Engasgado
Mudar é pra ser diferente
E não pra continuar como estar
Um dia eu ainda mudo de lugar
E vou correr e te esperar lá na frente,
Como quem chega e quer ficar
Como quem sai e não quer partir
Um dia eu troquei a sorte pelo azar
E agora eu não sei mais pra onde ir,
Não sei se chegaram foi de repente
Ou foram as suas palavras que me fizeram iludir,
Eu só sei que eu vi tudo continuar
Menos a vontade de sorrir,
Engasgado é quem não diz o que sente
E quando a água já quer te afogar
O jeito mesmo é fugir.
A Minha Garganta
Quando a minha garganta
Gritar pelo teu nome
Vê se não se espanta
E escute também o meu coração,
Que têm sede e também têm fome
De sonhar como quem canta
E amar com paixão
Quando a minha garganta
Gritar pelo teu nome
Vê se não se espanta
E escute bem essa canção,
Que é feita por quem consome
De dançar como quem canta
A procura de emoção
Quando a minha garganta
Gritar pelo teu nome
Por favor vê se não se espanta
E escute bem a minha oração,
Que é feita por quem já some
De pecar como quem vai
À procura de perdão.
Aleteia
Serar que vai chover
E molhar os meus sapatos
Água pura de beber
Ou de lavar carrapatos,
Será minha sina
E a de tantos outros
Andar por aí engasgado
Com tantos ratos
Assim no poder
O que será de você?
O que será de nós todos?
Quando o sonho virar esgoto
E a nossa cara
Ser esfregada no lodo
Será que vamos obedecer
A tudo isso?
Ou caberá à nós resistir
Mas quem vai arriscar
Ou pagar pra ver
Com tantos gestos, tantos sinais
Os olhos há de nunca piscar
E sempre ficar atentos
Pro o que possa te acontecer
E quando te confiscar
Só vai te sobrar um lamento
Será que vamos pra frente?
Com tudo te arrastando pra trás
Alguns plantando a semente
E outros arrancando essa paz
O que será desse mundo
Dessa moda desumana
Que grita, corta e te joga no fundo
Cada dia da semana
É um masacre
Uma certa penitência
Que já não dar mais pra crê
E ainda nos pede obediência
O que será afinal
De tudo o que já conquistamos
Aquele amigo legal
E tudo mais que amamos
Será o fim de tudo isso
Ou será esse
O começo de todo fim?
O Seu Jeito De Ser
O seu jeito
O seu riso
É perfeito,
As vezes é arisco
E tantas vezes corrosivos
Mas eu te quero mesmo assim
Porque eu gosto tanto de você
E amo até os seus defeitos
As vezes eu sinto
Que você é um vendaval
Mas se eu falo que não te amo
Estou mentindo,
E o que eu sinto por você
Nunca sentir igual
O seu jeito de ser
E achar tudo normal,
É meu jeito de crê
Que o amor é tão natural
Eu te quero
E te trago rosas vermelhas
Para enfeitar o seu dia
E provar que por ti eu venero,
Você me arrepia
Cantando pra mim
Aquela felicidade
Que tanto eu espero
No meu canto você está presente
No meu sol e sonho também
As vezes quando está ausente
A tua lembrança
Se faz tão constante,
É como se você
Estivesse distante
E ao mesmo tempo
Aqui entre a gente
O seu jeito de ser
O seu jeito de estar
É o que me faz viver
É o que me faz cantar,
É força que faz renascer
E razões que me leva a sonhar.
Cada Um De Nós
Cada um tem sua história
Pra contar
E seus motivos
Pra sorrir ou chorar,
Cada um sabe da dor
Onde sente
E seus motivos
Pra lutar
E seguir em frente
Cada um sabe a força que tem
E o medo preciso
Confuso que vem,
Cada um conhece o seu paraíso
E o teu sacrifício também
Cada olhar,
Cada gesto que vem
A se esconder tanta mágoa
Por um certo alguém
Cada um sabe guardar
O que sente
Escondendo o que não aguenta,
Sorrindo quando deve chorar
E tocando o seu barco pra frente
Cada um carrega uma certa ilusão
E pelo caminho alguma confusão
Porque caminhar nunca foi fácil,
Pra quem é perdido no mundo
Sozinho e sem direção
Cada um conhece
Tão pouco da vida
E quando o dia amanhece
Viver já é quase despedida.
