Saudades do meu Açores
Atravessei o mar...
Nem sabia aonde ia dar.
Aqui cheguei.
Mas meu coração lá deixei.
Quanto tempo faz?
Nem lembro mais...
Da memória apaguei o que por aqui passei.
Diante de mim um mar de azul sem fim...
Passa um veleiro.
Um lenço branco a acenar.
Saudade como veneno em minhas veia a entrar.
Lembranças do meu Açores:
Vila do Corvo onde nasci.
Toda a minha infância lá vivi.
Vila pequenina.
Casas branquinhas baixinhas.
Sobem encostas ruas sinuosas.
Ruas de uma limpeza intensa onde respiro amplidão.
Açor – arquipélago que abriga todo o meu amor.
Há lá um brilho de névoa no ar trazido pelo mar...
que todas as Ilhas está a circundar.
Hoje cá estou – neste Brasil varonil.
Meu coração, porém, lá está onde o mar carrega meu Açores nas mãos.
Imenso céu azul
E essas nuvens que vagueiam pelo céu a esconder o imenso e azul véu.
Olho e vejo formas.
Às vezes formas disformes que nada formam ao meu olhar.
Um amontoado a mudar de forma e posição...
Sigo entre esses sentimentos diversos.
Queria colocá-los em versos.
Mas eles vão mudando... se transformando... outras cores tomando.
Nunca chego a um porto.
Não jogo âncora ao mar.
Estou eternamente a navegar.
Ondulante respiração.
Acelerado o bater do coração.
Ondas a me jogar... daqui pra lá... de lá pra cá.
Alternância entre o alto e o baixo.
Alternância entre a paz e o desespero.
Quero um lugar de calma pra minh’alma repousar...
Do lado de lá do mar?
Em outra geografia?
Na poesia?
Não importam quantos passos
Enfrento obstáculos.
Não importam quantos passos.
Às vezes nem penso nas consequências.
Ajo. Venha o que vier... paciência.
De nada me arrependo.
Tudo sempre algo me ensina.
Seguir sem medo de errar.
Seguir sem vergonha de me atrapalhar.
Seguir sem preguiça de recomeçar.
Sigo.
Às vezes alcanço o que busco.
Às vezes não consigo.
E está tudo bem... não sou vidente pra acertar sempre no alvo o que está à minha frente 😉
Deixe ir
Deixe ir embora.
Uma hora chega a hora
de se desfazer de certas lembranças,
de desligar sua televisão emocional e assistir sempre aos mesmos programas... encerre o ciclo.
Quando a hora chega, deixe ir embora o que não mais se encaixa em sua vida.
Deixe ir embora o que já está com o pé na porta de saída.
Encerre o ciclo. Dê a volta.
Refaça e do que não mais serve se desfaça.
Por quê?
Por que me mostrastes um mundo que não poderia me aquecer...
Um mundo cheio de tristezas que eu só queria esquecer.
Tenho defeitos demais.
Ah! Eu só queria voltar atrás.
Fixar-me naquele mundo opaco,
habitado por seres itinerantes.
Por que não volta tudo a ser como antes?
Choro. (eu sei que de nada adianta, mas choro...)
Podes optar
Podes optar.
Andar pela direita...
Ou pela esquerda enveredar.
Podes mudar de opinião.
Agir com a razão...
No momento seguinte dar preferência ao coração.
A linha do horizonte pode ser o melhor guia a te guiar.
É só mais um dia
Lentamente.
Meus olhos se abrem... sem pressa.
Vagarosamente.
Desperto para mais um dia.
Quero vivê-lo com alegria.
Devagar é meu despertar.
O sol entra por uma fresta da janela.
Abro-a devagar...
Quero a luminosidade do dia saborear.
Calmaria.
Ah! Eu poderia ter te amado...
Minha vida seguiu sempre por linhas tortas.
Me equilibrava eu nelas como uma viva morta.
Teu olhar... tuas palavras... teu carinho.
Encontrei em ti um lar... um ninho.
Foi muito aconchego.
Foi...
Agora vejo que olhei tudo com olhos de pura esperança...
Esperança de que nas minhas andanças haveria amor reservado pra mim.
