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Frase de tadeumemoria

ÓPERA Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho Mas tem um grilo que cricrila pela noite afora Ele conversa sobre os medos da noite E tem os gatos; e os gatos cantam Como só os gatos sabem de ópera E eu roubo-lhes as vidas Já tenho sete, afora o infarto Conversei com Deus nesse dia Vi Maria na última travessia da Dutra Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho Mas o negro que vejo no antigo engenho Tem cicatrizes nas costas, Mas tem prosas bonitas de Angola E derrama poesia quando fala de sinhá E quando não fala de nada Eu percebo o meu Brasil moreno Tão rico, tão grande, tão pobre e pequeno Que eu namoro as namoradas que não são minhas E as minhas namoradas não namoram comigo E eles pensam que eu não tenho nada e eu nada tenho Porque o que eu tenho é sentar na calçada E olhar a lua, as estrelas e o firmamento E tudo isso já pertence a russos e americanos Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho Mas eu tenho a magia das palavras Essa coisa que me instiga e me oferece a ilusão mambembe De que eu de nada preciso Que o resto é abstrato, o resto é engano...

tadeumemoria

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Pensador.com

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...