Respeitem meu espaço, please!
Quero poder gritar.
Quando algo está a me incomodar.
Se tento me controlar...
Nada pior pra me desestabilizar.
Manter silêncio?
Dentro de mim esse silêncio é estrondoso... bombástico.
Pronto a tudo explodir... ou implodir.
E me fazer sumir.
Quero chorar rios de lágrimas.
Lavar a alma.
alvejar... purificar.
E continuar livre, leve, solta...
pela vida a saltitar.
Continua sendo intolerável viver.
Não entendo por que se comemora tanto o nascer.
Nasce-se e começa-se a morrer.
Que graça há nisso?
E se fala em esperança...
Que ironia.
Toda noite sucede o dia...
Luzes... depois sombras.
Momentos de paz, sim...
Mas há tantos mais de agonia.
Somos solitários...
Embora as pessoas se iludam que o estar rodeadas de gente é estar em companhia.
Seguimos na nossa tristeza.
Colocamos máscaras.
Não nos desvendamos totalmente...
Expomos só o que nos convém.
Escondemos o que aos outros mostra que não estamos bem.
Envolvidos em trapos...
Farrapos...
Há sempre algo de demente no viver.
Dormir e acordar.
Tudo é uma luta inútil.
Tudo tanto faz.
E eu?
Bem, eu sigo triste e amargurado...
Descalço, por este mundo de pedras e espinhos pra todo lado
Vá e não volte
Vou até ali na frente e não volto. Na vida, tudo deveria ser assim... vá e não volte.
Não volte, porque se voltar pode se perder outra vez. Todo mundo deveria nascer sabendo disso. Viver é seguir em frente... não ficar dando voltas, andando em círculos...
Lembra como era antes da sua última partida?
Você cansava de mim e partia... eu, por dentro, sorria. Sabia que você voltaria. Só que de tanto você partir e eu sorrir... os sorrisos acabaram... agora, quando você parte, eu choro. Só choro.
E eu não quero gastar o meu choro... eu não quero chorar até não ter mais lágrimas... então, por favor, vá e não volte.
Agora a cada partida sua, atravesso desertos dentro de mim. Você volta... um oásis... até que enfim.
E quando eles tiverem fim?
Então, vá e não volte.
Não quero os desertos, nem os vales de lágrimas...
Se você gosta de mim um pouquinho só... então, vá e não volte.
Minha solidão
Parecia minha aquela solidão
Era um vazio tão profundo,
um andar tão só no mundo,
um tormento de isolamento.
Parecia minha aquela solidão...
Vinha sempre tão sozinha,
só acompanhada de seus fantasmas
só com coração repleto de solidão.
Só, sozinha em sua solidão,
só queria que alguém na multidão
estendesse
pelo menos uma vez a mão...
e lhe tocasse o solitário coração.
GUERRA E PAZ
Da guerra... o que se espera?
São filhos meus... são filhos seus.
São olhos que se fecharam.
Para sempre num permanente breu.
São céus enegrecidos
por fumaça escura.
Dias como noites anoitecidos...
Cadê o Sol?
Envergonhado... ficou, entre nuvens espessas, dos homens escondido.
É tanta morte.
É tanta noite.
É tanto sangue.
Açoite, atrás de açoite.
O rio segue seu curso.
O mar – maré vermelha – a vergonha da Lua espelha.
Cadáveres armados
lado a lado...
Heróis... anti-heróis...
A paz... na guerra... era só o que haviam buscado.
... desesperados... desesperançados!
Então eu sou só eu...
me segura se não vou ter um troço...
me esforço
mas já não posso
o que era nosso
não continua nosso?
Me segura...
vou ter um troço
pelo menos isso eu posso?
Insegura...
Vontade louca de beijar tua boca...
essa vontade insana...
de colar meu corpo no teu
de apagar qualquer vestígio do eu.
Demência essa urgência
dos teus olhos nos meus,
dos meus nos teus...
Louco, demente,
insanidade total
este amor diferente
tu e eu
sentindo tudo igual.
O impossível,
o inatingível...
o invisível
torna visível.
Acreditar,
apostar,
esperar,
ganhar.
Ao que tem fé
Deus não vai desapontar
fique em pé...
o que é seu já vai chegar.
Amava sua voz,
mas o tempo a apagou
nem um traço restou...
Sua doce voz
a me encantar,
a me animar...
a continuar...
sumiu no ar.
Amava a simplicidade,
a doçura e a paz
da sua voz...
Mas o tempo tudo transformou
só não deixou tristeza e dor pra trás...
Amava a sua voz...
e tudo o que ela
fazer em mim era capaz.
