Frase de Victor Motta
A espera Fiquei sentado, esperando a campainha (que não tocou). Afinal o que sou? Um pobre coitado, um incompreendido, um mal amado? Olho figuras que passam, cavalgando na mente estórias não realizadas. De repente, estou só, a ruminar em meu estábulo dourado, sentado, esperando a campainha (que não tocou). Por que não grita, meu Deus, esta máquina infernal que me revela a triste lembrança de um nada? Brinquedo de criança em ruas desertas de minha meninice, em desabaladas carreiras, liberto. Risos apertados, traquinices, de um – quem é? perdido no vazio. Mas, eu agora já não rio, sentado, esperando, esperando, no meu estábulo dourado, ruminando, a dor, a descrença, a solidão. Seja o que for, que me faz alheio, apartado de tudo e de todos, sentado, esperando a campainha (que não tocou). (1968)
No pensador.ai desde