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Frases de valdenir de lima oliveira

174 frases

Sinal De Deus O caminho que leva Suspiro no ar
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Sinal De Deus O caminho que leva Suspiro no ar Um pé na terra E o outro no mar, Vento que sopra Em qualquer direção É fe que mora aqui dentro E nunca vai desabar, O carinho que eleva Em qualquer coração Moradia que releva Qualquer estado de conservação, O caminho é o destino E aflito é o menino Que segue sozinho Num louco e triste desatino, Pelas escadas da vida Pelas ondas do mar E o suspiro do ribeirão, Fazendo o menino chorar Desde muito pequenino Já soltava o pranto no chão, A mão da vida era muito pesada E a criança não podia aguentar Ela sempre caía da escada Sem ninguém pra te amparar, É destino malino E jornada É vestígio de pó E resto de nada Mas viver era sempre um capricho Um aprendizado meio esquisito Não tinha brincadeira Nem banho no riacho, Só tinha vendaval E braços acenando a bandeira É como se eu vivesse E ninguém soubesse Que eu existo, Mas assim que o dia amanhece Já tô na estrada E os meus sonhos persiste O meu caminho Só quem sabe sou eu Ninguém deitou no meu ninho Pra entender de dor como eu, Que viu a vida valente Surrando a cara da gente Jogando poeira nos olhos E nos obrigando a olhar pra frente, Sem conhecer o fim Nem a estrada onde ir Esquecendo do sim E batendo sempre em porta errada Foi vida e destino se cruzando Foi mágoa e o tempo levando Pela correnteza do tédio E o tempo Que se perdia sonhando Foi voz que dizia que não E força que insistia a lutar Contra toda e qualquer multidão Que no chão queria derrubar Caminhei, Como jamais quis andar Lutando e aspirando a pé Com um passo bem devagar Mas seguindo sempre com fe Foi chão Foi grão E migalhas Quase um lixo Quase sem pão? Um corte de navalhas Deixava sempre aberto Dentro do peito um vão Que já parecia um deserto Foi quando eu avistei uma luz Tocando na minha direção Eu já fiz logo o meu sinal da cruz E confesso que foi tanta emoção, Era um sinal de Deus Avisando que estava no fim Toda aquela peregrinação Com vozes do além Dizendo que sim, Pra um coração Que já agradecia Gritando bem alto amém Porque não mais padecia.

Amor Amigo Um amor amigo Aos poucos foi sendo descoberto
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Amor Amigo Um amor amigo Aos poucos foi sendo descoberto E apesar de abrigo Ao mesmo tempo deserto, Congelando minha calma Minha vontade regressa De cair em seus braços Te possuindo depressa Um amor amigo Que fale da primavera Um enroscar contigo Uma certa quimera, Que apavore num grito Quando o calor do meu corpo no seu De paixão se queimar, Vão pensar que é perigo E pintar de outra cor Porque um amor amigo é assim Sem luz e sem cobertor, É cheirando a jasmim É receio e pavor Tem dias que ele faz festa Tem dias que é só horror E um pedido de socorro Tão logo se manifesta Assim como quem perdeu O seu rumo Dando com a porta na testa Um amor amigo acontece Pega a gente de surpresa Ele quase nos enlouquece E manda pra longe a tristeza, O seu corpo aqui me aquece E eu me pergo na sua beleza Um amor amigo É coisa que cresce Aqui dentro da gente É por natureza Um amor amigo é banho de rio É a coisa mais singela É vento que sopra macio Balançando até a janela, É coisa que não tem explicação Quando acontece Alimenta o coração E de sufoco a gente padece, Querendo mais do que se espera Pedindo colo em vez de mão É um faz de conta já era Que não passa só de ilusão.

