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Frases de Victor Motta

70 frases

PARTIDA E meu trem partiu. Foi naquele momento,
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PARTIDA E meu trem partiu. Foi naquele momento, exatamente, que ele partiu. Tremeu, apitou e, gemendo, sumiu entre névoa que ficou na noite, ao redor de tudo. Partiu sozinho como eu, num trilho infinito, tremendo, aflito, já bem longe, deixando apenas a névoa. Contornos imprecisos de uma cor acinzentada, lentamente se apagando. Na estação, dentro da noite, não ficaram acenos, nem lágrimas; talvez uma recordação, talvez nem isso. Mas, submisso, preso ao trilho de seu destino, foi que meu trem partiu. Ninguém viu nem compreendeu que ele partia definitivamente.

RECORDAÇÕES (perdidas) No espelho da vida revi mil rostos,
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RECORDAÇÕES (perdidas) No espelho da vida revi mil rostos, velhos, cansados, perdidos em passado já distante. Em meu espanto percebi quem fui, pois, na luz que refletia finalmente eu via o tempo que passara: rápido, irônico, implacável. Pedaços de mim eram outras fisionomias, que não eram mais como um dia foram. Lutei por descobrir vestígios de outrora: em vão! Pois eram apenas traços, fugazes traços. Lembranças de rostos, sorrisos, abraços, carinhos, beijos. Tempos passados, passadas vidas, uma palavra, um adeus. Pensamentos decompostos de imagens tão queridas. São presente. São feridas que ficaram na Alma.

Pingo de gente Pingo de gente, já perdido pelos cantos da cidade.
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Pingo de gente Pingo de gente, já perdido pelos cantos da cidade. Parado nos bares, nos bancos, pelas ruas tristes da miséria. Menino na idade, crescido nos hábitos. Semblante amargurado, sem esperanças, sem ilusões, na crua realidade de nossa terra. Brasil sem lógica, futuro ou piedade. Exemplo materializado da guerra do ser e do não ser. Brasilidade! Será a pobreza-criança, fatigada, abandonada, a derramar seus rancores em gritos e apelos? Infância sem futuro, marginalizada. Submissa aos planos dos doutores, em miragens heróicas, e a esquecê-los, entre o real e a bela fantasia de construir um mundo sobre o nada, em montes de papéis e de promessas, que salvarão, por certo, da agonia a pátria-criança, abandonada no lixo pútrido da ignomínia para que o cancer do descaso correndo a cada passo do gigante, a alma fria, destrua-lhe no embrião, antes que cresca o filho pobre a reclamar justiça, e a vontade da luta e da conquista onde o povo oprimido lhe apareça a plasmar por si a própria história, como a obra-prima de um grande artista.

A normalista Todos os dias ela passa junto a mim Bela, fascinante no seu jeito que encanta.
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A normalista Todos os dias ela passa junto a mim Bela, fascinante no seu jeito que encanta. Os cabelos pretos, os lábios de carmim, Fazendo ao me ver seu arzinho de santa… Saia azul, blusa branca, a normalista enfim, É a alegria que meus olhos encanta, O motivo que me faz ficar parado assim, Com o olhar enfeitiçado que aos transeuntes espanta. E todos os dias um só olhar ela me lança, Seguindo séria, sem ver que lhe estou sorrindo, Procurando o seu rosto que é tão lindo… Sendo moça, não passa de uma criança, Que para olha-la ninguém jamais se cansa O seu sorriso faceiro com o olhar pedindo…

Notícia final E os jornais (em letras garrafais)
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Notícia final E os jornais (em letras garrafais) Noticiaram mais um assassinato. Na primeira página, Do anonimato, Surge a figura do assassino. Espantoso! Detalhes,minúcias incríveis Surgem nas letras (que largam tinta) Como o sangue negro, Coagulado, Que vertia do corpo, Aberto Pelas trinta punhaladas (sobre ele desfechadas). Os mais horrendos pormenores São narrados, fotografados. Nada é proibido A maiores ou menores. Os prelos rodam No afã da venda. Sensacional O seu jornal! Roubos, assaltos (a mão armada ou desarmada). Atropelamentos, Envenenamentos (foi a empregada seduzida Pelo patrão). Toda a podridão Desenterrada Do lixo das cidades. Atrocidades! Figuras anormais, Bestiais Circulam pelas sessões Policiais, Em todas as páginas, Em todos os cantos Do jornais. Pormenores jamais proibidos (mas bem lidos) A maiores ou menores

