Life goes on indecorosa, perversa e marginal
Frases de tadeumemoria
822 frases
Sozinho sou mais de cento e um...
eu vou chorar sozinho no meu canto me valendo do meu santo olhando os astros, eu canto baixo,
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eu vou chorar sozinho no meu canto me valendo do meu santo olhando os astros, eu canto baixo, eu sussurro o meu encanto enquanto for assim, por mais que doa em mim vai ser melhor que dor nenhuma... eu vou mudar desse lugar, pra Irajá ou Inhaúma vou me esconder desse desejo... eu vou blindar meu coração com brisa e mar e algum vinho eu vou ficar sozinho no meu canto, eu mereço esse castigo... ainda tenho as lembranças, ainda tenho tudo que eu pensava que tinha, eu fico mudo nessa ilusão, de dores e angústia eu me fiz não se atormente, eu cuido bem desta agonia, vai ser feliz eu vou ficar quietinho no meu canto...
Sou um anjo que se apaixonou e virou poeta... ou poeta que se sentiu amado e virou anjo...
Em outra circunstância eu diria que sinto saudades; outrora a casa vivia repleta de crianças; filhos, netos, sobrinhos... éramos uma família unida e feliz. Foi um tempo de abundância quando o algodão era um sinal de luz, as árvores frutíferas atraiam os pássaros, as flores orname…
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Em outra circunstância eu diria que sinto saudades; outrora a casa vivia repleta de crianças; filhos, netos, sobrinhos... éramos uma família unida e feliz. Foi um tempo de abundância quando o algodão era um sinal de luz, as árvores frutíferas atraiam os pássaros, as flores ornamentavam a casa grande, como promessa de muita felicidade e tudo isso começou na igrejinha de santa Rita de Cássia pequena e acanhada de piso morto. Frei Jerônimo celebrou nosso casamento depois de seis anos de namoro, discussões ríspidas entre nossas famílias que tinham suas rixas e eram contra a nossa união; mas o amor se sobrepôs ao ódio e derrubou a cerca de arame farpado que ia da estrada até as proximidades do rio, o que compreendia nossas propriedades e não deixava de ser um bom pedaço de terra, algumas cabeças de gado, porcos e outras criações, além do algodão e do milho. A partir de então houve entre nossas famílias uma total harmonia, eu diria que nos tornamos uma, porque os problemas que surgiam eram nossos e resolvíamos em conjunto e nossas alegrias eram compartilhadas; então veio, em homenagem a avó paterna Ana Luzia, nossa primeira filha: Analu. Juaquim meu marido queria que ela se chamasse Elenice o meu nome mas eu tinha uma grande admiração por dona Ana, minha sogra, que mesmo nas nossas rixas durante o nosso namoro nos apoiou. foram anos de uma felicidade completa; vieram outros filhos e isso só consolidou o nosso amor. ninguém teve tanto a certeza de ser amada como eu; mas mesmo nos melhores momentos, as vicissitudes da vida acontecem e ninguém está imune às paixões. Analu corre ainda entre a varanda, o pomar e as roseiras que adornam a frente branca e azul de nossa casa, nas brincadeiras ingênuas de sua adolescência com os irmãos, primos e vizinhos, Juaquim cuida dos bichos ou das plantações e provavelmente cantarola uma canção romântica; assim as coisas ficaram na minha lembrança. Numa parte ou outra, dunas ameaçavam bairros e as chuvas tornavam-se mais escassas. ouvia-se histórias de famílias que migravam por essas dificuldades; resistimos a todas as adversidades. Era uma tarde nublada de agosto, Juaquim tinha ido pescar no rio quando o carro entrou pelo nosso portão e chegou bem próximo aos degraus que conduziam a nossa porta; era Eriberto, o advogado, que trazia uma pasta; ele cuidava do inventário do sr Benedito, meu sogro, falecido há poucos meses, vitimado por falência múltipla dos orgãos. Ninguém diagnostica o tempo como causa mortis; meu sogro já contava 99 anos. "Quem é esse anjo?" Questionou Analu, que já contava 18 anos. Heriberto era assim, dava sempre essa impressão, e se sorrisse e nos olhasse nos olhos passava-nos a sensação de uma fragilidade que também nos contagiava. Eu já conhecera aquele sentimento e vivia numa dúvida cruel, convivendo com aquele remorso, imaginando se Samuel, meu filho mais novo, não seria filho de Eriberto. desde então Analu parecia mais calada, vez ou outra estava sempre no telefone sussurrando; Samuel certa vez ao chegar da escola mencionou ter visto Analu na pracinha conversando animadamente com Heriberto parecia uma tragédia anunciada, meses depois notava-se a barriga de Analu crescida; Juaquim chegou a ir atrás de Heriberto, mas ficou sabendo que ele era casado e havia se transferido pra outra capital; meses depois nascera Cecília, mas Analu perdera todo o brilho do olhar, juaquim também ficara meio rançoso; certa noite me questionou por que eu não lhe