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Frases de Thaylla Cavalcante

50 frases

Meu inferno pessoal De tudo o que me lembro era frio e cinzento. Pequenas luas se faziam presentes,
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Meu inferno pessoal De tudo o que me lembro era frio e cinzento. Pequenas luas se faziam presentes, Olhares vagos, descontentes. Pouco mais iluminados que o calçamento. Absoluto e solene, Olhava-me de cima Sangue fervente e pulsante. Sob o calor que se aproxima. Como um fantasma me escondia a tempo de não ver, Transparecia em mim a luz de um grito rudimentar, Essência explicita em minha falta de te ter. A luz remanescente e ofuscante Logo já não teria onde então se esconder. Ignorando a excitação intimamente ligada aquela mesma dor Dobraduras coloridas percorriam o teto Presas e soberbas, nunca antes livres Logo mais entrariam numa estrada sem fim Clamor recorrente. Definitivamente um ótimo ator. Sob um universo atônito em busca de contrapostos. Nada demais. Nada de novo. Tudo passado. Tudo decomposto. Rosa em excesso, Calma e intimidada. Abrir e fechar de portas. Ruídos espessos. E eu o olhava Tumulto dentro de mim por fora da organização. Encontrei em você ruína e desgraça. Longe desta mesma dimensão está quem vos fala. Portas abertas de um inferno que tão logo seria meu. Tua mão que afaga uma infeliz agregada. Já não seria problema seu, Portas abertas a procura de minha final entrada.

Doses de inconsequência Encontrei em minha falta de querer Motivo perante a abstinência.
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Doses de inconsequência Encontrei em minha falta de querer Motivo perante a abstinência. Desapeguei do total pudor O medo oscilante, sem suceder Se exilou enfim de minha existência O fogo vermelho se tornou azul No calor do depois, Compulsão de nós dois. O agora mostrou que reluz. Agonizante exatidão, Súplicas fora do conceito. Sua cautela improvisada Traça o pecado perfeito. Agora sem decência, O intenso ultrapassou a dor. Ingrata loucura derramada Afável, intocada. Miúdas doses de inconsequência. Trago em mim seu calor. Mistério tênue a se fazer decifrar. O depois se tornou loucura No caos do embaraço, Vida curta para pensar. Indecência se tornou cura. Não mais me afundarei, Nem mergulharei em uma virtude disfarçada de compostura.

Profunda Tirania Tens o corpo de um deus grego, Traz a mesma tirania.
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Profunda Tirania Tens o corpo de um deus grego, Traz a mesma tirania. Me embriago a teu lado, Meu ego permanece inflado, Uso-te como guia, Entre a loucura e a razão, de minha pura ironia. Fúnebre e débil recai a noite sobre mim, O crepúsculo se vai. Serei eu então honrada. Contraste existente da lua que me estatela a alma, Branca como tua pele, Tensa como quem se entrega a mim que sou tão descuidada.

O insano Junte o útil ao agradável, O infiel e o profano,
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O insano Junte o útil ao agradável, O infiel e o profano, A moral e a ética, O amor e o humano. Se fosse simples não mais seria bonito, O amor mensurável não serve, Não eleva nem agrada ao espírito. Não peço-te permissão, Nem te digo que foi escolha. É mais uma imposição do destino que nos entreolha. Sinto-te distante, Como um grito no vazio. Vozes oscilantes, de uma mente inerte em meio ao frio. Se sob a penumbra cinzenta recai a noite, Me faria eu desnecessária. Colmada por súplicas infiéis e de glória empavesada. Num sóbrio recanto me conduz A paisagem já atravessada. Gestos secos e sem luz. Alma distante, intocada. O contraste ideal existente. Olhos negros estes teus, Fariam estrelas terem inveja deste tal brilho fosco. Apenas sigo a linha do horizonte, ignorando vertentes. Meras súplicas abandonadas, Pudor inexistente, Vidas separadas. Colecionador de amor tu és. Obra de vidas passadas. Colecionador de dor tu és. Portador de histórias equivocadas. Afundo-me em teus males, mergulho em teus receios, Bebo da fonte dos teus medos. Jogo-me por inteiro. Ainda que louca, desvairada, Entendo-te um pouco. Vives para os outros, Pensas nos outros. Ah meu bem, pense em mim!