Nasce o sol
com ele a esperança
de que o sonho se torne realidade
chegue a prosperidade.
O sol não traz com ele não,
o esperado pelo seu coração.
E você chora, desolado...
passa mais uma noite, desconsolado.
Mais um dia vem
e vai...
são tantos ais...
e você já não sabe o que espera mais.
Contra toda a esperança,
você espera...
e você cansa.
Mas espera,
cansado,
desesperançado...
um fio de esperança.
O que faz você assim agir?
Não consegue do que está destinado fugir?
Um caminhante... só um caminhante.
Existe coisa mais humilhante?
Sem esperança,
só e no caminho...
um simples andante.
Você segue adiante.
Uma luz no fim do túnel?
Um oásis no meio do deserto?
Fica esperto...
Se você reparar bem
não há nada por perto...
a não ser esperança
e isso é bobagem de criança.
Esperança...
você se sente só
e só o que quer é esperar
sua esperança em realidade se tornar...
seus sonhos com as mãos segurar,
o esperado alcançar.
Espera contra toda a esperança
com alma de criança,
com fé inabalável,
você espera o inalcançável.
Como será o amanhã?
Um aperto no coração
quando me ponho a pensar,
a imaginar o que vai chegar.
A noite escura
é sempre uma aventura...
mas o que traz o sol ao nascer
fazendo a escuridão desaparecer?
Sonhos frustrados,
planos não realizados,
corpos feridos...
da luta cansados.
Esperanças a renascer...
é isso que o Astro Rei vai trazer?
Lamentos
Despeço-me aqui,
lamentando por tudo o que não consegui...
Cada escolha...
não estava em meus planos
os erros que cometi.
A escolha errada,
a porta emperrada,
o caminho que deu em nada,
os momentos em que sucumbi.
A vida que era minha segui
um passo aqui outro ali...
Esperanças tantas
esperei em vão se cumprir
Lágrimas tantas
pela dor toda vez que caí.
Tudo igual...
Os dias seguem todos iguais
anormais...
Um pouco de paz...
pouca paz,
depois falta paz.
Cada dia se encarrega
de a janela fechar
pra mais trevas não deixar entrar.
E a noite com seu manto escuro
cobre o dia,
com sussurros fica a suplicar,
‘por favor, não me deixe mais uma vez
sozinha na escuridão ficar’.
Um dia depois do outro,
o Sol nasce no mesmo lugar,
faz seu caminho seguro,
ao céu inteiro atravessar.
Estende seu manto
ao anoitecer,
deixa atrás de si um rastro escuro...
não está nem aí com o que pode o futuro trazer.
É por hábito... por vontade própria
que ele ilumina o caminho,
deixando atrás de si um mundo carente
na escuridão completamente sozinho?
Vida...
Deixe-me o fôlego recuperar
quero em paz respirar...
Depois, prometo, sigo adiante
cada obstáculo hei de superar.
Imploro, por favor, deixe-me ar aspirar,
preciso me acalmar.
Cada esquina da vida
com a alma calma
quero virar...
O desconhecido depois da curva
quero com calma enfrentar...
À morte que me espera ali na frente
com a sensação de dever cumprido
quero minh'alma entregar.
Não sou mais o mesmo,
ando a esmo,
no caminho escolhido,
estou perdido.
Nos primeiros passos
não errava o compasso...
mil passos depois
não sei mais o que já foi.
Me repito, me complico,
o visto, o não visto,
pro imprevisto
me visto.
Modificado pelo tempo,
calejado, maleado,
ajustado, adaptado...
não mais o mesmo
mas o mesmo mudado.
Que ninguém venha dizer que esta vida é um mar de rosas... não é não... é um vale, um vale de lágrimas... quase sempre...
Você segue em sua caminhada... sim, segue porque não pode parar. Na vida ninguém pode parar.
Há os planos, as linhas retas... e você enxerga o horizonte lá na frente... o Sol vai nascer mais uma vez - cumprindo sua função de nascer - e vai passear pelo céu. Mas não tão livre, leve e solto assim, não. A trajetória está determinda, o tempo está determinado, e as nuvens que irão solenemente fazê-lo perder o brilho virão... sem se importar com a força que o astro rei tem.
Você já pensou que a mais leve das nuvens cobre o Sol... mas ele não perde sua majestade... fica firme em sua rota, não é qualquer nuvenzinha que vai tirá-lo do caminho, nem a nuvem mais carregada... elas apenas escondem o brilho e o calor dele por um tempinho... mas ele de repente dá uma espiadinha, deixa sair um raio depois do outro e brilha novamente com todo o seu esplendor.