falara sobre a origem de Samuel. Juaquim era um anjo, de um amor puro e imaculado. Quantas vezes olhamos o por do sol sobre as dunas que guardavam a nossa história; e dali vimos o brilho de um nascente renascer nos olhos de Analu, que na igrejinha de santa Rita de Cássia, agora com piso de mármore e torres iluminadas, casara-se com um dos filhos de um primo distante de Juaquim. De vez em quando penso que todo esse tempo não passou, quando contemplo Gustavo, marido de Analu, tirando leite das vacas, colhendo o milho, obsevando a plantação de algodão; ele também cantarola algumas canções que mencionam amor e paixão, de vez em quando caminhamos à beira do rio; de vez em quando são subdivisões de uma eternidade que se divide em partículas para serem bem guardadas ou esquecidas pelo tempo e o perdão.
Sou um anjo que se apaixonou e virou poeta...
Nada era verdade quando a verdade era nada; Matou o gato, o periquito, o cachorro, Matou a namorada
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Nada era verdade quando a verdade era nada; Matou o gato, o periquito, o cachorro, Matou a namorada Nada era verdade ainda; Matou a galinha, o coelho, matou a vizinha... A realidade se media pela quantia E tudo se multiplicava por nada; Matou o que era verde e o que não era que era estático e o que se movia Mas a verdade não aparecia Matou o concunhado, o vigário a messalina, E quando era sábado sem a contrição, Sem chave de coxas na cintura, Sem a loucura daquela língua e aqueles lábios, Achava-se sábio... Mataria o anão, o filósofo, o prefeito; Mas por mais que matasse, não mataria o prazer O prazer de matar, talvez matar não fosse solução, Talvez a solução fosse morrer Morreria num sábado ensolarado, numa segunda Chuvosa Ou numa quinta; numa quinta serena... Missa de sétimo dia e novena... Um edifício, trigésimo andar... Um voo onde sua alma alcançasse mais fácil o céu E somente seu corpo se esfacelasse No solo duro da realidade Porque a verdade era nada, nada era verdade...
A noite é a face obscura da ansiedade
TRAVESSIA Do outro lado da rua a vida se acaba... É uma travessia rápida,
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TRAVESSIA Do outro lado da rua a vida se acaba... É uma travessia rápida, Mas antes das flores, das folhas, das chuvas, Antes dos verões... Sonhamos com todas as belezas, Fazemos planos com todas as incertezas; Somos tão românticos que os nossos olhares passeiam, As confusões permeiam, as paixões incendeiam... Então estamos do outro lado da rua E não temos mais retorno; Só temos os ocasos e as estações E a certeza que do mesmo jeito, faríamos tudo de novo
Nudez agride sem poesia...
Imagina uma chuva, uma chuva torrencial... voce está com um guarda chuva, procura uma marquise pra se abrigar, mas não tem jeito, respinga em voce... isso é a política, por bom que voce seja a corrupção respinga... no brasil tá se transformando num dilúvio
Vou escrever um conto; ando sem inspiração, mas tenho o mar e todos os seus mistérios; toda essa coisa grandiosa e o que inventam; as sereias, os tesouros, as ilhas misteriosas, os mundos perdidos... Vou escrever um conto... eu invento um amor; uma grande paixão... algo digno de…
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Vou escrever um conto; ando sem inspiração, mas tenho o mar e todos os seus mistérios; toda essa coisa grandiosa e o que inventam; as sereias, os tesouros, as ilhas misteriosas, os mundos perdidos... Vou escrever um conto... eu invento um amor; uma grande paixão... algo digno de Shakespeare; alguém que renunciou a não sei o que e se entregou de corpo e alma e me espera não sei onde... vou falar desse amor, olharemos o arco-íris e a neblina primaveril acinzentando a lagoa e o corcovado. toda a melancolia dos anos dourados que repousa no passado, mas nos incomoda como uma farpa entre a unha e a carne. Vou escrever um conto... eu invento um álien meio ianque, meio soteropolitano, dançando despido na calçada de Copacabana; lembrando o hit do Caetano, ''sem lenço sem documento"; dançando um axé, um xaxado, um samba-rock... qualquer coisa entre a preguiça baiana e a esquisitice americana. Vou escrever um conto sobre amores inesquecíveis, paixões impossíveis; gente que se jogou da ponte, se revolve nas águas e seus espíritos perambulam nas praias em noites de lua cheia... quem pode entender o amor? Vou escrever um conto sobre o que não conto pra ninguém, esse pavor, esse momento delicado, que expande o pânico com o terror de chacinas e ameaça eminente que nos torna refém de milícias e nos tortura com funk de apologia à droga, à prostituição e à violência. Toda essa violência propriamente dita e a violência estarrecedora da corrupção que nos venda à qualquer possibilidade de uma luz no fim desse túnel.
