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Frases de tadeumemoria

822 frases

TEMPORAL Mais triste que uma tarde chuvosa Ela respingava suas tristezas
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TEMPORAL Mais triste que uma tarde chuvosa Ela respingava suas tristezas Nas incertezas dos pingos da chuva Mas se chovia ela se alegrava E cantava Ben Jor: "chove chuva..." E, se alagava, ela secava Mas o que encharcava o seu ser Nem era chuva de chover Agora tente entender: neblina era querer Chuvarada era fantasia Mas relampejava e trovejava Um temporal com ventania...

AO ALÉM Meia noite e meia, de repente um arrepio Não é febre, não é frio
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AO ALÉM Meia noite e meia, de repente um arrepio Não é febre, não é frio Sei perfeitamente o que conduz a lua cheia Essa abstração aos meus medos, alheia É a intimidade entre mim e o além Quem sabe os meus segredos Sabe que um dia eu já morri também Ah, eu amo vocês! Vocês que já foram, mas vigiam os meus passos E os passos que ouço, a cortina que balança... Os sussurros no ouvido... São todos os que me amam e se importam comigo

BABY, YOU LOOK SO FINE Sabe aqueles cinco minutos de ansiedade mórbida De quando se espera a pessoa amada no primeiro encontro,
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BABY, YOU LOOK SO FINE Sabe aqueles cinco minutos de ansiedade mórbida De quando se espera a pessoa amada no primeiro encontro, Aquilo é pressa de viver E quando a neblina cai, o trem apita, alguém esbarra E a cigana te cerca insistindo em ler a tua mão, Sou analfabeto e bruto nesse tipo de emoção; Nada quero do futuro, hoje mesmo eu morro de prazer, Hoje mesmo terei o prazer de morrer de amor; Ah seus olhos são verdes, que coisa linda! As colinas descem ao meu umbigo e eu digo Vermelho de paixão: não para agora, agora não; O mundo pode ser tão belo, a vida pode ser tão boa... O trem apita, alguém esbarra, A cigana mente e continua a garoa... Baby, baby... you look so fine, mas não demore tanto, Não demore nunca mais, eu tenho taquicardia Eu sou uma criança e a esperança desce o morro O teu olhar é o meu socorro, disso eu não morro Nem que meu coração bata mil vezes por minuto E por mais que essa agonia, essa pressa de viver pareça absurdo Eu cavalgo sobre o meu coração ao pulsar dessa taquicardia E é isso que move os meus dedos em direção a poesia...

A adolescência estacionava o olhar entre as varandas da rede onde o mundo tomava dimensões que o tecido bordava, a quietude das coisas embalava uma canção de ninar naquela insanidade de brisa e grilos e os ruídos que a natureza produz; sonhava um mundo sob os cachos dos cabelos e…
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A adolescência estacionava o olhar entre as varandas da rede onde o mundo tomava dimensões que o tecido bordava, a quietude das coisas embalava uma canção de ninar naquela insanidade de brisa e grilos e os ruídos que a natureza produz; sonhava um mundo sob os cachos dos cabelos e o milagre das coisas boas viria na voz grave da mãe, que cantava uma oração misturada ao cheiro de café matinal. A aranha tecia sua teia para as noites longas a catar aliens e objetos não identificados que se prendiam a seus fios pegajosos; entre as frestas das telhas entrava um facho de luz que não doía nada, mas diziam mísseis apontados pra Washington e Moscow. Os meus cachos protegiam a testa, o medo que pudesse transparecer da guerra fria se perdia no meu jovem entendimento e na minha gentil ignorância; o meu olhar atravessava o tecido da rede, a aranha atravessava a noite, os misseis atravessavam os pesadelos tornando real a profecia do apocalipse; Londres, Nova Iorque e Paris vaporizavam os gases de ogivas letais; "não concluir meu último poema" era um grande arrependimento; Priscila jogando peteca na calçada era uma grande preocupação; não morreremos de infarto era uma constatação. Esta ansiedade estressante ditava o ritmo do cotidiano, mas tia Matilde, a professora de história ainda mencionava tratado de Tordesilhas, a colônia, o trabalho escravo e tudo o que nos fora usurpado pela coroa portuguesa. No final da tarde Priscila cantarolava Jerry Adriani, os pescadores bebericavam, entre uma, e outra história fantástica de pescarias inimagináveis; a aranha devorava suas presas, os armadores rangiam os meus medos embalados na rede, protegidos pelas varandas e as fantasias da minha adolescência

