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Frases de André Vicente Carvalho de Toledo

28 frases

⁠"A Restituição" Quer que a vida nos restitua Tudo que suas mãos roubaram:
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⁠"A Restituição" Quer que a vida nos restitua Tudo que suas mãos roubaram: Os amores que a morte apagou, Os instantes que o vento levou, Os sonhos que o tempo trincou Como vidro sob o sol da rua... Ah, delírio! Querer colher As flores já dissolvidas no chão, Reconstruir com as mesmas pedras A casa que ruiu na encruzilhada, Beber outra vez da mesma água No rio que seguiu outra direção. A vida não faz contabilidade. Não guarda recibos nos bolsos do tempo. O que ela toma, transforma em raízes Ou em pó de estrelas desfeito no asfalto. Nenhum tribunal de sombras ou lumes Decreta indenização por nosso pranto. Mas há um segredo nas entranhas da perda: O que nos foi arrancado à força, Roubado em plena luz ou na neblina, Não segue intocado para algum cofre celeste — Ele fermenta nas adegas da alma, Torna-se outra moeda, outra semente. Não nos devolve a vida o que tirou, Mas nos entrega o ouro da transformação: A cicatriz que sabe de dores alheias, A paciência que tece redes no vazio, A coragem de amar sabendo da morte, E a estranha liberdade de quem nada espera Do balcão vazio da mercearia do destino. Não cobramos. Aceitamos o câmbio rude: Perdemos rosas, ganhamos raízes. Perdemos dias, ganhamos esta presença Que habita o agora sem ânsia ou dívida. A vida paga na única moeda que tem: A de nos fazer mais vastos que a própria vida....

⁠ Oferecimento à Encruzilhada Ao Senhor das Encruzilhadas,
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⁠ Oferecimento à Encruzilhada Ao Senhor das Encruzilhadas, Exú, Mensageiro, Guardião das Estradas, Que abre os caminhos com seu falo e tridente Receba nosso humilde coração. Sua chama vermelha, viva a brilhar, Traz o movimento, faz desatar Os nós da vida, o que está parado, Por seu axé somos libertados. À sua esquerda, todo o Povo da Rua, Sábios Guardiões da noite e da lua: Pombagiras de força e beleza, com sua certeza, Exus-Malês de firme proteção, Que trabalham na luz da intenção. Aos que zelam nas calçadas e esquinas, Nas sombras, nas festas, nas cantinas, Obrigado pela mão estendida, Pela justiça na virada da vida, Pelo conselho no ouvido atento, Pelo trabalho santo e constante. Aos que são ponte entre os dois mundos, Justos, leais, jamais rotundos, Que desfazem demanda e feitiço, Com firmeza, humor e carinho. Povo de rua, de chão e pedreira, De garrafa, charuto e cerveja, Sua presença é farol e abrigo, Sua força, um brado antigo. Por toda ajuda, por todo amparo, Por todo trabalho claro e raro, Nossa gratidão, forte e sincera, Que ecoe na noite inteira! Laroyê, Exú! Salve o Povo da Rua! Que sua luz nunca se apague ou fuja. Ase, oh Guardiões da verdadeira lei, Que seu axé brilhe sempre! Laroyê! ---

⁠Dissonante anacrônico social esse é meu aspecto real,aos meus 45, não me encaixo e dou risada, e depois brinco, choro! Mas sem dúvida, há como eu sinto! Completo inteiro resoluto e verdadeiro,
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⁠Dissonante anacrônico social esse é meu aspecto real,aos meus 45, não me encaixo e dou risada, e depois brinco, choro! Mas sem dúvida, há como eu sinto! Completo inteiro resoluto e verdadeiro, Convicto com seu desamparo um animal nulíparo consumindo ideias.

⁠Sabedoria sempre cobrará um preço... terá sempre uma parte de quem a busca, que o obscurce ao iluminar, um sentir-se e, outro é obscurecido, "no aspecto"...É necessário um processo contínuo de resignação e resignificação da fonte, onde o pressuposto é sempre serão os objetivos a…
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⁠Sabedoria sempre cobrará um preço... terá sempre uma parte de quem a busca, que o obscurce ao iluminar, um sentir-se e, outro é obscurecido, "no aspecto"...É necessário um processo contínuo de resignação e resignificação da fonte, onde o pressuposto é sempre serão os objetivos almejados...Pois a sabedoria desnuda a mentira e à de haver a iluminação das sombras e verdades, uma nova questão, uma nova quadra, ou apenas uma nova cegueira momentânea, contudo certamente transcorrerá no processo a neuroplastia fundamental da evolução...

