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Frase de tadeumemoria

Depois do fim do mundo, quando ocorrerá o juízo final Os santos habitarão Angra E nunca mais agruras, saudades nunca mais; Era o que propunha tanto deslumbramento Naquele final de tarde, Os seios peras de Janice pareciam sustentar o ocaso Já era tarde demais E dentro dos seus pesadelos Pesava o pesar de pesar a dor Ele comeu a namorada A mãe da namorada, a irmã mais nova, A vó andava muito carinhosa E o seu sogro lhe olhava estranho... Ele comeu a namorada, A mãe da namorada, A irmã mais nova E a tia lhe dava selinhos... Já era tarde demais E sua cabeça fervilhava E no final de tarde Quando a tarde doura as nuvens E pinta róseo o horizonte Seus desejos de poeta suplanta a filosofia... Hoje a tia... a tia tinha um ângulo bonito; Um passado que adivinhava Um busto encantador, Uma beleza singular Que ainda não perecera no tempo, Seria um bom momento, um condimento... O que mais se faria em Angra, Vista paradisíaca, comida afrodisíaca... Estavam todos tão felizes... Ele comeu a namorada , A mãe da namorada, a cunhada caçula, a tia... A avó era muito simpática, o sogro meio um ogro Se bem que olhando direito...

tadeumemoria

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...