Me Leve Pra Qualquer Lugar Me leve em seu raio de sol Na beleza plena do seu olhar
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Me Leve Pra Qualquer Lugar Me leve em seu raio de sol Na beleza plena do seu olhar Clareando como um farol Como chuva no chão a molhar, Me leve no sal Do teu paladar Na sua boca confusa E no seu medo de andar, Me leve na fuga E faça de mim tudo sempre igual Todo dia me abusa Mas não me deixa de amar, Me leve sem medo E me traga outro beijo Tudo é tão cedo Mas com tanto desejo Já não dá pra esperar, Me leve E me traga de volta Nas voltas do seu abraçar, De tão louca Solta me leve No breve espaço Que me deixa louco Solto maluco no ar, Me leve na tua dança E na tua maneira de pensar Me guarde na tua lembrança E na sua boca louca de beijar, Me leve na sua lambança E na sua maneira de se lambuzar.

Calmaria De calmaria Berra o homem
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Calmaria De calmaria Berra o homem Quando reza avemaria E quando corre do lobisomem, Porque no caminho Sempre deixa seu erro E ao invés de consertar Ele fica de porre E por esse mundo ele some Acabando de arrebentar De calmaria morre o homem Que não sabe amar Por descuido ou vaidade E por não acreditar O seus passos na areia É a sua perdição É como um corte na veia E não se ter compaixão, De calmaria corre o homem De natureza duvidosa Por ter medo do passado Vivendo em contradição De calmaria ele chora Por ter medo do mundo Pelo que acontece lá fora E que reflete por dentro bem fundo De calmaria ele morre Sem socorro E quando ele corre Sempre dá de cara pro morro De calmaria ele é mito É recado É palpite E quando aflito É pra sempre abandonado.

A Fúria Da Razão Um dia eu tive que reclamar Das coisas que só me faziam mal
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A Fúria Da Razão Um dia eu tive que reclamar Das coisas que só me faziam mal Não dava mais pra deixar Aquele barco de novo a remar, E fingir pra mim mesmo Que estava tudo bem Tudo normal Tive que mostrar Qual era o seu lugar E impedir que outra vez Voltasse e fizesse tudo igual Não dava mais pra aguentar Tanta hipocrisia E tanta coisa fora de lugar Tanta coisa era um perigo De se ter medo até de entrar, Pela gelosia Dava sempre pra espiar O que se escondia naquele abrigo Que pra gente não queria mostrar Não era faca, aço Nem facão, Não era barco, abraço Só coração Espantado como ele só No vai e vem Dessa confusão, Num estado de dar dó Com rosto molhado Sem direção Um dia eu tive que reclamar Colocar a boca no trombone O meu instinto é amar E nunca falar em telefone, Comigo é olho no olho É o meu jeito de reagir E também de começar, Malandro tu não tenta fugir Porque o meu grito é tão alto E tu não queira imaginar, A doçura tem meu jeito normal Quando ninguém me atrapalha E me trata sempre por igual Mas nunca banque o canalha Atropelando o meu ideal, Porque se não você vai conhecer A fúria da minha razão Que dentro de mim Nessas horas dão sinais E faz prevalecer O que vem do coração, E todo dia aqui dentro Já bate sem fim, É batuque de assustar E até parar a multidão.

O Mistério Da Vida O mistério da vida Só a morte explica
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O Mistério Da Vida O mistério da vida Só a morte explica Pelo tamanho do corte E a ferida que fica, Pelos caminhos sem sorte E pela saudade sentida O mistério da vida É uma viagem no tempo Uma lembrança atrevida Um sentimento retido É uma chama que se acende E nunca quer apagar É uma falta Que poucos compreende Mas no peito De quem sente Ela quer sempre rasgar, E quando ela exalta É maior que dor de dente Faz a gente correr E até mudar de lugar, Quando ela aperta é feito serpente Nessa hora a gente quer morrer Já que nunca mais pode abraçar E nunca mais vê pela frente, O mistério da vida Ninguém nunca vai entender Porque existe a despedida Se queremos tanto viver, Porque tanta luz se apaga Muito antes de nascer Silêncio nessa hora é o afago É o que dá pra entender, Pela largura da dor É o que se aguenta dizer O mistério da vida Quase não dá pra escolher, É a fase mais dividida Porque só nos resta morrer Nem as horas vão poder mudar Nem o tempo vão poder dizer, Um dia a gente vê tudo acabar E quase nada deu pra viver.