Pega ladrão! quando passar correndo o menino, tão magro e rasgado,
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Pega ladrão! quando passar correndo o menino, tão magro e rasgado, com a bolsa roubada à madame ao repentino clamor que lhe segue, não ouça! pois, não sabem que o pequeno ladrão, desceu dos morros e da miséria onde algum dia (oh triste ilusão), algum político a mais, por pilhéria na certa, a todos dizia que o drama da morte acabara e nunca mais fome teria (porque se eleito…). Mas, coitado, bem viu que o doutor esqueceu a promessa. E agora na gente que grita e com pressa corre atrás do menino ladrão, eu vejo somente o desprezo de uma fração poderosa que vive alheia do povo que ri da desgraça e destrata que esquece as promessas e, de novo, vai pedir a esse povo que maltrata.

Espirais do tempo Em grandes vôos espirais procurei nos espaços
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Espirais do tempo Em grandes vôos espirais procurei nos espaços descobrir meu futuro, mas os pontos cardiais me conduziam, aos pedaços, a lugares sem nada, obscuros. Desiludido, cortei as asas e afundei no mar opaco que escondia o passado. Para compreendê-lo, fui fundo, pouco a pouco, em regressão. Havia uma criança que não podia entender, nem aceitar a morte. Sufocado, busquei a tona nadando através do tempo que esse mar revolto escondia. Vi um jovem atormentado que desenhava e escrevia. Sorri e acenei, mas não sorria e sem me dirigir um olhar desapareceu na densa bruma. Continuei subindo e vi o homem que amava, mas não compreendia o amor e. por isso, sofria. Deixei-me então ficar submerso sem mais coragem de olhar e,uma vez mais fugi, sem respostas.

Esperança do povo Lá se vai meu povo, triste.
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Esperança do povo Lá se vai meu povo, triste. Lá se vai esperando, de novo pensando que existe esperança. Que o dinheiro vai dar o mês inteiro p’ra gastar e sobrar p’ra poupança. Coitados! Minha gente é criança que de repente, p’ra se conformar, acredita nos sonhos. Mas, a verdade aparece contida na triste ilusão. O real depois permanece p’ra gente pensar. Pois, então? Só o pobre socorre outro pobre. E o rico só morre mais rico.

Barraco (minha casa?) O governo anunciou! Vão trocar seu barracão,
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Barraco (minha casa?) O governo anunciou! Vão trocar seu barracão, por uma casa de verdade, com janelas, porta, tem fogão. Casa pintada, de telhado sem goteiras, como aquela, lá no morro. Coitado! Já nem pode mais dormir, só pensando nesse dia. Ele vai ser proprietário. Como lhe faz bem ouvir este nome de magia. Proprietário, proprietário! Vão trocar seu barracão. Bem, é o que diz o semanário mas, doutor, será que vão?

Vozes do Passado Acordei, e me percebi mais velho, e era natural, sendo meu aniversário.
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Vozes do Passado Acordei, e me percebi mais velho, e era natural, sendo meu aniversário. Porém, ao me olhar no espelho notei o fato extraordinário; eu estava muito mais velho ainda, talvez muito mais do que deveria, porque no espelho eu refletia a imagem triste e cansada sem o mesmo viço antigo. Na surpresa, afastei a cortina que me separava do passado. Pouco a pouco notei antigos rostos, que vinham belos a sorrir saudades, mas que sorrindo se transformavam em nuvens densas de poeira cinza. De vultos velhos e curvados. O andar trôpego se arrastando na névoa escura do caminho, não me permitia identificar. Em meu espanto,vi surgir ao fundo outra figura entre as sombras, que refletida em mim. Era Eu, cada vez mais velho, mais triste, cada vez mais só, sem sorrir, sem esperanças, sem ninguém. Mas a solidão não me magoava, apenas refletia o passar do tempo, que corria e zumbia nos caminhos de outrora, inclemente, em gritos estridentes de muitos adeuses. E, do fundo também se ouvia o canto repetido e nostálgico dos espectros das vidas passadas.

