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Frase de Thaylla Cavalcante

Chegou em casa, abriu as portas, as persianas, as janelas. Caminhou por entre os móveis, preenchendo os espaços vazios. Os passos pesavam, seu corpo não conseguia carregar o próprio peso, os pés, frágeis, se retorceriam se pudessem, o cansaço era visível. Foi até o banheiro, olhou-se e naquele espelho manchado, viu um reflexo que não era seu. Algo inumano. Procurou vestígios de felicidade, nenhum. Amor? Nenhum! Dor? Muita! Solidão? Mais ainda! Subiu as escadas, restejaria se possível fosse, não era. Eram 3:00 da manhã. Havia um fulgor desconhecido naquela noite, algo especial ou diferente. O referente era um inimigo em potencial. A noite foi feita para os loucos, aos que amam intensamente. Era seu caso, amava tanto e esquecia de se amar. Amava a madrugada, o cheiro do conhaque e as taças de vinho manchadas de batom vermelho. Amava ouvir jazz no tom mais suave possível. Amava o azul, naquele tom quase preto. Amava a lua e suas metamorfoses. Amava a vida, odiava viver. Olhou sua história por um lado, por outro, por perspectivas mistas e opostas. As vertentes que se cruzavam no emaranhado de problemas em que tinha se metido. O amor não correspondido, a traição explícita. A falta de amigos, a solidão... Como dizer a alguém que possivelmente ela possui depressão? Não é uma tarefa fácil, ao menos não deveria ser. Costumo dizer que quando toma-se um papel como esses, o autocontrole é fundamental. Não queria eu, dizer para aquela doce menina que o que ela via nas manchas de vinho era o seu sangue escorrendo pelas manhãs da camisa. Que absolutamente todos os seus amigos, eram fruto de sua imaginação, porque ela era estranha demais para se adequar socialmente a qualquer parâmetro significativo existente. O que é a vida, senão um misto de cores borradas, palavras engolidas e borboletas no estômago, regurgitadas? O problema começa partindo do fato de que, cores misturadas se tornam preto, e quanto mais pigmento, mais escura a cor. Até seu sangue escureceria, quem dirá, aquela dor? E a ferida só aumentara... Ela sentou à beira da janela. As grades de proteção ficaram para trás, afinal, o que ofereceria mais proteção que o próprio perigo? Quando se expõe a ele, nada mais se deve temer, não há do que se proteger. E ela cantava, entre lágrimas e sorrisos, traçava uma tênue linha entre o real e o imaginário. O vestido branco manchado nas mangas com o vinho... Voava conforme a dança tecida pelo vento noturno. Ela estava em pé, alternando os pés pela beirada da sacada. Um após o outro. Vamos contar comigo 1, 2, 3... Os pés se chocavam e ela olhava para baixo. Não tinha medo do escuro, tinha medo da solidão, e até isso já enfrentara. Não tinha ninguém, não tinha nada. A lua gritava no céu, e no chão, refletida nos tetos dos carros. Nada mais fascinante que a lua... Ao final daquela noite, ela se viu leve como um pássaro. Queria voar, ascender aos céus, e pulou. Voou. Encontrou a lua, abraçou-a por toda a eternidade. A solidão acabou, o medo cessou, ela e a lua, deram adeus à vaidade.

Thaylla Cavalcante

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Meu inferno pessoal De tudo o que me lembro era frio e cinzento. Pequenas luas se faziam presentes,
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Meu inferno pessoal De tudo o que me lembro era frio e cinzento. Pequenas luas se faziam presentes, Olhares vagos, descontentes. Pouco mais iluminados que o calçamento. Absoluto e solene, Olhava-me de cima Sangue fervente e pulsante. Sob o calor que se aproxima. Como um fantasma me escondia a tempo de não ver, Transparecia em mim a luz de um grito rudimentar, Essência explicita em minha falta de te ter. A luz remanescente e ofuscante Logo já não teria onde então se esconder. Ignorando a excitação intimamente ligada aquela mesma dor Dobraduras coloridas percorriam o teto Presas e soberbas, nunca antes livres Logo mais entrariam numa estrada sem fim Clamor recorrente. Definitivamente um ótimo ator. Sob um universo atônito em busca de contrapostos. Nada demais. Nada de novo. Tudo passado. Tudo decomposto. Rosa em excesso, Calma e intimidada. Abrir e fechar de portas. Ruídos espessos. E eu o olhava Tumulto dentro de mim por fora da organização. Encontrei em você ruína e desgraça. Longe desta mesma dimensão está quem vos fala. Portas abertas de um inferno que tão logo seria meu. Tua mão que afaga uma infeliz agregada. Já não seria problema seu, Portas abertas a procura de minha final entrada.