Rock In Roll Eu ouço um canto sem voz Em algum lugar desse mundo
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Rock In Roll Eu ouço um canto sem voz Em algum lugar desse mundo Uma multidão e um ser atroz Vivendo calado no submundo, Uma pausa me enche de calma Mas não demora e já vem a pressa Querendo furtar Minha alma confessa Trazendo agonia Com essa dor impressa Eu quero fugir Eu quero cantar Não me deixe cair Só me deixe sonhar, Eu quero tua boca E quero caminhar Eu quero fugir E também quero amar Eu te ofereço uma rosa E uma viola eletrônica Toma teu rumo E deixe de prosa, Primeiro escreve com sumo Um lindo e raro poema E depois escreve uma crônica Usando o rock como tema Amanhã eu quero acordar E outra vez rever meus conceitos Chega de me acomodar Com os meus defeitos, É chegado o dia E a hora de mudar Amanhã eu quero ir mais longe Sem hora prevista pra voltar Curtir essa vida tão "lounge" E não esperar esse mundo acabar Amanhã eu só quero ter pressa Se ela for fiel a ficar Nada mais me interessa Nem mesmo se o mundo acabar Amanhã eu quero ir pro rock Pra ver se fecha esse corte Que a vida abriu Quando inventou a morte, Fechando os olhos de quem sorriu E o destino daquele Que contava com a sorte Amanhã eu quero Muito mais do que hoje Amanhã eu espero Muito mais do que ontem, Amanhã eu quero E não pela metade Amanhã eu espero E não é por vaidade Por isso eu bebo rock E respiro fumaça Fumaça do som E do vidro que embaça, Porque é esse o meu dom Embriagar no rock in roll E esquecer da cachaça Depois esperar do amanhã Lembranças marcantes De uma gente sã Com seus amores distantes, Que abraçaram e partiram Por esse mundo afora E quando insistiram Já era hora de ir embora O rock chegou Como quem chega e chora E assim te fez caminhar Por essas linhas tortas, Deixando pra trás Quem chegou agora Pronto para amar E nos trazer aquela paz, Entrando por essas portas De quem sempre pede mais No vai e vem pra algum lugar O rock é quem manda E quem sempre corre atrás Rock in roll de manhã Meio dia e depois do jantar Rock in roll tá na veia Tá na lã E no jornal, Todo dia é pra gritar E fazer tudo sempre igual Porque rock in roll ta feira E na liga da justiceira Que completam meus dias Como brincadeira, Nos trazendo alegrias Na quantidade de uma cachoeira Por isso eu bebo E respiro rock, Eu me requebro E me desloco É a magia Da minha locura, Onde o meu cérebro Faz barulho Mas eu sei que é só alegria E no fim muita doçura.

Mascote Da Amizade Se eu pudesse Eu guardava o teu sorriso
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Mascote Da Amizade Se eu pudesse Eu guardava o teu sorriso E não deixava Ninguém chegar perto, Ter você é tudo que eu preciso É a dose mais pura De água no deserto Se eu pudesse Eu te guardava na lua Pra que ninguém tocasse em você E só o teu brilho chegasse na rua, Como quem chega E ensina a viver Se eu pudesse Eu te carregava pra mim E a minha vida entregava Em suas mãos, Como quem entrega sem fim Com a mais pura e louca emoção Seu sorriso irradia a multidão Seu caráter transmite sensatez É coisa que não se paga Com um milhão, Nem dá pra levar tudo de uma vez Porque junto a tudo isso Vem a sua bondade, Que é mais que um compromisso É pura sinceridade Se eu pudesse Eu te protegia da chuva E te escondia do sol Quando o inverno chegasse Eu te trazia lençol E defendia da rua, De todo perigo Eu defendia também Você é um grande amigo E sabe ser do bem, Assim como você Aqui outro não tem Você é o mascote da amizade O vento que sopra Em qualquer direção, Você é amigo de verdade E contigo não há desonra Nem tampouco decepção Amizade é acordar de manhã E achar tudo engraçado Amigo é ser natural E está sempre do nosso lado, Segurar a nossa mão Quando mais precisar Sem olhar os nossos defeitos Tratando todos por igual Se eu pudesse Eu te levaria comigo Pro fim do mundo E aonde mais precisasse, Te guardaria em meu abrigo Quando esse mundo acabasse.