A Despedida
O que é feito da vida
O que é feito de nós dois
Somos um beco sem saida
Sem nenhum elo pra depois
Somos cartas sobre a mesma
Nessa explícita despedida
Que corrói e corrompem ainda
O que sobra do que viveu
Muita coisa que se finda
Muito sonho que morreu
O que é feito da vida
O que é feito de nós dois
Muita mágoa fez ferida
E agora o que vêm depois
Um choro exausto
Com sua partida
Como um susto
Ou uma dor maldita
Nesse dia muito som fez barulho
Até o sol foi mais quente
Não sei se era só paixão
Mas o amor tava à frente
Ele é quem abriu o portão
Quando tudo se acabou
Porque amar dá liberdade
E não sufoca o coração
Quando tudo ficou ausente
Ainda sobrava compaixão
Com os olhos cheios de verdade
Armados até o dente
O que é feito da vida
O que é feito de nós dois
Embriagado e iludido
É assim hoje, amanhã e depois.
O Trágico Destino De Um Menino
O sonho foi interrompido
No final daquela tarde
Quando o caminho da escola
De volta te trazia pra casa,
Na travessia
Daquele asfalto quente
Ele já meio apressado
Querendo chegar na frente,
Correu como quis correr
Brincou pela ultima vez
Porque destino não se pressente
Pode ser daqui um mês
Também pode ser de repente,
Mas inesperado foi aquele motor
Que veio maluco em sua direção,
Veloz e tão valente
Todo sonho ele abortor
Dilacerando o coração da gente
Como se arrancasse com a mão
Quando ele se foi
E aqui nos deixou
Aquela tarde se perdeu
Na saudade que restou
E no abraço que não deu,
Fim de tarde virou noite
Num instante escureceu
A sua lembrança era como açoite E ao lembrar daquela amizade
Água nos olhos se escorreu,
Foi enxorrada na cidade
Tudo que é sentimento cresceu
Ao lembrar da sua idade
A gente sempre se perguntava
Porque tão cedo você morreu
Se até ontem a gente brincava
Naquela tarde
Foram tantas as perguntas
E até hoje sem resposta
Sentimento que vem e invade
Como vendaval nas plantas
E um frio congelando as costas.
Era Uma Vez
Era uma vez um presente
Bem parecido com o passado
Ele tinha uma cara de gente
E hoje tem andado meio disfarçado,
Mostrando quem realmente é
E fazendo o que realmente quer
Colocando o seu futuro na frente
E o nosso pra quando Deus quiser
Era uma vez um fulano de tal
Que até ontem falava d'ocê
Ele preferia abraçar o Diabo
Do que um dia te deixar vencer
Mas foi o primeiro a entrar
E sentar na cadeira da frente
Como se a vida inteira fosse de lá
E pela gelosia escancarase
O que sente,
Fingindo-se de sujeito leal
Mas escorregadio do que quiabo
No fundo sujeito valente
Tipo bicho peçonhento
Nas águas do pantanal
Era uma vez uma multidão
Esperando o mínimo de respeito
Foi quando ressuscitou
A velha cadeira do dragão
Pra se receber faca no peito
E depois cara no chão,
Ditadura amarga voltou
E honestidade virou defeito
Pra qualquer um latagão
Que se comporta desse jeito
Era uma vez o que se partir
E poucas vezes o que se chorar
Mas você quis iludir
E a nossa confiança quebrar
Agora sem saber pra onde ir
Vejo tudo se acabar
Esperança é pra resistir
E um dia ainda mudo de lugar
Quero ver tudo emergir
E a sua falsidade delirar
Era uma vez
Uma mulher de sicrano
Que casou se com o filho de beltrano
Não souberam lhe dar com o engano
E agora querem mais do que precisam
Como se fosse ficar debaixo do pano
Se na cara da gente todo dia eles pisam
Mostrando o seu verdadeiro arcano
E a nós todos eles paralisam
Como se fossemos de ferro
E aguentasse entrar pelo cano
Era uma vez uma tal de união
Que ficou lá atrás na boca do Santo,