⁠O desamparo. Dentro de inúmeros fracassos e acertos, erros e glórias, o aumento pela compreensão da insistência ha cada dia, a de ficar mais significativo, e tende a moldar a insignificante insuficiência de ser humano, de enfaixar e empatizar assim tão perdida aoutrora...Essa é…
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⁠O desamparo. Dentro de inúmeros fracassos e acertos, erros e glórias, o aumento pela compreensão da insistência ha cada dia, a de ficar mais significativo, e tende a moldar a insignificante insuficiência de ser humano, de enfaixar e empatizar assim tão perdida aoutrora...Essa é o desamparo da simplicidade das percepções humanas.

⁠O desamparo e a insuficiência do ser humano são experiências profundamente enraizadas na condição humana, frequentemente exacerbadas pela procrastinação e pelo vazio existencial que muitos enfrentam ao longo de suas vidas. Essa dinâmica é complexa e pode ser melhor compreendida…
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⁠O desamparo e a insuficiência do ser humano são experiências profundamente enraizadas na condição humana, frequentemente exacerbadas pela procrastinação e pelo vazio existencial que muitos enfrentam ao longo de suas vidas. Essa dinâmica é complexa e pode ser melhor compreendida à luz das teorias psicanalíticas, em particular a relação entre o superego, o ego e a busca por significado. O superego, que representa a internalização das normas sociais e morais, muitas vezes impõe uma série de expectativas e objetivos que parecem inatingíveis. Esse conjunto de exigências pode criar um estado constante de insatisfação e autocrítica, levando o indivíduo a sentir que nunca é suficientemente bom. A procrastinação, nesse contexto, frequentemente se torna uma resposta defensiva a essa pressão. Em vez de enfrentar as demandas do superego, a pessoa pode se ver presa em um ciclo de adiamento, evitando a ansiedade que surge ao tentar cumprir essas expectativas. Esse adiamento não é apenas uma questão de falta de disciplina; muitas vezes, é um reflexo de um conflito interno entre o ego e o superego. O ego, que busca equilibrar os desejos pessoais com as demandas da realidade e as normas sociais, luta para encontrar um espaço seguro onde possa agir sem ser dominado pela culpa ou pela vergonha. Quando o superego é excessivamente crítico, o ego se sente impotente, levando a um estado de desamparo e a uma sensação de vazio existencial. O indivíduo pode se sentir perdido, incapaz de encontrar propósito ou direção em sua vida. Esse vazio existencial é alimentado pela falta de ação e pela incapacidade de alcançar os objetivos que o superego impôs. O tempo passa, e a sensação de insuficiência se intensifica. O que deveria ser um caminho de auto descoberta e realização se transforma em um labirinto de frustrações e incertezas. O desamparo se instala, refletindo a luta interna entre o que a pessoa acredita que deveria ser e o que realmente é. Para romper esse ciclo, é necessário um processo de autocompreensão e aceitação. Reconhecer que a procrastinação é uma resposta comum a pressões externas e internas pode ser o primeiro passo para a mudança. A construção de um diálogo interno mais gentil, que acolha as imperfeições e valorize as pequenas conquistas, pode ajudar a aliviar a carga do superego. O ego precisa encontrar um espaço onde possa agir sem medo do fracasso, permitindo-se explorar novos caminhos e definir objetivos que sejam mais alinhados com suas verdadeiras aspirações e valores. Assim, ao confrontar o desamparo e a insuficiência inerentes à condição humana, é possível cultivar uma nova perspectiva sobre a vida. Em vez de se deixar levar pela procrastinação e pelo vazio, o indivíduo pode se permitir experimentar a vulnerabilidade e a autenticidade. A compreensão de que a busca por significado é uma jornada contínua, repleta de altos e baixos, pode ajudar a transformar o desespero em esperança, permitindo que cada pequeno passo se torne uma afirmação de vida e um movimento em direção a um futuro mais pleno e significativo.

