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Frases de Thaylla Cavalcante

50 frases

Eu te olhava e os olhos se enchiam de cor. Os vícios acometidos de um castanho claro vibrante. A formalidade da linguagem era pouco pra uma definição precisa.
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Eu te olhava e os olhos se enchiam de cor. Os vícios acometidos de um castanho claro vibrante. A formalidade da linguagem era pouco pra uma definição precisa. Melodiosa voz que não atingia nenhum de nós. Veia pulsante, As cores do ócio, Toque. Prazer, Meu amor. Sou eu para teu desprazer. Ver e não ter, Ser e não perceber, Reflexos e dês-emoções. Na tua igreja pecaminosa A aurora manchava as mangas. O teu coração enebriado puxava-me ao lado, Ao teu lado errado. Assume a direção, Leva-me a viajar no banco de trás do teu carro, O poder de dês-ver, Dês-sentir, Deixar partir, Ir. E foi, Fui. Fazer chover, Sentir, Tua carne, Minha carne, Nosso suor. Calor e ausência em pudor. Tenho-te em mim, Trago-te em mim, Tenho-te assim, Tão meu, Ou não... O cheiro ficou aqui, Suas mãos nos meus cabelos, Acabamos numa pequena discussão, Tão grande quanto o céu. Amo-te, Intensidade furacão. Thaylla Ferreira {Poesias sobre um amor inatingível}

Carta aos odiosos Por vezes tentei transformar-te Em poesia, verso ou rima
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Carta aos odiosos Por vezes tentei transformar-te Em poesia, verso ou rima E ao fim de toda esta sina Só não quero equivocar-me Vejo sangue escorrer novamente Uma ferida nunca curada Numa fera intocada Prometi libertar-te conscientemente E numa tão crescente jornada, Encontro-me aqui alheia a tudo e todos Enlouqueceria aos poucos Não fossem as doses de sanidade e ódio Das quais me encontro agora colmada Ao contrários dos dizeres nem tão sábios O ódio nutre e alimenta Fomenta, fermenta Toma de mim palavras e lábios. Thaylla Ferreira {Amores avulsos}

Iridescência O que é a vida se não um enigma Um jogo de esgrima sem vencedor
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Iridescência O que é a vida se não um enigma Um jogo de esgrima sem vencedor O que é a vida se a gente não finda De uma vez por todas o que começou O que representa esta grande impotência Da loucura desvairada Que teu pai te proporcionou E em qual esquina esteve marcada Esta promessa que tu nunca concretizou Nesta eloquência desvairada Encontrei meu salvador Entreguei a ti, tudo que de mim sobrou, Não que fosse muito, sei, sou quase nada Mas se nada sou, eis-me aqui entregue Torcendo pra não ser tomada, Ainda assim, cá estou, abandonada, Desejando-te da alma à epiderme. Porque sim, tenho mil amigos Uma estante repleta de livros e Cd’s Sim, tenho mil e um escritos, Mas só um poema é sobre você E este tem-me sido um companheiro incansável, Na batalha das decepções que o presente da vida veio a ser Desde então colmei-me de difíceis escolhas e percebi Nada mais será bom o bastante sem a dádiva de te ter. Nada sou perto de tua iridescência admirável. Conheço uma única pessoa Capaz de emanar todas as cores mesmo sem permitir Tens sido excepcional ao ponto de me refletir. Pois sei, é preciso arriscar pra se libertar, Prometo estar aqui enquanto decidires ficar. P.S: Fica! Thaylla Ferreira Cavalcante

E que seja feliz. O enterro. Ao que parece, todos temos esqueletos no armário. Mas claro, no sentido metafórico, a menos que você seja um taxidermista.
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E que seja feliz. O enterro. Ao que parece, todos temos esqueletos no armário. Mas claro, no sentido metafórico, a menos que você seja um taxidermista. Esses esqueletos representam coisas que não podemos ou não queremos expor, por serem repulsivas ou apenas comprometedoras. No meu, por exemplo, guardo um livro de aproximadamente 200 paginas, onde tentei convencer-me que estar com meu ex amor é impróprio a mim. O mantenho longe, pois se não o fizesse, leria por vezes e mais vezes, afim de usar cada um daqueles argumentos em cada tentativa falha de me espelhar em um novo alguém. Alguns cadáveres merecem ser deixados para trás, mas por mais que lutemos, tenderam em nos perseguir, como zumbis em busca de carne fresca. Recentemente "envolvi-me" - se é que posso assim dizer - emocionante com um rapaz aparentemente interessante, mas creio que ambos são cheios de más lembranças. O homem tem características peculiares. Tende a basear todos os futuros relacionamentos nos passados que não deram certo, e como soa meio óbvio, fracassa nestes, tal como fracassou no anterior. É um ciclo vicioso de não confiança, desamor e com toda certeza de muito medo. O mesmo medo que nos faz manter a porta dos armários sempre trancadas para que o mundo não descubra nossos segredos, ou melhor, não ache que temos segredos. Por mais que soe ridículo - todos têm segredos - é assim que tem sido com basicamente todos que conheço, ademais, a exceção confirma a regra. Mas voltando a meu caso em particular, creio que me mantive em minha zona de conforto, e sabemos o quanto isso é prejudicial a um relacionamento. Sou mais sal que açúcar, e ainda assim, insolúvel à cerca de qualquer outro componente. Então de fato, lidar comigo é uma barra! Não me surpreenderia se as pessoas escolhessem me trancar no dito armário de - más - lembranças. Me surpreendo porém, com o fato de ainda conseguir despertar em qualquer pessoa que seja, qualquer tipo de sentimento - principalmente sendo este algo bom. No design inteligente da evolução, não nos deram armas biológicas para lidar com relacionamentos, e se deram, infelizmente não fui contemplada. Talvez toda esta apatia seja sim uma arma de defesa, mas quem disse que ficar na defensiva é bom? Bom é partir pro ataque, sentir - a torcida - vibrar, sentir que tu podes ainda ser útil. Sentir e fazer sentir, emocionar. Voltando agora a meu - ex quase - relacionamento, sinto que estraguei tudo, e de certo a culpa não foi toda minha. Me faltam armas químicas pra lidar com essa bomba em meu peito que - infelizmente - é vital. Sinto medo de envolver-me novamente, de estragar tudo, e por isso continuo aqui, fria e tênue, à margem de qualquer substância que não seja o frio do meu inverno interior. Enterrei minhas emoções a tempos, tranquei meus esqueletos no armário e os esqueci. Mantive-me alheia a tudo e todos, tornei-me inatingível. Gostava disso, gostei por muito tempo, até ele aparecer e sumir, levando consigo todas as minhas certezas, e por fim, enterrando-me num mar de vocábulos frios, onde permaneço desde então. Se o vir, diz-lhe que mandei lembranças, que ele é um homem bom, e que seja feliz. Thaylla Ferreira (Relicário de vocábulos vazios.)