Todo dia ele acenava uma mão
E hoje qual não é o meu espanto
Vê que esse braço esconde uma mão
E pede que eu vá procurar outro canto,
Era uma vez uma tal de mudança
Que cheguei até acreditar nela
Olhei pro lado e vi bem quem balança,
E a pessoa que hoje estar aqui
Vejo que não é mais aquela
Hoje eu só vejo a lambança
Principalmente de quem não lutou
E hoje estar nela
Era uma vez uma tal de felicidade
Que já morreu no seu primeiro ano de idade,
Vejo que pra esse mal não têm remédio
Porque se fala a verdade
Te jogam de cima do prédio
É carma que não têm cura
Como um "boto" que alimenta seu tédio
Salva é a criatura
Que um dia nasceu teu parente
Atracado à sua cintura
E armado até o dente
Era uma vez uma pessoa
Que cantava a liberdade
Pra rei só faltava a coroa
E hoje eu só vejo banalidade
Uma espécie de proa
No olhar perdido da cidade
Era uma vez uma verdade
Convertida a seu interesse
Deu um chute na humanidade
E coisa séria virou quermesse
Aparece ai dignidade
Quero ver se você reconhece
Nós como membro ainda
Fazendo parte da sua trindade
Era uma vez um compromisso
Uma sede de justiça
Hoje eu e você se tornou um abismo,
Uma amostra da preguiça
Porque boa vontade foi se embora
E só restou o seu capricho
Não sei se é por prazer
Ou feitiço
Só sei que assim nos pede que chora
E eu já não sei o que fazer
Se eu fico ou vou embora
Ou deixo de viver
Era uma vez um parente
Um rio correndo bem devagar
Parecendo parado quase ausente
Mas eu sei muito bem
Onde ele queria chegar
Com sua cara de amargar
Fingindo-se de inocente
Como quem muda de lugar
Levando seus bichos também
Era uma vez uma decepção
Que contrariou o sonho da gente
Demos o nosso coração
E ele foi engolido pela serpente
Como quem abusa de paixão
E amanhã vomita
E esquece da gente.
A Minha Pressa
Eu tenho pressa pra sorrir
Pra sonhar
E sair por aí
Como faz a chuva
Que na terra insiste em cair,
Eu tenho tanta pressa
E pouca coisa faz sentido
Não tenho mais aquele olhar
Que no seu insistia em colidir
Eu tenho a pressa da multidão
E o medo absoluto
De uma escuridão
Que me faz não mais ser adulto
E viver apressado com medo
Desse dragão,
Que amar é pura invenção
De quem perdeu a lógica
E a razão,
Eu tenho pressa
E também devaneios
Que durante o dia me faz promessas
E a noite é só rodeios
E tanta coisa me interessa
E quase nada faz sentido
É como se a vida
Fosse uma quermesse
E viver fosse proibido.
Indiferença
Melhor do que ninguém
Você nunca deve ser
Porque se fosse melhor
Não estaria aqui
Entre eu e você,
Respirando o mesmo ar
E queimando no mesmo sol
Todo mundo é igual
Todo mundo é perfeito
Ser diferente é normal
E sua indiferença é defeito,
O sol quando brilha
Brilha pra todo mundo
Sem escolher
Ou preferir
Quem mais ele vai aquecer
E o chão colorir,
Nós somos do mesmo quintal
Da mesma força divina
Somos todos iguais
E cada um carrega a sua sina,
Somos da mesma matéria
E dobramos a mesma esquina
Indiferença é pura miséria
De quem não tem disciplina
Seja normal com você mesmo
E presta muita atenção
Em tudo ao seu redor
Você pode estar abrindo um esmo
Um imenso corredor
Dentro do seu coração,
Por onde passa tanto mau
Te arrastando pra solidão
Ninguém é melhor
Do que ninguém
Todo mundo é exatamente igual
Você é que acha o outro menor
Só por ele não ter o que você tem,
Mas um dia essa ilusão
Ainda cai por terra
E dentro do seu coração
Toda aquela indiferença
Já se encerra,
Como toda oração
Pra aquele que tem crença
E aquela chuva
Lá no pé da serra.
