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Frase de André Vicente Carvalho de Toledo

⁠O desamparo e a insuficiência do ser humano são experiências profundamente enraizadas na condição humana, frequentemente exacerbadas pela procrastinação e pelo vazio existencial que muitos enfrentam ao longo de suas vidas. Essa dinâmica é complexa e pode ser melhor compreendida à luz das teorias psicanalíticas, em particular a relação entre o superego, o ego e a busca por significado. O superego, que representa a internalização das normas sociais e morais, muitas vezes impõe uma série de expectativas e objetivos que parecem inatingíveis. Esse conjunto de exigências pode criar um estado constante de insatisfação e autocrítica, levando o indivíduo a sentir que nunca é suficientemente bom. A procrastinação, nesse contexto, frequentemente se torna uma resposta defensiva a essa pressão. Em vez de enfrentar as demandas do superego, a pessoa pode se ver presa em um ciclo de adiamento, evitando a ansiedade que surge ao tentar cumprir essas expectativas. Esse adiamento não é apenas uma questão de falta de disciplina; muitas vezes, é um reflexo de um conflito interno entre o ego e o superego. O ego, que busca equilibrar os desejos pessoais com as demandas da realidade e as normas sociais, luta para encontrar um espaço seguro onde possa agir sem ser dominado pela culpa ou pela vergonha. Quando o superego é excessivamente crítico, o ego se sente impotente, levando a um estado de desamparo e a uma sensação de vazio existencial. O indivíduo pode se sentir perdido, incapaz de encontrar propósito ou direção em sua vida. Esse vazio existencial é alimentado pela falta de ação e pela incapacidade de alcançar os objetivos que o superego impôs. O tempo passa, e a sensação de insuficiência se intensifica. O que deveria ser um caminho de auto descoberta e realização se transforma em um labirinto de frustrações e incertezas. O desamparo se instala, refletindo a luta interna entre o que a pessoa acredita que deveria ser e o que realmente é. Para romper esse ciclo, é necessário um processo de autocompreensão e aceitação. Reconhecer que a procrastinação é uma resposta comum a pressões externas e internas pode ser o primeiro passo para a mudança. A construção de um diálogo interno mais gentil, que acolha as imperfeições e valorize as pequenas conquistas, pode ajudar a aliviar a carga do superego. O ego precisa encontrar um espaço onde possa agir sem medo do fracasso, permitindo-se explorar novos caminhos e definir objetivos que sejam mais alinhados com suas verdadeiras aspirações e valores. Assim, ao confrontar o desamparo e a insuficiência inerentes à condição humana, é possível cultivar uma nova perspectiva sobre a vida. Em vez de se deixar levar pela procrastinação e pelo vazio, o indivíduo pode se permitir experimentar a vulnerabilidade e a autenticidade. A compreensão de que a busca por significado é uma jornada contínua, repleta de altos e baixos, pode ajudar a transformar o desespero em esperança, permitindo que cada pequeno passo se torne uma afirmação de vida e um movimento em direção a um futuro mais pleno e significativo.

André Vicente Carvalho de Toledo

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Pensador.com

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⁠ Oferecimento à Encruzilhada Ao Senhor das Encruzilhadas, Exú, Mensageiro, Guardião das Estradas, Que abre os caminhos com seu falo e tridente Receba nosso humilde coração. Sua chama vermelha, viva a brilhar, Traz o movimento, faz desatar Os nós da vida, o que está parado, Por seu axé somos libertados. À sua esquerda, todo o Povo da Rua, Sábios Guardiões da noite e da lua: Pombagiras de força e beleza, com sua certeza, Exus-Malês de firme proteção, Que trabalham na luz da intenção. Aos que zelam nas calçadas e esquinas, Nas sombras, nas festas, nas cantinas, Obrigado pela mão estendida, Pela justiça na virada da vida, Pelo conselho no ouvido atento, Pelo trabalho santo e constante. Aos que são ponte entre os dois mundos, Justos, leais, jamais rotundos, Que desfazem demanda e feitiço, Com firmeza, humor e carinho. Povo de rua, de chão e pedreira, De garrafa, charuto e cerveja, Sua presença é farol e abrigo, Sua força, um brado antigo. Por toda ajuda, por todo amparo, Por todo trabalho claro e raro, Nossa gratidão, forte e sincera, Que ecoe na noite inteira! Laroyê, Exú! Salve o Povo da Rua! Que sua luz nunca se apague ou fuja. Ase, oh Guardiões da verdadeira lei, Que seu axé brilhe sempre! Laroyê! ---

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⁠"A Restituição" Quer que a vida nos restitua Tudo que suas mãos roubaram: Os amores que a morte apagou, Os instantes que o vento levou, Os sonhos que o tempo trincou Como vidro sob o sol da rua... Ah, delírio! Querer colher As flores já dissolvidas no chão, Reconstruir com as mesmas pedras A casa que ruiu na encruzilhada, Beber outra vez da mesma água No rio que seguiu outra direção. A vida não faz contabilidade. Não guarda recibos nos bolsos do tempo. O que ela toma, transforma em raízes Ou em pó de estrelas desfeito no asfalto. Nenhum tribunal de sombras ou lumes Decreta indenização por nosso pranto. Mas há um segredo nas entranhas da perda: O que nos foi arrancado à força, Roubado em plena luz ou na neblina, Não segue intocado para algum cofre celeste — Ele fermenta nas adegas da alma, Torna-se outra moeda, outra semente. Não nos devolve a vida o que tirou, Mas nos entrega o ouro da transformação: A cicatriz que sabe de dores alheias, A paciência que tece redes no vazio, A coragem de amar sabendo da morte, E a estranha liberdade de quem nada espera Do balcão vazio da mercearia do destino. Não cobramos. Aceitamos o câmbio rude: Perdemos rosas, ganhamos raízes. Perdemos dias, ganhamos esta presença Que habita o agora sem ânsia ou dívida. A vida paga na única moeda que tem: A de nos fazer mais vastos que a própria vida....

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⁠Dissonante anacrônico social esse é meu aspecto real,aos meus 45, não me encaixo e dou risada, e depois brinco, choro! Mas sem dúvida, há como eu sinto! Completo inteiro resoluto e verdadeiro, Convicto com seu desamparo um animal nulíparo consumindo ideias.