Comece a rezar. Bem aventurados sejam aqueles que te ignoram Amaldiçoados sejam aqueles que por ti choram.
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Comece a rezar. Bem aventurados sejam aqueles que te ignoram Amaldiçoados sejam aqueles que por ti choram. E se do pó viestes, ao pó não voltará Tua imoralidade, toda bondade ceifará. Quero que morras triste e solitário Sentindo dor e frio Quero que você sofra um inferno agonizante Até a decomposição de tua carne. Quero ver-te sozinho, chorando, No vazio, e por piedade implorando. E no velório de tu'alma, assistirei a esta matança, A supremacia da divindade, aqui não alcança Teu sangue petrificará. Pois tenho em minhas mãos o poder, Agora é ver pra crer Crer que nada acabou, Que teu sofrimento continuou, e por longas datas há de continuar. Meu consolo é saber que não há nada que possa te consolar. Quando os cavaleiros subirem o monte, A pedra mais alta irá cair, E eu estarei a aplaudir, Será teu coração a desmoronar O coração que achei que tu não tivesse, Mas deus há de atender minha prece, Terei poder tão logo e não distante. O inferno, à terra vai subir, Iremos nos encontrar. Como fogo e água, Mar e luar, Pontos opostos da velha diretriz. Sou a lua sobre a escuridão, Sou fogo, clarão, E tu, apenas algo a sucumbir. Prometo ser piedosa! Doses longe do brutal. O perdão é para poucos, Para os loucos, E para alguns moribundos como ti. Fui pouco, Hoje sou muito, Tanto que nem me caibo Por isso me guardo em mim, Aprendi contigo, é certo dizer Não sei mais sentir Sou vazia de mim, pelo vazio de você. Em meio a meus 12 "eus", O mais amado foi me trair. O que fazer? O que sentir? Deixar doer ou ver partir? Continuo a ouvir o doce som da podridão de teu corpo, De teus ossos se preparando para uma iminente implosão, Da ruína que está se tornando teu coração. Adentrando uma terra deserta, Colmada de vingança e ódio sem perdão. Mas o alívio final será meu, E enquanto paga teus pecados, o inferno será teu. O mesmo inferno que me prometeu, cômico, não?! Não tens amigos, Não tens família, O lado bom da armadilha é que tu próprio se prendeu, Perdeu-se em meio aos detalhes. E por minha pura tirania, admito, doeu um pouco Mas por fim, não sou eu quem está a ficar louco. Não sou eu quem está sem pão, Sem amor ou perdão Não sou eu quem está abandonado, E pela simbólica escuridão, entrego-te esse recado: Pense em teu pecado. Não tente manter-me perto, Fiquei melhor com tua pior escolha E agora viva nesta bolha Como um mero condenado. O mal está em tudo, Infiltrado nas melhores relações, Nas piores proposições, E até no maior amor do mundo. Lava esse rosto, Mostre-me o que tanto tentou esconder, Há tanta lágrima espalhada Chega a dar desgosto. Acordou de cara marcada, A noite deve ter sido mal encarada. A bebida vai virar sangue, Hoje teu anjo da guarda desde de gangue, A escuridão tomou conta A tentação venceu-te de ponta a ponta. Teu sorriso agora ausente comprova, Vamos para a santa inquisição, Perguntas feitas e não respondidas, Vidas interrompidas, Malditas, Sem perdão... Como a tua traição. Thaylla Ferreira Cavalcante (relicário de vocábulos vazios.)

Confissões de passageira Cá estou, na janela do avião, Admirando a luz energizante deste sol que nos ilumina,
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Confissões de passageira Cá estou, na janela do avião, Admirando a luz energizante deste sol que nos ilumina, Analisando os prós e os contras de manter-te em minha sina, Comparando-te a esta imensa vastidão (de ambos, conheço tão pouco!) Longe de ti, o mundo parece vago, Vivemos um romance nunca escrito, Mas, ah que autor maldito! Mantém-te longe de tudo que trago. Até meu cigarro tornou-se morno Quero tua boca, o gosto do teu corpo, Descobrir em ti caminhos, desses que conheço pouco. Devolva-me o o prazer de uma vida sem você! Como um sopro de epifania traduzo tuas línguas, Minhas mãos leem-te como braile, Te acariciam de um jeito que bem sabes, Ainda que não digas. Hora quero-te perto, Noutra, mais ainda É loucura que não se finda, Muito fogo pra pouca palha, Seja meu pecado incerto. Difícil é saber o que queres, Mais difícil saber como podes brincar com meu pensamento Logo eu, tão frígida no assunto sentimento... Já não sei mais a que santo rogo para atender minhas preces Teu corpo atrai, Tuas curvas enlouquecem, Conheço-te por completo sem nunca ter-te tocado. Trago-te comigo, em minha pele gravado. Tuas palavras me aquecem Meus lábios de ti não saem. És minha contradição favorita, Anseio-te de cabelos assanhados Nossos corpos suados, colados, És o paraíso que mais me excita Quem tem sentimentos sabe que vive a perecer... Sou louca por ti, mas imploro, Me ame, me use, me tenha, Só não faça-me enlouquecer! Thaylla Ferreira Cavalcante (Sou nós)