Diante de situações absurdas até as guerras têm um certo sentido...
LEÕES E TIGRES Tem alguém do outro lado da lua Que arremessa as estrelas...
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LEÕES E TIGRES Tem alguém do outro lado da lua Que arremessa as estrelas... Depois do horizonte tem os pilares Que sustentam o mundo... E o que sustenta o teu orgulho Se o tempo curva as nossas espinhas... Lá na África tem gente tão bonita, Diamantes negros, puros sangues, Perdemos nossa melanina Com o passar dos séculos, Mas eles têm a pele retinta, Os espíritos que habitam a savana Com o rugir dos leões e o bramir dos tigres, Isso corre em nosso sangue E nos fez resistir a rebenques e troncos E nos induz a procurar planetas; Éramos deuses astronautas E resistimos aos meteoros, Resistimos à tirania de senhores feudais, Resistimos à burguesia... Nos fortalecemos nos canaviais, Nos quilombos já planejávamos viagens espaciais; Ganhamos com a miscigenação, Agora somos quilombos e colonos, Colecionamos estrelas na via láctea, Mas leões e tigres ainda correm nas savanas, Impune ninguém derramará o nosso sangue...
A NOITE Fica de sobreaviso: a lua é uma referência, mas toda a nostalgia, as desilusões, todas as agruras, todas as tristezas então se acentuam; mas especificamente pode não ser essa coisa física, essa metáfora vai muito além de um céu estrelado, penumbra e todas as característi…
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A NOITE Fica de sobreaviso: a lua é uma referência, mas toda a nostalgia, as desilusões, todas as agruras, todas as tristezas então se acentuam; mas especificamente pode não ser essa coisa física, essa metáfora vai muito além de um céu estrelado, penumbra e todas as características que envolvem a noite. Genilse carrega um saco nas costas; garrafas pet e latinhas, atravessa; a praça e diante da torre do relógio, para e constata meia noite; diante da igreja se benze como se ainda atendesse aqueles temores cristãos que um dia lhe foram ensinados; naquela selva, "amai-vos uns aos outros" parecia algo impossível de se praticar. Ali entre os galhos do velho oitizeiro guardava um colchonete e uns molambos com os quais se cobria; "morava" sob uma marquise onde durante o dia funciona um restaurante, onde sempre lhe sobrava um resto de comida que lhe era entregue por um velho cozinheiro; ali, de uma forma ou de outra ela funcionava como uma espécie de vigia, num momento em que o ser humano perde suas referencias de ser humano e o único laço que os uni é o medo. passará pela cabeça de alguns, ou de muitos, naquele momento crucial do último suspiro em que pensarão; "até que enfim, o fim dessa eternidade, enfim a morte". temor, pânico e ansiedade é o preço para esse alívio, essa é a noite subjetiva de cada um; a droga é o elo, por paradoxal que possa parecer, a tornar naquele espaço, harmoniosa e suportável psicologicamente essa pressão. Uma criança correndo em suas lembranças, muitos abraços, beijos, muitos momentos de paz; uma referencia que se perde quase imperceptivelmente e assim se vão o zelo, o cuidado, o carinho, a palavra doce; tudo isso é parte do lado iluminado da vida, o que não é iluminado é penumbra; e quem saberá lidar com suas armadilhas. Genilse tinha uma luz no fim do túnel, naquele momento raríssimo de privacidade, quando estendia seu colchonete, depois de uma breve oração, tirava de uma velha carteira, uma foto três por quatro de uma criança com a pureza dos seus primeiros anos; seu sorriso era um farol iluminando toda aquela noite densa que era sua vida. Era fato corriqueiro e naquela noite era o corpo de Genilse morto; ao seu lado, uma marmita com restos de comida, migalhas pelo chão e uma foto três por quatro de tudo o que era referência de luz. muitos olhavam enquanto o IML fazia o seu trabalho... Genilse vivia imaginando aquela cena de tanto vê-la acontecendo com os outros; imaginara aquela cena, aquilo jamais acontecera, não consigo. Vira muitos morrendo por uma marmita, um pedaço de pão, por qualquer discussão fútil e banal. Naquela noite discutira com outra garota por espaço, pela marmita, acabara dividindo-a mas então decidiu: pegaria o corujão que lhe levaria de volta à Vila Norma; e assim o fez. Três anos depois voltara à praça, agora a passeio com Maria Eugênia, a filha, criada pela avó, agora com sete anos; acenou para alguns entrou na Igreja, rezou e pediu forças aquele ser superior que certamente lhe salvou de muitas mazelas; foi até o restaurante comeu um sanduíche com a filha, agradeceu ao velho cozinheiro e saiu, olhou o velho oitizeiro que ainda guardava alguns colchonetes; anoitecia, mas não havia mais aquela sensação de medo; depois de todas as noites agora tinha uma única certeza; pra quem tem um sinal de luz e acena pra esse sinal, haverá sempre manhãs ensolaradas.
