Tardes com Teu Nome Há um instante no crepúsculo que cai, Quando a luz, já cansada de ser sol,
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Tardes com Teu Nome Há um instante no crepúsculo que cai, Quando a luz, já cansada de ser sol, Se derrama nos vidros a cantar Um segredo que o mundo não sabe ouvir. É nessa hora branda, quase parada, Que teu rosto se forma no ar morno: Não é lembrança, é presença delicada, Um refúgio de sombra no fim do dia. Penso em ti — e o tempo se dobra: O vento traz tua voz nas folhas secas, A poeira dourada dança devagar Como gestos teus pela sala vazia. Ah, que ofício simples e profundo Deixar que a saudade, lenta, se instale: Pois ainda não vivi. Não dói, aquece. É um fogo brando Que a tarde carrega em seu manto largo. O mundo lá fora se tinge de mel, As nuvens desfiam algodão doce, E eu — apenas navego sem pressa Nesse mar calmo onde teu nome é porto. Porque pensar em ti à tarde não é fuga: É encontrar, no meio do dia que finda, A quieta certeza de que existes, E que essa luz, por um instante, É tua mão acariciando o horizonte...