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Frases de Victor Motta

70 frases

Respostas Por que buscar a lucidez Fria e linear do raciocínio puro?
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Respostas Por que buscar a lucidez Fria e linear do raciocínio puro? Haverá lucidez na brisa que sopra E castiga meu corpo cansado? E, por que foste, assim como a brisa, Me fustigar, morna e terna, A esperança de meus sonhos? Por que ser lúcido se a lucidez Está em tudo que nos cerca? No vento,nas árvores, no sol Que desce agora atrás da linha Do horizonte que nos separa. Quero ficar assim, embriagado Na sensação de estar contigo, Nos caminhos que nunca percorri. Olhar com teus olhos e ver dentro Dos meus as mesmas paisagens Que jamais notei ou senti. Percorrer com teus sentidos Toda a certeza da felicidade. Pela primeira vez me reconheço Tranquilo, a olhar em frente O caminho aberto para a vida. Todos os fantasmas que criei E me atormentavam nas sombras Não mais habitam meus castelos. Como te dizer tudo isso? Como te conduzir pela mão E por ti ser conduzido? Como reacender das cinzas Tudo o que deixei apagar? Nessa busca, agora eu sei, Que só em ti está minha resposta.

O vento do tempo No delírio da irrealidade, acordei consciente
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O vento do tempo No delírio da irrealidade, acordei consciente que o tempo correu, mas ficou no passado, que hoje é presente. Sem qualquer maldade, mostrou o que fui e já não sou. Passou apressado com o vento dos anos e com ele carregou os sonhos de antigamente. No sopro do agora deixou o medo de viver nesse passado que ficou, perdido em muitos lugares, com diferentes nomes, em rostos invulgares. Deixou mágoas, esperanças, sombras, risos e choros. Soprou nas praias e campinas, passou montanhas e mares com derrotas e vitórias. Percorreu todos os caminhos do tempo das crianças. dos homens e mulheres que se encontraram e se perderam nesse mesmo vento que carregou o tempo dos momentos vividos e não realizados.

Fim de festa Louca confusão! É o final da festa.
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Fim de festa Louca confusão! É o final da festa. Pontas de cigarro pelo chão, marcam a realidade do gosto amargo pelo sarro, que ficou na boca, do cigarro. Um vazio imenso ao ambiente empresta, a presença do arrependimento. Foram risos, foi música, foi farsa. Busca infeliz de um nada, estampada, agora, nos olhos cansados, descrentes e perdidos. Copos derramados, paredes marcadas, por mãos suadas. Tudo já é passado. Alegria-mulher que invadiu, motivadora, minha solidão. E nada ficou, nada de profundo, de definitivo. Nada que valesse a pena, apenas um passo a mais, na busca do ego do eu interior, que não conhecemos. Século da cibernética, das máquinas infernais, computadores, robôs, órgãos artificiais. Homem-mecânico do século vinte. Tudo foi pesado, balanceado, meticulosamente dosado! Para que? Para nada! Se teu coração vai mal, nada de anormal, terás um novo, a pulsar vigoroso, injetando sangue em teus tecidos. Genial! E teu sistema nervoso, teu cérebro, tua consciência, tua vivência anterior? Século da genética, da potência energética. Situação patética, o vazio da alma, no vazio da sala, que me embala em mil pensamentos, em arrependimentos, que são angustias. Victor Motta

O Mito da Perda Cultura, sublimação, mito, inverdade, ou o que mais quizermos crer,
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O Mito da Perda Cultura, sublimação, mito, inverdade, ou o que mais quizermos crer, para criarmos suaves e doces fantasias mas que são de fato, apenas uma crença de que existe a perda da virgindade, pois não se perde o que se entrega a alguém que em confiança se amou. Na espontânea alegria de se darem um ao outro em perfeita comunhão de corpos entrelaçados que no amor se encontraram em primeira vez, existe um só pensamento, uma vontade coroada no sublime ato desse amor. Não é somente breve instante de prazer, pois será para sempre lembrado em muitos momentos de suas vidas, porque representou o se dar por inteiro na primeira emoção do cruzar dos sexos, ainda quevenham a formar novos pares. É o inesquecível legado da vez primeira a guardar nomes, lugares, emoções, momentos. Caso contrário, sem a chama da paixão, foi impulso, ilusão, violência, banalidade e, aí sim, foi-lhe roubado o sonho-mulher, deixando vazios, dores e incredulidade.