⁠Resistência do Ego: Uma Poesia Psicanalítica No labirinto profundo da mente humana, Um ego se ergue, forte e altaneiro,
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⁠Resistência do Ego: Uma Poesia Psicanalítica No labirinto profundo da mente humana, Um ego se ergue, forte e altaneiro, Vigia as sombras, labaredas de dor, No embate interno, um constante atoleiro. Poeira de desejos, anseios submersos, Lágrimas guardadas, sussurros da alma, O ego, com suas defesas e versos, Construindo muros, buscando a calma. Mas que resistência é essa que clama, Que se esconde nas tramas do ser? Entre as vozes do côncavo e do drama, Há um chamado, um sutil renascer. A repressão dança em rituais sutis, Moldando verdades, mesmo quando ferem. O ego se agarra, é um modo de existir, Num mundo que grita e que nunca se encerra. Sombra e luz se entrelaçam na luta, O desejo e o medo, um perpétuo dilema. Mas há beleza na busca absoluta, Por romper as correntes e a própria algema. Assim, celebro a resistência sagrada, Do ego que não se rende, que enfrenta, Na psique, a jornada muitas vezes pesada, É também um canto, uma essência que sussurra e alimenta. Nas fissuras do ser, onde o eu se revela, O ego, sempre audaz, desafia o destino, E na dança da vida, essa eterna novela, É na resistência que encontramos o divino...

⁠Na teia sutil dos dias corridos, Vive, entre sombras, a ilusão, É tal o dom de alguns fingidos,
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⁠Na teia sutil dos dias corridos, Vive, entre sombras, a ilusão, É tal o dom de alguns fingidos, Que entorna a verdade ao chão. Enganar, com ar de fácil encanto, Veste-se fato como seda ao vento, E na crença, o humano canto, Faz do engano um leve alento. Porém, na luta de esclarecer, Mais árduo é o desafio presente, Pois fácil é não querer ver, A verdade queima e sente. Por que é difícil se desiludir? Talvez por dor, orgulho ou medo, Mas se o coração conseguir se abrir, A luz da verdade reina sem segredo.

⁠ Coragem de Raízes Negras Na dança da vida, com passos firmes, Caminha uma alma de luz infinita,
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⁠ Coragem de Raízes Negras Na dança da vida, com passos firmes, Caminha uma alma de luz infinita, Carrega a história em seu peito, De lutas e sonhos, de amor e de grito. Coragem é força que brota da terra, Do suor dos ancestrais que nunca se erra, Nas veias corre a chama da resistência, Do passado, um legado, uma imensa presença. Olha pra frente, erguendo a cabeça, A beleza da pele, a força da certeza, Em cada olhar, um mundo a brilhar, Em cada sorriso, um novo despertar. Desafios surgem, mas não vão derrubar, Quem sabe da dor e do poder de amar, Cada queda ensina, cada tropeço é arte, Na luta diária, a coragem é parte. Vem, irmão e irmã, juntos a cantar, A canção da vida, a força de lutar, Por um futuro onde todos são iguais, Na diversidade, a beleza que traz paz. Coragem é ser, é viver sem temor, É erguer a voz, é reivindicar amor, É ser a tempestade, a calma e o sol, É saber que somos, afinal, um só rol. Com coragem nas veias e amor no olhar, Seguimos em frente, prontos pra brilhar, Porque na jornada, somos a mudança, E a coragem é nossa, a eterna esperança. Que vinte de novembro sempre possa raiar a consciência branca que somos iguais, jamais relés, vil e que nunca mais, "nunca mais", seremos tratados como animais...

⁠ O Cincar Noturno Não era o fumo que eu buscava,
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⁠ O Cincar Noturno Não era o fumo que eu buscava, era a noite. A noite que dormia nas ruas vazias, no asfalto úmido refletindo néon, no silêncio que respira entre os prédios. O maço? Apenas o pretexto, a moeda de troca com o escuro. A porta rangendo não foi interrupção, foi passagem. O corpo, pesado de horas paradas, desdobrou-se em passos, e cada passo foi uma pergunta ao chão das sombras. Na bodega iluminada a ferro, o balcão era um altar de luz fria. O caixa, um sacerdote do trivial, entregou-me o pacote retangular — cápsula de folhas mortas — sem saber que me dava a chave de um reino. Mas o milagre não estava no objeto, e sim no regresso: o ar noturno lavando a face, a lua (sempre cúmplice) desfiando fios de prata nos fios elétricos, o próprio peso do maço no bolso pequeno âncora do presente. Ah, a magia! Morava no intervalo: na ponte entre o quarto estagnado e a rua que pulsa devagar, no instante em que o peito se expande volta a pulsar para colher o vento noturno, na solidão que de repente sabe-se parte de um todo silencioso. Cada passo, encruzilhados ultrapassadas, de volta era um renascimento mínimo. O maço, intacto, esperava, mas eu já vinha transformado, aquilo talvez, um sonho, trouxera na palma da mente a quietude dos postes acesos, a geometria sagrada das janelas escuras, o cheiro da terra molhada e o rumor distante de um mundo que respira quando ninguém o vê. Acendi o cigarro algum? A brasa necessária já ardia no peito: era o fogo do encontro com a noite descalça, com o tempo que se curva sobre pequenas peregrinações. O maço repousa sobre a mesa, ícone de um êxtase cotidiano. Pois a verdadeira chama — sabes agora — nunca esteve no papel e no tabaco, mas no caminho que o corpo fez entre a necessidade inventada e o abraço involuntário num beijo necessário, com o mundo noturno, puro, indiferente, e profundamente teu.

