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Frase de Carlos de Castro

TARDES DA NOITE DA MANHÃ A tarde, caía Quase semifria, Com cor morna À maneira da minha sorna, E sempre que ela vinha assim, Eu ficava sem forma Ou jeito Sem preceito, Nem respondia por mim. Previ coisa ruim, Porque em meu peito, Em frenesim, Coisa molesta subia E sentia então que crescia Uma tristeza tíbia Como se fosse coisa anfíbia Que vive lá E cá mora por despeito. E quando as lágrimas Ázimas A brotar Destes olhos quase a fechar, Enchiam o globo a rebentar Como prenhe mulher Pela última vez a dar Ao mundo, sem prazer, O último filho por fazer, Eu acordei E olhei O relógio Quase meu necrológio E vi as primeiras horas da manhã, E no já, Imaginei que a tarde Já era então na manhã da noite Sem ser preciso O hoje ou o amanhã. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-02-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)