Que eu teria o sossego de um abraço enfim.
Enfim.
Fim.
Me enganei.
No ziguezague da sua vida eu só era uma rua sem saída.
Você deu a volta... e voltou...
Voltou pro seu lugar de conforto.
Hoje só consigo acreditar, olhando pra mim, 'que pau que nasce torto morre torto' (muito triste isso).
Eu só queria minhas vias tortas endireitar.
Ah! Como eu poderia te amar.
Siga em paz!
Sei de tudo o que você é capaz.
Onde moras liberdade?
Queria liberdade...
Pedi pra você partir.
E você gentilmente me atendeu.
Foi... se foi.
E sabe quem tomou seu lugar?
Uma saudade... uma saudade de matar.
Ela chegou, nada gentilmente, todo o meu coração pra si mesma adotou.
Nele se instalou, pôs a mesa, pediu sobremesa...... não pagou a conta... conta de tudo tomou.
E agora me dou conta
de que sem você de viver não dou mais conta,
sofro por demais da conta... estou presa a esses grilhões de dor... sem o seu amor.
Pedi pra você partir...
Gentilmente,
agora, de joelhos, estou a implorar:
Será que você pode voltar?
Minha verdadeira liberdade está na liberdade de ter você aqui pra amar.
Não há nenhum mapa
Diga-me que há algo de bom neste mundo
que as dores duram apenas segundos
que o tempo passa
e leva com ele toda desgraça.
Diga-me que os gritos silenciosos
e os prantos em segredo
serão todos pelo tempo curados...
Diga-me: ‘não precisa ter medo’.
Diga-me que posso ser feliz
exatamente como o é uma criança...
diga-me que as belas lembranças que trago na memória
saberão por si só encontrar a trajetória...
... diga-me!
Diga-me que há uma representação que possa me guiar...
que não seguirei até o fim perdido e sozinho...
Diga-me que há esperança
Diga-me que há o mapa do caminho.
No teu Porto
Por que me olhas assim?
Não vês? Sou um barco à deriva...
Qual é a tua satisfação
se eu for engolida pela imensidão?
Imensidão do mar...
imensidão das trevas
imensidão da dor
é para tais caminhos que tu me levas...
A quem queres mentir?
Não vês nos meus olhos a agonia
de ir afundando pouco a pouco
um pouco a cada dia?
Por que me roubas dos bolsos o meu pouco de alegria?
Ajude-me a desatar os nós…
todos os nós...
Seja meu Porto seguro
e asseguro... o resultado será bom.
Deixaremos o vento soprar,
a maré nos levar,
a onda balançar,
tudo o que é ruim que está por perto pra bem longe arrastar.
Dança vespertina
Só por hoje vou me desligar,
vou pelo dia passar
sem os erros da minha vida toda
de uma só vez querer consertar.
Só por hoje não vou me culpar
por todos os passos errados
que insisti em dar.
Vou bailar uma dança vespertina...
Vou sorrir... serei pura alegria...
Seguirei os acordes da música...
Com dança vou brindar ao lindo dia...
Dançarei até o sol se pôr e fechar a cortina.
Só por hoje simplesmente vou me adaptar,
não vou querer o mundo todo mudar,
os erros dos outros nem vou notar...
só por hoje vou fazer uma boa ação e não dizer a ninguém o que fiz...
só por hoje vou tomar a decisão de ser pra sempre feliz...
só por hoje....
Baila... bailarina... dança vespertina.
Vida vazia
Vida vazia... tão vazia.
Se esvai aos poucos.
Deixando no mundo um mundo de loucos.
Vida vazia... escorre como água entre meus dedos.
Quero contê-la.
Quero mantê-la,
segura em minhas mãos...
Não a quero escorrendo pelo chão.
Vivo querendo preencher um vazio que nunca se acaba...
Uma busca contínua...
Procurando encontrar nos minúsculos grãos de areia da praia que bordeia o mar.
Parece-me não existir.
Quem é a imagem que o espelho insiste em refletir?
Procuro nos traços do rosto um traço de mim...
Tento me desnudar...
Encontro apenas um vazio sem fim...
Medonha essa longa noite de agonia...