FILOSOFANDO A POESIA Aqui pra nós, compartilho com alegria Mas não espalhe, isso deve ser segredo
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FILOSOFANDO A POESIA Aqui pra nós, compartilho com alegria Mas não espalhe, isso deve ser segredo Borboletas e rinocerontes na poesia Têm forças semelhantes e o mesmo peso
ONDE MORREM OS OLHARES Faço parte da sociedade de consumo sem sumo; se eu pensasse em algo na minha adolescência, provavelmente eu pensaria nisso, mas nisso eu não pensava; o meu olhar caia com o sol e a magia que só a natureza proporciona nos finais das tardes, até então eu ain…
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ONDE MORREM OS OLHARES Faço parte da sociedade de consumo sem sumo; se eu pensasse em algo na minha adolescência, provavelmente eu pensaria nisso, mas nisso eu não pensava; o meu olhar caia com o sol e a magia que só a natureza proporciona nos finais das tardes, até então eu ainda não entendera esta sensibilidade de contemplar os ocasos. calção roto, pés descalços, um carretel de linha e uma pipa, eu ajudava a compor as cores maravilhosas dos verões com os tons extraordinários das minhas pipas e suas evoluções. Nunca imaginei como algo irreparável as carências materiais que me cercavam, tudo isso se perdia diante do azul anil do firmamento ou do verde oliva das colinas; as cores da natureza tinham suas magias e na hora do crepúsculo tudo ganhava poder revigorante; alguém, algo, alguma coisa surreal me fez acreditar que com a minha boca roxa de chupar jamelões, as minhas unhas encardidas e a minha pipa eu era uma espécie de sentinela daquele portal que só eu tinha a capacidade de vislumbrar. eu guardava o arrebol e os deslimites onde morrem os olhares, se perdem os sonhos e nascem as esperanças; mas isso, a minha confusa adolescência, perdida no fascínio do rosicler ainda não explicara. Minha grande preocupação eram os predadores: Simica, Brucutu e Mermequer, que derrubavam para além do horizonte as mais belas cafifas. Traçando uma estratégia para o dia seguinte, sob os tons opacos da penumbra eu retornava ao convívio do meu clã; tentava uma desculpa esfarrapada para a minha ausência, mas o cinto nas mão de mamãe jamais entendera... depois da janta, já sob a presença de papai, eu dividia, somava, subtraia e multiplicava, tentando entender a filosofia de que a ordem dos fatores não alteram o produto; eram lógicas que não me seduziam. Eu ainda tentava entender onde morrem os olhares, quando o olhar de papai já desmaiava cansado de mais uma jornada, provavelmente muito mais árdua que a deste infante sonhador. []
À LUZ DE LAMPARINA Tem uma mensagem expressa no neon do outdoor, O mundo se acaba na Europa,
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À LUZ DE LAMPARINA Tem uma mensagem expressa no neon do outdoor, O mundo se acaba na Europa, Horizontes em chamas também na Califórnia, Eu tento, à luz de lamparina uma frase de amor... Eu acho que pirei completo, Não sou poeta muito menos arquiteto, Talvez uma loucura me sustente; Talvez o que sustenta esta loucura O suave perfume das flores, A brisa e acreditar que deus sou eu... Ah, meu amor, os loucos bebem o orvalho da madrugada E a minha sede é de sorrisos estampados, O ódio se alimenta de carnificina E a minha rima nasce santa Porque até as cicatrizes indeléveis trazem ensinamentos. Eu nunca fui sozinho assim, eu sempre fui solitário; Mas meu amor, esta ternura de falar sozinho Talvez seja influencia do meu signo sagitário, Eu olho estrelas... Constelações me deixam consternado; Quantos mundos, quantos Raimundos e Edmundos, tantos otários E a solidão universal dos nossos olhares Dói muito menos que a inanição da África Mas as insignificâncias nada significam, As insignificâncias não significam nada o mundo se acaba e o que teremos sido uns sozinhos, muitos sós e outros solitários...