Hora de partir. Você fala em desapego Mas se apega a aparência.
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Hora de partir. Você fala em desapego Mas se apega a aparência. Você refuta o aconchego Mas insiste na permanência. Você critica o que convém Mas logo tu que não se mantém. Se te falo em entrega Me dizes que assim não erra Que tenho idéias antiquadas Que sou por deveras equivocada. Que sou sopro de apego Que dispenso as aparências Que busco teu aconchego Rezo por tua permanência Eu que velei tua alma Que dispensei as amarras Enquanto te vi partir. Eu que mantive a calma Conheci tua outra amada Enquanto via meu mundo ruir. É você mais sal que açucar És de todo ruim Inválida foi minha luta Tens agora o meu sim. Você diz que é do sol, mas molha o que ele enxuga Você diz amar a noite Mas não é pra ela que se arruma Você diz querer o mar Mas não se entrega nem mergulha Diz também ser furacão, A este sim, se equipara na destruição, Fostes minha perdição. Mas fui, Eu fui! Antes tarde do que nunca. Thaylla Ferreira Cavalcante {Mais uma deste ex amor}

A ti, abutre. Sinto falta do passado, Tudo que me dói,
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A ti, abutre. Sinto falta do passado, Tudo que me dói, Tudo que a mim corrói, Remete ao obliquo renegado. A esta minha sina equivocada Sou o karma desta minh'alma amaldiçoada. Trago entre os dentes um cigarro Nos lábios, meu batom borrado Na cabeça, a coroa do passado Cá estou, prestes a destruir outro carro. Nunca mereceste um pingo de piedade Meu miocárdio ainda grita a traiçao Não convém conceder-te perdão Tua vida desconhece o valor da lealdade. Amaldiçoada seja a tua existência Se nada fui ou signifiquei, Se nada importa, nem a dor que suportei Nada existe! Nem tua essência. Quero teu sangue escorrendo por meu corpo, Quero seus gritos agonizando em sufoco, Quero que implores como louco. Ei de ver-te com o medo tranparecendo à epiderme. Chore, meu bem. Deixe suas lágrimas orvalharem, Permita ver elas te entregarem, És agora meu refém. De ti, nada menos que um metro de distância Na minha taça, nada além de teu sangue ou suor Em meus fones, nada mais que teus gritos de dor Talvez permaneças ainda com a mesma nula relevância. Se sento a mesa, alimento-me de vingança Me deleito com o que me nutre Fomento a ti, abutre! O lado negro venceu na balança. Segure minha mão, Juro-te ser desleal Seguir a ti, Judas sem ponto final, Anseio ouvir teu "Não"! Anseio te ver implorar, Ofereço tua vida a quem quiser! Que se faça dela o que vier! Mas vais ingerir todas as borboletas que me fez regurgitar! Por longos tempos fui luz. Tornaste-me escuridão. Mergulhei tão fundo nessa imensidão Que agora vais comigo ver que nem sempre é ouro, tudo aquilo que reluz. Thaylla Ferreira Cavalcante (Sou nós)

Um ano depois Sentimentos sombrios Transpassados de um humor sórdido
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Um ano depois Sentimentos sombrios Transpassados de um humor sórdido Lembanças embebedadas no mais elevado teor alcoólico E o cheiro a contrastar com estes meus lençóis frios Aqui da janela, tudo parece uma pintura Verniz escorrendo no acabamento mal feito Feio como o conhecido pacto desfeito Bem-vindo à famosa ausência de compostura O sangue escorre por meu braço Lágrimas orvalham meu rosto No espelho só me vem desgosto O importante é que rompi o laço. Cortei as linhas que nos ligavam Sequei todo sentimento E por um feliz momento Desejei poder não dar ouvidos a tudo que falavam. Por vezes precisei me entorpecer para não sentir Do meu cigarro favorito foram sete maços Nas paredes do meu quarto vários traços A lua me mostrava ser melhor deixar partir. Thaylla Ferreira Cavalcante

Chama de consolo Sentei-me à beira da cama Um cigarro em meus lábios
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Chama de consolo Sentei-me à beira da cama Um cigarro em meus lábios O frio retraindo meus vasos A me aquecer só o fumo e sua chama. E como um grito no vazio, suplico Universo, querido, por que comigo? Bem sabes que sou fraco Sabes que não tenho abrigo E que deste mundo amargo, infelizmente sou mero inquilino Por que entregas a mim este amor inimigo? Dentre tantos pensamentos onde poderia estar Vejo tornar-se inferno o que um dia me foi riso Agora colmado de conformidade Meu destino não resume-se a um altar Se meu calor interno já não basta Se sinto a vida deixando-me ir Se o que acrescenta também maltrata Ainda assim não consigo deixar partir. Thaylla Ferreira (Sou nós)

