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Frases de Carlos de Castro

401 frases

⁠A ANDORINHA Poisou uma andorinha Tão mansinha
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⁠A ANDORINHA Poisou uma andorinha Tão mansinha No parapeito, Mesmo a jeito, Da minha janela. Era um sinal de vida E eu pela minha sofrida, Meti conversa com ela Por gestos de simpatia Em plena sinfonia, Pintando com alegria, A mesma paisagem da tela. A amizade pura, Cura E supera A mais dolorosa ferida, Quando ela me disse ao ouvido Num silêncio estabelecido, Sempre que haja primavera: É sinal que renasce a vida! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-03-2023)

⁠OLHOS DE CRIANÇA Eram olhos grandes… Pareciam dois faróis na tempestade
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⁠OLHOS DE CRIANÇA Eram olhos grandes… Pareciam dois faróis na tempestade A iluminar na mais pura claridade, O escuro dum mundo ainda a descobrir. Eram olhos na ânsia de muita esperança Daquela que ao longe ainda está por vir... Eram olhos mágicos a anunciar bonança. Eram dois pesos fiéis de uma balança Que um dia pesarão as coisas em fundo, Na conta do peso e da medida Da sua inocente e tão verde vida. Deus te guie e salve, lindo infante De teus pais vaidosos do semblante, Desses cabelos aos caracóis, triunfante, Esperança e bonança para o mundo. Mesmo quando a vida pula e avança Deus meu, por favor ilumina e conserva Estes olhos de criança! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 19-01-2023)

FRUSTRAÇÃO Já não sei escrever... Deixei de saber pensar.
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FRUSTRAÇÃO Já não sei escrever... Deixei de saber pensar. A poesia deixou de me amar E fugiu de mim sem eu ver Nem poder mais versos ditar. Que tábua agora para me agarrar Nas ondas alterosas deste mar, Se ela foi para não mais voltar À inspiração dorida do meu penar? Poesia vagabunda, iracunda, reles A minha, que só contemplas aqueles De sacrossanto nome já firmado Nos anais dos teus egrégios brasões E afundas sem mais remissões, Os que querem só escrever um fado. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 16-01-2023)

SONHOS INCERTOS ⁠Ó sonhos por construir Neste coração de sentir,
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SONHOS INCERTOS ⁠Ó sonhos por construir Neste coração de sentir, Dir-me-eis Quando vireis, No agora ou no porvir? Ó amores que prometeis Os vossos belos anéis, Dizei-me tições fogosos Vícios da carne gostosos, Quando vireis? Ó vida real e crua, Afasta de mim a incerteza: Sonhos serão surpresa, Como corpo de mulher nua? (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 13-01-2023)

FOTOGRAFIAS Ó linda musa das minhas fotografias, Por onde andas agora, amor silvestre?
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FOTOGRAFIAS Ó linda musa das minhas fotografias, Por onde andas agora, amor silvestre? Bati em ti tantos flashs de alegrias, Mesmo quando na objetiva me bateste. Lembras-te quando do ângulo me fugias, A correr atrás da cansada borboleta? Nem notavas que eu depois por outras vias, Batia a câmara a captar melhor careta. E neste vai e vem de fotos de gaveta, Só me lembrei de ti, infeliz, ao ver-te A chorar, em nova, com cara de pateta. Se do mundo ainda fores um ser vivente, E te restar alguma faúlha de vergonha, Lembra-te de mim, sempre, mulher peçonha. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-01-2023)⁠

⁠P E P I T A Quando me foges ao longe Fico tão triste, desprezado,
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⁠P E P I T A Quando me foges ao longe Fico tão triste, desprezado, Torno-me em vida de monge, Nesta solidão do meu fado. Foste sempre o meu outro lado, O calor no frio dividido em dois, No aconchego do nosso estrado, Erguido no antes para o depois. Fica-me no olfato o perfume, Do teu cheiro de puro ciúme Tão louco e canil que agita. E queima como o forte odor Dos teus sonoros flatos de amor, Minha terrier cadelinha, Pepita. (Carlos de Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 10-01-2023)

⁠E L E Era ele, de canastro robusto, Sempre o foi, mas de cintura fina,
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⁠E L E Era ele, de canastro robusto, Sempre o foi, mas de cintura fina, Calçava no pé, com perna de menina, Quarenta a quarenta e um de justo. Isto, é história dos anos de fusto: Forte, baixote e de rosto sisudo, Cantando e declamando poetas de rudo, Mas moço bom de ímpeto augusto. Poeta, por favores e epítetos tais, Em recriações de fugidios tempos, Tornados tormentos de amores reais. Pouco desfrutou ele de galais eventos Com luzes malignas, de cores fatais: Por ser amante do escuro dos mortais. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-01-2023)

⁠AMOR FUGIDIO Luz que vieste do oculto Luz que cega sem brilhar,
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⁠AMOR FUGIDIO Luz que vieste do oculto Luz que cega sem brilhar, Que convida a mar de amar Maré negra de outro vulto. Por que andaste no ofusco Do meu sol de companhia, Quando eu somente te pedia, Essa coisa do amor que busco. Fugiste. Eu vi, eu sei, Porque por ela me dei, Na noite longa que dormia. Um sono de olhos abertos, Como que a fixar a luz, A tua, dos olhos incertos. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 06-01-2023)