Par de olhos Por lá andava eu, Solene com a mente em dispersão,
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Par de olhos Por lá andava eu, Solene com a mente em dispersão, A cada nova e temerosa respiração Tecendo um caminho não mais meu. Um único par de olhos que se fizeram bastar, Junto a linha do horizonte a luz terrena jazia A lua inerte e vazia. Quase tanto quanto eu. Prosto-me sobre ouropéis. Grama fria e orvalhada, Amaldiçoada por desejos infiéis. Era errado o meu certo. Mas possuías total mérito, De se fazer presente sem merecer.

Monotonia Vês o céu de raios ofuscantes e primor Luzido? Vês o sol entre teus olhos convertido?
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Monotonia Vês o céu de raios ofuscantes e primor Luzido? Vês o sol entre teus olhos convertido? És vaidade na vida, onde já se foi presumido. Tua glória empavesada e assumida, Fará tornar-se até a airosa manhã oprimida. Sol e Lua se encontraram com alento e sem pudor. E um dia mostrar-te-ei o quão sublime é o meu amor. Sinto-me hoje desvanecida. Em tuas faces, considero-me equivocada. Ostentas meu coração inflamando as mais sublimes faces ao considerável nada. Não mais me considerarei humana, Minha mente quase profana necessita de alento. Meu amor por ti peleja, Ao mesmo ponto onde fraqueja presumindo o desastre iminente. Comparo-te ao aljôfar mais precioso. Sendo assim, sigo minha busca somente a te encontrar. Pois nem isso me seria tudo, Já que tudo para mim é nada. Me cubro de espasmos, A vista de teu rosto, meu amado!

Infidelidade Mistérios e enigmas rodeiam teu corpo. Silencioso, vejo-te balbuciar.
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Infidelidade Mistérios e enigmas rodeiam teu corpo. Silencioso, vejo-te balbuciar. Em meio ocioso fiz-me pairar, Sob palavras melodiosas, Tudo o que me restar. Se vens como um anjo caído, A noite escura convida a viajar. Toque minha mão, E faça este tal brilho durar. Cada sensação nunca antes vista, Cauteloso e perigoso te faço bastar. Palavras divinas em meio a tormenta, Vida tirana vem a desinteressar. Pessoas comuns na falta do que conduz. Tua vitalidade escassa, Um tanto anti social, Bipolaridade disfarçada. É meu último suspiro frente ao que resta de tua amada. Até então cheia de luz, Retiro de tua mão a espada. Encha-me com seus conselhos, Serei eu tua aprendiz. Como movimentos de teus cabelos. Vertentes opostas de uma mesma diretriz, Te guio por espelhos. Passos descompassados, Pela dor que esmaga. Se como um golpe me conduz, Serei eu desnecessária. Em tua mão um fulgor reluz, Tornando-me por total errada. Idealizarei tua utopia, Com um vigor que me afaga a alma. Viva feliz e sorria, Fiz do mundo tua morada. Eu sou fiel meu bem. Considero o que me é ensinado. Te elevo e consagro, Ainda que dentre todos, Sejas tu, o meu maior pecado!

Em meio a teus braços, Me fiz mais humana. Tornei-me veloz
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Em meio a teus braços, Me fiz mais humana. Tornei-me veloz Um agora feito de nós, Epidemia profana Coberto de luz, Num suplico de dor Teu brilho reluz Por tal infiel amor Me arrasto a teus laços Na paz de perigos escassos Desprenda-se do pudor Desvanecida mergulho sem o menor rancor Um lapso de memória, Fadados ao fracasso Tormenta notória Total embaraço. De vidas passadas, Carrego tal história Paixões transmutadas Imensidão irrisória. Pecado vendado Te fiz de morfina Dormindo a teu lado Completo minha sina. Percorrendo a estrada entre a vodka e a cafeína.