Vida Louca Meus olhos são aquele morro E o pó é como cachoeira
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Vida Louca Meus olhos são aquele morro E o pó é como cachoeira A boca pede socorro E o sangue quando ali escorre É como água na biqueira, Não sei quem vive Não sei quem morre Eu só sei que é livre Assim como quem corre, Viver nunca foi brincadeira A vida sempre teve lá seus aclive Eu sou a boca De quem não morde E o poder de quem não têm, Eu sou tudo o que você procura Na falta que me faz também Acorde a sua locura Porque o amanhã já vem, Adote aquela doçura Pra quem um dia te olhar Poder dizer amém Os meus olhos são uma cidade Numa noite de carnaval É uma bela amizade Em pleno canavial Que vai cortando com a mão Pra fazer aquele açúcar Misturando mel com paixão Até aguçar o que se quer Nem que seja perdão Ou ilusão se puder, Perto do que não vai Longe do que já vêm Na pureza de todo dia No sentido do que não sai A locura já detêm E o poder da alegria Cada vez ficando pra trás Longe do que não sobe Perto do que só cai, Pano que nunca encobre Menina louca de saia Confuso destino destraia E aos poucos um dia descobre É a vida louca que se vê Perto do sol que já tá pra nascer Eu vim na sombra da lua Muito antes de tudo escurecer, Pelo o que se faz na rua Diz que te ensina E ainda da prazer Prazer de se ter na cintura O que devia esquecer Isso é perto da locura De quem não têm o que fazer, Quando a doçura já amarga O jeito mesmo é correr Enquanto dá tempo E os amigo não te larga Os meus olhos São os retratos do mundo Aflição de quem olha Desespero de quem não vê Perdição lá no fundo Decepção se não crê Aventura de amargar Nuvem negra em pleno deserto, Rio a naufragar Nunca errado Sempre tão certo É o preco que temos a pagar Quando o enredo é incerto Dá vontade é de afogar Pra nunca mais chegar perto.

Felicidade Felicidade é coisa rara Daquelas que a gente
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Felicidade Felicidade é coisa rara Daquelas que a gente Quer segurar com as mãos E nunca mais soltar, A gente quer guardar no coração E por aí andar Com ela estampada na cara Felicidade é uma pedra preciosa Uma amiga meio delicada, As vezes ela é ansiosa E chega te dar cutucadas Felicidade é água de rio Que corre tranquila alegre e macia, Felicidade nunca é vazia Tem sempre mais alguém A compartilhar dessa alegria, Pois ela é sempre contagiante E só ela faz melhor o seu dia Pra você seguir adiante E sair da nostalgia Felicidade é bem querer É luz divina no amanhecer Felicidade é chuva no teto É luz que faz O nosso sonho crescer, Só ela é quem refaz De uma vez por completo Um campo inteiro Tão lindo a florescer.

