refrigério, Mesmo à sombra do castelo De tantos louvores E amores Tão sós, Na tua casa, meu eremitério. Quando choras, eu choro também No pranto de quando falta alguém Nos torreões do castelo Velho, Magicamente tão belo. Quando ris com rosto que encanta, Eu rio também Como ninguém, Maria da Feira Santa. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 20-02-2023)

⁠DA GRÉCIA HELENA Um dia, de noite, Pela madrugada
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⁠DA GRÉCIA HELENA Um dia, de noite, Pela madrugada Afogueada, De lua cheia, Eu vou raptar-te, Ó, minha moça, sereia, Para amar-te, No meu castelo de areia. Contigo, beber o vinho da loucura Num desejo insano de ternura, Em cama armada de dossel, À luz da lua embriagada Pelo sol, ao vê-la excitada, Por um cálice de licor de mel. Um dia, de noite, Pela madrugada, Sem se dar conta de nada, Eu irei raptar-te, Adorar-te, Como obra de arte Roubada, Ó, minha moça morena, Da Grécia, Helena, Minha eterna e doce amada! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 17-02-2023)

⁠INSPIRAÇÃO Quando tu queres, Eu fujo...
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⁠INSPIRAÇÃO Quando tu queres, Eu fujo... Quando eu entro, Tu sais. Isto, é triste, é demais! É casamento desfeito Sem reconciliação Ou perdão, Nem jeito De nos tornarmos a amar. A voltar A acertar O tempo certo No nosso relógio de vida, Neste destino tão incerto Da minha relação Vivida, Trágica, Quase autofágica, Com a minha inspiração. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 16-02-2023)

⁠POESIA FRIA Que fria, A minha poesia…
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⁠POESIA FRIA Que fria, A minha poesia… Até parece que no meu inverno Interno, Ela deveria Hibernar E ficar Sempre naquele letargo, Sem me dar o amargo De continuar A enregelar Corações Quentes, Amantes Diferentes, De outras poesias Menos frias De emoções, Porque a minha, Coitadinha, Tão mesquinha, Vive só de ilusões. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-02-2023)

INSÓNIAS ⁠Toda a prava madrugada Libertina e devassada
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INSÓNIAS ⁠Toda a prava madrugada Libertina e devassada Sem assentar olho no sono Que não me quer como amante, Talvez por eu ser tão distante Das carícias de tal mono. Sono, meu repouso sem esperança Em vez de me trazeres bonança Vais-te vingando de mim, E assim: Fazes-me sonhar acordado Com tristes e murchas flores, Ossos em desalinho, Velas sem chama, a arder. Fica descansado, podes crer: Os ossos, sou eu a crescer Até morrer Velhinho, As flores, São os meus amores, Vou regá-los com carinho, As velas, são a luz do meu caminho. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 12-02-2023)

⁠COPIANÇOS Tantos a querer copiar Episódios,
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⁠COPIANÇOS Tantos a querer copiar Episódios, De uma vida De história sofrida, Para atingir certos pódios Mais altos, mas de maior caída. Pobres tontos, ai se soubessem O princípio dum meio sem fim, Talvez alguém estarrecesse E se afastasse de mim. Ainda se fossem copistas Daquilo que não escrevi Por respeito ao que não senti, Vá lá, ó malabaristas. Cada vida, é uma história E se não me falha a memória, Será sempre intransmissível. Querer ser, Sem ser, É impossível. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-02-2023)

CARTA A UM AMOR IMPOSSÍVEL Escrevi-lhe uma carta, numa tarde de verão, E meti-a no correio pela minha própria mão.
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CARTA A UM AMOR IMPOSSÍVEL Escrevi-lhe uma carta, numa tarde de verão, E meti-a no correio pela minha própria mão. Esperei, Desesperei E quase endoideci Por não obter resposta. Em mim, fez-se depressão. Comecei a ter vida de inferno, Quando me entregaram na mão Numa manhã fria de inverno, A carta que eu tinha Tão perfeitinha, Escrito numa tarde de verão... Vinha, ainda por abrir, Suja, enrugada, Já de cor amarelada Como filha pródiga a vir. No verso, no lado contrário, Li, em letras garrafais, Que foram para mim fatais: "Desconhecida no destinatário”. (Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 11-02-2023) ⁠

