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Frase de tadeumemoria

SOBRE TODAS AS COISAS E SOBRE COISA NENHUMA Nada sobre o meu poema; Meu poema sobre todas as coisas E sobre coisa nenhuma Sobre o inexato e o imponderável Nada, nada sob um rio, o olhar perdido num vazio De um deserto perto de um longe, Longe de tudo e perto de nada, Nada, nada, nada, nada na morada; Namorada nada; besta é a ilusão De auroras com flores orvalhadas, Ocasos ao acaso de mochos, Pardais e morcegos A tristeza profunda de lagos; Lagos chorados pelos deuses da solidão E pela solidão dos deuses Pelos insetos que amam as flores E faz frutificar a vida compondo a primavera Inspirando os poetas Nada sobre o meu poema, Meu poema sobre todas as coisas E sobre coisa nenhuma Onde só cabe Iracy Tupinambá e sua tribo comeu são jorge Na lua onde proliferam os dragões Comeu os franceses que colonizariam o Brasil E se um dia eu diria je t'aime Hoje eu digo te amo Pois aprendi com os portugueses Sem nenhuma convicção de amor ou paixão

tadeumemoria

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Pensador.com

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...