Frase de Victor Motta
O Rio Da minha janela eu via o rio. Um rio imenso, tenso, de diferentes cores, de história, e de estórias, de vida e de mortes, de mil valores, de risos e ais, brutais. E todas as tardes eu vinha à janela e via o rio, um braço brilhante de amante a envolver as terras que despencam da cidade (sem piedade). Eu via o rio até aonde a vista alcança e se lança a mente. Eu via o rio deitar sobre a terra em tons variados, que o céu, de ciúme, lhe emprestava. E eu estava ali a ver o rio, todas as tardes, sem alardes, quieto como o rio, triste como ele, nessas horas cinzas de todas as tardes. E tantas vezes eu vi o rio que aprendi a conhecê-lo em todo o seu íntimo. Em um átimo, eu o senti; seu braço me envolveu também. Brilhou dentro de mim, e eu senti o rio a correr em meu corpo. Nunca mais precisei chegar à janela para ver meu rio.
No pensador.ai desde