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Frase de Carlos de Castro

⁠“⁠CAMAS FLAMAS E GELO Dormem e derretem de tão quentes, Nas camas de colchão Altos, fofos e gostosos, Bem cheirosos A traques de amor por ereção. Por entre gritos esganiçados Da aceitação dos sémenes conspurcados, Lá vão… Na lascívia da podridão. E a cenografia deste ato Primeiro, de apresentação, Após o intervalo, Vai ter o segundo, Na forma de um falo E dará, de facto E com novo fato, Lugar a outra versão. Ei-la, então: Na cama, dois bonecos, A jogar matrecos, Como dois recos Marrecos, Possuídos, Parecidos Com australopithecus De há milhões de anos idos, Na forma rudimentar De ficar aos urros, após copular. (Carlos De Castro, in Há Um Livro por Escrever, em 08-02-2023)”

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)