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Frases de tadeumemoria

822 frases

Eu queria dizer algo sobre aquele tempo, sobre aqueles momentos, sobre o que conjecturávamos, sobre o que discutíamos, sobre o que discordávamos. Eu queria dizer alguma coisa, quando olhava os teus olhos cheios de promessas e possibilidades, que o teu sorriso tornavam acessíveis;…
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Eu queria dizer algo sobre aquele tempo, sobre aqueles momentos, sobre o que conjecturávamos, sobre o que discutíamos, sobre o que discordávamos. Eu queria dizer alguma coisa, quando olhava os teus olhos cheios de promessas e possibilidades, que o teu sorriso tornavam acessíveis; eu queria dizer alguma coisa, quando as luzes de neon da cidade refletiam nas tuas maçãs e nas tuas franjas, e estávamos alheios às vitrines que exibiam objetos de desejos a quaisquer mortais; a vida buzinava, apitava,alarmava, as igrejas badalavam seus sinos; matrimônios e comemorações; a vida se derramava feito champanhe num drink inesquecível e embriagador com muita gente que ria, dançava, falava, olhava comia ia e vinha; era mágico e eu queria dizer alguma coisa... que se perdia em coisa alguma na evolução dos momentos, nesse pulsar indecifrável de emoções que conduz nossos destinos; eu estava sempre ali querendo dizer alguma coisa que se afogava numa surpresa, numa emoção, num novo encanto que tornaria irrelevante e inoportuno o que eu dissesse; eu queria dizer alguma coisa que expressasse o júbilo... eu quis dizer alguma coisa... eu quis sim, eu acho que quis... mas foi só isso.

Ainda não tinha o terminal de ônibus, já faz alguns anos, num daqueles rompantes Laura saiu abruptamente e nunca mais apareceu; cheguei a sonhar com seu rosto adornado surgindo com sua cabeleira dourada sobre a superfície da lagoa numa espécie de medusa; eram pesadelos que me tra…
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Ainda não tinha o terminal de ônibus, já faz alguns anos, num daqueles rompantes Laura saiu abruptamente e nunca mais apareceu; cheguei a sonhar com seu rosto adornado surgindo com sua cabeleira dourada sobre a superfície da lagoa numa espécie de medusa; eram pesadelos que me traziam insônias e me aceleravam os batimentos cardíacos trazendo-me uma espécie de apneia, depois quando eu conseguia me restabelecer corria pra varanda e ficava contemplando aquele véu prateado pela lua; vinham- me as lembranças de histórias mais tristes; visagens criadas pelo tempo, de amores consumidos pelas águas, nas vozes marcantes e inconfundíveis de meus antepassados; era bem possível que para terceiros tudo ganharia um tom folclórico e lendário, mas quem ouvira de suas bocas, dadas as devidas proporções, percebia-se, tudo era verídico. Portanto nunca era surpresa quando um corpo aparecia boiando nas águas da lagoa; mas esse não foi o caso de Laura; não foi o encanto da lagoa ou o desencanto com a vida que a levou. Talvez exatamente o contrário; talvez o encanto com tudo que soprava na brisa e aquele murmurar apaixonante que movia silhuetas quando a lua cochilava sob alguma nuvem; aquele encanto que soprava notas de alguma música, trazendo a ilusão gratuita de que a vida pode ser bela; talvez isso. Meditando assim, perdi a conta das vezes que vi os primeiros raios da aurora, ouvindo feirantes armando suas barracas, na esperança vã de ganharem a vida com a venda de seus produtos. Ganhar dinheiro jamais será ganhar a vida; assim passaram-se os anos, de modo que Laura era uma figura arredia atrás das portas; uma moldura desalinhada que mal suportava a foto desbotada; uma curiosidade que suspirava na minha alma a querer saber onde lhe levara tanta pressa de viver. encontrava sempre alguém que fazia parte daquele grupo que bebia e se derramava à noite, então o sorriso indeciso de Laura voltava a bailar às margens da lagoa como um fantasma teimoso; mas agora eu tinha Mirna, de olhar suave e fala mansa, que me falava de grandes poetas e cantarolava boleros enquanto se balançava na varanda como se a vida fosse eterna. Numa noite depois de um evento no passeio público, nos dirigíamos à praça do Ferreira, quando num dos bares que tocava em alto volume uma música brega eu a vi, estava sozinha, sentada a uma mesa e ostentava um copo de cerveja que ergueu num leve cumprimento arremedando um sorriso; percebi como ela sofrera a ação do tempo, como o tempo pode ser cruel! Seria melhor nunca mais tê-la visto e ficar com aquelas lembranças bonitas. Agora aquela angústia se sobrepunha e Laura não passava de uma lembrança melancólica.