Vida vazia, estou eternamente a te perguntar: ‘Em que momento essa noite insana vai virar dia?”
Agonia...
Agonia...
Agonia...
Se o tempo parar
É como se as estrelas numa noite estrelada não me alumiassem...
Se negassem a clarear a solidão que está dentro do meu coração.
É como se a escuridão se tornasse mais escura e por isso se alegrasse.
É como se o sol escaldante... tórrido de uma tarde de verão minha fronte queimasse...
Até virar cinzas...
E com isso não se importasse.
É como se eu caísse em um abismo escuro...
E só mais abismo encontrasse...
É como se esta terra não mais me quisesse...
E pro mundo do nada me exportasse.
É como se nada mais importasse.
Se o tempo por um momento parar cogitasse.
Um novo dia
Amanhece lentamente
As brumas da noite pouco a pouco são engolidas pelos anêmicos raios de sol que surgem lá no horizonte...
Mais um dia em que o frio não será vencido pelo calor do sol...
É inverno.
O céu parece que irá se cobrir de nuvens no decorrer do dia...
Talvez chova.
E as memórias não há momento em que não aparecem.
As lembranças de nós dois estão sempre onde eu estou...
Recordações, sempre as mesmas – tudo o que de nós restou.
Mesmo estando tão longe, sinto-as tão perto.
Ah! Esse mundo deserto em que tu não estás por perto...
A solidão se aninha em meu coração...
Como ontem se aninhou...
É a única a me fazer companhia...
Como ontem me acompanhou...
Passa dia... passa dia... sem nenhuma alegria...
Total letargia...
O combinado era que fosse todo dia um novo dia...
... e que fossem cheios de alegria.
Poema diário
Pela estrada da vida sigo
A busca pela felicidade persigo...
É mais uma chance esse dia que clareou...
pra mim mesma digo: a vida é feita de dias,
madrugadas frias... às vezes...
noites calientes... às vezes.
Estrada sinuosa...
um mar de rosas...
um dia do outro diferente... (in)distintamente.
Vagando, sigo por minhas ruínas...
deixo bem vivas minhas memórias.
Tempo que passa por mim...
Ou eu passo por ele?
Lembranças que marcaram indelevelmente meu coração...
O sorriso não morre...
Vida árdua...
Assim mesmo insisto em cantar canções.
Recordações...
Vou dedilhando meu poema diário diariamente...
Às vezes, acho que tudo é dedilhado tão inutilmente.
Há um bater de asas
O sol nasce devagarinho
Seus raios lentamente aparecem por detrás do montes...
Uma brisa suave traz até mim o perfume inebriante de flores...
Mais um dia começa...
Longa será a jornada.
Eu aqui parada... estagnada.
Não tenho forças pra começar o dia...
A noite foi de completa agonia.
Partiste...
Me deixaste tão triste.
Pergunto-me: de que adianta estar pelo mundo se não estás do meu lado?
Meu coração está desconsolado.
A cortina levemente balança com a brisa que entra...
Um pássaro pousa no peitoril da minha janela...
Fica alguns segundos a me olhar com se me dissesse: ‘há tanta vida lá fora’.
Minha alma no peito chora...
Há um bater de asas...
Um bater de asas que me move... meu coração se comove...
Há vida... me decido... vou vivê-la...
Meu coração tão padecido... apertado no peito...
Minha razão: ‘levanta-te... pra toda dor sempre há um jeito’.
Muralhas
Vivo dentro de muralhas...
isso não pode estar acontecendo...
até há pouco tempo,
por bobagens eu estava
me debatendo.
Eram coisas tão bobas, triviais
que me incomodavam...
hoje é questão de sobrevivência
um coquetel único de anomalias...
tudo foge à norma, tudo é diferente do normal...
do habitual...
Saudades de quando tudo era tão normal e eu pouco caso fazia.
Não, eu não perdi.... nós perdemos.
De tão apavorados, preferimos viver uma vida vazia
de nós...
Um diário em minhas mãos
Madrugada fria
A vida quase vazia.
Chove lá fora.
O quarto jaz numa penumbra que me arrepia.
Folheio lentamente um diário.
Nem sabia da existência dele...
O acaso colocou-o em minhas mãos.