ONTEM quando não for mais hoje, quando não for tão breve,
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ONTEM quando não for mais hoje, quando não for tão breve, me leve nessa brisa lisa desse teu sorriso, eu não preciso de nenhuma teoria que explique o tiquetaque do relógio, nenhuma teologia que explique o que é divino, eu sou menino e a paixão carrega na tormenta o que me atormenta depois do que... foi ontem eu posso ser melhor do que ser só, eu posso ser solitário... mas lugares comuns me afligem... eu posso ser bonito, contanto que manhãs ensolaradas me lembrem ofegantes as tuas narinas; como é belo fazer poesia porque amor foi o que fizemos ontem...
o mistério de tudo... se fosse diferente talvez não fosse tão doce, mas conversaríamos sobre qualquer banalidade sob o calor daquelas tardes mornas
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o mistério de tudo... se fosse diferente talvez não fosse tão doce, mas conversaríamos sobre qualquer banalidade sob o calor daquelas tardes mornas e as futilidades eram só pretextos para estarmos juntos; por que haveria de ser diferente... eu escreveria alguma coisa... eu já pensava que era poeta, mas nunca dirigi a palavra correta para a pessoa certa... meu Deus! um colibri se perde com o néctar das flores; por que, ou por quem se perdem os poetas... minhas fantasias tem carnavais tão lindos; meu coração está cheio de feriados, de sábados e inesquecíveis domingos mas... se fui feliz, eu não sei felicidade é a próxima estação, ou a estação passada... não diga mais que a vida é tão fugaz, fugaz é essa dor de dor nenhuma... é o teu olhar, o teu sorriso, o teu perfume, o teu cabelo ao vento; é este sentimento que me diz que tudo é mistério... e no amor, mistério é tudo... mas tudo é tão fugaz.
SOBRE O QUE É REAL E O QUE DILUI NA IMENSIDÃO A verdade as vezes dói, mas é uma dor veloz ... a ilusão envelhece a tua alma, Amarrota a tua face, a ilusão rabisca a tua testa e marca o teu sorriso... a Juventude só dura uma ilusão e uma verdade e aos vinte anos você já viveu tud…
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SOBRE O QUE É REAL E O QUE DILUI NA IMENSIDÃO A verdade as vezes dói, mas é uma dor veloz ... a ilusão envelhece a tua alma, Amarrota a tua face, a ilusão rabisca a tua testa e marca o teu sorriso... a Juventude só dura uma ilusão e uma verdade e aos vinte anos você já viveu tudo Baby as manhãs tem cor de ouro e sabor de hortelã e à noite nem tudo é absurdo Só um pouquinho de amor e alguma compreensão e o mundo fica doce... Um pouco de perdão pra quem precisa... olhar por outro prisma a vida Baby, o mundo pode ser maravilhoso, contanto que seja menos imundo Baby se as estrelas fossem minhas, o que eu faria com as estrelas... Eu faria um piquenique em cada dia, mas aos finais de semana Eu morreria de saudade dos meus amigos farofeiros em Copacabana Baby te amei tanto e acho que te amo ainda, mas agora não amo este achar...
DICAS Sinal de graça é uma chuva torrencial banhando as plantações É um rio alarmando a cheia, rompendo barreiras...