E você? Qual o tamanho da nuvem que cobre seu caminhar... que turva seus pensamentos?
Vai deixar se abater? Até pode, porque ninguém é de ferro... mas fique abatido só um pouquinho... depois dá uma espiadinha e veja lá na frente o que espera vocë... pode ser até nem tão lá na frente... pode ser logo ali.
É, camarada, a vida é um vale... que vale muito... vale tudo o que você tem... e ela, a vida, é tudo o que você tem... não deixe esse vale de lágrimas afogar tudo o que você tem.
Ah! e ainda bem que é um vale... fosse um mar você ia se afogar de verdade e bem rapidinho. Como? Já tentou nadar num mar de rosas?
Há amor, há desamor...
há alegria, há dor,
há luz, há escuridão,
você não sabe como anda meu coração.
Há paz ou há guerra
o que minha vida encerra?
Há medo ou há coragem,
enquanto sigo viagem?
Do que fui, do que sou,
do que serei...
somente, a verdade, eu saberei...
você que me olha de fora...
está por fora... ah! como está por fora.
Pode tentar adivinhar
o que estou a digitar
são verdades... são mentiras?
Meu coração está inteiro
ou está em tiras?
Já disse Pessoa
"o poeta é um fingidor".
Nas minhas linhas
há verdadeiramente dor?
O que escrevo são verdades,
são mentiras?
Cartão de crédito
E assim a humanidade segue num mundo alienado de tudo... de todos... cada vez mais.
De olhos bem tapados pra não ser visto. De ouvidos bem tapados pra não ser ouvido. De mãos atadas pra tudo... pra todos... pra ter desculpa pra não fazer nada.
Os óculos bem escuros, o boné que cobre a visão, os fones nos ouvidos.... tudo pre-me-di-ta-do pra não ter que acenar a mão. Ah! e a música bem alta pra alienar a própria emoção.
Que mundo é este que está nos levando a total alienação? Cada um vai carregando sua vidinha muito alienada na própria mochila... num caminho que vai dar em nada... neste mundo que dá voltas e mais voltas... mas parece que está sempre parado.
E a síndrome do Fantástico? Amanhã você vai trabalhar de cara feia, num trampo que não gosta, que não lhe dá o menor prazer... por quê? Porque tem de sobreviver... alienado.
E o salário vai direto pra sua conta, porque pro empregador é melhor não olhar pra sua cara e ter de dar de cara com o que não é de sua conta... A conta é você quem vai pagar... com o cartão de crédito - pra não ter de fazer conta, pois o troco é de sua conta... e o credor pode não saber fazer conta e o troco errado dar.
E o salário dar conta é de sua conta...
So sorry :(
Corre... corre.. corre... vamos lá, depressa, não pode parar.
Vamos nos conectar, twitar, facetar... sem parar. A vida pede pressa, então depressa... está tudo diferente, e mais será daqui pra frente.
Prepare-se, não deixe nenhum vácuo na sua agenda.... a sua vida inteirinha cheinha de compromissos tem de estar... rápido, seja rapidíssimo, se não for... quando chegar vai percebeu o azar que deu se atrasar.
Silêncio...
Pare um pouco pra respirar... sinta o ócio, o tédio de sem nada pra fazer, com tudo pra aproveitar. Desligue-se, desconecte-se... conecte-se com você... só com você, sinta sua respiração, as batidas do seu coração... só do seu coração... esteja só com você o quanto você se aguentar.
Agora bem devagar, silenciar e o céu contemplar.
Vá lá fora e olhe o céu.... agora... bem devagar... slow, slow, baby...
Nas ondas do mar
um barquinho a navegar
ao sabor do vento
deixa-se levar...
Pra lá... prá cá...
pra cá... prá lá...
o vento a lhe guiar
sem rumo certo
não sabe aonde vai chegar...
se vai chegar...
ou vai chegar a qualquer lugar.
Sem leme, sem direção
vai pra onde as ondas vão
assim é todo aquele
que de Jesus não segura a mão
Nos meus sonhos, nos meus planos,
nem enganos, nem desenganos
pra sempre do seu lado eu ficaria
era uma promessa que eu jamais descumpriria.
Amor só com você,
amizade verdadeira,
verdadeira companheira...
razão, emoção...
tudo junto, misturado,
dois corações,
num só coração.
E você bateu a porta,
dizendo-me não importa...
as promessas eram suas...
você viu certo em linhas tortas.
E você saiu,
me traiu...
e ainda sorriu.
Aceito tudo,
perdoo tudo,
saiba...
já não me iludo.
Mas me deixar?
Por outra me trocar?
Partir?
E eu?
Eu...
minha promessa descumprir?