Minha garganta grita Frases sem sentido. Meu coração esbanja
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Minha garganta grita Frases sem sentido. Meu coração esbanja Sentimento ilícito. É morfina dentro da circulação. Coração estático que não vê nem sente A tal tormenta em mente E assim me afogo em outra dimensão. É abstinência sentimental Num mar sem salva vidas Imensidão de tuas idas sem vindas Sucumbindo em uma dependência emocional. Em meio a dores e vírgulas Lábios já não medem palavras Floreciam em ácido histórias macabras. Vítimas do desejo descartadas em valas. Me situo no castigo Em meio a céu e inferno Quero-te eterno. Gosto de você, perigo. O mundo desenhou nossa história trágica Cada segundo passado, estranhamente épico Doses da inconsequência mágica Sobrepostas por meu pensamento cético. O muro entre nós se declarou teu súdito. Fiz-te meu refúgio, Tornei-te meu abrigo, Meu amor.

Você é só uma menina Em meio à ares ébrios e noitadas, Luzes piscantes, cabelos embaraçados.
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Você é só uma menina Em meio à ares ébrios e noitadas, Luzes piscantes, cabelos embaraçados. Perdi a razão junto a teus olhares desritmados. Tornei a pensar sobre tuas amadas. Não passou, simplória vertigem E todas as borboletas no estômago, foram regurgitadas Voaram livres, desamparadas. Toda ilusão virou fuligem. E quanto mais o relógio rodopiava Minha alma ascendia, O mundo em volta ruía E por hora me resignava.

Ultimamente os dias tem parecido uma eternidade. Meus desejos disparam atônitos, Teus olhos fitam-me, irônicos
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Ultimamente os dias tem parecido uma eternidade. Meus desejos disparam atônitos, Teus olhos fitam-me, irônicos Nada mais enaltece minha vaidade. Afoguei-me no teu querer, Logo eu, tão inexperiente Fiz-me dependente E sendo meu vício, não permito esquecer. Perdi-me em mim ao tentar resgatar-te deste teu mundo de aparências Vi desejo fulminante no atrito de tua carne Tomei-te a mim, simplória arte Deixei-te rasgar-me por dentro sem mensurar consequências. Teus olhos são agora opacos. Guardo tuas palavras e me engasgo Por você fiz meu maior estrago. Homens só morrem de amor nos palcos.

"Depois do beijo sem consentimento Meus braços se abrandaram pra te receber Encaixei-me mesmo sem caber
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"Depois do beijo sem consentimento Meus braços se abrandaram pra te receber Encaixei-me mesmo sem caber Em meio aquele teu jeito tão desatento. Teu cheiro percorrendo meus espaços Palavras necessárias eram agora escassas, Um rosto libertador num mundo de desgraças, Teus toques juntando meus pedaços. Afoguei-me em teus abraços, Larguei-me na inconsequência Em meio a crises de abstinência Nos teus passos descompassados. De todos os meus romances errados Esse erro me eclipsou Tua voz em mim ecoou Como aqueles beijos roubados."

(Des)amor O que se faz quando o coração diz uma coisa e a mente te diz outra? É um misto de emoções repentinas que me causam náuseas e me entorpecem por inteira. A gente chega em casa e se sente sozinha, olha pros lados e não vê ninguém por quem vale a pena correr ou lutar. A vi…
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(Des)amor O que se faz quando o coração diz uma coisa e a mente te diz outra? É um misto de emoções repentinas que me causam náuseas e me entorpecem por inteira. A gente chega em casa e se sente sozinha, olha pros lados e não vê ninguém por quem vale a pena correr ou lutar. A vida se funda na hipótese de ter alguém pra compartilha-la, e é nessa mesma hipótese que ela se finda. Se existe algo pior que a solidão, eu desconheço. Espero nunca merecer ter os méritos pra me adequar nos parâmetros necessários à quem precisa ter pena de si mesmo. Não tenho pena de mim, tenho pena dos outros, de todos os outros. Dessas meras criaturas que me rodeiam, tão cheias de si é tão vazias de todo o resto. Thaylla Ferreira