⁠ O Amor Simples Não é templo de mármore,
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⁠ O Amor Simples Não é templo de mármore, Nem soneto entalhado em ouro. É a água clara no copo, Quando a sede te corta o coração. É a semente que não discute a terra, Apenas abre mão de ser semente. É a raiz que se faz escura e forte, Para que o galho alcance o sol. Não te pede versos, nem suspiros, Nem joias de palavras raras. Pedir-te-á as mãos vazias, E o silêncio que sabe escutar o vento. Será às vezes macio como a lã Que envolve o frio dos teus ossos. Outras vezes, áspero como a raiz Que desfaz a pedra no caminho. Não se mede em promessas altas, Mas no pão repartido ao meio, Na lenha recolhida no outono Para o lume do inverno teu. Quando vier, não trará coroas, Nem vestes bordadas de desejo. Virá descalço, como a chuva no chão seco, E dirá apenas: "Eis-me aqui. Sou a sombra que te segue, E o vento que te chama para além."

⁠ Segunda-feira pra você, Lindona.. Lindona, que o sol te abrace apesar da chuva ...
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⁠ Segunda-feira pra você, Lindona.. Lindona, que o sol te abrace apesar da chuva ... Nesta segunda que se inicia... O mundo em nova graça, Renovada a alegria. A semana que começa Traz no vento, sutil, A certeza que não cessa: O amor será infinito. Como onda que vem e volta, Sem jamais se desfazer, Essa esperança solta Se renova em você. E assim, passo a passo, O sentimento caminha, Infinito no seu abraço, Uma promessa... que nunca finda. Espero que goste! É um pequeno verso para celebrar a nova semana e a força de um amor que se renova sempre. 💖

⁠ Esperança Calculada Não é semente lançada ao vento cego,
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⁠ Esperança Calculada Não é semente lançada ao vento cego, Nem flor que busca o sol em terra árida. É algo mais profundo, um movimento interno, Uma aposta fria, quase absurda. Surge quando o eco de um olhar perdido Ressoa nas paredes do já vivido, Quando o toque, um dia, foi porto e não viagem, E deixou cicatriz de doce passagem. É a sombra de um porto que se crê verdadeiro Num oceano vasto de talvez e talvez não. É sustentar, com mãos trêmulas, o castelo De um "sempre" que o tempo pode desmanchar. É a memória viva de um instante Que se recusa a ser só lembrança. É o fio invisível que persiste em costurar Os rasgões que o desencontro veio a fazer. É crer que aquele abraço, denso e raro, Não foi acidente no caminho vazio, Mas um ponto fixo, um norte descoberto Numa cartografia de afeto puro. É a chama que se alimenta não de lenha, Mas do próprio ardor que a sustenta, Sabendo que o combustível é finito, E ainda assim, arder com gosto infinito. É apostar no humano, frágil e complexo, No amor que é escolha, dia após dia, Mesmo quando a lógica fria desmonta A arquitetura frágil dessa ponte. É a coragem nua, despojada, De crer no fundo que o encontro foi real, E que, apesar do risco e da incerteza, Vale a pena manter a chama acesa. É a esperança que não espera milagres, Mas tece, no silêncio, sua própria teia: A de que o amor mais puro, quando chega, Não se dissolve, mesmo quando parte. Pois sua essência fica, marca indelével, Um cálice vazio que ainda guarda o mel.