A ilusão da liberdade INSÔNIA Sozinho, reflito no frio silencioso
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A ilusão da liberdade INSÔNIA Sozinho, reflito no frio silencioso de meu quarto sem luzes. Busco encontrar meu tempo e, sem sono, me perco a buscar o tempo passado, mas, é o tempo que me encontra entre os lençóis, perdido! REFLEXÕES Um dia, acreditei no livre-arbítrio da natureza humana. Pobre Joseph Nuttin, estava errado! Somos seres sem vontade própria, sem condições de guiar nossas vidas. De alguma forma nascemos assim, marcados para seguir um caminho que não é o nosso, nos foi imposto. Por que acontecem os fatos da vida, fomos nós mesmos que os criamos? ILUSÕES A estrada nos foi adrede traçada e não nos permite maiores desvios. Apenas, como seres autômatos, seguimos o roteiro do papel vivido. Por que um não foi mais forte que o sim? Por que apenas uma palavra mudou tudo que pensamos verdadeiro? Seguimos sem vida a viver a vida em um papel que não escrevemos. Não escolhemos onde e quando nascer, não saberemos onde e quando morrer.

CADEIAS PARTIDAS Quero soltar estas negras correntes que me prendem e fazem mal,
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CADEIAS PARTIDAS Quero soltar estas negras correntes que me prendem e fazem mal, quero viver livre, cantar, quero amar! Deixar cair, um a um, todos os elos, ganhar a liberdade por minutos. Quero voar pelas planícies, encontrar nas alturas do céu o teu amor perdido no abismo da terra. Quero que só nós dois, unidos num último e desesperado vôo, busquemos a felicidade adormecida.

PROSTRAÇÃO Eu se chorar, fraqueza lhe parece, pois não sentiste o que sinto agora,
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PROSTRAÇÃO Eu se chorar, fraqueza lhe parece, pois não sentiste o que sinto agora, quando triste, prostrado rezo a prece de um homem só que na tristeza chora. E quando sinto que meu rosto empalidece, olhando alguém que se vai embora, cumprindo a teia que o destino tece, levando o amor de quem mais te adora. E quando em mim nada mais resta e já a noite com seu manto empresta a escuridão a meu triste mundo, eu choro e sem vergonha eu clamo que a vida que pela vida eu amo jaz perdida num abismo fundo.

A DANÇA DA VIDA O vento passa…é cortante e frio; com ele perde-se ao longe a esperança
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A DANÇA DA VIDA O vento passa…é cortante e frio; com ele perde-se ao longe a esperança e vagando, em minha mente crio sonhos que a vida não alcança. Nesse campo deserto e tão sombrio em que o destino minha vida lança, nada fulge, pois o tumular estio jamais verá outros anos de bonança. E na poeira que rola nos caminhos vejo meus sonhos se perderem agora e o último raio de alegria ir embora. Essa tristeza que em minha alma gora é planta que por flores tem espinhos nascidos pela falta de carinhos.

TREVAS Como é triste a noite sem luar, tudo imerso nas trevas, sem cor
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TREVAS Como é triste a noite sem luar, tudo imerso nas trevas, sem cor e como é triste também ficar na vida desiludido do amor Procurando sempre sem achar alguém, um só carinho que for. Sentir na vida um vazio, amar e só, da solidão sentir horror. Ainda sigo procurando a minha lua que posso achar aqui ou talvez na rua, ou nunca achar e continuar no escuro. Porque faz tanto tempo que procuro e nessa busca infeliz eu não me curo nem consigo esquecer aquela imagem tua

BUSCA Cansado, nem forças tenho p’ra chorar, pois sofrendo vaguei a procura de um bem
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BUSCA Cansado, nem forças tenho p’ra chorar, pois sofrendo vaguei a procura de um bem sem jamais um só amor eu encontrar, sem sentir jamais o afeto de ninguém. Nunca cruzaram os meus um só olhar, que me dessem a esperança de também neste mundo ter o direito de amar e ser amado neste mundo por alguém. Há os que nascem destinados a viver sempre só, abandonados, vivendo, mas da vida esquecidos. E entre esses assim perdidos sofrendo amores não correspondidos, vou seguindo a sina dos não afortunados.