Vocábulos vazios Alguns dias são piores que outros. Na maioria das vezes me perco em pensamentos. Deito-me, olho o teto do quarto e espero o tempo passar, se perder. Alguns dias nada faz sentido, não me lembro de ações anteriores, não meço meus atos posteriores, me perco no reló…
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Vocábulos vazios Alguns dias são piores que outros. Na maioria das vezes me perco em pensamentos. Deito-me, olho o teto do quarto e espero o tempo passar, se perder. Alguns dias nada faz sentido, não me lembro de ações anteriores, não meço meus atos posteriores, me perco no relógio. Alguns dias eu queria apenas algumas horas a menos, dormir e acordar sem compromissos, planejamentos ou regras a seguir. Em alguns desses dias, o mar é meu refúgio, imagino-me prostrada sobre a areia fina, observando o céu, as constelações, dando nome a todas elas, uma por uma. Em outros desses dias, sinto minha garganta queimar, meus pulsos arderem e meu peito doer, cada vez mais forte, cada vez por mais tempo, e assim o tempo passa. Algumas vezes uma pintura, uns escritos, são o bastante pra me definir. Algumas vezes, me encontro em meio a um punhado de lágrimas e soluços ritmados com meu coração. Algumas vezes, para ser sincera, não vejo em mim muito mais que uma pilha de pincéis, palavras e livros lidos, ao se tirar isso, não sobra muito de mim. Sou fraca, você me disse uma vez, lembra? Eu concordei, mas acho que essa frase nunca fez tanto sentido quanto agora. Sou fraca com relação a você e ao mundo. Sou fraca por não conseguir lidar com minhas emoções, principalmente quando se trata de você. Às vezes dói, às vezes faz mal, e às vezes eu só queria mais um cigarro e uma dose daquele whisky barato que comprei na esquina outro dia. Cada dose te tirou um pouco de mim, e ao final do litro, nem conseguia dizer o teu nome. Talvez fosse bom, talvez eu realmente quisesse que você evaporasse junto com cada um daqueles tragos de cigarro dos tantos que dei. Talvez você já tivesse evaporado, se misturado com o ar, talvez eu só não soubesse. Algumas horas eu penso em te deixar, em outras dessas eu não vejo muito futuro sem você. Meu pensamento é como uma bola, e você, um jogador empenhado, daqueles que são realmente bons. Você chuta uma vez, duas, três, de novo e de novo, enquanto tudo se agita por dentro, enquanto tudo se mistura e nada mais fica estático. É sempre assim quando te vejo, já percebeu? Meus olhos vidram nos teus castanhos vivos, nas tuas órbitas que parecem querer juntar-se as constelações que estariam ali, acima do mar. Você também ama o mar não é? Te ouvi dizer isso uma ou duas vezes, não lembro. Guardei comigo só o que considerei importante, todo o resto foi descartado, junto com tudo que me lembrasse você. O teu "adeus" me perfurou a carne, como uma furadeira entrando por meus órgãos e me causando hemorragia em cada um deles. Um sangue imperceptível e coagulante que a ti pouco importava. "Espere por mim", você dizia em meus sonhos, e neles, você realmente vinha, mas a vida real não funciona assim. Meu sangue se infectou por todas as manchas negras causadas pela nossa separação, meu corpo desidratou por todas as lágrimas derramadas em teu nome. E minha cabeça girava, minha boca, seca e meu sorriso, sem vida. Este e aquela, antes se iluminavam ao te ver, emanavam uma luz quase tão ofuscante quanto tua própria presença. Se meus sonhos pudessem se tornar realidade, meu peito agora não doeria, minha voz não falharia, minhas pernas não estariam a fraquejar. Se aquela praia estivesse comigo, meus pulmões teriam o mais puro ar, poderia vislumbrar as estrelas, e te ver acima de mim, em cada uma delas. Já que não posso, essa tarefa cabe a ti e somente a ti. Quando vir as estrelas, quando for à praia, lembre-se de mim uma vez ou outra. Lembre que te amei um pouco mais a cada dia, até perder o controle por completo de mim mesma. Lembre que seu rosto, seu sorriso, seu abraço, são as melhores coisas que eu já experimentei nesse mundo, que tu fostes meu abrigo nos tempos de tempestade, minha calmaria em meio ao nevoeiro, e agora tem minha vida em suas mãos. Eu, carbono, ei de me decompor logo mais, você, com seu desamor seja feliz pela presença que te invade, vais e não magoe ninguém mais... Thaylla Ferreira {31/07}