Antigas utopias Enquanto o frio maltrata lá fora Cá me esquento no vazio desta imensidão
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Antigas utopias Enquanto o frio maltrata lá fora Cá me esquento no vazio desta imensidão O vento assanha os meus cabelos, O único cá inerte tem sido este coração. Meu mundo grita e se apavora, Porque a maquiagem já não basta para esconder Já nem sei o que me perturba agora Se é a monotonia ou a falta de você Sei que nada me seria o bastante E que a vida não tem sido muito mais Do que uma lástima desinibida Um filme fracassado, ainda em cartaz Pois dentre todas as promessas Apenas uma se cumpriu “fico aqui, ainda que as avessas” E ficastes, mas foi dentro de mim. Todo o resto sucumbiu O que me sobrou foi um punhado de entranhas De lástimas e secreções Destas, as mais estranhas Sobras póstumas de velhas paixões E se é certo não dizer, Eu digo! Que a vida tem dessas de nos fazer inquilino De amores onde nem se devia estar Mas se é certo não fazer, Eu faço! Porque pior é não amar. Thaylla Ferreira Cavalcante (Sou nós)

​Ave Maria Quando tu vai, a saudade chega e aperta,
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​Ave Maria Quando tu vai, a saudade chega e aperta, mais do que aperta em saber que tu tá longe. Quando tu vai, meu coração se fecha Até que chamo, Mas ele nem responde. E pra abrandar teu sumiço, Rezo pro meu padrinho padre Ciço, Pra afastar essa tua falta. E quando tu chega, faço dos teus braços, meus, Do teu abraço, o meu deus, A ele entrego minha devoção. Nessa vida de nordestina bruta, Nem Maria Bonita atura, Tem dias em que sou o cão. E ainda assim tu me aguenta, Foguenta. Aproveita e fermenta essa nossa paixão. Porque no teu carinho me vejo inteira, Da tua vida eu sou prisioneira, A quem interessar digo, Não me alforrei não! E se for castigo, Tu têm sido meu pecado e minha perdição. Mas me prenda em teus braços Que eu digo ao delegado, Seu doutor, Não quero libertação! Thaylla Ferreira Cavalcante

Uma estrela com teu brilho És minha constelação E eu te sou furacão
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Uma estrela com teu brilho És minha constelação E eu te sou furacão Destruo tudo querendo te tocar Mas não importa, é tão certo Quanto um vulcão e o mar Nossos beijos que dariam uma vida a rimar Seus toques de volúpia ardente Meu coração de audição estridente E o teu sorriso que faz o mundo se ofuscar Meus tremores internos Nossas mãos unidas Dispostas por suas idas e vindas E teus olhos tão desertos Que me diziam ser errado lutar Por um futuro incerto Com quem vive no escuro de um inferno Algumas feridas precisam sangrar E por mais que me doa a partida Porque você não se decide E a tua ausência em mim vive. De fato, sou melhor pela ida Não se lida com aparências Em teu zelo, quis permanência Mas livrei-me da abstinência Dois coelhos com uma cajadada E sou mesmo tão errada Mas que se exploda o mundo inteiro Sou todo fogo certeiro Que ascende o meu cigarro Respiro, inspiro E te esqueço a cada trago. Thaylla Ferreira Cavalcante (Amor, meu grande amor.)

Efeito miragem Eu queria congelar o tempo Bem naquele momento
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Efeito miragem Eu queria congelar o tempo Bem naquele momento Em que você olhava para mim Eu queria não sentir Esse misto de sentimentos que me vem Quando toco em ti Você me perde e me ganha Com a mesma intensidade E eu tenho a mesma saudade Desse teu poder de barganha Juro por teu desempenho premiado Juro pelo nó de tua gravata Eu juro pela turbulência transpassada Que não sei como me desvincular de teu passado Eu olhava pro céu E a estrada nos abençoava E a noite, embalava Como crianças largadas ao léu Seu olhar brilhava Como esmeraldas na luz Oscilantes, porque fizestes jus À fama que te acompanhava Teu olhar irônico Que só me fazia enxergar além Meu sorriso atônito Mostrando que nem sempre o ouro que reluz É o que convém Eu olhava pro infinito e pra você Juro pelas intermináveis faixas amarelas da estrada Que minha vontade tão bem guardada Era só poder te dizer Que você é incrível Que teu passado não tem que nos ser inquilino Porque enquanto a noite caía, Eu só te desejava Cada vez mais perto E que não seja certo Eu sempre gostei de arriscar Só te peço pra ficar Seja meu maior pecado Mas esteja perto Esteja, Deixe estar Se tudo me disser que é errado Eu escolho a inconsequência Seguro tua mão e imploro Tira-me da abstinência Que o vício do teu corpo me trás encarnado São números e letras, Maiores que sentimentos menores Troquei o vício em você por outros 20 piores Permaneço incrédula sobre o que vem atrás Vá pro raio que o parta e me leve junto com você Por tudo que acontece E eu não consigo não dizer Que sinto sua falta Porque estar contigo é como andar de montanha-russa Não se pode prever o que vem a acontecer Resta-me apenas aceitar Antes do dia amanhecer Te chamo para brindar À mais uma manhã confusa e sem saber e sem você. Thaylla Ferreira Cavalcante {Amor, meu grande amor.}

Meu amor, meu mar Minha inexperiência comedida Lembra-me tudo que tive
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Meu amor, meu mar Minha inexperiência comedida Lembra-me tudo que tive Se o “ser ou não ser” anda em declive Ou se acentua tua vinda Me lembras o mar E toda dor que sempre quero que ele dissipe E que minha calmaria se antecipe Nunca sei se pretendes voltar Porque sou a incompreensão da inconsequência A ausência deste teu espírito de equipe Protagonista das histórias que queres que eu participe Sou a extensão de tua essência Se mais incógnito que você não há E se és plebeu demais para ser chamado de príncipe Meu amor é teu, E tu decide, mas peço, Não vá! Thaylla Ferreira Cavalcante (Voa, passarinho!)