A LUZ DA MANHÃ SEGUINTE Tanta coisa aconteceu, Circunstâncias drásticas, adversas
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A LUZ DA MANHÃ SEGUINTE Tanta coisa aconteceu, Circunstâncias drásticas, adversas Sinto-me assim um sobrevivente... Mas este filme continua, um outro cenário... Poeira e teias de aranhas, Algo sinistro e envolvente Algo que nunca passou pela minha cabeça... Os zumbis, vampiros e os bruxos dançam sob os astros, Bruxos, vampiros e zumbis bailam nojentos Sobre o lodo de seus instintos... Administro bem os meus temores, Me desvencilho de grandes amores, Me penitencio sob a lua cheia, Cama e mesa ficam fartas a meia noite e meia... A ternura dos meus olhos lacrimeja sangue Por tempo e amores perdidos, Mas tenho este privilégio, sou um sobrevivente... Sem sonhos não se contempla a luz da manhã seguinte E eu conheço os tons dourados desse alvorecer; Os vampiros, bruxos e zumbis dançam sob as estrelas Mas ofuscam-se com os primeiros raios do nascente A dor é o primeiro passo para a felicidade, A queda é o primeiro passo pro equilíbrio, O frio é a ausência do calor Vampiros, zumbis e bruxos dançam sob a tênue luz das estrelas E a solidão é a ausência do amor

MORANGO Eu ainda tinha um ideal Mas esse capitalismo consumia os sonhos
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MORANGO Eu ainda tinha um ideal Mas esse capitalismo consumia os sonhos E o que eu escrevia era romântico demais Pra filosofias tão ocidentais; Eu ainda não me estabelecera, Aliás meu sonho era exatamente a instabilidade; O azul anil desse vazio me acolhia Como um astronauta perdido Entre morcegos, meteoros e cometas... A ilusão é o meu pilar, A abstração é se realizar... As tuas narinas me atraiam E a tua língua parecia um morango Dançando como uma oferenda Ao som das tuas palavras; Abstrato, eu te possuiria por todos os poros, Astronauta eu te levaria a virgem E virgem você me levaria a qualquer devaneio Eu ainda tinha um ideal Quando não tinha ideia do que era a castidade, Como ela consome o que temos de casto, Minha via láctea era teus seios E hoje eu ceio os tão bem nos meus sonhos Quando eu falo de abstração Não é aquilo que eu falo aos teus ouvidos, O que eu falo se derrama sólido entre sussurros Embaçando a luz do abajur Abstrato não é o que respinga no teu rosto Que humilha, profana, mas apraz Abstrato é o que trava na garganta Ao perceber que perdemos a ingenuidade Sem ingenuidade perdemos nossos sonhos E sem sonhos castramos os ideais...

ÓPERA Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho Mas tem um grilo que cricrila pela noite afora
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ÓPERA Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho Mas tem um grilo que cricrila pela noite afora Ele conversa sobre os medos da noite E tem os gatos; e os gatos cantam Como só os gatos sabem de ópera E eu roubo-lhes as vidas Já tenho sete, afora o infarto Conversei com Deus nesse dia Vi Maria na última travessia da Dutra Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho Mas o negro que vejo no antigo engenho Tem cicatrizes nas costas, Mas tem prosas bonitas de Angola E derrama poesia quando fala de sinhá E quando não fala de nada Eu percebo o meu Brasil moreno Tão rico, tão grande, tão pobre e pequeno Que eu namoro as namoradas que não são minhas E as minhas namoradas não namoram comigo E eles pensam que eu não tenho nada e eu nada tenho Porque o que eu tenho é sentar na calçada E olhar a lua, as estrelas e o firmamento E tudo isso já pertence a russos e americanos Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho Mas eu tenho a magia das palavras Essa coisa que me instiga e me oferece a ilusão mambembe De que eu de nada preciso Que o resto é abstrato, o resto é engano...

MARROM A aeronave me esperava imponente Eu demente de medo
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MARROM A aeronave me esperava imponente Eu demente de medo Se algo de ruim acontecer Não conte meus segredos; Um dia perceberão que sou o grande poeta desse país, Comentarão AMORAMORA Mas então brincarei com os anjos... Depois de uma existência pobre Diga a alguém que muito amei E que meus sentimentos e ressentimentos são nobres Que além disso, acreditar na humanidade E a loucura me fez poeta.... Queria ter falado mais de amor, mas é tão difícil, Os edifícios tolhem os horizontes, Os nascentes e os ocasos, Não comente sobre mal resolvidos casos Eu te amo demais, eu amo todos vocês, Perdoem o mal jeito e a minha insensatez Eu devia ter sido mais forte, eu devia ter tido mais sorte A aeronave me espera imponente, Publiquem meus poemas decentes Desfrutem escondidos dos poemas indecentes, Mas não comentem este lado marrom Façam-no acreditar que eu era bom A minha grande frustração é o país sem leis E a corrupção me faz desejar ter nascido francês A aeronave me espera imponente...

