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Frase de Carlos de Castro

⁠MAR LONGE DE TÃO PERTO Um dia destes vou morrer, ó mar... Sem te poder sequer avisar Ou mandar um recado pelo ar Pela terra e não por mar, Que mar já és tu tão distante Deste meu penado cante, Poema ao longe sem te abraçar. O que me fizeram, ó mar!?... Agora que não tenho força de andar Para sentir-te num solfejo E amar a areia que amas num beijo. Manda uma concha da tua água até mim, Que mate a sede dos meus pés E abrande a minha mágoa sem fim. Que a tua água salgada Seja cura abençoada Das chagas deste meu ser Um pouco antes de eu morrer Na cama deste poema, Dilema sempre de mim. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-02-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)