⁠DECEÇÃO Nunca de longe ou de perto Pelo certo do incerto,
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⁠DECEÇÃO Nunca de longe ou de perto Pelo certo do incerto, Chegarei a ser poeta, Ou dizedor de palheta. E assim me tornei anacoreta Sem relógio ou ampulheta Nesta gruta Abrupta, Onde vou morrer Sem saber O que é ser Realmente, Verdadeiramente, Poeta! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-01-2023)

⁠O INTRUSO Batia no vidro frio, Da janela fria.
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⁠O INTRUSO Batia no vidro frio, Da janela fria. Batia. Como que a medo De revelar um segredo Porque ali estava E instava. Abri a janela, Singela. Corri-a de par em par. Ele, entrou radiante, Com passo frio e distante, Como que a querer mostrar A alteza do seu rol. Era o sol, O de inverno, Que já me foi de inferno Em dias de verão, Nesta janela da escuridão. Só eu, Triste plebeu, Bato a tantas janelas De tantas capelas De santos de milagre, Mas ninguém mas abre! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 03-01-2023)

⁠ANIVERSÁRIOS Ela faz anos. Aquele faz anos.
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⁠ANIVERSÁRIOS Ela faz anos. Aquele faz anos. Tantos a fazerem anos... Eu só queria aprender A saber Fazer Os meus anos, À minha medida, Sem enganos, Nem danos, À chegada e à partida. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-12-2022)

VINTE ANOS E ⁠Contei os natais com ela Maria, minha mãe.
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VINTE ANOS E ⁠Contei os natais com ela Maria, minha mãe. Vinte e tantos no presépio Comigo, José filho, Em nome de meu pai, Manuel. Era a Gruta de Belém, Porém, Quase parecendo a outra, Era o meu Natal puro, Que os meus de agora esconjuro, Neste destino cruel! Foi-se a mãe; Meu pai, seguiu-a além, Fiquei eu, menino patético! Que natal tão estépico, Mais senil que poético, Este de agora meu Pobre que sou pigmeu, Desde que minha mãe morreu Há distância de esperanças mil, Depois das águas de Abril. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-12-2022)

⁠RESQUÍSCIOS DO CORPO Nem te amo Nem te reclamo
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⁠RESQUÍSCIOS DO CORPO Nem te amo Nem te reclamo Nem por ti oro Ou desadoro Ruína do meu corpo Morto, Feito carne balofa. Se nesta vida Rude e sofrida Nunca me serviste de alcofa, Que lá na outra menos dura Onde a fineza e rijeza perdura, Não me envergonhes cachopa, Com tuas esfinges de gordura. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 12-12-2022)

CANIS VITA ⁠Aqui, onde me sento, É cadeira de tormento,
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CANIS VITA ⁠Aqui, onde me sento, É cadeira de tormento, É assento Sem acento. São momentos Sem ter tempos Nem revolta para escrever Nos tampos dos sofrimentos, Nos tormentos A padecer, A origem de ser quem sou, Sem saber porque aqui estou Neste recanto Fétido de pranto. Só escuridão, Luz apagada, Só acesa quando o nada Traz tristeza Incerteza, À casa da solidão. E nesta lúgubre ilusão Que se faz noite já no dia Eu, neste tão frio chão De vida triste de cão, Já só ladro em fantasia. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 07-12-2022)

⁠RECADO AO PENSADOR: Que triste! Que vergonha vai ao Brasil da censura ainda no poder, senhores do PENSADOR! Coitados, já nem pensam! Que dó, que nojo vocês (censura do site) me metem!) Tenham verguenza! Que palavra ou palavras impróprias para a vossa "pureza tipo iurdiana" eu e…
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⁠RECADO AO PENSADOR: Que triste! Que vergonha vai ao Brasil da censura ainda no poder, senhores do PENSADOR! Coitados, já nem pensam! Que dó, que nojo vocês (censura do site) me metem!) Tenham verguenza! Que palavra ou palavras impróprias para a vossa "pureza tipo iurdiana" eu empreguei hoje, no meu tão singelo e despretensioso poema , sem maldades, nem palavras de ofensa para ninguém? Vá, digam-me a mim e ao mundo!!!!!!!!!!!!! que o vai ler!!!!!!!!! Porque não publicam a imagem do meu poema "Olhos Sem Lágrimas" !?... Porque é que, por exemplo: a poesia "desabrida e de palavras ditas pecaminosas" de Charles Bukowski e seus pensamentos, têm assento no PENSADOR? Mais há centenas de outros/as autores que vocês têm no vosso rol, cujos textos "abertos" já não são atentatórios contra a moral e a religião, no vosso pobre e alienado conceito, pois não!?... Mas isso, aí pelo Brasil, não muda nunca, não!?... Pobre país, de tantos cérebros bons, dominados por uma censura atroz! Carlos De Castro, in No Brasil Há Censura, Aqui Não, em 05-12-2022

⁠OLHOS SEM LÁGRIMAS Ai, se eu tivesse lágrimas para chorar... Mesmo agora a brotar
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⁠OLHOS SEM LÁGRIMAS Ai, se eu tivesse lágrimas para chorar... Mesmo agora a brotar Como duas fontes fortes, sem parar: Eu inundaria os leitos Secos dos rios, E os peitos Sem leite para amamentar Os filhos com fome, já frios. Ai, se os meus olhos Sem escolhos, Quisessem agora chorar Copiosamente, Amargamente, Como ondas de fúria que brotam do mar: Eu, regaria as flores do meu coração Da paixão, Tão tristes, tão coitadinhas Cada vez mais a mirrar, A secar, Pobres tristinhas. Ai, se eu tivesse outra vez lágrimas, Já nem sabia chorar! Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 05-12-2022