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Frase de Carlos de Castro

INSÓNIAS ⁠Toda a prava madrugada Libertina e devassada Sem assentar olho no sono Que não me quer como amante, Talvez por eu ser tão distante Das carícias de tal mono. Sono, meu repouso sem esperança Em vez de me trazeres bonança Vais-te vingando de mim, E assim: Fazes-me sonhar acordado Com tristes e murchas flores, Ossos em desalinho, Velas sem chama, a arder. Fica descansado, podes crer: Os ossos, sou eu a crescer Até morrer Velhinho, As flores, São os meus amores, Vou regá-los com carinho, As velas, são a luz do meu caminho. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 12-02-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)