Infeliz despedida. A chuva castiga, o frio maltata. Mas a solidão me aterriza, me faz manter os pés no chão, independentemente do que vier agora, é disso que preciso. Meu celular está quase sem bateria, agora não saber teu número decorado bastaria, mas não basta, porque aprendi…
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Infeliz despedida. A chuva castiga, o frio maltata. Mas a solidão me aterriza, me faz manter os pés no chão, independentemente do que vier agora, é disso que preciso. Meu celular está quase sem bateria, agora não saber teu número decorado bastaria, mas não basta, porque aprendi, assim como a aceitar tudo que vinha de você, aprendi a prever suas palavras, atitudes, seus passos. Aprendi que você pisca rápido os olhos quando está nervoso, que dá um riso escandaloso quando está sendo sarcástico, que mexe no celular quando quer evitar contato visual, que a tua calma sempre esconde algo, que não deixa ninguém te ver por inteiro, que estraga qualquer iminente preocupação dos outros ao teu respeito e que morre engasgado com tudo que não diz, porque pra você, é sempre melhor mostrar que não se importa. Mais cômodo, talvez, mas não melhor. Não pra mim, nem pra você. Toda essa comodidade juntou-se a um contexto amplamente caótico de minha vida, que juntou com tua ausência, com nossas perspectivas abertamente opostas e com tudo que você projetava em mim. Nós fomos dois covardes por aceitar sem lutar, logo a gente que sempre foi tão de luta... Meu relógio marca 3:00 da manhã. Dizem que é a hora dos demônios, talvez seja, mas não dos meus. Regularmente eles passeiam fora de hora por esses tantos caminhos tortuosos. Daria meu rim por um cigarro agora, ou por qualquer droga que me anestesiasse e me mantivesse bem longe de tudo isso que eu não sei sentir. Acho que quero beber. Acho não, eu quero! Se bem que eu nunca consegui... paciência! Horas de desespero... (complete a frase). Vou até a conveniência da esquina ver se encontro alguma coisa forte. Voltei com o whisky mais vagabundo que encontrei. Menos mal, o efeito vem mais rápido. A atendente da loja me olhou com pena e eu até entendi. Não consigo nem dizer qual das duas reações mais me impressionou. Estou de jeans rasgados, manga longa, Havaianas e na chuva... estranho seria se ela me achasse normal. Acho que sou realmente muito exposta. Tenho um cigarro entre os lábios, conduzindo-o com meus dedos em V. Que representativo, né? O símbolo da paz, a paz que só tenho encontrado nessas circunstâncias. Enfim, servi a primeira dose, tô analisando o copo a uns 15 minutos e meu estômago já tá se revirando. Eu odeio beber, sempre odiei, mas é preciso. Engoli tudo, e desceu queimando além do esperado. Sinto minha garganta arder pela exposição, mas o efeito foi bom, até consegui te esquecer por uns minutos. Acho que vou repetir, na verdade, acho que tenho por obrigação repetir isso. Tomei mais alguns copos, sempre os batendo na mesa, e a cada novo golpe, ele se desgasta, mais e mais. Acabou rachando, me veio à mente uma analogia bem interessante, algum palpite? Uma dica, é bem clichê. Acertou quem disse que é meu coração. Mas a culpa é minha. Bati o copo na mesa e insisti nessa droga de relação. É compreensível estar nessa situação agora, a culpa é minha por não perceber o óbvio, mas quer saber? Que se foda essa compostura infundada. Um bom jazz está tocando em meu notebook, mas o som agora parece tão distante. Já nem sei diferenciar o real do imaginário, a linha ficou tênue demais, parece uma corda bamba sobre a qual venho me equilibrando a um certo tempo, e agora eu caí. A melhor parte foi quem estava lá pra me segurar, isso mesmo, ninguém. Sinto tua falta, mas sinto falta das viagens de moto com meu pai, sinto falta do meu ex (presidente), sinto falta de muita coisa que nunca mais será minha, senti falta de escrever, e cá estou, bem como senti falta de fumar a um tempo (felizmente isso estava ao meu alcance). Pra resumir e deixar desse mimimi, é, isso eu também vou superar, a gente vai. Faço muito drama né? Eu sei. Mas não escrevi nada disso com a intenção de te mandar, então se acontecer, é porque já estou bem bêbada (e qual é, você me conhece. Sabe que sou fraca com bebida). De qualquer forma, se acontecer, saiba o quanto você é importante. Minha mente tá um caos, tô virando uma bomba relógio a ponto de explodir, sua obrigação moral é se afastar. No mais, és um babaca. Thaylla Ferreira Cavalcante

Antônimos Estou cansada da vida, mas não de viver. Sigo um caminho vazio, cheio de pessoas insípidas. Mais uma noite fria chega com o fracasso das minhas incógnitas. Estou farto de toda essa lírica crítica, da promiscuidade contida, da hiperatividade distinta e desta patética v…
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Antônimos Estou cansada da vida, mas não de viver. Sigo um caminho vazio, cheio de pessoas insípidas. Mais uma noite fria chega com o fracasso das minhas incógnitas. Estou farto de toda essa lírica crítica, da promiscuidade contida, da hiperatividade distinta e desta patética vida. Estou farta do que dizem não caber no peito, mas é meu por direito, do que me negam na jornada. Cansada da falta de bom senso, propensa à escuridão, e me permito falhar... Fecho a porta e escolho deixar-te para trás. Respiro fundo, um brinde a este mundo que não me pertence mais. Salto para a imensidão, com a tua presença eternizada em meu coração. Tu me tornaste uma prisão em meu peito, fruto de uma dor que não cessa. Se prometes tudo, e tudo que entregas é nada.

