Frase de Victor Motta
Pingo de gente Pingo de gente, já perdido pelos cantos da cidade. Parado nos bares, nos bancos, pelas ruas tristes da miséria. Menino na idade, crescido nos hábitos. Semblante amargurado, sem esperanças, sem ilusões, na crua realidade de nossa terra. Brasil sem lógica, futuro ou piedade. Exemplo materializado da guerra do ser e do não ser. Brasilidade! Será a pobreza-criança, fatigada, abandonada, a derramar seus rancores em gritos e apelos? Infância sem futuro, marginalizada. Submissa aos planos dos doutores, em miragens heróicas, e a esquecê-los, entre o real e a bela fantasia de construir um mundo sobre o nada, em montes de papéis e de promessas, que salvarão, por certo, da agonia a pátria-criança, abandonada no lixo pútrido da ignomínia para que o cancer do descaso correndo a cada passo do gigante, a alma fria, destrua-lhe no embrião, antes que cresca o filho pobre a reclamar justiça, e a vontade da luta e da conquista onde o povo oprimido lhe apareça a plasmar por si a própria história, como a obra-prima de um grande artista.
No pensador.ai desde