Solidão E Saudade
Aos poucos eu fui fazendo sala
Pra solidão
Como se ela fosse minha companheira,
Assim como eu faço a um irmão
Ou um amigo de uma vida inteira
A solidão é como um palhaço
Um pedaço do passado
A gente sorrir em toda brincadeira
Mas sempre chora
Por lhe faltar aquele abraço,
Solidão é bem guardada
No lugar certo
Na hora errada
E quando ela aflora
Vem sempre em disparada
Faz da nossa vida um deserto
Pois sempre nos falta um pedaço
A saudade é um oceano
Que desagua em nossos olhos
E pra um coração naufragado
Haja água
E haja cano
Pra inundar esses olhos
E molhar esse pano
A saudade é um oceano
Que desagua em nossos olhos
Tua lembrança
Me traz enganos
E assim me parece
Nunca está só
É como se minha vida
Junto a sua desse um nó
E eu já não soubesse mais
Porque houve a despedida
Já que no ar os teus sinais
São tão claros,
Assim como o levantar do pó
Evidentes e tão reais.
A Nossa Bela Infância
Hoje eu lembrei de você
E de todo o nosso passado
Tudo o que vivir
E fiz pra te ver
Pra sempre continuar
Do seu lado
Hoje eu lembrei
Dos seus rompantes
Daquelas suas loucuras
Até de quando era distante
Os seus ataques de doçuras
Hoje eu lembrei de tudo
De todo o nosso aconchego
Lembrei de tudo que era proibido
E mesmo assim
Era o nosso chamego,
Nosso brinquedo escondido
Que a gente levava até o fim
Tal qual o nosso dengo
Nossa forma de dizer sim
Hoje eu lembrei de tudo
De toda a nossa infância
Nossa volta pelo mundo
Numa falta de elegância,
Que aprontava com a gente
Numa triste ganância
De viver e se lambuzar
Coisa seria de criança,
Que sonhava em se casar
Mas confundia anel com aliança
Hoje eu lembrei de tudo
De todo o nosso desejo
Nosso sagrado começo
Que era só beijo,
Perna bamba
E tropeço
Garganta rasgada
Pele e osso na unha
Cristão, mel e invernada
Tomando conta da grunha
Numa paixão desenfreada
Coisa mágica
E bela de criança
Foi toda aquela nossa infância
Nossa dica
Nossa forma de lembrança,
Que preenche os meus dias
E traz uma certa lógica
Pra tudo que a gente canta
E tanto que a gente dança
A nossa bela infância
Foi um jardim
Onde muito se pintou
É hoje a nossa herança
E apesar da distância
Muita coisa boa se guardou,
Amor, amigo e irmão
Tudo isso aqui ficou
É o que nos faz lembrar
De tudo que foi bom,
Apesar do tempo que passou
Algumas pessoas foram embora
Mas aqui dentro,
Pra sempre nos marcou.
Metade
Ninguém chora sem sentir
Nem sorrir sem motivo
Basta um sentimento insistir
É o nosso impulso primitivo
Ninguém canta por acaso
Nem dança pra te encantar
É quando o amor cria asa
E pra longe ele já quer voar,
As vezes dentro da gente
O amor vem em forma de música
Basta dizer o que sente
E você parar pra escutar
Ninguém é feliz sem saber
Nem toda vez por inteiro
Metade de mim é você
De olhar tão serio e certeiro,
Que inventa sorrir
Quando deve chorar
E quando cai no terreiro
É pra colidir
E nunca derrubar,
Porque metade é cair
E a outra metade abraçar
É o que dá pra se unir
É o que se pode juntar.
O Professor
Professor é palavra mágica
É mistério profundo,
Ele é quem traz a lógica
E nos prepara pro mundo
Professor é a razão
A força e a coragem,
Ele é toda compaixão
É saber retido numa só bagagem
É vida que se explica
E luz que se acende,
É forma que se aplica
É mão que nos estende
É dor que não se ver
Só quem sabe guarda e sente,
Sua palavra nos faz aprender
A tocar o nosso barco pra frente
Professor é o silêncio
E a vontade de gritar,
É barulho que sufoca
E ao mesmo tempo quer escutar
Com ele há sempre perdão
É força que não deixa cair,
É mão que te aponta uma direção
Quando não se têm pra onde ir
Professor também chora
E guarda todos em seu coração,
Todo dia não tem hora
É o mestre mais fiel
A favor da educação.