Retirantes Somos o pó De uma vida em ruínas
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Retirantes Somos o pó De uma vida em ruínas E uma gente Sem disciplinas Tentando desatar esse nó Somos a rampa do morro E cara mais suja no chão, Somos enfim aquele choro Sem a chave do mundo na mão Somos relâmpagos Invernos e refrão Que o trovão da vida É um poema Pra moça sem coração Que vive sempre iludida, Fazendo dos seus dias Um dilema No breu confuso da noite Sem amor, amigos ou paixão Somos a voz Que se solta em vão Um ser feroz Na escuridão, Somos a correnteza E aquela multidão Vivendo de incertezas Querendo tocar O sol com as mãos, Somos enfim uma fortaleza E toda aquela confusão Somos a liberdade E toda a solidão Prisioneiros da desigualdade E da falta de compaixão, Pois o mundo é um motor Que gira em rotação Onde a verdade As vezes se esconde E no peito ainda mora uma dor, Somos enfim essa multidão Com essa falta de amor E perdão Que a vida as vezes É como um trator Um certo quinhão Pra quem tem outra cor Nós somos a falta Que preenche o vazio A solidão que exalta E o sucesso um tanto tardio, Somos o regresso De quem vem de longe Trazendo na mala Sonho e esperança E também algum documento, Mulher sempre fica na sala E criança vem com o tempo Quando a coisa aqui melhorar Eu coloco todos na bagagem E também carrego pra cá, Pra ver o sol nascer mais bonito E beleza vai ser trabalhar Pra se sonhar com o infinito Primeiro é preciso buscar Pra depois louvar com o bendito O que de fato pôde encontrar Do pó do nordeste sem chuva Onde só tem curva e peste Eu vou direto é pra cidade grande Pra que algo de bom Lá se manifeste, Apesar do barulho do som Diferente de lá do nordeste Onde tudo era só silêncio E tão calmo o nosso agreste, Levo comigo o meu dom Que tenho há milênios Uma forma assim de presente Vinda de uma força celeste Pra quem tá na vida sem rumo E longe da casa da gente.

Voz Ativa Depois a gente inventa Uma outra maneira de falar
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Voz Ativa Depois a gente inventa Uma outra maneira de falar De uma forma que não arrebenta Nos obrigando a calar, Já que tudo que a gente diz Dizem que é proibido É coisa que contradiz A um ser assim tão sabido Depois a gente inventa Uma maneira de falar Porque todo rei Tem sangue na venta E quase nada ele quer escutar, E por isso eu já não sei Se eu falo, Canto ou berro Pra que um dia congele Na garganta um calo De tanto vomitar o que eu quero Depois a gente inventa Uma direção Uma luz que levanta E acenda teu coração, Que já anda meio escuro e perdido Vivendo em contradição Depois a gente inventa Uma palavra Que seja tão só Mas sempre dona da gente, Que toma conta de nos dois Quando levantar aquele pó E nada mais se ver pela frente Coisa dura tormenta Palpite cego valente Palavra arisca confusa Diagonal do tempo serpente, Que vibra cai E não sai Nos vãos desse cais Já recai, Quando perdido se acha que vai E a boca intrusa Num segundo retrai Depois a gente inventa Uma outra maneira de calar Dessa vez um tanto diferente Daquela que se tem de falar, Que surdo que é surdo lamenta Um dia não poder escutar Pelos ares vai sempre voando Algo que o povo dizia Quando os homens Na terra voltando Ouvia somente o que queria Parte que não preenche Voz que não alimenta É esse o mais puro vazio De quem consente por fora E se cala por dentro, É nessas horas Que eu já não sei Por que será que ainda aguenta E não abre esse jogo agora, Todo dia só aumenta E um segundo já demora É coisa que o coração inventa E logo já quer gritar, Por tudo que tá engasgado E já não dar pra esperar Voz maluca quer correr Quer cair na tentação De quem fala por viver Por gritar um coração Que palavra enche o mundo Enche mais que o ribeirão E se não grita quer morrer É como viver na escuridão.

Toda Brincadeira No fim toda brincadeira Vira coisa séria
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Toda Brincadeira No fim toda brincadeira Vira coisa séria Assim como todo país A sua bandeira simboliza a miséria, No fim toda brincadeira Sempre pede bis Mas um dia ela vira coisa séria E já não é mais aquela Que a gente sempre quis, No fim toda brincadeira Esconde algum mistério Como cadeira Que se empilha no escuro E pra cair já está por um triz, No fim toda brincadeira Sempre vira uma escola Cada gesto é uma cordilheira É como tirá um coelho da cartola, Fazendo dessa brincadeira O nosso canto e a viola Pra sempre um eterno aprendiz, É o saber que se leva Pra qualquer lugar Dentro da sacola.