Círculos viciosos Eu lia, mas não sabia ler, e tudo que eu lia,
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Círculos viciosos Eu lia, mas não sabia ler, e tudo que eu lia, porque não sabia, não fazia sentido dentro de mim. Procurei a ponta condutora, qual um filão do entendimento. Nada! Busquei fantasmas em cada negativa. Vi mortos-vivos, de passados tão presentes e mergulhei no fundo, mais íntimo, em um reflexo de ternura. Vi, na minha imagem um enorme vazio que transformou meu sonho na dureza fria da realidade. Seria maldade, ou o desejo de um fortalecimento? E, afinal, eu vi, mas não sabia ver. E tudo que eu via, porque não sabia não impressionava o negativo de minha alma. E, assim, caminhei passos sem saber, e, porque não sabia caminhar meus passos a nada me conduziam. E, ainda sem saber, retornei ao ponto de partida, sem mais esperanças.

No meio da estrada No meio da estrada, parado,
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No meio da estrada No meio da estrada, parado, olho à frente; o desconhecido, olho atrás; o nada. Tudo é nebuloso em figuras dispersas. A década perfeita dos anos dourados, perdida. Procurei nos teus olhos minha própria certeza esquecida em alguma esquina de nós. E, no passar do tempo ao nos vermos já não seremos os mesmos amantes de outrora, encantados, encantadores, mas sombras de um passado varrido da memória, mas presente nos corpos.

O giro do tempo Pedaços de mim que flutuam no tempo são pássaros sem rumo e sem pouso
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O giro do tempo Pedaços de mim que flutuam no tempo são pássaros sem rumo e sem pouso a buscar seus ninhos no céu da memória. Nas voltas que esse tempo dá, buscam encontrar aquilo que foi e já não é, mesmo sabendo que nada mais será igual ao que era e nunca voltará a ser o que passou por nossas vidas, pois não é o tempo que nos para, somos nós que paramos no tempo. Desse giro implacável e sem volta brota a angústia do tempo perdido em vãs tentativas de reencontros. São histórias passadas de risos e vozes que marcaram íntimas relações que trazem ao presente o ontem, amado ou sofrido, de toda uma vida. Persegue-se então, o sonho impossível que termina no mesmo instante que percebemos o vazio do tempo.

Amante No silêncio frio da noite mansa, mansamente, veio deitar ao meu lado,
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Amante No silêncio frio da noite mansa, mansamente, veio deitar ao meu lado, aninhando-se a mim como a criança que procura abrigo a seus temores. Ao sentir seu calor, busquei tocá-la aspirando seu perfume, mas calado esperei de olhos fechados o hálito morno de sua boca a me beijar o corpo. Sua mão ávida deslizou em meu peito a brincar distraída com meus pelos. Logo, correu suave pelo meu ventre palmilhando cada centímetro de pele. Meus dedos correram em seus cabelos e como um cego procurei seu entorno tocando, subindo e descendo planícies buscando nervosos morros e cavernas. Loucamente, cavalgou minha cintura e senti seus movimentos nervosos, em quase delírio por tê-la tão perto. Mas, no clímax do desejo abri meus olhos a tempo de vê-la perder-se no vazio escuro.

Túnel do tempo Apenas uma folha ao vento, no túnel do tempo, solta,
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Túnel do tempo Apenas uma folha ao vento, no túnel do tempo, solta, a vida é apenas um momento entre alegrias e tristezas de quem nas vitórias perdeu o sentido maior de crescer. Passageiro de seu destino, segue só, ao sabor de viver sem um rumo seu e verdadeiro, escravo de um futuro incerto, vivendo a vida no presente e olhando o tempo que passou. Caminha para o nada e o escuro, mas quem sabe sejam as trevas a luz dessa vida que nos leva desse mundo tão cheio de misérias.

Confissões Vivendo no curto tempo à frente e apesar de não querer pensar nelas,
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Confissões Vivendo no curto tempo à frente e apesar de não querer pensar nelas, algumas lembranças estão comigo, maltratando meu corpo e mente como feridas que deixam sequelas provocadas pela ação de um inimigo. É uma forma constante e mui danosa que me atinge e se torna perigosa. Sei que fiz coisas que não devia, mas também não fiz outras que merecia. Em algumas delas, fui traído, em muitas outras fui culpado por fazer sofrer alguém amado sem perceber o quanto estava errado. Gostaria de ter o poder de bloqueá-las por não mais suportar e pensar em parte desse passado que me faz mal, pois me maltrata e me persegue há tantos anos, e mesmo assim segue a me mostrar os erros cometidos, confrontando-me com toda a insensatez da visão míope, falsa e superficial dos relacionamentos não compreendidos.