A Sua Voz
Quando eu ouço a sua voz
É como se um relógio
Despertasse aqui dentro de mim,
Eu logo já fico atento
É como se o amor
Fosse um ser atroz
E todo ódio no mundo
Chegasse no fim,
Como se tua mão
Arrancasse essa dor
E teu colo me oferecesse acento
Quando eu ouço a sua voz
Alguma coisa
Dentro de mim estremece,
Eu já não sei me controlar
Eu já não sei o que acontece
Quando eu ouço a sua voz
O meu coração quer disparar
E ninguém mais ele obedece
Quando eu ouço a sua voz
Alguma coisa me atordoa
A tua alegria me alimenta
E eu não fico atoa,
Porque você é meu aconchego
E não é qualquer pessoa
Você é uma a paisagem
E os meus olhos quer contemplar
O seu corpo é uma lagoa
Onde o meu quer se afogar
Você é tudo de bom
De corpo, alma e coração
Não sei se tudo isso é um dom
Eu só sei que é mais que paixão,
E quando eu ouço a sua voz
É como se tocasse
Os sinos da emoção
E guardasse sem fim
Toda e qualquer ilusão,
Pois aqui dentro de mim
Parece um turbilhão
É tanta sensação
Que só insiste em dizer sim.
Eu Não Sou Tão Forte Assim
Alguém me ache por favor
E me liberta,
Não me deixe aqui
Não me acerta,
A quem já padece dessa dor
Eu tô em alerta
Você se foi
E não me levou
Isso me corrói
E me matou,
Por fora pareço de ferro
Mas por dentro
Eu sou como parede que desabou,
Quando você partiu
E sozinho aqui me deixou
Eu não sou tão forte assim
Sou mais frágil que porcelana
Não suporto ver o fim
Começando pela semana,
Tudo tinha que ser pra sempre
E se fosse pra um dia acabar
Que voltasse mais na frente,
Tudo que é bom dura pouco
E se eu pudesse
Eu guardava a semente,
Pra nunca mais passar o sufoco
De olhar pro lado e não ver mais
Quem a gente gosta
Do lado da gente
Eu não sou tão forte assim
De tudo eu sinto saudade
Saudade que não tem fim
E pra sentir já não tem idade,
Eu não sou tão forte assim
Não dá pra esconder essa verdade
Quando tudo parece que sim
O coração se descontrola
E os olhos já dizem que não,
É dor que não se tira
Com a vitrola
Nem tampouco com a mão,
Porque eu não sou tão forte assim
E ver tudo se acabando
Comigo acaba também
O sentimento vai se acumulando
E a saudade mais forte vêm
Por isso eu continuo buscando
E valorizando sempre o que tenho.
Artifício
Vida que segue perdida
Num beco escuro sem saida
Menina que carrega no peito
Um grande amor do passado
E agora vive iludida
É como palavra que solta no vento No vai e vem do seu pensamento
Castelo que se constrói na areia
E é levado ao chão
Com o passar do tempo
E a pressa da multidão,
Onde não há lamento, dó
Nem compaixão
Onde só o tempo cura
Essa mágoa
E tua solidão
Estrada de luz,
De ferro e farol
Poeira que solta no ar
Faz encobrir a luz do sol
Balançando o mar
E derrubando a cruz
Camarada que segue essa luta
Nunca vai desistir de amar
E se esconder no capuz,
A dança e a luta
São como capatazes
Quando se escondem na gruta
E fecham os corações
Desses rapazes
Mas a força é sempre maior
E o medo vem dos leões
Porque sabemos
Do que são capazes
Como quem corre
Com medo desses ladrões
Mas na parede
Aindam colam cartazes
Vida que segue bandida
Maluca e sempre atrevida
Viu um coração se partir em dois
E agora dói por andar dividida
Por aí segue sempre iludida
Mas nunca deixa nada pra depois.
A Distância
As vezes é a distância que acaba se aproximando mais as pessoas,
Estejam elas onde estiverem
Tudo que é mágoa desaba
Toda forma de amar eles preferem
As vezes é a distância
Que nos faz tão presente
Sem se importar com a elegância
Daquele que está à nossa frente,
Porque a distância
É remédio pra alma
Só ela fecha esses cortes
Abertos lá no passado,
Quando não se havia calma
E de restos só se conhecia mortes
Distância é tempo bom
É sinal daquele abraço bem forte
É um silêncio em forma de som
Que vai do sul até o norte
Distância é menino que corre
E justiça que canta
É medo que morre
E verdade que encanta,
Quando ninguém socorre
Lá vem a distância e te espanta
A distância é isso
É paixão por dentro retida
Um mistério sem compromisso
Como uma nota musical
Diversas vezes repetidas
A distância é a nossa herança
Nossa vontade de viver
Pois dela vem sempre a esperança
De algum parente rever,
É esta a nossa confiança
E a nossa maneira de dizer
Com ela vem sempre a lembrança
E a vontade de tudo reviver.
