Frase de Isadora Bastos
O Inventário do Invisível Talvez não tenhas me perdido num golpe, num corte súbito de adaga ou de vontade. Foi, antes, um desatar de nós mansos, um esquecer-se de ser por pura distração da memória. Não houve o estrondo da renúncia, apenas o passo que, de tanto não voltar, esqueceu o rastro do caminho. Havia, outrora, um vulto, um breve estio, um pólen de mim que pousava em teus dias; uma cintilação de que eu, de algum modo, atravessava o teu horizonte. Hoje, o que resta é o vácuo, essa arquitetura muda. E o silêncio não é ausência de som, é o peso de um espaço que desistiu de ser preenchido. Talvez não tenha faltado querer, talvez tenha sobrado tempo, esse rio voraz que carrega as margens que não são de pedra. E eu, náufrago de um cais que nunca se firmou, procuro o instante preciso da minha transparência: quando foi que meus passos deixaram de ecoar no teu chão? Ou terá sido minha alma, em seu delírio, que desenhou cidades onde havia apenas deserto?
No pensador.ai desde