A Música Em Mim Quando muito ainda era pouco E pouco era quse nada
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A Música Em Mim Quando muito ainda era pouco E pouco era quse nada Quando cantar era um sufoco E se insistisse levava pedrada, Eu bancava o louco E cantava até nas calçada Quando eu gritava E ninguém me ouvia A minha voz flutuava E quase nada dizia, Era susto Era covardia Mas mesmo assim A música eu abraçava E quando cantava Eu ia até o fim Porque sem a música em mim Me falta um pedaço É como se você Dissesse que sim E eu já não soubesse Mais o que eu faço, Sem música O meu mundo escuresse É como gostar de alguém E não ganhar seu abraço Quando eu canto No mesmo instante eu danço Por isso te causa um espanto Mas é dengo maluco Que só faz bem À um coração tão manso, Porque o seu sorriso É um encanto E quem se olhar encanta também, É quase preciso É como remanso Quando mais ainda era menos E escutar já tanto fazia Eu sempre ficava sereno E nunca perdia a alegria, Porque minha viola Era sempre contente Como um pássaro na gaiola Cantando sempre o que sente, Porque a música em mim Me faz tão bem É o viver mais distante E ao mesmo instante presente.

Escravos Da Maldade Além de muito sol Muito sal
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Escravos Da Maldade Além de muito sol Muito sal E pouco mel, A vida me fez assim Me cravou no peito um anzol E me deixou de cara pro céu, Quando você partiu E me deixou E nem quis saber o que era certo, Foi quando pegou fogo de vez Em todo amor que era seu Deixando tão longe Tudo que era perto, Além de muito medo Muita mágoa E pouco desejo, O mundo te aponta o dedo Te joga dentro da lagoa E sempre nega aquele beijo Te deixando atoa Além de muito sofrer É muito pouco O seu querer, Me enche de esperança Fazendo todo que louco viver E logo cair nessa dança Além de muito cair Poucos braços pra te levantar Alguns por não querer sair Outros pelo prazer de te maltratar Além de pouca liberdade Muita luta E pouca igualdade, Pouca gente nos escuta Somos escravos da maldade, Onde grita a melodia Nos confins dessa cidade Onde os loucos correm pra gruta Assassinando a alegria, Pela falta de verdade Nessa louca rebeldia Além de muito suor Muita carreira Nenhum pouco menor, Tanta sujeira E tanto sujeito sem dó Que corta, mata e aproveita O bem bom de estar só, Na loucura travessa sujeita De sempre se esconder à direita Sem nunca deixar rastro, Vestígio nem pó.

Aprendiz Espero que você Tenha aprendido a lição
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Aprendiz Espero que você Tenha aprendido a lição Pra que tanto b-a-ba Não tenha sido em vão, Espero que você Tenha se arrependido Pra que tanta comunhão Não tenha servido pra nada, Espero que você Tenha entendido o recado Pra que tanta confusão Não tenha sido pecado, Espero que você se entregue De corpo, alma e coração Pra que tanto esfregue, esfregue Não seja só paixão Pra não ficar parecendo Que o amor tenha acabado Quando só restou ilusão, Com tanto sangue fervendo Espero que você Tenha rezado no sábado Pra que tanto vem me ver Não seja só perdão.