Amantes
Já não é o mesmo sol da manhã
Já não tem o mesmo brilho
Que antes,
Nem aquele cheiro de hortelã
Que lembrava aquele beijo
Na boca daqueles amantes
Já não é o mesmo homem
Nem mais a mesma mulher
Porque será que eles somem
E não vive mais como quer?
Se ambos tinham a mente sã
Porque hoje vive tão distantes?
Foi culpa do passado
E daquela casa cheia
Depois do rio ter transbordado
E tanto sangue pulsando na veia,
Onde a correnteza fez morada
Com aquele amor tão pouco
E quase não dava pra nada
Assim já era um sufoco
O amor é precioso
E ao mesmo tempo preguiçoso
Você que não sente
Nunca vai saber
O quanto ele rigoroso
E mal da conta da gente,
O amor é perigoso
É um remar contra a corrente
Muitas vezes tão doloroso
Mas é o que tem pra hoje
E já nos faz tão contente
Já não é a mesma chuva
O mesmo rosto
E o chão molhado,
Já não é o mesmo desgosto
O mesmo choro
De um rei deposto
Lágrima é no telhado
E chuva no mês de agosto
Luz se fez poeira
E vento ali fez morada
Homem saiu na carreira
E mulher ficou apaixonada,
Como cego no escuro
Pouco som fez zoada
Vizinho pulava o muro
E pra descer usava a escada
Aquilo era muito estranho
Tudo fora do normal
Amante dormia no banho
E amanhã era noticia no jornal
Já não é o mesmo ar
Tudo já deu sinal
Reputação já quis naufragar
Quando tudo deixou de ser normal,
Amanhã um outro dia vem lá
E tudo como sempre nada igual
Crença deixou de ser importante
E muita gente não quis mais rezar,
O que era perto agora é distante
Veio o tal de favor
E mulher já quis abusar,
Como se conhecesse de dor
E por paixão tentasse me usar
Como se a boca
Fosse um cobertor
E ao me beijar tirasse essa toca,
Dizendo que se enganou
Quando me beijava
Pensava que era um ator
Assim ela se alegrava
E logo perguntava quem sou.
Vá Procurar O Que Fazer
Vamos ao trabalho
Porque o dia de amanhã
Nunca vem de graça,
Você tem a mente sã
E um corpo que te abraça
Tá na hora de ir trabalhar
E sair do banco da praça,
Vá procurar o que fazer
Não seja mais um vagabundo
Chega de tanta desgraça
À tomar conta do mundo,
Dá um basta na tua cachaça
E vá praticar algum lazer
Um dia tu ainda me mata
De pirraça
E isso não me dar nenhum prazer,
Deixa de tanta preguiça
E vamos todos à luta
Um dia a tua vida se enguiça
E cada problema te chuta,
Deixa de tanto capricho
E vá procurar uma direção
Pra ver se um dia
Tu encontre o teu nicho
Preenchendo o teu coração
E à todos nós causando alegria.
Os Nossos Dias
Tem dias que a gente se esconde
E dias que a gente apavora
Que o medo é maior que o bonde
Que segue apressado lá fora,
E a vida é tão curta e passageira
E deve ser vivida agora
Tem dias que a gente é contente
E dias que a gente é infeliz,
Que o amor é tão serio e ausente
E viver já está por um triz
Tem dias que a gente é silêncio
E dias que a vontade é gritar
Tem dias que a gente é um milênio
E na vida custa acreditar,
Que o mistério é profundo e bonito
E só em Deus eu tenho fé
E acredito,
Minha luta é sempre de pé
Vou lá no fundo buscar
Tem dias que a gente é segredo
E dias que a gente revela
Que nem toda sombra
Vem do arvoredo
E nem toda paisagem
Se vê da janela
Tem dias que a gente é apressado
E dias que vivemos à esperar
Mas o presente é tão forte
E passado
Que as vezes nos faz duvidar
Tem dias que a gente começa
E outros a gente termina
Porque a vida é só uma promessa
E pra caminhar
Só mesmo uma força divina
É razão que me leva a sonhar
Tem dias que a gente é amigo
E outros é sempre sozinho
É como se a gente
Perdesse um abrigo
E tivesse que refazer essa vida
Trilhando por outro caminho
Tem dias que a gente só lembra
Daquilo que devia esquecer
É coisa que vem pra atormentar
E nos fazer enlouquecer
Tem dias que a gente sorrir
Muitas vezes só pra não chorar
Como uma rosa
Que insiste em florir
Depois de vários dias sem regar
É a vida
E o amor em prosa
Tão atrevida
E dolorosa
Tem dias que se faz comovida
E outras vezes tão perigosa.