Há alguns anos atrás por muito tempo eu pensei que podia voar; que seria um condor sobre o relevo fluminense; era uma ideia meio insana; parecia uma debilidade mental e assim fui intimado a uma terapia com um psiquiatra. por seis meses, duas por semana e quatro por mês frequentei…
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Há alguns anos atrás por muito tempo eu pensei que podia voar; que seria um condor sobre o relevo fluminense; era uma ideia meio insana; parecia uma debilidade mental e assim fui intimado a uma terapia com um psiquiatra. por seis meses, duas por semana e quatro por mês frequentei a clinica do Dr Jartov hasstoff conceituado psiquiatra de descendencia russa. Passados seis meses e alguns dias, ao chegar na Clínica encontrei-a fechada; uma adolescente que reside no dificio e namora com o rapaz da cobertura, que não quis revelar seu nome , jura que viu jartov pulando da cobertura, mas seu corpo jamais foi encontrado. Acho que Jartov aprendeu a voar...

REFLUXO tinha a solidão da lua no olhar, o azul do que não discernia a clarear
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REFLUXO tinha a solidão da lua no olhar, o azul do que não discernia a clarear o dia e o que não entendia tinha o perfil suave de uma ave a planar sozinha e soberana, era a beleza simples, absoluta e singular esquece os meus desejos, os versos, o universo dessas emoções, a vida é muito mais que uma cachoeira o fluxo e o refluxo de um rio... a vida continua depois do fim do mundo depois dessa represa a vida continua continua pra quem percebe que esteve bem perto do que é perto de felicidade ficou essa ilusão que nem é ilusão mas é o suficiente pra romper a névoa que embaça o pensamento, sigo firme nessa incerteza que sustenta o insustentável: é só desejo que eu vejo, é só desejo... vem o alvorecer mas a solidão da lua continua na luz do olhar

SEM REAIS Com cem reais eu compro Dúzia e meia de jumentos,
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SEM REAIS Com cem reais eu compro Dúzia e meia de jumentos, Cada jumento trabalha por dez homens E tem apenas um centésimo dos seus gastos, Com cem reais, por um mês E quinzena eu os alimento, Quem precisa de homens, Se temos vastos pastos E resistentes cascos; Com cem reais compro Não sei quantas rapaduras, Farinha e centenas de avoantes, E antes que chegue o inverno, Viro poeta e aprendo A sonhar com a invernada E nada que se diga de seca Atravessa aquela cerca, Nada que se fale de estio Secará meus lagos ou rios Com tudo isso compro o olhar E a gratidão de severina Compro as fantasias E tudo que ela imagina; Suas aspirinas e novalgina pra suas febres, Compro a eternidade e suas utopias; Mesmo que a seca mate meus jumentos; Que as rapaduras me tragam diabetes E o IBAMA me processe pelas avoantes; Antes de todas as doenças E todas as sentenças Serei romântico e farei dez filhos, Que me darão setenta netos Aos quais ensinarei que com cem reais Sob o sol causticante E ilusões de algum inverno Compra-se amor e sentimentos ternos Os prazeres dalguma severina E a aridez da vida naufraga nessa luta, Nos sonhos, na fé, nos carinhos divinos Dessa brisa que Deus acaricia na pele mestiça E postura valente do povo nordestino

SÓLIDA SOLIDÃO A minha solidão é a multidão De olhos, bocas, risos,
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SÓLIDA SOLIDÃO A minha solidão é a multidão De olhos, bocas, risos, Falam, proclamam, sentenciam sisos A minha solidão abandonada No olhar do mendigo, Nas suas vestes rasgadas, Sua pele suja e rugas sugadas; Estratégia pra viver e pra morrer Na sólida solidão do seu não ser; Ninguém o vê, ninguém o olha, Que ser esquisito! Se tudo é lindo e o mundo é tão bonito E sua miséria se perde Em um ou outro olhar terno E essa solidão se acabará no rigor Sem compaixão de algum inverno E nessa dor se perpetuará minha solidão

faz um vento frio, tão frio... daqueles que tira a noção, sinto um vazio mais vazio
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faz um vento frio, tão frio... daqueles que tira a noção, sinto um vazio mais vazio que a própria solidão; talvez isso seja não ser mais ninguém, talvez eu seja exatamente isso, este não ser exatamente nada, mas este frio é um sinal de que enquanto eu sentir esse vento uma força superior conduz esta nau...

