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Frases de André Vicente Carvalho de Toledo

28 frases

⁠Tardes com Teu Nome Há um instante no crepúsculo que cai, Quando a luz, já cansada de ser sol,
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⁠Tardes com Teu Nome Há um instante no crepúsculo que cai, Quando a luz, já cansada de ser sol, Se derrama nos vidros a cantar Um segredo que o mundo não sabe ouvir. É nessa hora branda, quase parada, Que teu rosto se forma no ar morno: Não é lembrança, é presença delicada, Um refúgio de sombra no fim do dia. Penso em ti — e o tempo se dobra: O vento traz tua voz nas folhas secas, A poeira dourada dança devagar Como gestos teus pela sala vazia. Ah, que ofício simples e profundo Deixar que a saudade, lenta, se instale: Pois ainda não vivi. Não dói, aquece. É um fogo brando Que a tarde carrega em seu manto largo. O mundo lá fora se tinge de mel, As nuvens desfiam algodão doce, E eu — apenas navego sem pressa Nesse mar calmo onde teu nome é porto. Porque pensar em ti à tarde não é fuga: É encontrar, no meio do dia que finda, A quieta certeza de que existes, E que essa luz, por um instante, É tua mão acariciando o horizonte...

⁠Luz Simples Cada dia acende Uma luz diferente.
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⁠Luz Simples Cada dia acende Uma luz diferente. Não é nada complicado, É um sol bem presente. Luz que entra pela janela, Aquece o chão da sala. Luz que pinta a folha verde, Que na roseira balança. Essa luz não é só brilho Pra clarear o lugar. Ela é convite manso Pra começar a olhar. Olhar pro pão quentinho, Pro cheiro do café. Pro vizinho que acena, "Bom dia!" pra você. Olhar a nuvem viajante, A formiga no caminho. Ver que a vida, mesmo simples, Tem um jeito de carinho. É nesse olhar atento** Que a luz vira alegria. Não uma festa barulhenta, Mas paz que todo dia cria. Paz de sentir o tempo, De agradecer o pão. De saber que estar vivo Já é grande lição. E aí vem a felicidade, Não um tesouro a guardar. Mas o amor que se espalha No simples compartilhar. Amor no prato feito, Na palavra de consolo, Na mão que aperta a outra Quando o caminho é um pouco só. Cada dia tem sua luz, Não precisa ser intensa. Basta abrir os olhos E a alma, com doçura imensa. Deixe que essa luz simples Te mostre o essencial: A verdadeira alegria Morando no amor, que é... Eterno, e tão normal... Quanto essa canção que faz bem ao coração...

⁠Visita no Cárcere Entre muros altos, grades e vigias, Chega ela, frágil, sob o sol que ardia.
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⁠Visita no Cárcere Entre muros altos, grades e vigias, Chega ela, frágil, sob o sol que ardia. Na bolsa, um pão duro, um doce, um afago, Carrega o peso de um profundo estrago. O olhar procura, entre rostos fechados, O filho amado, dos caminhos errados. Encontra-o ao fim, pálido, cabisbaixo, Um corte no rosto, um silêncio no espaço. Separados pelo vidro frio e grosso, As mãos se buscam, num gesto forçado. A voz, através do telefone embaçado, Treme: "Meu filho... como estás? Tive pressa..." Ele baixa os olhos, vergonha profunda, Enquanto ela vê a ferida, a juba desgrenhada. "Trouxe teu bolo...", a voz quase sumida, "E rezei, meu menino, por tua vida." Lembra o colo quente, a mão pequena na dela, A infância leve, sem sombra de cela. Agora, o abraço é feito de saudade, E de uma dor que corta como espada. Fala de casa, do irmão, do cachorro, Do céu lá fora que ainda é o mesmo. Fala baixinho, com medo do erro, Evita o "porquê", evita o desespero. "Coragem, meu filho!", sussurra baixinho, "Um dia isso passa, te juro, caminho... A mãe tá contigo, onde quer que andes, Até nestas grades, até nestes andares." O tempo escoa, cruel, impiedoso, O guarda avisa, o momento é pesado. Um beijo no vidro, um olhar que não mente, O amor mais forte que qualquer corrente. Ela sai devagar, carregando a dor, Mas carregando intacto, o maior amor. Aquele que vence o erro, a queda, a sina...

⁠Raízes do Afeto Nas fotos antigas, desbotadas no tempo, Sorrisos guardados em preto e branco —
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⁠Raízes do Afeto Nas fotos antigas, desbotadas no tempo, Sorrisos guardados em preto e branco — São laços que tecem, silentes, seu assento No meu coração, como um rio sagrado. Vejo nas tuas mãos as linhas que herdaste, O mesmo tremor da avó ao cantar. No teu olhar profundo, o que me contaste: Amores antigos a nos sussurrar. Na mesa posta, na receita esquecida, No jeito de dobrar o pano de chão, Vive a ternura de outra vida, Semente lançada em gerações. O amor ancestral não morre, repousa: É seiva na árvore, é voz no vento... Sangue que flui e não se esgota, Abraço de séculos no meu momento.