Sinto-me como se estivesse
um altar profanando.
Dúvida cruel a me assaltar...
Ler ou não ler
aquelas linhas
... tão certinhas?
Olho-o... descuidadamente...
Como quem não quer olhar...
Como que por acaso...
Dou uma espiadinha.
Vejo o meu nome mais de uma vez escrito
naquelas folhas que vou folheando bem devagar.
De partes em partes há datas...
Uma lágrima rola.
Nossos instantes vividos estão todos aí
Meu eterno amor registrou tudo quando ainda estava aqui.
Poetar
Um pensamento contínuo...
Sensações que de longe vêm...
Ideias bem definidas
que aos poucos vão criando vida.
Partículas de emoções.
Deslizam leves por mim.
Virando palavras...
Poesia concreta enfim!
Reminiscência do vivido.
Lembranças do já esquecido.
Rotina que se repete...
Esperanças de um futuro incerto...
Presente, passado, futuro.
Tudo embaralhado... indefinido.
Poeta e seu poetar...
Vivendo a imaginar!
No silêncio do fim do dia
Silenciosamente o sol desaparece numa fenda no horizonte
Tento...não consigo... não consigo meu amor confessar
parece que só o silêncio torna possível,
possível exprimir....
só o silêncio consegue esse amor traduzir.
É tão difícil...
Vencer o silêncio?
Não... não é um silêncio pra ser vencido...
O silêncio entre nós é audível,
é todo o nosso dizível....
é visível e todo colorido.
É tão silencioso....
Entre nós tudo,
tudo é tão intensamente silencioso.
Sabe o que é tão difícil?
... a tristeza que o fim do silêncio pode causar,
estou achando mais fácil
suportar um silêncio que não para de falar...
um silêncio que não cala
porque tem medo de ouvir e não suportar.
só pra me alegrar....
Quem sabe?! No silêncio do fim do dia ouço você me dizer que pra sempre irá me amar?
... e todo meu medo dessa escuridão apagar?
Olhares
Chove... e chove torrencialmente.
As ruas estão atravancadas de carros
As calçadas, de pessoas...
Guarda-chuvas coloridos
colorem tudo em todo e qualquer sentido.
Ouço uma sirene
Coração acelera.
Na boca um gosto de fel.
O barulho da cidade grande é ensurdecedor.
Ainda sinto dor...
Olho atentamente para os rostos que passam por mim...
Ninguém fixa os olhos em mim.
Zumbis?
Busquei por olhares que demonstrassem compreensão, comprometimento... compaixão.
Não vi nenhum...
Sussurro teu nome... como um lamento.
No teu olhar eu encontraria
Tudo o de que precisasse... lá com certeza estaria.
Ante o silêncio
Um silêncio de pura agonia...
Tu te foste daqui
Deixaste um silêncio mortal...
Levaste todas as minhas alegrias.
O céu se faz grande sobre nós.
O céu sabe tudo sobre nós.
É hora de partir,
o caminho em frente seguir.
Hora da despedida,
o dia se faz noite.
triste é a partida.
Hora da chegada.
Como toda madrugada,
antecede o sol
que brilhará em toda a sua jornada.
O céu se enche de nuvens
leves, branquinhas como algodão.
Durante o dia, espalha o calor do sol
pra aquecer seu coração.
Chega a noite toda estrelada
brilha a lua toda iluminada
exclusivamente pra alegrar sua caminhada.
Dia ou noite
não importa
o céu guia seus passos
retos, em vias tortas.
Silêncio se fez total por esses dias
Que o vento leve
Que o vento leve todas as recordações tristes da minha vida...
Que todas as coisas que me fizeram mal sejam esquecidas...
Que nenhuma delas encontre em meu peito guarida.
Sepultei-as sem flores... sem lágrimas...
Quero seguir sem sofrimentos pela vida.
Noites serenas... madrugadas plenas.
Novos dias e eu feliz em cena.
Sorriso que não morre.
Doses de felicidades que não sejam pequenas...
Que o vento leve tudo o que fere minh’alma.
Que as cicatrizes sejam apenas leves lembranças
... que não tirem minha paz e minha calma
O que me causou sofrimento, definitivamente, lembrar não vale a pena.