Animação Hoje eu quero brasa No meu aconchego
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Animação Hoje eu quero brasa No meu aconchego E vento pra me animar; Sem esse olhar de mundo cego Que segura a minha asa E não me deixa voar, Hoje eu quero a luz Que clareia um coração Capaz de irradiar uma casa E tirar o capuz Dos olhos dessa paixão, Pra que a gente finalmente Consiga se amar E não ser mais o intruso Em frente ao portão Hoje eu quero A mais linda melodia E só da tua boca eu espero O canto que faça Melhor o meu dia, E que toda fumaça Seja o mistério da vida Aonde se esconde Toda e qualquer alegria, E que a chuva não caia Antes do sol sair Pois eu tenho medo da vaia Que possa insistir, Assim como o bonde Que passa apressado E o homem diz Não querer mais ir Hoje eu quero a vida De um passarinho Onde o vento te convida E a liberdade faz seu ninho, Que meu canto seja a glória A clarear todo caminho Capaz de curar uma ferida E o meu canto entrar pra história Hoje eu quero o abraço da noite E o olhar sincero lá das estrelas Pra quando esse mundo me olhar Verá que a luz é como açoite A brilhar nos olhos dela, Hoje eu quero no espaço Um cantinho bem guardado Pra que o meu corpo Em seu abraço cela E sinta o prazer também De um dia ser amado Hoje eu quero festa E muito barulho Quero um abraço bem apertado Mesmo de quem me detesta Mesmo que seja um bagulho, Animação é o que me convêm Pois eu não vir a esse mundo Pra agradar ninguém Eu quero é curtir a vida E se você quiser É só me acompanhar também, Eu te prometo a minha amizade E defender de todo perigo Mas a minha sinceridade Sempre te impõe castigo, Pois quando eu abro a minha boca Eu falo sempre a verdade E se isso te incomoda Talvez é você que não sirva Pra entender o que é liberdade E muito menos pra ser meu amigo.

O Meu Amigo Travesso O meu amigo travesso Outra vez correndo perigo
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O Meu Amigo Travesso O meu amigo travesso Outra vez correndo perigo Ele está de volta a um começo Aonde tudo começa contigo Amigo maluco, travesso Que apuro! Você é o susto Que alimenta a amizade É o barulho que assusta E acorda toda cidade Diante de tudo isso Toda manhã é preciso cuidado Amigo travesso, Maluco, pirado Toda manhã Eu preciso um bucado De está pertinho de você E amigo assim É pra se ter dentro guardado E assim pra sempre vai ser Nunca aqui dentro ter fim Mesmo que o mundo tiver acabado.

Nepotismo Um dia o nepotismo se apaixonou perdidamente pela família, Dizendo agora canta teu galo que o meu já tá no terreiro,
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Nepotismo Um dia o nepotismo se apaixonou perdidamente pela família, Dizendo agora canta teu galo que o meu já tá no terreiro, Cuspiu a valentia na cara dos fracos Deu um nó na gravata E também em nossa garganta, Ateou fogo no sonho e arrancou toda ilusão, Nos sangrou com o teu silêncio Depois de envenenar os nossos desejos, Prometeu o céu mas derrubou o mundo, Trouxe quem tava longe Pra que a bagunça ficasse completa, Enganou a multidão Que um dia pulou e sacudiu Pela tal da união, Foi quando eu vi tudo se acabar E tanta coisa sucumbiu Nova maneira de pensar Tragicamente em mim reagiu, Porque não era hora E nem lugar, Mas quando o meu chão se abriu Eu vi por você toda luta ir embora E só me restou afogar.

Sina A estrada era longa E parecia nunca chegar
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Sina A estrada era longa E parecia nunca chegar Os olhos distantes Eram aqueles faróis Que a noite carregava Como se o dia nunca fosse raiar, E o vento era como os pneus A correr macio no asfalto É como se a brisa nunca existisse E só o barulho pudesse escutar, E assim entrei na madrugada Correndo sem sair do lugar Olhando ao meu lado Quem sofria em disparada E os meus olhos com sono Já queriam fechar, Como se perdessem o trono E quisessem repousar.

Cortesia Não quero te ver triste assim Tristeza assim não combina
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Cortesia Não quero te ver triste assim Tristeza assim não combina Não quero que seja teu fim Acabar tão triste, menina, Eu quero te ver sorrir Eu quero te ver correr Não quero que façam por mim O que eu não consegui por você, Mas me leva na tua gandaia E me deixa apagar teu facho Me dá um nó em tua saia E me leve no teu requebrar, E quando você sai E eu não te acho Não sei o que será de mim Seu riso corta como uma navalha E sua boca fala como um arlequim Não quero te ver tão louca De louco já basta eu Não quero te ver tão rouca De tanto me chamar de seu, E quando eu beijar a sua boca Já pode vir buscar o que é teu Antes que eu saio de touca Antes que eu viro um ateu Menina linda de lança Prazer o meu nome é confiança Se eu te pego de jeito eu te laço E no seu dedo Eu coloco uma aliança, Depois eu te aperto Com o meu abraço E pra sempre Vai ficar na lembrança, Porque é tão forte O nosso passado É um elo feito de aço E por sorte Me tem amarrado.

