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Frase de tadeumemoria

SEM REAIS Com cem reais eu compro Dúzia e meia de jumentos, Cada jumento trabalha por dez homens E tem apenas um centésimo dos seus gastos, Com cem reais, por um mês E quinzena eu os alimento, Quem precisa de homens, Se temos vastos pastos E resistentes cascos; Com cem reais compro Não sei quantas rapaduras, Farinha e centenas de avoantes, E antes que chegue o inverno, Viro poeta e aprendo A sonhar com a invernada E nada que se diga de seca Atravessa aquela cerca, Nada que se fale de estio Secará meus lagos ou rios Com tudo isso compro o olhar E a gratidão de severina Compro as fantasias E tudo que ela imagina; Suas aspirinas e novalgina pra suas febres, Compro a eternidade e suas utopias; Mesmo que a seca mate meus jumentos; Que as rapaduras me tragam diabetes E o IBAMA me processe pelas avoantes; Antes de todas as doenças E todas as sentenças Serei romântico e farei dez filhos, Que me darão setenta netos Aos quais ensinarei que com cem reais Sob o sol causticante E ilusões de algum inverno Compra-se amor e sentimentos ternos Os prazeres dalguma severina E a aridez da vida naufraga nessa luta, Nos sonhos, na fé, nos carinhos divinos Dessa brisa que Deus acaricia na pele mestiça E postura valente do povo nordestino

tadeumemoria

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Pensador.com

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...