"Sangue e outras drogas." Não leia estes versos de solidão! Pelo deus não mais rogado,
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"Sangue e outras drogas." Não leia estes versos de solidão! Pelo deus não mais rogado, Em lápides, abandonado, Eu sei, tua mente diz-te "Não!" No refúgio do completo delírio. Insegurança alheia ao querer. Transmutei-me em meio ao "ser" Ao tentar manter-te sóbrio. Outros tantos aspectos adversos, Outras tantas redes convexas, Outras tantas paredes complexas, Tantos outros amores anexos. Ares ébrios, desnorteados. Do perdido ao inconsagrado, Pelo caminho do verbo ao vocábulo ligado, O meu "eu" em teu ser, ilegitimados. Desmistificando o antigo pudor, Tomo a mim um temor crescente, Revenda recorrente. Dois corações sem valor. Minha mão segurava um passado que se desprendia A notícia no rádio anunciava o sepulcro Tua voz ecoava um teatro do absurdo Pelo quebrar de ossos o mundo implodia. Thaylla Ferreira {Epitáfios para Lígia}

São 3:00 da manhã. A dor no peito aperta, Meu coração acelera,
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São 3:00 da manhã. A dor no peito aperta, Meu coração acelera, E de novo me vejo sozinha. Aqui trancada no quarto, O escuro é minha única certeza, A solidão virou fortaleza, Me embaraço nos muros da vida. Eu não estou sozinha, Eu sou sozinha. Não é estado, É permanência. Quando a vida toma-me as alternativas, perco-me em idas e vindas, tuas asas cobrem toda a sequência. O amor não tem desinência. Falta correspondência, Sobra desprezo. Nos perdemos em meio às saídas.

Eu queria poder te falar sobre o meu dia. Chegar em casa e correr pra os teus braços, me sentir protegida. Queria poder te falar sobre como o dia de hoje foi cansativo, daquela prova de matemática horrível que eu tenho quase certeza de que zerei. Queria poder te dizer que pensei…
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Eu queria poder te falar sobre o meu dia. Chegar em casa e correr pra os teus braços, me sentir protegida. Queria poder te falar sobre como o dia de hoje foi cansativo, daquela prova de matemática horrível que eu tenho quase certeza de que zerei. Queria poder te dizer que pensei em você o dia todo, em estar aqui, nos teus braços. Queria te olhar nos olhos e falar "eu não poderia ter mais sorte"... Você devia ser aquela parte do meu dia que serve pra me fazer esquecer das desgraças do mundo, devia me fazer esquecer tudo, menos você. Queria sentir tua boca na minha, sua pele queimando de desejo... Queria te chamar pra mim e te conduzir à sentir o mesmo vislumbre que eu. Poderia fazer mil textos como esse. Poderia tentar te explicar o que eu sinto com você, e como é só com você... Eu poderia... Mas não vou. Não vou porque não te tenho comigo. Não vou, porque te sinto distante, porque falar com você é como gritar no vazio. É frio, abandonado e sem cor. Não vou, porque eu nem sei mais como ir, acho que a um certo tempo desaprendi o caminho até você. Minha vida te leva para longe, suas escolhas acentuam a distância, cada vez mais longe... É impossível não pensar em como tudo aconteceu, em como parecia planejado... As coisas nos afastam, a vida, as pessoas. Acho que antes de tudo, somos responsáveis por deixar. E nós deixamos, como se não fosse nada demais. Uma briga aqui, e eu esqueço de te contar uma coisa tão importante... Outra briga, a gente não se fala por mais um dia... Brigamos de novo, acho que te falar sobre o que acontece comigo não é tão importante... E assim perdemos momentos. Nos perdemos no meio do caminho, por causa dos outros. Perfeição é algo que nunca me definiu, você sabe bem, bem melhor que qualquer outra pessoa. Mas queria que você entendesse que dói, que causa insegurança, que machuca e faz mal. Tão mal quanto eu nunca desejaria fazer você sentir. Queria que você fosse meu. Queria poder cuidar de você. Te causar segurança como você me causa, te amar como você diz que me ama. Mas eu não sei se consigo. Tô terminando esse texto com os olhos cheios de lágrimas. Espero que você tente entender o quanto isso é difícil. Lutei tanto pra não dizer que te amo, e agora me vejo obrigada a dizer isso. Não é sofrer por antecipação, é ter a certeza do que vai acontecer, é ter a sensação e ver se concretizar. Já aconteceu outras vezes. Outras tantas vezes... E você me prometeu que eu não teria que me preocupar com isso. No fundo, você não é bom com promessas, e eu não sou boa em amar, não sou boa em dividir, nem quero ser. Preciso de uma garantia de que acabou, porque se não, você sabe, a gente vai se acabar.