⁠“⁠CAMAS FLAMAS E GELO Dormem e derretem de tão quentes, Nas camas de colchão
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⁠“⁠CAMAS FLAMAS E GELO Dormem e derretem de tão quentes, Nas camas de colchão Altos, fofos e gostosos, Bem cheirosos A traques de amor por ereção. Por entre gritos esganiçados Da aceitação dos sémenes conspurcados, Lá vão… Na lascívia da podridão. E a cenografia deste ato Primeiro, de apresentação, Após o intervalo, Vai ter o segundo, Na forma de um falo E dará, de facto E com novo fato, Lugar a outra versão. Ei-la, então: Na cama, dois bonecos, A jogar matrecos, Como dois recos Marrecos, Possuídos, Parecidos Com australopithecus De há milhões de anos idos, Na forma rudimentar De ficar aos urros, após copular. (Carlos De Castro, in Há Um Livro por Escrever, em 08-02-2023)”

⁠MAR LONGE DE TÃO PERTO Um dia destes vou morrer, ó mar... Sem te poder sequer avisar
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⁠MAR LONGE DE TÃO PERTO Um dia destes vou morrer, ó mar... Sem te poder sequer avisar Ou mandar um recado pelo ar Pela terra e não por mar, Que mar já és tu tão distante Deste meu penado cante, Poema ao longe sem te abraçar. O que me fizeram, ó mar!?... Agora que não tenho força de andar Para sentir-te num solfejo E amar a areia que amas num beijo. Manda uma concha da tua água até mim, Que mate a sede dos meus pés E abrande a minha mágoa sem fim. Que a tua água salgada Seja cura abençoada Das chagas deste meu ser Um pouco antes de eu morrer Na cama deste poema, Dilema sempre de mim. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-02-2023)

⁠LEVANTAI-VOS Erguei-vos, ó almas massacradas idas, Levantai-vos agora de mastro erguido
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⁠LEVANTAI-VOS Erguei-vos, ó almas massacradas idas, Levantai-vos agora de mastro erguido Como o pau das caravelas das investidas Que vos roubaram a liberdade sem sentido. Que heróis seriam agora os matadores, Homens sem estrada, Sem rumo, De uma bravura louca, exacerbada? Apenas peças de xadrez seis, Dos reis e gentes de outras greis, Em aventuras mesquinhas Na mesa jogadas ao acaso Decidido o abate no xeque-mate, Dos negros, índios e raças de outros sóis Idas brancas, tostadas e mongóis. E assim , pergunta um poeta ao mundo: Será que o descobrir é mais profundo Que achar por sorte das encruzilhadas Terras havidas, nascidas e já achadas? (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 04-02-2023)

⁠MULHER PÃO Tudo o que é mulher me fascina. Pobre amante que fui na rota ida,
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⁠MULHER PÃO Tudo o que é mulher me fascina. Pobre amante que fui na rota ida, Assaltam-me agora ilusões à partida Como se fosse o pão da vida, Tornado alimento único desta sina. Porque professo tão incerta doutrina? Quero apenas e tão breve confessar Que se não houvesse mulheres de amar Na verdadeira entrega de par em par, Eu teria já morrido à fome na rotina. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 25-01-2023)

⁠CHORAM OS MONTES Tristes, os montes e outeiros Já choram por mim.
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⁠CHORAM OS MONTES Tristes, os montes e outeiros Já choram por mim. Consigo ouvir o lamento dos pinheiros Carvalhos, azevinhos e sobreiros E de árvores amigas que tais, Num sussurro Quase em urro, De tão reais. Comungo das lágrimas dos pardais. Sentem a saudade da vida dos dias, Das nossas irmãs fantasias Na imaginação de um mundo Mais fecundo, Sem dores fatais. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-01-2023)