Frase de Isadora Bastos
O Alento da Ausência Outrora, eu era vigília e fresta, ansiando o teu olhar como quem acende a luz no cais de uma espera deserta, suplicando ao horizonte que te trouxesse de volta. Hoje, as sombras me bastam. Prefiro o abismo desse silêncio inteiro à tua presença fragmentada, que não habita apenas visita. Pois o que oscila entre o vir e o partir não oferece abrigo; apenas turva o cristal da memória. Ver-te agora, ainda que sob o véu da distância, não é bálsamo, mas interrogação. Cansou-me o fardo dos intervalos, os sinais que desbotam antes de se tornarem rastro, esses quase-encontros que são, em verdade, desertos. Se o teu destino é o não-estar, que a tua ausência seja, enfim, absoluta e limpa. Sem o eco de passos breves, sem o toque fantasma que tateia mas não sustenta. Há uma quietude austera em renunciar à espera. Descubro, no vagar dos dias, a lição mais difícil: que o esquecimento, por vezes, é a forma mais profunda de zelar por si.
No pensador.ai desde