Chegou em casa, abriu as portas, as persianas, as janelas. Caminhou por entre os móveis, preenchendo os espaços vazios. Os passos pesavam, seu corpo não conseguia carregar o próprio peso, os pés, frágeis, se retorceriam se pudessem, o cansaço era visível. Foi até o banheiro, olh…
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Chegou em casa, abriu as portas, as persianas, as janelas. Caminhou por entre os móveis, preenchendo os espaços vazios. Os passos pesavam, seu corpo não conseguia carregar o próprio peso, os pés, frágeis, se retorceriam se pudessem, o cansaço era visível. Foi até o banheiro, olhou-se e naquele espelho manchado, viu um reflexo que não era seu. Algo inumano. Procurou vestígios de felicidade, nenhum. Amor? Nenhum! Dor? Muita! Solidão? Mais ainda! Subiu as escadas, restejaria se possível fosse, não era. Eram 3:00 da manhã. Havia um fulgor desconhecido naquela noite, algo especial ou diferente. O referente era um inimigo em potencial. A noite foi feita para os loucos, aos que amam intensamente. Era seu caso, amava tanto e esquecia de se amar. Amava a madrugada, o cheiro do conhaque e as taças de vinho manchadas de batom vermelho. Amava ouvir jazz no tom mais suave possível. Amava o azul, naquele tom quase preto. Amava a lua e suas metamorfoses. Amava a vida, odiava viver. Olhou sua história por um lado, por outro, por perspectivas mistas e opostas. As vertentes que se cruzavam no emaranhado de problemas em que tinha se metido. O amor não correspondido, a traição explícita. A falta de amigos, a solidão... Como dizer a alguém que possivelmente ela possui depressão? Não é uma tarefa fácil, ao menos não deveria ser. Costumo dizer que quando toma-se um papel como esses, o autocontrole é fundamental. Não queria eu, dizer para aquela doce menina que o que ela via nas manchas de vinho era o seu sangue escorrendo pelas manhãs da camisa. Que absolutamente todos os seus amigos, eram fruto de sua imaginação, porque ela era estranha demais para se adequar socialmente a qualquer parâmetro significativo existente. O que é a vida, senão um misto de cores borradas, palavras engolidas e borboletas no estômago, regurgitadas? O problema começa partindo do fato de que, cores misturadas se tornam preto, e quanto mais pigmento, mais escura a cor. Até seu sangue escureceria, quem dirá, aquela dor? E a ferida só aumentara... Ela sentou à beira da janela. As grades de proteção ficaram para trás, afinal, o que ofereceria mais proteção que o próprio perigo? Quando se expõe a ele, nada mais se deve temer, não há do que se proteger. E ela cantava, entre lágrimas e sorrisos, traçava uma tênue linha entre o real e o imaginário. O vestido branco manchado nas mangas com o vinho... Voava conforme a dança tecida pelo vento noturno. Ela estava em pé, alternando os pés pela beirada da sacada. Um após o outro. Vamos contar comigo 1, 2, 3... Os pés se chocavam e ela olhava para baixo. Não tinha medo do escuro, tinha medo da solidão, e até isso já enfrentara. Não tinha ninguém, não tinha nada. A lua gritava no céu, e no chão, refletida nos tetos dos carros. Nada mais fascinante que a lua... Ao final daquela noite, ela se viu leve como um pássaro. Queria voar, ascender aos céus, e pulou. Voou. Encontrou a lua, abraçou-a por toda a eternidade. A solidão acabou, o medo cessou, ela e a lua, deram adeus à vaidade.

