Frase de Isadora Bastos
Vão Livre Eu quis a permanência. Houve em mim um esforço mudo, uma arquitetura de silêncios para tentar habitar o teu mundo e encontrar pouso entre tuas certezas. Mas eu era areia escorrendo entre dedos: uma presença translúcida, leve o suficiente para não ser rastro, apenas um sopro que atravessa os teus dias sem mover uma cortina sequer. Eu possuía a voz contida, mas o sentir era um oceano em fúria. E, no entanto, nada em ti se deixava tocar. Fui me acomodando nas bordas, nos recônditos onde a luz desiste, tornando-me sombra de mim mesma para não perturbar o teu desenho. Até que o corpo entendeu a lição: não era a vontade que faltava, era o chão que não existia. Compreendi, enfim, que o amor não é poda. E ninguém sobrevive onde o preço do abrigo é a própria anulação. Ninguém se demora onde é preciso deixar de ser para poder estar.
No pensador.ai desde