ASTRO REI Tristemente desce o sol pela colina, sorrindo em doce despedida
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ASTRO REI Tristemente desce o sol pela colina, sorrindo em doce despedida do campônio que o saúda alegre. Quantas histórias ele sabe? Todas. Não descansa nunca, não pode parar. Muitos já o saúdam na chegada, do mesmo modo que por alguém foi saudado na partida. Ele segue seu ciclo, são outros lugares, outras gentes, conhece a todos. E sorrindo em doce despedida, tristemente desce o sol pela colina.

Canção do Adeus Mais uma vez, lábios se abriram
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Canção do Adeus Mais uma vez, lábios se abriram e me disseram adeus! Um duro olhar viu meu sim silencioso, cheio de surpresa e desapontamento. Lábios que antes úmidos, prometiam beijos, secos e crispados recusavam o amor. E meu corpo tremeu apertando a garganta. E, engraçado, nada havia mudado. Nunca houve amor, apenas farsa, ilusão e dúvida. Sua imagem ressurgiu das sombras, me acusando os erros de outrora. Sua boca, em outros lábios me apontavam. O destino por mim próprio construído era, enfim, a sua forma de vingança. Todo amor que desprezei um dia, foi consumido ao fogo do arrependimento. Mas, creia que já não luto e compreendo agora que tenho de sofrer o que lhe fiz. Embora por outros lábios, outras vozes e gestos diferentes. Tudo é você, tudo é seu e me condena.

TRAÇOS Traços. Fugazes traços.
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TRAÇOS Traços. Fugazes traços. Lembranças de rostos. Sorrisos, abraços. Tempos passados, passadas vidas. Pensamentos decompostos, imagens tão queridas. Tudo é passado, e tão presente, quão feridas, que magoam a gente

A espera Fiquei sentado, esperando
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A espera Fiquei sentado, esperando a campainha (que não tocou). Afinal o que sou? Um pobre coitado, um incompreendido, um mal amado? Olho figuras que passam, cavalgando na mente estórias não realizadas. De repente, estou só, a ruminar em meu estábulo dourado, sentado, esperando a campainha (que não tocou). Por que não grita, meu Deus, esta máquina infernal que me revela a triste lembrança de um nada? Brinquedo de criança em ruas desertas de minha meninice, em desabaladas carreiras, liberto. Risos apertados, traquinices, de um – quem é? perdido no vazio. Mas, eu agora já não rio, sentado, esperando, esperando, no meu estábulo dourado, ruminando, a dor, a descrença, a solidão. Seja o que for, que me faz alheio, apartado de tudo e de todos, sentado, esperando a campainha (que não tocou). (1968)

Despedida (II) Ao dizer, te amo não estarei mentindo,
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Despedida (II) Ao dizer, te amo não estarei mentindo, mas partindo, pois, quanto mais te quero, mais longe eu me sinto. E, creia que não minto te amo. Estarei te amando quando dizer adeus. E meus olhos molhados te dirão – querida. Saberás então que tentei cruzar o abismo, mas caí. Caí no vazio da solidão, desse passado, dessa angustia de saber que somos dois e jamais seremos um. Adeus amor, ilusões, felicidade. Corra para o vento de sua idade, seu mundo. Viva a vida plena, sem preconceitos, sem a não compreensão de outras épocas que represento. Seja você e não eu Adeus….te amo! (1971)