Tudo normal Não duvide quando digo Que tenho-te como amigo
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Tudo normal Não duvide quando digo Que tenho-te como amigo Desde antes do sol se pôr Juro pelo frio que nos abraça Que desfaço essa cilada em que nos colocou Tudo que vejo é azul e sereno As faixas amarelas da estrada são intermináveis Misturam-se com meus pensamentos Eu e você Juntos num quarto pequeno Que sem você meus dias são nublados Que você rouba o sol e seus raios Que o motivo de tudo tem teus olhos amendoados Se já fiz-te inquilino Dei-te abrigo Implorei atenção Você vive mergulhado numa realidade alternativa, ébria e pouco habitual Afinal, Esse é nosso normal. Thaylla Ferreira Cavalcante {A}

Mais uma dose, por favor Lembro-me do frio da noite e de adentrar o teu carro. Lembro de ter-me perguntado se estava com frio, eu neguei, mas estava. Meu coração aquecia o resto do corpo inteiro porque eu sabia no que o nosso trajeto viria a resultar. Por mais que negasse ou não…
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Mais uma dose, por favor Lembro-me do frio da noite e de adentrar o teu carro. Lembro de ter-me perguntado se estava com frio, eu neguei, mas estava. Meu coração aquecia o resto do corpo inteiro porque eu sabia no que o nosso trajeto viria a resultar. Por mais que negasse ou não quisesse aceitar, eu sabia, bem como você. Nós conversávamos como um casal qualquer que não conseguia aceitar a realidade dos fatos em que estava inserido. Nos prometemos parar, mas prometíamos isso na mesma intensidade em que nossos sorrisos se liam, não conseguíamos. Nosso imã natural tinha um epicentro tão extenso quanto o mar, não havia começo nem fim. Quando nossas respirações se agoniavam, nossos corações se ritmavam e nossas mãos por fim se tocavam, se iniciava uma sucessão de acontecimentos desastrosos com o objetivo de nos fazer questionar toda a existência e a vastidão do que nem devíamos sentir. Particularmente falando, eu idolatro tua figura como a um deus. Tudo que há em você parece harmonioso demais, como a perfeita fusão da minha ruína. Eu gosto do som da sua respiração ofegante enquanto me beija, de como você reluta e suas mãos tremem quando encontram as minhas, de como você tenta disfarçar o olhar quando sabe que estou chateada ou de como me observa dormir. Eu amo ver o teu cabelo ao vento, você suando no frio do ar-condicionado ou com as mãos transpirando por estarmos tão juntos, tão perto. Eu sou completamente louca por cada curva do seu corpo, por cada montanha ou depressão da tua epiderme e pelos teus olhos castanhos, tão fundos quanto o oceano. A vida tem dessas de nos fazer pousar no peito de quem a gente não pode repousar, é uma droga né? Eu sinto sua falta tantas vezes ao dia que mal consigo mensurar. Sei o quanto deve te ser chato me ter cobrando atenção, te querendo perto o tempo todo... é que você criou em mim uma dependência tão insana que eu adoeceria se não ao menos tentasse te ter comigo, nem que por alguns meros minutos durante alguns dias ao mês. E a nossa energia, é uma coisa tão surreal, tão de outro mundo... somos fogo e brasa, você lembra? Me sinto completa sozinha, porque eu sou fogo, mas junto a você, nós incendiamos tudo. Thaylla Farreira Cavalcante {A}

Controvérsias Te escrevo esta lírica crítica poética Como um tolo devaneio desta minha mente
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Controvérsias Te escrevo esta lírica crítica poética Como um tolo devaneio desta minha mente Antes tão inerte, agora inquieta Redijo substantivos e vocábulos Tão mornos e oblíquos Afim de encontrar acalento À esta minha vida, morna e incerta. De amantes a inimigos Malditos escravos De devaneios antigos De estranhas aversões Nossos nocivos estragos Eu queria a calmaria Do encontro das marés Queria a melodia Orvalhada dos ouropéis Queria não ser tão estático E poder não sentir Essa minha dor Mas não sei se queria O privilégio de chamar-te de amor No ápice de minha saudade Houve um lapso temporal de desespero Em que sem pudor ou medo, Infligi a mim, uma dor de total desmantelo Queimei-me a pele Por não suportar o queimor que me aquecia por dentro Meus epitélios pareciam desgrudar da derme E seu nome não me saía da cabeça A tu, eu perdi a sanidade. Nem mesmo todo o tempo que passamos na estrada Bastaria a compensar as horas que perdi delirando por ti Queria não ter essa intensidade exacerbada Mas das rosas que você me deu, Sou a estragada. Desvencilhei-me das lembranças tuas Mas tua foto ainda está em minha cabeceira Ainda sinto teu cheiro em pessoas alheias Em minhas andadas rotineiras Queria ter lembranças como as suas Boas e puras Mas nas minhas, Só fomos dois inconsequentes Cambaleando sob a linha tênue à margem da razão e da loucura Beijei bocas das quais não lembro o gosto Pousei em corpos estranhos, conhecidos e em tantos outros Mas sempre foi você, O fogo que me torna imune aos sopros Estou numa bolha de inércia prestes a ser estourada Meu mundo rosa tem coloração acinzentada És parte fundamental desse caos instaurado em mim E sem você, eu me resguardado Nada mais vai ser cem por cento Nada tem a beleza extraordinamente quântica Linda, leve Como teu sorriso e teus cabelos ao vento Minha energia lasciva destruiu teu carro E a minha sanidade, Me trouxe os debates existenciais sobre a beleza da ida Mas se eu não fosse azarada, Não conheceria quem me ensinou a fórmula de resolução Ou da destruição de minha vida Toda a incompreendida chama que juravas ter Era brasa molhada, fogo de palha E agora, cobrança de saudade Que só sobrou pra mim Junto à esse romantismo ultrapassado À imensidão de lirismo incompreendido Você me trouxe de volta à monótona realidade. Com a dor de ser o que sou, Acabou. Acabaram os vocábulos Todos os numerados fósforos foram queimados E apagaram Só restou a fumaça E a dor reconfortante de quem os segurou até o final. Serei sua Enquanto meus versos inconformados e desajustados Insistirem em ser seus. Thaylla Ferreira Cavalcante

