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Frase de Victor Motta

Vozes do Passado Acordei, e me percebi mais velho, e era natural, sendo meu aniversário. Porém, ao me olhar no espelho notei o fato extraordinário; eu estava muito mais velho ainda, talvez muito mais do que deveria, porque no espelho eu refletia a imagem triste e cansada sem o mesmo viço antigo. Na surpresa, afastei a cortina que me separava do passado. Pouco a pouco notei antigos rostos, que vinham belos a sorrir saudades, mas que sorrindo se transformavam em nuvens densas de poeira cinza. De vultos velhos e curvados. O andar trôpego se arrastando na névoa escura do caminho, não me permitia identificar. Em meu espanto,vi surgir ao fundo outra figura entre as sombras, que refletida em mim. Era Eu, cada vez mais velho, mais triste, cada vez mais só, sem sorrir, sem esperanças, sem ninguém. Mas a solidão não me magoava, apenas refletia o passar do tempo, que corria e zumbia nos caminhos de outrora, inclemente, em gritos estridentes de muitos adeuses. E, do fundo também se ouvia o canto repetido e nostálgico dos espectros das vidas passadas.

Victor Motta

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Pensador.com

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Poema sem nome Num dia de feroz Intranquilidade Desci dos céus À terra impura Envolta em véus De maldade, De mil doenças, Sem cura. E, fui anjo, Fui demônio. Expectador De lutas, de misérias, De feridas abertas, Sem dor. Ao frio das incertezas, De todas as tristezas, Em angústias de ais, Infernais. Fui arcanjo Do bem E do mal, Em giros gigantes, Nos gritos vibrantes, Dos elefantes Da jangal De ruinas morais. Em trilhas tortuosas, Sinuosas, A conduzir-nos ao fundo Dos pantanais de lama, Fétida. Onde os javalis E as hienas Charfundam, Em risos roucos E bestiais. Onde os pássaros Não cantarão Jamais! Por que desci dos céus À terra impura? Loucura!

Lembranças Campeiras No final da noite fria,
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Lembranças Campeiras No final da noite fria, o vento corta, cortando a pele queimada, com cheiro de suor e terra. O sol espia no horizonte e clareia o dia. No chão, o fogo dança e espreita por entre toras. Na trempe, a água esquenta pra fazer o mate dessas horas. No espeto, a carne cheira enchendo o ar das narinas rudes e geladas. A mão que sova a erva aguarda a água quente pra servir à roda, com rostos marcados, de boca em boca, sorrindo ao dia que nasce nas coxilhas. No pampa guasca é mais um dia de um conto gaúcho.

Buraco Negro Tentando dormir, tropecei em meu sono
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Buraco Negro Tentando dormir, tropecei em meu sono e caí no buraco negro da mente. No susto, não consegui achar o caminho da volta, pois, no escuro tudo se voltava, de repente, num turbilhão de cenas e pensamentos difusos, confusos; era eu….não era mais, um animal….um cão? Era tudo ou só momentos de cenas em confusão, talvez vividas ou sonhadas? Sem ordem, sem senso lógico nem cronológico. Sem seguimentos, sem nomes,ou com muitos, em gritos, chamados…espantos. Risos de alegrias, e longos silêncios, soluços, de tristezas. O belo…sem belezas. Em cenários sucessivos, alguns quase mortos outros muito vivos, fui herói, fui bandido, fui aclamado fui banido, fui amado, fui traído. Mas, traidor, também fui e fui perdido, num mar de ondas rebeldes e negras, sem me conhecer e fui caindo, ainda mais fundo, no negro mundo, sem saber.

Cicatrizes Lembranças, lugares, saudades, Ausências, pensamentos.
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Cicatrizes Lembranças, lugares, saudades, Ausências, pensamentos. São rostos, são nomes, Chegadas, são partidas. São tudo, são o nada… Momentos. Nos caminhos da mente, São voltas, Alegrias, Tristezas. Frases perdidas, Sem respostas, exauridas. São passados, Em páginas amareladas. Gastas no tempo vivido, Que voltam e gritam. Presentes. Amargas, feridas. Guardadas, esquecidas. Memórias de outras vidas, Esmaecidas, recortadas, Enfraquecidas. Tempo perdido Nas marcas que ficam Das cicatrizes. Feridas abertas Na mente e no corpo. Sentidas.