POEMA DE AMOR Não é tão fácil escrever um poema Escrever um poema não é tão fácil assim
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POEMA DE AMOR Não é tão fácil escrever um poema Escrever um poema não é tão fácil assim Você reza três novenas pro santo do dia E três novenas pra são Serafim Pensa na namorada que um dia foi embora Na solidão que invadiu os seus dias Diga que tudo isso faz parte da vida, Que no mais, tudo é belo, que tudo é alegria Então comece falando da beleza do amor, Do seu sorriso de luz e dos olhos de céu E se a vida amarga um pouquinho, Não chega a ser amarga como um copo de fel, Fale da esperança que você tem, E se não tem nenhuma, tem esperança de ter E se você tem ou não tem tudo isso Um poema de amor você pode escrever...

No final da tarde de um sábado tinha um riso meigo, o Silvio Santos,
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No final da tarde de um sábado tinha um riso meigo, o Silvio Santos, os santos de brancos e negros tínhamos os cinemas e as praças de Nova Iguaçu; um olho na mira e o indicador no gatilho e a me acolher a solidão de Del Castilho foram tantos os enganos santos e profanos a ilusão tem sua ternura, suas loucuras suas promessas seus encantos estou tão sozinho a rasgar o cetim do passado no final da tarde de um sábado pensando amanhã é domingo e o que foi lindo... se foi lindo, se foi.

Não fiz nenhum curso, Não frequentei universidade, Não mudei de município,
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Não fiz nenhum curso, Não frequentei universidade, Não mudei de município, Fui sempre da mesma cidade, Pouco frequentei escola, Soltei muita pipa e ainda penso Que jogo um pouco de bola E o que vejo na mídia Tem a dimensão do perigo, Namorei uma tal de Lídia Que nunca namorou comigo, Assim virei poeta Namorando a solidão No vulto de muitas meninas Que existiram nas minhas rimas Fascinaram como as primas Mas não passou de ilusão

A BADALADABALADADABALAACHADA AFizera um verso esquisito que chamava de funk Usava um cabelo esquisito e se dizia punk
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A BADALADABALADADABALAACHADA AFizera um verso esquisito que chamava de funk Usava um cabelo esquisito e se dizia punk Mas durante a madrugada, Durante a "parada," Uma súbita parada, intuía o perigo Mas naquela onda, chapado tinha uma insana valentia... A badalada balada da bala achada Aconteceria para a tristeza de poucos e de muitos a alegria A badalada balada da rajada Aquilo não era funk Aquilo não tinha nada de punk Mas dançava esquisito aquele som aflito Cheio de brilhos mas sem nenhum estribilho Ágata, a gata namorada, amante sem morada Cecília, a filha sorria suave uma valsa A dizer "te amo" muda de ritmo, de vida Mas a rajada, aquilo não era funk Mas sacudia um balanço, um frio, um sono Um abandono na madrugada... Uma sirene gritava um desespero Mas "já era tarde..." alguém dizia...

MARGINAIS A outra margem... A marginalidade
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MARGINAIS A outra margem... A marginalidade Não é cultivada por barracões ou tetos de zinco, A pobreza não é atenuante pro crime A cidade tem suas margens, Cada margem tem dois rios, Cada rio tem três margens, A marginalidade está a margem da lei; Não importa se é patológico ou compulsivo A marginalidade tem seus fluxos, Seus absurdos, suas marginais... Usa chinelo de dedo ou mocassins italianos; Chita ou linho, linha vermelha ou amarela Usa a favela como escudo, Ou anel de grau, apartamentos e casas de luxo A outra margem margeia o poder Não tem elo com o pudor Extorque e oprime, venda e amordaça Legisla, julga e executa, apoiada por assembleias No centro de todo esse complexo e diretrizes No planalto central, está Ele, alimentado por uma esperança vã e infrutífera: o seu voto.

OS PRIMEIROS PASSOS Yan, me ajuda a dar os primeiros passos... Os passos da ingenuidade e da pureza,
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OS PRIMEIROS PASSOS Yan, me ajuda a dar os primeiros passos... Os passos da ingenuidade e da pureza, Os passos da beleza das coisas e das descobertas Os passos das cores e da luz; Ensina-me a espontaneidade desses abraços e sorrisos Da confiança de mãos firmes e entrelaçadas; Apoia-me nessa tua fragilidade imensa De descompor desconfianças, De derrubar as discriminações E descobrir na profundidade do teu olhar a glória de viver.

ASQUEROSOS... Um homem não é um bicho; um homem tem que amar,
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ASQUEROSOS... Um homem não é um bicho; um homem tem que amar, se apaixonar, sonhar, ter um ideal; e dentro desse ideal deve estar pautado uma comunidade digna, uma sociedade capaz. Um homem não pode vender sua consciência e se tornar um corrupto como um tumor maligno que mata uma nação.