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DICAS Sinal de graça é uma chuva torrencial banhando as plantações É um rio alarmando a cheia, rompendo barreiras... A lua cheia dançando no riso da donzela... Colheita perfeita de soja, milho, arroz, frutas e feijão. Mulher bonita casada muito contente, Marginal alegre e criança muito quieta é mau sinal... Mas pra tudo tem jeito, pra tudo tem jeito, pra tudo tem perdão, A mentira as vezes nem é mentira, A verdade pode ser muito violenta E catastrófica é a omissão... Perdoe qualquer contentamento, Não seja omisso e não perca sua criança de vista; Seja generoso às vezes, seja feliz sempre que possível E quando não for possível, seja você mesmo... Seja feliz sempre que possível, Mas se não for possível, seja você mesmo, Mas seja humilde pra pedir perdão... O que não deixa marca às vezes é o que marca mais; Não deixe marca nem marque tanto, Mas fale de amor, fale do amor que você tem, Ou não tem, mas fale de amor... A mentira as vezes nem é mentira, A verdade pode ser violenta, mas catastrófica é a omissão
Uma coruja pousa numa amendoeira numa sexta feira bonita, um beija-flor corteja as rosas do jardim, as borboletas chovem abundantes além do quadrado da minha janela; em que estação estamos se só nos delimitam duas estações; inverno e verão. Então o que será de primaveras e de out…
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Uma coruja pousa numa amendoeira numa sexta feira bonita, um beija-flor corteja as rosas do jardim, as borboletas chovem abundantes além do quadrado da minha janela; em que estação estamos se só nos delimitam duas estações; inverno e verão. Então o que será de primaveras e de outonos, o que será de nós poetas nordestinos divididos ao meio em nossas emoções. A natureza provavelmente se rebela e o que percebemos é essa moldura incrivelmente primaveril propícia ao amor. Percebo que depois de invernos muitas mulheres engravidam ou é uma falsa impressão; esse negócio de safra, entre seres humanos não funciona assim; é indiscreto imaginar o que fazem os casais nas noites frias e chuvosas, e se for o que imagino, não deixa de acontecer uma espécie de safra; então me lamento:" por que deixei lenira partir." Ela andava amuada, a cara sempre fechada, resmungona e murmurando sempre alguma insatisfação; numa tarde de quinta feira, dia de finados, pegou uma trouxa e disse que visitaria os país no cemitério, sabia que era uma despedida, que andava insatisfeita com a rotina e a monotonia do cotidiano, mas por pirraça, fiquei olhando seu perfil frágil, sua barriga proeminente tornando mais franzina sua silhueta num vestido de chambre estampado, perder-se na sinuosidade da estrada carroçal em contraste com a caatinga verdejante. Deveria estar tudo bem silencioso, mas da minha mente vem um flash com tilintares de copos, bateres de panelas e o ruído de seus passos pela cozinha, ajeitando e limpando sempre alguma coisa com a dedicação que lhe é peculiar; afora isso, na realidade tudo é tão silente que me perturbo com o sacolejar das palhas do coqueiro pelo vento e o esvoejar d'algum inseto na penumbra. Então às tardes, ponho-me à janela a observar a estrada, tentando contemplar sua volta, até que tudo vai desfocando, desfocando... com o final da tarde, e os vultos que chegam parecem fantasmas dos guerreiros que partiram pela manhã. Aquele mar de rosas que imaginei com sua ausência não existe, agora percebo certo encanto num canto qualquer, onde acontecia um riso raro e tímido, um olhar mais profundo, um charme qualquer; se tudo não era um mar de rosas, percebo agora que nada nada assim no nada... ficou esse vazio, esse ranço da sua ausência, uma dorzinha; e todos os detalhes dentro dos etcéteras que envolvem uma união entre duas pessoas; isso é ser sozinho, não é solidão. A coruja tem a sua amendoeira, o beija-flor tem o seu jardim... solidão é não ter onde pousar. Amanhã pego a bike, um cravo, meia dúzia de tangerinas, um cacho de uvas... Lenira adora uvas...
AQUELA MALDITA CURVA... Então está ali o buraco, a sintese de tudo, ali está... você está numa caixa com flores e uma coroa...
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AQUELA MALDITA CURVA... Então está ali o buraco, a sintese de tudo, ali está... você está numa caixa com flores e uma coroa... falam, oram, se lamuriam... falam como se você estivesse muito longe... o teu cérebro ainda funciona, mas está tudo escuro e você não consegue gritar; o féretro desce sistematicamente sob a histeria de alguns, a terra cai, é um mundo escuro onde se vira saudade por algum tempo na lembrança de alguns, e fantasma na visão de outros...