⁠Amizade em Flor Mais que a chama que incende o olhar, Há a raiz que sabe aprofundar.
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⁠Amizade em Flor Mais que a chama que incende o olhar, Há a raiz que sabe aprofundar. Philia – amizade, solo quieto, Onde repousa o ser completo. Não só paixão, fugaz e viva, Mas mão segura, atenção tardia. Silêncio que não pesa ou dói, Lugar comum onde o eu despois. E nesse campo, fértil e calmo, Pode brotar um doce palmo De algo mais... um tímido ardor, Pergunta sem resposta, talvez amor. Mas mesmo assim, se o fogo nasce, Da amizade a base não despedaça. Pois o afeto que primeiro veio É o caule forte, o puro seio. Amor de amigo, quieto e profundo, Pode ser terra... ou ser o mundo. Onde o romance, se vier, será Raiz e flor, na mesma estação. Dois amores numa só canção, Um abrigando o outro, sem perder A essência pura de se ver Na mesma sombra compartilhada, Cada um de nós, inteiro, na jornada.

⁠Bom Dia, Esperança O sol beija a manhã, trazendo luz e canção.
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⁠Bom Dia, Esperança O sol beija a manhã, trazendo luz e canção. O mundo renasce em flor, cheio de cor e calor. E nos teus lábios, talvez amor? — a boca mais linda que eu já vi — moram sorrisos de aurora, doces como o dia que agora se abre em promessas, em versos, em festas. Que a esperança nos guie, e que o teu riso me alegre até o fim do dia...

⁠Pequena Resistência Era um grão no chão duro, Pisada pela pressa do mundo.
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⁠Pequena Resistência Era um grão no chão duro, Pisada pela pressa do mundo. Vozes grossas, vento cortante, Vida apertada, mas não tanto. Sob o peso do inverno longo, Guardou calor no punho fechado. Cada passo era montanha, Mas seu sonho, semente teimosa. Um dia a raiz furou o cimento, Broto verde ergueu o dia. Na altura do joelho alheio, foi quando eu conheci. Floresceu sua quieta ousadia. Hoje carrega o sol na palma, Pequenina nave mestre De si mesma — Flor de asfalto.

⁠A Dança das Ausências Preenchidas O amor não é a cola que sela as fissuras de dois cacos, mas o abraço que permite a cada um ser vaso inteiro, ainda que rachado. Na completude de um relacionamento, não há soma de metades, mas a geometria sagrada de dois infinitos que se curvam…
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⁠A Dança das Ausências Preenchidas O amor não é a cola que sela as fissuras de dois cacos, mas o abraço que permite a cada um ser vaso inteiro, ainda que rachado. Na completude de um relacionamento, não há soma de metades, mas a geometria sagrada de dois infinitos que se curvam até formar um círculo. Como ondas que se encontram no mesmo oceano, os amantes são feitos do mesmo sal e do mesmo desejo de voltar à origem — mas ali, na espuma do encontro, aprendem que a maré não os separa: os ensina a nadar juntos. Sob o olhar simples, o amor é o espelho que não reflete o que falta, mas devolve o que sempre esteve lá, soterrado sob o medo de ser incompleto. Eu diria que desejamos no Outro aquilo que nos escapa, mas talvez, no amor maduro, deseje-se apenas *permitir* que o Outro escape, sem aprisioná-lo na cela do nosso vazio. Acredito que Eros como força que une, mas e se Eros fosse também o que nos desata? O amor que liberta é aquele que não teme as sombras alheias, pois sabe que a luz própria que cresce quando ilumina o escuro do outro. O amor completo é um paradoxo: é pleno justamente por abraçar sua própria incompletude. Como escreveu Aristófanes no banquete de Platão, buscamos nossa “metade perdida”, mas a verdadeira, é completude está em entender que nunca fomos partes. Somos inteiros que se escolhem, não por carência, mas por reconhecer no outro um cosmos paralelo. Dois universos que, em órbita constante, criam sua própria gravidade — uma atração que não sufoca, mas sustenta. Amar, então, é habitar o intervalo entre o “eu” e o “nós” sem colonizar nenhum dos territórios. É deixar que as raízes se entrelacem, mas não para se confundirem — para se fortalecerem. Na completude do amor, até o silêncio é diálogo, e a solidão, quando compartilhada, vira uma espécie de sagrado. Porque o todo não está no que preenchemos, mas no que ousamos deixar vazio: os espaços onde o mistério do outro respira, e nosso próprio desamparo aprende a dançar em sintonia 🙏❤️