VOCÊ De repente, você está fora de qualquer razão,
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VOCÊ De repente, você está fora de qualquer razão, de qualquer entendimento. Você deixa de ser, de ocupar um lugar. É um não! Você é um enorme nada, vazio. Ser anti-social, desgarrada criatura errante na jangal dos homens, (ou serão feras?), desde antigas eras amalgamadas. Na agitação dos passos que varrem as ruas perdem-se suas mais íntimas confissões, de um homem só. Vida marcada no compasso da solidão e do desencontro. Na terceira década de sua existência, você é um aborto, morto! Avança rápido na direção do espaço infinito, longínquo, transcendental. Ser espiritual em sonhos envolvido, perdido na irrealidade de uma fuga patológica, ilógica, irreal. Arquiteto prodigioso de ruínas, você é um colosso, em tristes fantasias. O poder, a beleza, o amor, em rápidas braçadas são alcançados, ultrapassados, no ardor freudiano de suas compensações, emocionais. Este não é seu mundo, aqui não há correspondência para sua vida, nem clemência para suas súplicas. Mergulhe profundamente em seus sonhos azuis e esqueça. Talvez assim, um dia, você cresça e se torne um homem.

O Rio Da minha janela eu via o rio.
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O Rio Da minha janela eu via o rio. Um rio imenso, tenso, de diferentes cores, de história, e de estórias, de vida e de mortes, de mil valores, de risos e ais, brutais. E todas as tardes eu vinha à janela e via o rio, um braço brilhante de amante a envolver as terras que despencam da cidade (sem piedade). Eu via o rio até aonde a vista alcança e se lança a mente. Eu via o rio deitar sobre a terra em tons variados, que o céu, de ciúme, lhe emprestava. E eu estava ali a ver o rio, todas as tardes, sem alardes, quieto como o rio, triste como ele, nessas horas cinzas de todas as tardes. E tantas vezes eu vi o rio que aprendi a conhecê-lo em todo o seu íntimo. Em um átimo, eu o senti; seu braço me envolveu também. Brilhou dentro de mim, e eu senti o rio a correr em meu corpo. Nunca mais precisei chegar à janela para ver meu rio.

Ilusões (I) Hoje, voltei dez anos em meu passado,
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Ilusões (I) Hoje, voltei dez anos em meu passado, e vi um sonho, que foi presente, mas nunca foi futuro. Ilusão-criança, que brotou um dia (eu juro) da espontaneidade de um ideal (paternal). Voltei dez anos, de espanto e em pranto, estarrecido meço a extensão do nada. Calculo em milhões de números, a multiplicação, fantástica, do zero pelo zero. A imagem juvenil do que fui, confunde-se, desfocada, na angústia do que sou. Um presente-passado, sem futuro, a enterrar em profundas covas as provas de um erro. E do sonho desperta a figura de um covarde que treme e arde de revolta, mas cala. (1972)

Descaminhos Sem pedir licença uma onda triste
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Descaminhos Sem pedir licença uma onda triste invadiu minha vida e construiu barreiras que bloquearam risos e trouxeram lágrimas. Sem perguntar, ainda, não permitiu espaços do porque e do querer, enfraquecendo o corpo, deixando as mágoas de momentos não resolvidos. No passado, busquei saber, mas nas sombras do presente pude apenas lembrar o tempo que fluiu pelos caminhos sem rumo e tortuosos da mente.

Ode à vida Faça com que possa crer em teu futuro,
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Ode à vida Faça com que possa crer em teu futuro, mostre-me que tens força e transponha o muro que te faz cativo da dor e da vergonha. Teu coração aberto ao mundo ponha, desperte a mente que na vida sonha, acenda as luzes e fuja do escuro. Não pense que tudo se acabou, nem que de ruínas será teu existir, lute, erga a cabeça, viva, ou sucumbirás ao medo que há de vir. Se tua vontade é fraca, faça da derrota teu porvir, dê-me tua mão e creia que sou a outra mão pronta a te servir.