Me beija, Me abraça, Me agarra,
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Me beija, Me abraça, Me agarra, Me arranha, Sou fera, Sou fogo, E pra ti eu sou cama. Me puxa, Me fecha, Me cobre, Deseja, Meu mundo no teu, A vida se perdeu. Tuas linhas, Meu corpo, Amor e acordo, Me fiz tão teu, O improvável reviveu. Sou nossa, Sou minha, A tua menina, Meu bem querer, Meu prazer, Te ter. A flor e o pecado, Traço inacabado, Do teu amor me fiz, Já até deu raiz.

(Rabisco número 7) Algum dia vão mexer com tua mente Algum dia teu coração vai acelerar
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(Rabisco número 7) Algum dia vão mexer com tua mente Algum dia teu coração vai acelerar A música vai aumentar Tu vai se tornar impotente Algum dia o frio vai doer Teu coração vai pedir Tua garganta vai se digerir A saudade vai bater Depois disso, não haverão mais doses pra beber Carros pra dirigir Poeira pra encobrir Ou cigarros pra acender Quando a dor se dissipar Suas veias pulsarão E sangue, jorrarão Sua alma vai ficar E no dia da tua partida A dor vai te apertar fundo Irás querer calar o mundo Ou apenas prolongar a despedida. Eu que sou mais sal que açúcar Continuo insolúvel Me afogo no dilúvio Muitos órgãos a educar Mas se a dor não se finda Teu pulmão já não aguenta O fígado se lamenta Tua menina está viva, ainda. E nesse conto de adeus Fui teu, fostes meu Nunca teves nada do que mereceu Entrego-me agora a todo e qualquer deus. A(-)deus. Thaylla Ferreira {Amores avulsos}

Nesses últimos tempos em que meu vazio existencial se tornou quase o gene dominante de todo o meu ser, a recessividade tardia quase consegue me comandar. A madrugada se apresenta como um refúgio, ninguém tem medo dos monstros quando se vive no meio deles. Meus demônios a muito lu…
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Nesses últimos tempos em que meu vazio existencial se tornou quase o gene dominante de todo o meu ser, a recessividade tardia quase consegue me comandar. A madrugada se apresenta como um refúgio, ninguém tem medo dos monstros quando se vive no meio deles. Meus demônios a muito lutam para se libertar. Tenho aceitado as forças de atração que me puxam para a terra. Agora vejo que meu fim não está tão longe quanto pensei ser. O atrito de minhas moléculas é a única coisa que mantém meu coração aquecido nesses tempos de um inverno tão rigoroso. Sinto como se os polos magnéticos estivessem agora situados em meu peito, e como opostos, se atraem, tomando-me por uma implosão sem limites, explodindo de fora pra dentro, sendo corroída massivamente a cada novo pôr e nascer do sol. O movimento das marés, que tanto me encantava já não tem mais um efeito tão positivo. Sou mais sal do que açúcar, ainda assim, insolúvel. Indescritivelmente heterogênea acerca de qualquer outro componente que não seja você. Thaylla Ferreira {Poesias sobre um amor inatingível}

Você foi de longe o pior erro da minha vida O aperto que mais doeu A imensidão que mais escureceu
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Você foi de longe o pior erro da minha vida O aperto que mais doeu A imensidão que mais escureceu A pior despedida Chegamos ao nível "loucura" Nesta vida cheia de sacrificos Consumava encher-me de vícios E o que me matou foi o pior deles, você. O maior número de bebidas Os piores tragos de tantos maços de cigarros As mais turbulentas noites dormindo em carros As mais sangrentas feridas. Às vezes, bem raramente A gente se combina Transformo-te em verso, Me entrego à rima. Você foi a pior traição Foi mar turvo, enquanto eu era piscina O lado negro da minha sina A nota torta que estragava a canção. Thaylla Ferreira Cavalcante {Lições sobre vícios}