Mudança Será que foi eu quem me perdi nessa mudança ou foi a sua mudança quem me perdeu? Será que eu estava dormindo
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Mudança Será que foi eu quem me perdi nessa mudança ou foi a sua mudança quem me perdeu? Será que eu estava dormindo Ou foi o sonho quem morreu Eu só sei que eu vi tudo partindo Quando aquela multidão desceu Tinha muita gente cantando E muita gente fingindo O menino já vinha chorando E a mudança estava tinindo Será que foi eu Quem ficou para trás Ou foi o sol quem se escondeu Eu só sei que roubaram A minha paz E tudo o que a gente viveu Será que foi eu Quem esperava demais Ou foi o claro da manhã Que dessa vez escureceu Eu só sei que nunca mais Eles foram os mesmos E a ninguém mais ele obedeceu Escondeu de mim o cais E aquela bala de hortelã Será que foi o destino Com cara de gente grande Pensou que a gente era menino Dizendo olha pra frente e ande Eu só sei que foi bagunça Muita luta saiu fumaça Ali eu conheci sua dança Mas hoje por você eu perdi a graça Pelo tamanho da muamba E o teor da desgraça Mudança esquisita Pra quem esperava ser diferente Se não houvesse os parasitas Pra impedir que meu barco Remasse sempre pra frente Mas nem sempre é o que se quer Tem sempre uma moda Uma linha torta e aflita Nessa mudança marota De quem come a soda Palita os dentes E depois arrota.

É Tudo Que Eu Vejo Eu vi tanta gente crescendo E tanta gente morrendo
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É Tudo Que Eu Vejo Eu vi tanta gente crescendo E tanta gente morrendo Vi tanto rio secando E tanto peixe correndo, Vi tanta água se acabando E tanta multidão apressada Algumas lutando por quase nada E outras por tão pouco Levando quase tudo, Vi mistério gritar como surdo E tanta promessa Ser feita no escuro, Vi tanta lógica perdida no fundo E tantos rabiscos tortos Na parede do muro, Vi tanta bestage E tantos outros corpos Fazendo parte Da mesma estalagem Eu vi midingo correndo Sem ter pra onde ir E tanta coisa ele querendo Sem saber como conseguir, Por exemplo um pão Pra ele estar comendo E uma cama pra ele dormir Tudo isso eu vejo Todo dia com frequência Lhe falta carinho, Um abraço e um beijo Lhe falta ternura E pra quem te olha a decência, Pra uma só criatura Que já padece pedindo clemência Eu já vi de tudo nessa vida Coisas até que os meus olhos Não queriam enxergar, Tanta coisa estranha Num só lugar Todo dia me apanha E me leva A outra maneira de pensar, Porque os meus olhos Já não querem ver mais Tanta treva E tantas formas de penar, Tanta loucura que só nos leva Para trás Nos deixando perdidos na relva Naquele abandonar, De quem diz adeus E até nunca mais.

O Que Há De Melhor Em Você O que dirá essa gente Quando a enchente passar
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O Que Há De Melhor Em Você O que dirá essa gente Quando a enchente passar O que fará a semente Se você não regar, O teimoso vai ser O que você atiçar Seja do bem E pague pra ver Atice em você O que há de melhor, Ninguém vai te amaldiçoar Se você crê No que faz E a cada dia faz por querer Ou gostar, Irreverente é quem faz Tudo isso por viver Ou amar, O resto aos poucos acontece Basta você querer E no sonho acreditar.