Central do Brasil Que estranho grupo, matinal,
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Central do Brasil Que estranho grupo, matinal, eu vejo todos os dias na central. Velhos mendigos, bêbados inocentes, reticentes: débeis mentais maltrapilhos, prostitutas insones, no roldão do povo de rostos sem nome, derramado. O homem a bater com a tábua nas árvores incrédulas. O pastor que prega, em péssimo português, ao povo que passa, com pressa, já sem convicção, nem religião. De quando em vez, um ladrão! A professora-criança de livros e sacolas, em demanda da escola. Amostragem de um povo brasileiro, na luta sem tréguas, do dia-a-dia. Na busca do pão nosso de cada dia, em várias formas, nos diversos caminhos, das ilusões, de tantos corações que formam o grande vazio sem esperança. Povo-formiga, rude, grosseiro, sujo, suado, que não olha para trás, mal humorado, que cospe no chão do vagão, que viaja nas portas do trem, pingentes da morte, no vai-e-vem da sorte. Povo-Brasil amalgamado no afã da sobrevivência. Gado-humano a desembocar no matadouro. Quem crê em ti fantasma? EU!

Apenas Era amor, era aconchego, era vontade de ficar junto,
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Apenas Era amor, era aconchego, era vontade de ficar junto, era calma, o sossego de um sonho sonhado. Trocas de carícias, eternas juras que se estiolaram no tempo corrido da vida em comum. Onde se escondeu a antiga paixão, onde ficou perdido tanto amor? Como duas pessoas que se amaram são, agora, apenas amigos? Onde ficaram as carícias, o sexo? São dois unidos, pensando em ser um, seguindo independentes suas vidas isoladas que não mais se tocam como antes. Juntos, vivem tão separados como se longe estivessem. São vidas a parte que se relacionam sem serem um par. Apenas tentam cumprir a promessa feita no altar de ficarem juntos até que a morte os separe.

Fim de festa Louca confusão! É o final da festa.
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Fim de festa Louca confusão! É o final da festa. Pontas de cigarro pelo chão, marcam a realidade do gosto amargo pelo sarro, que ficou na boca, do cigarro. Um vazio imenso ao ambiente empresta, a presença do arrependimento. Foram risos, foi música, foi farsa. Busca infeliz de um nada, estampada, agora, nos olhos cansados, descrentes e perdidos. Copos derramados, paredes marcadas, por mãos suadas. Tudo já é passado. Alegria-mulher que invadiu, motivadora, minha solidão. E nada ficou, nada de profundo, de definitivo. Nada que valesse a pena, apenas um passo a mais, na busca do ego do eu interior, que não conhecemos. Século da cibernética, das máquinas infernais, computadores, robôs, órgãos artificiais. Homem-mecânico do século vinte. Tudo foi pesado, balanceado, meticulosamente dosado! Para que? Para nada! Se teu coração vai mal, nada de anormal, terás um novo, a pulsar vigoroso, injetando sangue em teus tecidos. Genial! E teu sistema nervoso, teu cérebro, tua consciência, tua vivência anterior? Século da genética, da potência energética. Situação patética, o vazio da alma, no vazio da sala, que me embala em mil pensamentos, em arrependimentos, que são angustias.

Assim… Quero-te toda assim, abandonada em meus braços, louca, embriagada.
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Assim… Quero-te toda assim, abandonada em meus braços, louca, embriagada. Sobre meu peito entregue, possuída, em corpo, espírito, na própria vida. Quero-te assim gemendo qual bacante. que se entrega inteira ao fogo do amante, que nas chamas do amor e em desvario, beija, morde, arranha, suplica em delírio. Quero-te assim, cabelos desgrenhados. mancha escura em coxins molhados, pelo suor que emana de teus seios, altar sagrado dos mais ricos veios. Quero-te assim nas horas de doçura, em medrosas carícias, toda pura afagando cabelos despenteados como a mãe ao filho, entre cuidados. Quero-te assim, irmã tão carinhosa que ao louco irmão aconselha, temerosa por sua vida do mundo desgarrada, que a preocupa e faz desesperada. Quero-te toda assim, fêmea, mulher, sendo só minha, mostrando que me quer. Quero-te assim, mistura de mulheres, mãe, amiga, amante, o que quiseres ser – e pelo que és – te quero tanto. Pois se resumes tudo aquilo que sonhei em dias de angustias e temores, eu sei que te quero enfim, pois és a vida que quero e junto a ti eu estarei.