Outros Olhos
Vamos olhar adiante
Tudo aquilo
Que os olhos
Não querem ver,
Não vamos ficar
Assim tão distante
Porque essa distância
Me faz sofrer
Vamos olhar tudo ao nosso redor
E vamos fazer de conta
Que nem sempre
Os bons são os melhores,
Pois quando viemos
A esse mundo
Já houve dias piores
Mas nunca estivemos só
Vamos cantar alguma coisa
Que fale de amor no futuro
Porque esse mundo precisa
Amolecer esse coração tão duro,
Vamos contar uma história
Que possa encantar a senhora
Vamos abraçar as pessoas
E amar loucamente sem demora
Vamos olhar tudo igual
Pois todo mundo é perfeito
Defeito a gente acha é no sal
E na mágoa que carrega no peito,
Vamos correr e respeitar o sinal
Como rio que corre
Respeitando o seu leito
Vamos abraçar as diferenças
E olhar todas
Com um pouco mais de paciência,
Vamos evitar trovoadas
Porque indecência
É um sofrimento
Que não combina
Com a sua sapiência
Vamos olhar tudo
Com outros olhos
E acreditar mais
Em todo mundo,
Pois os sonhos são tão reais
E com a tua amizade
Eu vou mais fundo
E até avanço os sinais
Vamos olhar o futuro
E comparar com a fumaça
Que apesar de amargo e tão duro
Num segundo assim ele passa.
Vazio
Era pra ser um dia feliz
Mas o destino não quis
Quando ele abriu a porta
Viu tudo fugir se num triz,
Foi nesse momento
Que ele enxergou a vida torta
Nunca mais pediu bis
Viu a alegria padecer quase morta
Era pra ser um dia feliz
De muita festa,
Risos e muita alegria
Mas o destino usou de rebeldia
Levando tudo o que quis
E só tua ausência aqui resta
Vazio faz tudo escurecer
Traz vento e não deixa amanhecer
Vazio balança qualquer estrutura
É como viver
E o coração já andar cheios
De rupturas,
Vazio traz sol
Mas nunca deixa chover
É como se amarrasse
Meus devaneios
E não deixasse
O meu sonho crescer
Vazio traz água
Mas eu não quero beber
Vazio é a mágoa
E qualquer um quer esconder
É tempestade na lagoa
É um vazio que nos proibe viver.
Visão De Um Mundo Melhor
Se os olhos enxergassem mais
E a boca falassem menos
O mundo não seria sem paz
E o seu coração tão pequeno,
E você não seria um rapaz
Tão cheio de ódio e veneno
E quando o sorriso é quem traz
E infeliz é quem olha
Eu vejo do que você é capaz
E assim como a água da chuva
O nosso sangue
Aqui também molha,
Todo sonho aqui se desfaz
E só Deus por ti aqui olha
Se os olhos enxergassem mais
E a boca falassem menos
O tempo até pararia pra nós dois
E não deixava ninguém para trás
Seguir sozinho depois,
Tantos acenos não seria em vão
Em busca de paz
Ou atrás de perdão
Se os homens não fossem valente
Talvez ainda existisse amor
Seríamos todos tratados
Como semelhante
E não nos causaria tanta dor,
Mas nem sempre é
O que a gente espera
Pois os olhos só vêem o que quer
E o coração tão certo é quem erra
Quando a boca fala demais
E os olhos de cego se faz
Se olhos enxergassem mais
E a boca falassem menos
Todos nós seríamos iguais
E os nossos dias tão belo e sereno,
Mas nem sempre é o que se quer
Pois tem sempre alguém
Querendo mais
Alguns cortando seu pé
Tentando roubar seu vintém.