⁠"Chama na Encruzilhada" Não é só força que habita o fogo da encruzilhada, Nem só segredo guardado na gargalhada.
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⁠"Chama na Encruzilhada" Não é só força que habita o fogo da encruzilhada, Nem só segredo guardado na gargalhada. É o Pai Criador que me molda na argila bruta, ofício de Oxalá Manifestador da estrada que em sombras se dilata. Seu amor por mim é o primeiro sopro na vereda escura, É o dendê que acende a lâmpada mais pura. Meu amor por Ti, Esú, não é só oferenda na pedreira, na encruzilhada É raiz fincada na terra, é chama verdadeira. É o olhar que reconhece, no caos, a mão que guia, É a voz que Te chama, antes do amanhecer do dia. É confiança de filho que sabe: o caminho aberto, Por mais que doa, é por Ti, Pai, descoberto e certo. Tua justiça não é espada fria, não é vingança cega, É a balança do mercado que o egoísmo nega. É o falo que corta o laço da mentira enleada, É o "firme ponto" na estrada sacudida, na jornada. É o lembrete severo: toda ação tem seu retorno, Na medida exata do ferro, no forno mais interno. Minha justiça por mim é espelho que Tua lei me entrega: Honrar a vida que criaste, com a força que me nega A fraqueza que desvia, o medo que paralisa. É lutar, com Tua garra, contra a própria covardia. É erguer, com Teu exemplo, minha própria fronte erguida, Fazendo de cada passo um ato de justa vida. Ah, Pai de todas Encruzilhadas! Nosso amor é movimento: Tu me crias a cada instante, no teu fogo, no teu vento. Eu Te amo na travessia, no respeito ao teu poder, Na aceitação do teu veredito, sem temer. Tua justiça é meu alicerce, minha bússola na noite, Minha justiça é a resposta, no meu peito, a Tua voz! Juntos, na dança do destino, somos fogo e somos chão, choro sangue, gargalhada criação. Tu és a Criação em marcha, eu sou o eterno aprendiz, Numa só força, um só caminho, uma energia, um só amor, uma só raiz. Laroyê

⁠O Fio Infinito Não roda simples, nem espiral vã, Mas tecido denso, sem começo ou grão.
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⁠O Fio Infinito Não roda simples, nem espiral vã, Mas tecido denso, sem começo ou grão. O que hoje é chão, que hoje é dor, Será novamente, sem perdão ou flor? Cada instante, pesado de eterno, Cada suspiro, cada inverno, Cada riso que o vento levou, Tudo voltará... Tudo voltará! Não fuga no céu, nem porto além, Só este mundo, sempre e também. Amar o destino, dizer "Sim!" profundo, Ao peso mais duro, ao abismo do mundo. Seríamos deuses? Ou prisioneiros? Criando eternos canteiros? A vida, uma pedra que sempre se lança, No lago do tempo, sem mudança. Oh, volta que não é volta, Mas presença absoluta, desenrolta! Aceitar o mesmo que nunca se repete, Pois só existe este instante que nos mete... No centro do círculo, imóvel e ardente: O eterno retorno é a vida consciente. Amar cada sombra, cada luz que se acende, Sabendo que tudo... Tudo... eternamente, desce e ascende.

⁠ Ofício Solar A noite é fria, e o frio fustiga o vão Onde o coração, sem eco, jaz no chão:
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⁠ Ofício Solar A noite é fria, e o frio fustiga o vão Onde o coração, sem eco, jaz no chão: Um cálix sem licor, um braseiro apagado, Um árido silêncio, desolado. Mas eis que a pálida aurora, em seu labor, Fende a mortalha do noturno horror. O Sol — cíclope eterno, forja em chamas — Tecendo o dia com douradas tramas. Não mero fulgor que apenas vela a dor, Mas alquimia sutil, um ato maior: Transmuta o gelo em seiva, o vazio em vaso, Onde a esperança, planta de tenro laço, Desabrocha — não em júbilo feroz, Mas em quieta alegria, como a voz Da fonte que retorna ao seu leito antigo, Da estrela que persiste no perigo. Nasce o dia. Não como um grito vão, Mas como o lume que a razão acende Na escuridão. É o gesto que desfende A vida do seu próprio abandono: O sol, Vênus, a alba... É o eterno dom De um novo tempo, um compassado som Que diz: Em ti, a luz se refaz agora." E o coração — vaso, crisol, forja ignora O frio da memória, e aprende, enfim, O ofício de ser luz, de ser jardim...