Doses de inconsequência Encontrei em minha falta de querer Motivo perante a abstinência.
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Doses de inconsequência Encontrei em minha falta de querer Motivo perante a abstinência. Desapeguei do total pudor O medo oscilante, sem suceder Se exilou enfim de minha existência O fogo vermelho se tornou azul No calor do depois, Compulsão de nós dois. O agora mostrou que reluz. Agonizante exatidão, Súplicas fora do conceito. Sua cautela improvisada Traça o pecado perfeito. Agora sem decência, O intenso ultrapassou a dor. Ingrata loucura derramada Afável, intocada. Miúdas doses de inconsequência. Trago em mim seu calor. Mistério tênue a se fazer decifrar. O depois se tornou loucura No caos do embaraço, Vida curta para pensar. Indecência se tornou cura. Não mais me afundarei, Nem mergulharei em uma virtude disfarçada de compostura.

Infidelidade Mistérios e enigmas rodeiam teu corpo. Silencioso, vejo-te balbuciar.
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Infidelidade Mistérios e enigmas rodeiam teu corpo. Silencioso, vejo-te balbuciar. Em meio ocioso fiz-me pairar, Sob palavras melodiosas, Tudo o que me restar. Se vens como um anjo caído, A noite escura convida a viajar. Toque minha mão, E faça este tal brilho durar. Cada sensação nunca antes vista, Cauteloso e perigoso te faço bastar. Palavras divinas em meio a tormenta, Vida tirana vem a desinteressar. Pessoas comuns na falta do que conduz. Tua vitalidade escassa, Um tanto anti social, Bipolaridade disfarçada. É meu último suspiro frente ao que resta de tua amada. Até então cheia de luz, Retiro de tua mão a espada. Encha-me com seus conselhos, Serei eu tua aprendiz. Como movimentos de teus cabelos. Vertentes opostas de uma mesma diretriz, Te guio por espelhos. Passos descompassados, Pela dor que esmaga. Se como um golpe me conduz, Serei eu desnecessária. Em tua mão um fulgor reluz, Tornando-me por total errada. Idealizarei tua utopia, Com um vigor que me afaga a alma. Viva feliz e sorria, Fiz do mundo tua morada. Eu sou fiel meu bem. Considero o que me é ensinado. Te elevo e consagro, Ainda que dentre todos, Sejas tu, o meu maior pecado!

Monotonia Vês o céu de raios ofuscantes e primor Luzido? Vês o sol entre teus olhos convertido?
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Monotonia Vês o céu de raios ofuscantes e primor Luzido? Vês o sol entre teus olhos convertido? És vaidade na vida, onde já se foi presumido. Tua glória empavesada e assumida, Fará tornar-se até a airosa manhã oprimida. Sol e Lua se encontraram com alento e sem pudor. E um dia mostrar-te-ei o quão sublime é o meu amor. Sinto-me hoje desvanecida. Em tuas faces, considero-me equivocada. Ostentas meu coração inflamando as mais sublimes faces ao considerável nada. Não mais me considerarei humana, Minha mente quase profana necessita de alento. Meu amor por ti peleja, Ao mesmo ponto onde fraqueja presumindo o desastre iminente. Comparo-te ao aljôfar mais precioso. Sendo assim, sigo minha busca somente a te encontrar. Pois nem isso me seria tudo, Já que tudo para mim é nada. Me cubro de espasmos, A vista de teu rosto, meu amado!