Sou passageira Aqui da horizontal Eu só via as faixas na estrada se repetirem
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Sou passageira Aqui da horizontal Eu só via as faixas na estrada se repetirem Você, da vertical Via nossos mundos ruírem. Eu lembro de pensar querer que aquele momento durasse uma vida inteira Mas a gente é tão fraco Tão pequeno Que uma hora acaba a brincadeira. Eu sei que agora só resta um sopro de lamento Um mar de frustração E você atraca sem ter a menor intenção No meu cais de arrependimento E eu que sempre acreditei em teu sentimento ardente Entrego-te um grito estridente Quando me perguntas o que sinto no coração. Enquanto nossas mãos se tocavam Nossos corpos entravam em órbita Eu só te via junto Do vazio e dessa incógnita No silêncio, ritmados e compassados Eu só ouvia nossos corações E nossos perfumes embaralhados Percorrendo outras dimensões O motivo desta lírica É só tentar, talvez, me fazer entender Como te perdi Se nunca tive Como descrever o que não se pode ver Tão intangível e palpável Tão pequeno e maleável Tão ébrio e solitário Como estar escondida aqui Onde estou Bem no fundo do armário Porque se por um minuto fostes meu Não consigo vocábulos para descrever Possivelmente nem há muito o que se dizer A vida acaba com um beijo teu. Com teu cheiro que me preenche as narinas Com teu êxtase exalando adrenalina Como a vida que poderia ter sido, A vida E o que nunca devia ter acontecido. Eu segurava tua mão Enquanto passavas as marchas Eu só te falo porque tornou-se insustentável Falo porque não posso gritar Porque você não vai me ouvir Nem se eu tentar Porque eu cansei de ficar. Do teu ombro eu te olhava Deitada E te dizia que nem sei mais o que fazer Você ria e apontava pras estrelas infinitas acima da estrada Cujo brilho nem se compara a você Se não morro embriagada Não é a saudade que vai me matar. Eu sei, sou totalmente errada Porque sequer considerar qualquer envolvimento mais arriscado. Você é meu pecado, Mas eu sei. Homens só morrem de amor nos palcos. Thaylla Ferreira Cavalcante (Amor, meu grande amor)

Último suspiro Eu até tentei Não desfocar
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Último suspiro Eu até tentei Não desfocar Tangenciar o olhar Em linha reta Eu até consegui Tocar A minha vida Tendo-te no centro da esfera O problema é que O destino toma A forma de devaneio E vem pra te confundir Desculpa Não tenho culpa Mas eu gosto de te ver cair É que eu tentei Ir contra Os meus instintos Mas você sabe Sou mulher Tenho meus desejos Então cá estou De volta Ao meu bom vinho E a estas boas noites De sexo ruim Entre bons beijos E algumas doses de gin Enquanto você aí Me manda Umas mensagens confusas Umas rosas murchas E um amor morno Bem diferente Do que eu sempre gostei Como aquela água ardente Na cabeceira Da minha cama Que desce quente Queimando tudo A mesma Que você usou E derramou Entre soluços Pra incendiar E destruir meu mundo. Thaylla Ferreira cavalcante {Lições sobre os vícios}

