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Frase de Isadora Bastos

Verso de Sombra e Luz Cala-se o mundo, descansa o olhar, No tom da cinza, me deixo encontrar. Não preciso de cores para transbordar, Pois no preto e no branco, a alma sabe falar. Meus traços são versos, contornos da história, Guardados no tempo, em viva memória. Sem luz excessiva, mas cheia de glória, Sou eu, em silêncio, minha própria vitória.

Isadora Bastos

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Pensador.com

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O Despiste do Porto Ontem, finalmente, abri as mãos, Não por coragem ou por desamor,
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O Despiste do Porto Ontem, finalmente, abri as mãos, Não por coragem ou por desamor, Mas pelo peso dos vãos e dos nãos, Pelo cansaço de carregar o que é dor. Soltei-te sem a leveza da brisa, Com o tremor de quem se improvisa. Doeu a ausência do que não nasceu, A herança de um plano que mal floresceu; Pois em meu peito havia um altar, Erguido ao hábito de te esperar, Um vício mudo de ler teus sinais, Em ventos que já não sopram mais. O abismo que hoje em mim se faz Não é teu vulto, nem tua paz, É o naufrágio do que imaginei, Da ponte de vidro que eu mesmo tracei. Fiz o que é justo, o que o tempo ordena, Mas a retitude também me condena. Soltar não é o fim do sentimento, É apenas cessar o próprio tormento; É decidir, em um gesto profundo, Não mais se perder no erro do mundo. Se amanhã a dor se fizer pequena, Hoje a lição ainda é severa e plena: Aprendo a existir, em silêncio e lugar, Sem os meus olhos terem que te procurar.

Vão Livre Eu quis a permanência. Houve em mim um esforço mudo,
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Vão Livre Eu quis a permanência. Houve em mim um esforço mudo, uma arquitetura de silêncios para tentar habitar o teu mundo e encontrar pouso entre tuas certezas. Mas eu era areia escorrendo entre dedos: uma presença translúcida, leve o suficiente para não ser rastro, apenas um sopro que atravessa os teus dias sem mover uma cortina sequer. Eu possuía a voz contida, mas o sentir era um oceano em fúria. E, no entanto, nada em ti se deixava tocar. Fui me acomodando nas bordas, nos recônditos onde a luz desiste, tornando-me sombra de mim mesma para não perturbar o teu desenho. Até que o corpo entendeu a lição: não era a vontade que faltava, era o chão que não existia. Compreendi, enfim, que o amor não é poda. E ninguém sobrevive onde o preço do abrigo é a própria anulação. Ninguém se demora onde é preciso deixar de ser para poder estar.

3 de maio Hoje, finalmente, colhi os teus restos dos cantos onde nunca criaste raízes.
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3 de maio Hoje, finalmente, colhi os teus restos dos cantos onde nunca criaste raízes. Não houve o estalo súbito da raiva, apenas o peso manso da exaustão: o cansaço de mendigar afetos em migalhas, de te buscar no avesso de palavras vãs, e de habitar, precária, esse intervalo entre a promessa que vinha e o rastro que nunca ficava. Fechei a porta. Não por falta de sangue ou de ferida, mas porque o vão aberto era um abismo que me roubava o chão. Apaguei os teus rastros como quem limpa o vidro de uma estrada que findou em muro. Agora, há um silêncio novo sob as costelas. Não é o vácuo da perda, mas o ruído surdo de quem se reorganiza. Pois soltar não é o eclipse da memória, é a consciência tardia de que as mãos já não suportam o peso de um fantasma. Se um dia o meu vazio te alcançar, que não te doa a falta. Mas que te espante o fato de que, entre o teu nada e o meu tudo, eu finalmente me escolhi.