Vida virtual Quantas palavras vazias são ditas nesta ciranda de uma vida inútil
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Vida virtual Quantas palavras vazias são ditas nesta ciranda de uma vida inútil que, na verdade, não dizem nada, pois são apenas frases mal ditas de uma pessoa simplesmente fútil, que melhor seria permanecer calada. Na correria de uma existência virtual amor e amizade são momentos iguais à previsão do tempo, falar o trivial de coisas constantes e sabidamente banais. A vulgarização de um forte sentimento tornou-se desse modo tão corriqueira que, talvez, em um pouquissimo tempo seja apenas uma sensação passageira.

Morte e vida No equilíbrio da vida e da morte plantei sementes que criarão flores,
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Morte e vida No equilíbrio da vida e da morte plantei sementes que criarão flores, e todos os dias busco nesse recanto de saudades, seguir esse nascer, sopro da força de novas energias que preencherão os espaços mortos. A morte é apenas a passagem no portal da vida para outras possíveis dimensões, mas a energia cósmica não se perde, e retorna ao todo para novas vidas.

Preconceitos Vinha correndo e parou quando me viu; imagem inusitada neste frio mês de abril,
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Preconceitos Vinha correndo e parou quando me viu; imagem inusitada neste frio mês de abril, aquela criança negra a me olhar e sorrir, bracinhos abertos, a se equilibrar nas pernas na fuga da mãe, que lhe corria, também a rir. Neste mergulho americano, acenei a elas agradecendo o calor humano sem preconceitos que vem das crianças, simples, puras e ternas, a mostrar às pessoas que podemos ser aceitos não importando a cor ou as origens delas.

Regresso ao Uno No vazio que ficou da morte de minha irmã, veio a presença de pessoas tão queridas,
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Regresso ao Uno No vazio que ficou da morte de minha irmã, veio a presença de pessoas tão queridas, que também um dia cruzaram esse portal. Onde estarão, o que serão elas agora? Nuvens, ventos, água, terra, energias? Eram carne, corpos, vida, sentimentos. Emoções trocadas em abraços, risos, carinhos, mas também em dúvidas, tristezas, frustações. Nos deixaram seguir em frente os caminhos, tantas vezes compatilhados, agora sozinhos. Como a luz tênue do final do crepúsculo, foram aos poucos se apagando de nossas vidas, deixando as saudades e sentidas ausências. Hoje, são lembranças que ficaram em nós, mas que permanecem bem vivas e eternas.

Thereza Em memória de minha irmã, Thereza Motta Morgan Em um número uma vida acaba,
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Thereza Em memória de minha irmã, Thereza Motta Morgan Em um número uma vida acaba, e substitui um nome que fica apenas na lembrança de alguns, de quem foi, que fez, o que amou, e o quanto a amamos. São sombras, apenas cinzas, de quem antes foi paixão, esperanças, sofrimentos, alegrias. De sua energia florecerão vidas como novas flores, e será eterna.

Descaminhos (II) Procurei antigos livros para tentar saber como se pode virar as páginas da vida,
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Descaminhos (II) Procurei antigos livros para tentar saber como se pode virar as páginas da vida, mas, nessa longa e intensa busca percorrida nenhuma linha que foi lida, me deixou perceber se é possível, enfim, mudarmos nosso acontecer, para poder recriar novos caminhos e destino. Sem qualquer chance de escolha e mesmo sem querer, aprendi finalmente então, que não somos somente nós a conduzir nossas vidas em todos os atos e passos e, para não cometermos nenhum engano ou desatino, vamos vivendo segundo a sinfonia de velhos compassos que é regida sem nuances, bem de longe de nosso ser para ficarmos, como autômatos, presos ao que foi escrito, na ilusão efêmera que estaremos então a conduzir nossas vidas, por tudo aquilo que já temos dito que fizemos, que construímos, somos ou faremos. Mas, sem condições reais de poder modificar tudo que já somos, imediatamente ao nascer, seguimos obedientes no caminho que recebemos.