Fogo Ele enfiou a mão na minha cara de novo. O punho dele me atingia como um míssel alcançando um passarinho que cruzou seu caminho. Era pesada, seca e gélida, mas cheia de sentimento. Meu rosto jorrava sangue e ele socava a parece tentando amenizar a raiva pra não vir a fazer u…
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Fogo Ele enfiou a mão na minha cara de novo. O punho dele me atingia como um míssel alcançando um passarinho que cruzou seu caminho. Era pesada, seca e gélida, mas cheia de sentimento. Meu rosto jorrava sangue e ele socava a parece tentando amenizar a raiva pra não vir a fazer um estrago pior do que já havia feito em mim. Eu estava caída no chão, mas não chorava. Sentia tanta raiva quanto ele, mas ele chorava, eu não. Peguei a bolsa em cima da cama, abri a porta e olhei pra trás, ele ainda estava com a mão dentro do buraco que havia feito na parede, olhava pro chão e cerrava os dentes, bem como o punho livre. Suas mãos estavam cheias de sangue, de ambos. Desci as escadas e não olhei mais pra trás. Peguei meu celular e te liguei. Você estava a quilômetros, mas como sempre, chegou em minutos. Eu esperei na calçada de casa e ele não desceu pra me procurar, não me ligou nem fez a mínima questão de saber pra onde eu havia ido. Enquanto te esperava eu cravava as unhas na carne das mãos, acrescentava mais algumas luas às minhas tantas outras e sangrava ininterruptamente. Você estacionou o carro de qualquer jeito, desceu correndo e me tomou nos braços perguntando o que aconteceu. Eu não falei, não conseguia. Apenas levantei, me evadi do teu abraço e dei a volta no carro. Entrei pelo lado do passageiro e pude ver tua camisa branca, fina de algodão completamente coberta do meu sangue. Dei um sorriso de lado e olhei pra frente. Você levou as mãos à cabeça e olhou pra cima, pro apartamento, ele estava na varanda, nos vendo sair e te olhando com o ar indiferente de quem sabe de todo o desfecho que vai se repetir. Depois de entrar no carro você deu a partida e arrancou me fazendo incontáveis perguntas das quais eu nem me lembro e eu só te disse pra dirigir. Me perguntou pra onde e minha única exigência era que fosse fora da cidade. Saímos, passamos pela placa de “até logo, volte sempre”. Eu ainda sangrava e você enfiava o pé no acelerador tentando de alguma forma dissipar a revolta e a confusão que sentia. Eu abri o vidro da janela e te disse pra não falar porra nenhuma, sentei na janela com o carro em movimento, as costas pra paisagem e olhando pra estrada infinita que se estendia à minha frente. Você pisou no freio e eu fiz um sinal negativo com a cabeça. Era madrugada, o vento frio assanhava meus cabelos e gradativamente coagulava meu sangue. Você parou o carro no acostamento, chorando e desceu, deu a volta e me puxou pelas costas, pela cintura. Me pedia uma explicação e eu simplesmente não conseguia falar. Você sabia o que tinha acontecido, no fundo sabia, sabia o que acontecia sempre, mas apenas me abraçou, abriu a porta, me conduziu pra dentro e assumiu de novo o seu posto. Colocou um de seus clássicos italianos no carro e só dirigiu. Paramos em um desses motéis de beira de estrada sem estrutura nenhuma. Você segurou minha mão, tirou minha roupa e limpou cada um dos meus ferimentos. Os do rosto, os das mãos, e me conduziu pro chuveiro, ainda vestido no seu terno preto com a gravata vermelha. Lembro de olhar pro teu relógio dourado quando levantou a mão ao ligar o chuveiro, eram 03:00 da manhã. A água caía no meu corpo e conforme a adrenalina me deixava, as dores começavam a aparecer e eu gritava. Você percorria cada parte do meu corpo com as mãos, numa delicadeza impecável e me conduzia para manchas roxas milenares que eu nem lembrava que existiam. Os hematomas te faziam lacrimejar e você me abraçou, nua, debaixo do chuveiro e chorou junto comigo. Sem nenhuma segunda intenção, só a compreensão mútua e silenciosa que compartilhávamos a tanto. Te contei sobre a nova traição, sobre o apartamento destruído e os copos quebrados, sobre as roupas que rasguei e sobre todos os hematomas que também deixei nele. Sobre os buracos dos murros na parede e sobre os em mim, a minha costela quebrada e o nariz dele, quebrado. Mas você já sabia de tudo isso, sabia de toda a história, de todas as brigas. Me disse que era doentio e que eu sabia, estava certo como sempre. Me disse que ficaria tudo bem e que eu não precisava mais ter medo, que o faria pagar e que ele nunca mais encostaria um dedo em mim. Eu te beijei. Fizemos amor pela primeira vez e foi realmente a primeira vez que me senti tão conectada com alguém. Você já tinha dito me amar outras tantas vezes mas essa fora a primeira que eu te disse. Você estava tão lindo, tão radiante e iluminado, meu bem... dormimos abraçados e na manhã seguinte, quando acordou, você não me encontrou, e por mais que se negasse a acreditar, sabia exatamente onde eu estava. Você é paz demais pro meu caos. Thaylla Ferreira Cavalcante {Os quatro elementos}

Cheiro de saudade Quando seu calor me aqueceu por dentro Entrei em ebulição
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Cheiro de saudade Quando seu calor me aqueceu por dentro Entrei em ebulição Logo eu, água estática em qualquer situação Você veio para se tornar meu epicentro E eu, recém formado furacão Trazia no peito as marcas tênues do passado Em meu olhar de cigana, dissimulado Foi você quem conseguiu apaziguar a situação Após o mais recente adeus Caminhei pelas passarelas da avenida A chama viva do passado tornava-me destemida Achei que não podia piorar, Nada pior que estar longe dos braços teus Mas podia, Teu cheiro tão característico Em alguém embebido Dentro de um daqueles carros. Podia piorar, agora sabia. E eu assumia o risco Em meio ao caos crescente das perdas, me vinha o teu sorriso A tua luz vibrante Teu toque oscilante E a firme certeza da aceitação. Por mais ébria que estivesse Não poderia esquecer Não poderia também, tirar-te de tua paz rotineira Trazer-te de volta pra mim Porque ainda que quisesse Em certas desvairadas ilusões não se há o que fazer Poemas, posso escrever-te cem Mas nenhum vai chegar a ti da forma certeira que teu corpo se encaixou no meu Ali, no começo do fim Eu sobrevivi ao tráfego Sobrevivi à tua ausência E talvez essa transparência seja o que me mantém viva e nutrida Pois por mais que não haja saída, Uma hora encontro teu aconchego E em teus braços, a fórmula da vida Para cada estrela do céu que se esconde e some A cada vez que estou junto a ti Escrevo um poema com teu nome E dedico somente a você mais esta lírica poética Tão patética como meus devaneios de separação Te confesso, desisti dessa ilusão Me rendi Algum dia te faço entender que Rima nenhuma jamais vai te desgrenhar, porque do teu lado Tudo mais é fútil e deselegante, Humanamente errante, Um sopro utópico de poder, Remanescentes faíscas do fogo que se apagou InFelizes como todos os versos insanos e inúteis que redigi pra você. Thaylla Ferreira Cavalcante