MENTIRA A vida jamais será uma mentira, Mas se a vida fosse uma mentira
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MENTIRA A vida jamais será uma mentira, Mas se a vida fosse uma mentira Estaríamos na esquina E como se você não soubesse Eu te falaria dos meus desejos, Você fingiria surpresa E com as coisas bonitas que eu falasse Você se encantaria Mas a vida não é uma mentira E a lua cheia que eu vejo ninguém mais compactua E a rua que eu moro não tem esquinas E as mentiras que eu escrevo não tem rimas A vida é uma verdade sem sua presença E as minhas mentiras são só minhas Sempre quis a solidão da lua Que a rua escura E esta ternura débil e insana É a mãe desse amor platônico; Sempre quis olhar da janela E ver a janela nos teus olhos Enquanto tua respiração Afugentasse as abelhas dos cálices das flores A vida jamais será uma mentira Esta mentira só existe nos meus sonhos

BETH A verdade é dolorosa, as vezes amarga, Mas necessária; mas agora
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BETH A verdade é dolorosa, as vezes amarga, Mas necessária; mas agora Só por alguns momentos dê-me uma ilusão lilás Como os olhos de miss Taylor Quem sabe mais de ilusões...? Quantos casamentos... mas diante da tela, Quem era mais verdadeira? Quero a ilusão púrpura Como uma plantação de alfazema Depois me fala a verdade, mas me fala com jeito, Um sorriso e uma falsa esperança... Como se eu fosse criança galopando em carrosséis Fala-me primeiro das pequenas verdades Dos jardins de infância, Do jogo de esconde-esconde, Da verdade adolescendo, Dos desejos inconcebíveis e gulas da puberdade O resto eu percebo, minha verdade ficou adulta, A realidade adúltera, os tons pink da tua presença Foi sumindo aos poucos no fim do ocaso Meu anjo você ainda é pura, Você só carrega uma verdade pesada e muito escura Mas aquele halo ainda povoa a minha lembrança E a castidade que reluzia na tua presença Está nas recordações mais ingênuas do meu passado Guarda essa verdade só pra você mesmo Pesa demais ver-te verde, tez de seda, temporã Sob o plúmbeo peso da realidade e o sol ardente da manhã

Ela disse bom dia Com ar de simpatia Ou só por dizer
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Ela disse bom dia Com ar de simpatia Ou só por dizer Logo mais me diria que bobeira Acho que disse asneiras Vai chover Se chover eu lembro do seu rosto, Se não chover eu lembro Do seu jeito De qualquer jeito vou lembrar de você Amanhã você passa de novo E me diz algo novo ou não diz Mas à sua passagem Tudo é a mais bela paisagem E o mundo é feliz

VIDA DIDÁTICA Eram pilhas de livros: problemas um, problemas dois, problemas três; Tinha as coisas do arquivo pra se guardar todo mês,
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VIDA DIDÁTICA Eram pilhas de livros: problemas um, problemas dois, problemas três; Tinha as coisas do arquivo pra se guardar todo mês, O controle do estoque; do que foi gasto com limpeza, Nossa vida didática não era assim uma beleza. Afora a solidão, tinha o Gandhi, espesso e de letras pequeninas Nunca tive coragem de ler tanta filosofia; Me encantava mais com os seios e as pernas das meninas Da confecção, meu coração sozinho perdido nos decotes, Vida sem perspectivas a fazer e desfazer pacotes Fui sempre tão romântico na minha solidão, Fui sempre tão sozinho no meu sonhar Sempre sonhei na simplicidade de ser feliz por amor, de ser livre por viver... Gandhi, não aprendi filosofia não, minha vida era didática demais Os livros que não li empacotei e enchi caminhões Que conduziram aos ricões mais distantes deste meu país Minha filosofia era lutar; porquê? eu não sei... Talvez por Aquela força sutil do amor... Aquela força sutil e irrefreável do amor... Aquela força inabalável que soprava na brisa Depois de um dia de trabalho pensando no baralho E na companhia fraterna e palavras suaves de ternas filosofias...